terça-feira, novembro 25, 2008

O “caso” do espelho inteiro

A Dedé era tráfego da Sinal. A Sinal foi a agência que o João Moacir de Medeiros e o Fernando Barbosa Lima montaram em conjunto para atender a conta do Banco Nacional, naquela época, o terceiro banco do país. Era uma agência pequena e funcionava nos fundos da Esquire Propaganda, um palacete bem ali na Marquês de Olinda, quase esquina de Bambina. Tempinho bão... a publicidade era outra e o mundo habitado por indivíduos, creio eu, um pouco melhores do que hoje.

Quando eu digo nos fundos da Esquire, quero reforçar que esses fundos eram uns fundos de responça. O gigantesco palacete da Marquês de Olinda tinha uma casa de dois andares que ficava bem ao fundo mesmo. Mas olha, era um caso muito sério. Deve ter sido a casa dos empregados, mas era algo bem maior do que muita casa que a gente vê por aí. Ademais, emendava com uma subida para a montanha, montanha esta que fazia limites com os terrenos da Universidade Santa Úrsula, do outro lado, na rua Pinheiro Machado. O Favilla e eu costumávamos criar campanhas ali, em meio à natureza exuberante e apreciando a Enseada de Botafogo. Sim, porque o terreno era muito alto e a vista era deslumbrante.

Ademais o ambiente era do cacete, pois se nós da Sinal éramos uma pequena equipe de nove profissionais, a Esquire, lá na frente, era uma agência que reunia uma das maiores equipes do Rio de Janeiro. É mole? Eram cerca de 100 homens, mulheres, e, claro, eternas crianças que habitam este mundo da publicidade. Quase todos os dias íamos almoçar no Olinda (hoje Manolo’s) e saboreávamos aqueles quitutes maravilhosos do mestre cuca espanhol. E quase todas as sextas-feiras íamos encher a cara no Clube do Samba, nos bons tempos em que era ali em cima da sede do Flamengo, no Morro da Viúva.

Mas eu comecei tudo isso aqui falando da Dedé. Bom, a Dedé para além de tráfego da Sinal era uma menina muito inteligente. E muito, mas muito engraçada. Eu me divertia com ela, porque tinha uma personalidade particular. A Dedé foi quem me apresentou a J. R. R. Tolkien. Mas isso em 1979. Gente, ninguém sabia o que era isso no Brasil. E a Dedé já conhecia o Hobbit. Eu o li enquanto trabalhava na Sinal e a única pessoa com quem podia trocar idéias sobre o livro (que me fascinou de cara) era ela, a Dedé.

Porém, para além disso a Dedé tinha outras curiosidades. Um dos casos mais curiosos que ela me contou foi o de que não tinha espelho inteiro no seu apartamento em Copacabana. Aí, ela tinha que fazer uma grande ginástica para se olhar no espelho quando ia a uma festa, por exemplo. E o quê que ela fazia? Bom, simplesmente a Dedé entrava no elevador do prédio, que obviamente tinha um espelhão, e ficava a se olhar. Só que quando o elevador parava ela disfarçava e fingia que estava apenas se deslocando. Figuraça essa Dedé...

14 comentários:

jr disse...

Acho que sei quem é essa Dedé. Em que agência ela trabalhou?

suzana disse...

Tenho acompanhado este blog já a algum tempo e me agrada muito. Porém gostaria de dizer que o seu portfolio está excelente. Como não tem espaço para comentários lá, deixo este aqui.
Suzana

Jonga Olivieri disse...

Talvez você queira dizer em que agências ela trabalhou. Bom, labutamos na Sinal e depois não sei para onde foi. Nunca mais a vi...

Jonga Olivieri disse...

Obrigado Suzana.

leonardo disse...

o fato dela ler O Senhor dos Anéis já naquele tempo mostra o quanto era uma pessoa que gostava de conhecer coisas novas. Mas diga-me espelho meu...

redatozim disse...

Don Oliva, depois que casei, espelhinho no quebra-sol do motorista é o primeiro item que verifico quando compro um carro.

PS - Encontrei Zuim hoje. Fiz até post.

Jonga Olivieri disse...

Também acho uma boa dose de informação. Naquele tempo "O senhor dos anéis" era uma obra muito pouco conhecida.

Jonga Olivieri disse...

Mulheres e espelhos são um problema muito sério. A gente é capaz de sair de casa sem sequer se olhar. Mas elas...
Grande Zuim. Vou ler o seu post.

Anônimo disse...

Que e isso? Poucas vezes li um caso tao engracado.
Imagina so uma pessoa subindo e decendo no elevador do predio.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Certamente hilário... E o pior é disfarçar quando entrava alguém... hehehe!

Anônimo disse...

Essas mulheres.
Cantídio Tarsitano

Jonga Olivieri disse...

E elas é que nos encantam, nos seduzem e nos fazem amá-las... com essas frescuras todas!

Selma Trigueiros disse...

Eu compreendo perfeitamente ela. Faria a mesma coisa para ver se estava bonita. E jamais sairia sem sabê-lo. Vocês homens não compreendem a s mulheres mesmo.
Selma

Jonga Olivieri disse...

Como diria o Jonh Wayne:
- Women... no bud undertand us!!!