terça-feira, dezembro 02, 2008

Noitadas na Lapa

Houve uma época em que gravar VT era sinônimo de virada. Falando sério, era um ‘pegapacapá’, uma disputa de horários e uma falta de disponibilidade dos mesmos. Para quem vive no mercado de hoje é até difícil de entender o porquê disso tudo, mas uma explicaçãozinha não faz mal a ninguém. Naquele tempo (1), a gente fazia este trabalho dentro das emissoras. Simples: somente elas possuiam o equipamento adequado. Produtoras até o tinham, mas eram deficientes.

Na época, também a gente fazia muito filme. As boas produções eram em película. Vídeos começaram como quebra-galho, coisa tocada, varejo de ofertas, lançamentos imobiliários de segundo tope pra baixo, etc, etc. Havia mesmo um puta dum preconceito com VT’s. E pra agravar a situação, as emissoras disponibilizavam seus equipamentos altas horas, ou seja, depois que acabavam todos os seus compromissos com a sua programação, entravam os publicitários. E geralmente isso começava lá pelas duas da matina. Sessão coruja, não é mesmo?

Fiz muitas gravações na TV Globo, na Pacheco Leão, Jardim Botânico. Mas depois veio o tempo da TVE (TV Educativa) ali na avenida Gomes Freire, coração da Lapa. Mas era uma fila danada... gente pra dedéu! O comum mesmo era sair dali quando o sol dava ensaiadas em seus primeiros raios matinais. E o pior é que a Lapa de então era o bas-fond, o submundo. Se fosse hoje, ainda dava pra dar uma circulada, mas então... o melhor era ficar intramuros, livre de certas figurinhas notórias da noite.

(1) Refiro-me às décadas de 1970 e 80.

12 comentários:

Anônimo disse...

Peguei este tempinho. Coisa muito dura!

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

E põe dura nisso, sô!

redatozim disse...

Eu fiquei sabendo de um cara de produtora aqui de Minas que anda bastante mal, don Oliva. Área ingrata após as mudanças.

Jonga Olivieri disse...

É, quando acontece pega muita gente no contragolpe...

Anônimo disse...

Olha, eu me lembro vagamente deste tempo. Não eram produtoras, mas as próprias emissoras que disponibilizavam o espaço, certo? E as produtoras faziam o que afinal?
Cantídio Tarsitano

Jonga Olivieri disse...

Cantídio, você me pegou nessa. Eu participei dessas produções mas, confesso, não tenho conheciemnto da engrenagem neste sentido.

Anônimo disse...

As produtoras apenas intermediavam o trabalho que era feito com os equipamentos das emissoras. Primeiro na Tupi (iiiihh, há quanto tempo), depois na Globo e TVE.
Mas aos poucos as próprias produtoras começarama a se equipar e produzir todo o seu trabalho, chegando a esses estágio que vivemos agora.
Ernani

Jonga Olivieri disse...

Caramba, você me pegou nessa, porque da Tupi eu até lembro, mas produzir alguma coisa lá eu não cheguei a fazer não.

jr disse...

Tempo bão. Ou melhor, tempo ruim.

Jonga Olivieri disse...

Podia ser um tempo ruim.
Mas que tinha o seu lado bão, lá isso tinha.
E como, sô.

anita disse...

Imagina nós mulheres, nessas viradas e naqueles tempos?
Anita

Jonga Olivieri disse...

Devem ter sofrido, principalmente na Lapa.