quarta-feira, dezembro 10, 2008

O “caso” do xingamento

Até certo ponto era um dia mais ou menos normal, naquilo que era uma agência sempre sujeita a chuvas e trovoadas (1). Mas o pior: chuvas e trovoadas que não têm nada a ver com o mundo da publicidade tal e qual o conhecemos, mas as tempestades provocadas por um dos mais patéticos empresários que se aventuraram no mundo da propaganda sem ter nada a ver com ela. É mais ou menos como esses donos de consultório dentário que nunca foram dentistas. Capito? Um sujeitinho prepotente e se achando o dono da verdade. A figura mais ridícula que conheci no meio, em meio aos meus mais de quarenta anos de janela.

Mas o pior é que o cara gostava de chegar ‘endoidecido’ pela manhã criando alguma quizumba com alguém. E o mais pior ainda, com alguém da minha área: criação ou estúdio. Sim, porque, pelo fato de ser o diretor de criação naquela agência, eu não somente era o responsável pela equipe, como assumia isto. O problema é que sendo diretor de criação não se tem como deixar passar alguma coisa batida. Ou fazer vista grossa e fingir que não viu... simplesmente você está no meio do fogo e ponto final.

Estava eu, envolto em minhas preocupações com prazos e outros detalhezinhos, quando toca o telefone e é, nada mais nada menos do que ele me chamando na sala dele com a voz meio que embargada. Quando a voz tinha este tom, eu já previa que vinha chumbo grosso. Ou seja, era algum caso criado, algum problema cultivado pela ‘figurinha’ rara. Bom, transpus a minha porta e encaminhei-me para o seu gabinete. Lá chegando, senti pelo olhar tresloucado que era realmente algo muito grave. A julgar pelas últimas investidas que culminaram nas mais novas atualizações da Inquisição, estava ali começando mais um capítulo.

- O Fabrício mandou a Cristina tomar no cu! Vomitou de uma só golfada no meu ouvido.

Fiquei a olhar para a figura sem entender muito o que se passara e perguntei:

- Quando? Como? Meio que estupefato, atordoado...

Resumo da ópera: havia tido um xingamento na noite anterior. No calor da noite, numa dessas viradas loucas de agência. Sim, porque aquilo, apesar dele querer negar todo o tempo, era uma agência de propaganda. E daquelas em que sempre o atendimento tem a razão. Tentei argumentar que tem vezes que a gente fala uma coisa da boca pra fora. Mas não, para ele só havia uma alternativa: o Fabrício tinha que pedir desculpas formais à garota.

Fui até minha sala e esperei o menino voltar. “Logo meu melhor finalista”, pensei amargamente, prevendo um triste fim para aquilo tudo. E não deu outra. Falei com o Fabrício que se negou terminantemente a tomar tal iniciativa. “Caramba, Olivieri – disse ele –, eu juro que não tinha a intenção de xingar com o fundo de minha alma... foi só um vá tomar banho com palavras mais duras”. Só sei que neste vai-e-vem, ele acabou sendo despedido no final daquele mesmo dia.

Mas o antecedente já estava aberto. “Já sei como vou sair desta agência”, deduzi naquele instante. E dito e feito. Em torno de um ano depois, mandei alto e bom som um contatinho de merda “tomar no cu”. A agência toda escutou. E eu, antes mesmo que me chamassem, entrei na sala do diretor de Pessoal e entreguei uma carta de demissão que já estava pronta, somente sem a data, que coloquei ali e à mão naquele instante. Xinguei e me mandei. Em caráter irrevogável!

(1) O “caso” do Frila http://jongaoliva.blogspot.com/2007/04/o-caso-do-frila.html é um outro caso passado nesta mesma agência e publicado em 24 de abril de 2007.

20 comentários:

Anônimo disse...

Olha, aquele caso do frila é horrível.
Como é que pode existir alguém tão 'escroto' (a palavra é essa) quanto o tal de Fernando Campos?
É um caso a parte. É uma aberração no mundo da publicidade um personagem com tais características.
Continue contando casos dele. É preciso que as pessoas evitem a agência dele. Como fizeram com o Fischer. Lembra-se?
Cantídio Tarsitano

Jonga Olivieri disse...

Eu até conheci patrões escrotos. mas, como ele é difícil, Cantídio.

Anônimo disse...

Que baixaria eh essa?

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Baixaria em que sentido?
No do sujeitinho ou das palavras xulas?

Anônimo disse...

Acho que em todos. Esta certo que exista o lado do palavrão, mas principalmente porque o tal sujeitinho eh uma pessoa completamente desiquilibrada.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

E põe desequilibrado nisso. Conheci poucos malucos como ele.

Anônimo disse...

Olha, trabalhei com alguns "filhas da puta" notórios no mercado, mas igual a esse tal de Fernando Campos nunca vi nada igual.
N~ao é possível porque nos dois casos contados por você a coisa chega às raias do absurdo. Parece até um personagem ficcional.
Ernani

Jonga Olivieri disse...

Mas existe. Acredite... se quiser!

Amélia disse...

A carta de demissão pronta e só faltando a data é um detalhe muito interessante. Havia um tempo em que tinha esta mesma artimanha. Só que não precisei usar porque um certo dia a agência fechou. Rs!

Jonga Olivieri disse...

Sortuda!

redatozim disse...

Nota: o Fabricio voltou a trabalhar por lá.

Jonga Olivieri disse...

O que mostra o quão débil mental é o Fernando Campos... Aliás, débil mental é elogio!

Anônimo disse...

Mas o Fernado Campos não é um profissional criativo do Rio de Janeiro?

Jonga Olivieri disse...

É? Esse eu nem sei que é!
Conheço o Semrabudusinferno* que é o Fernando Campos, dono da Solution uma empresa 'laranja' da Localiza. Com que finalidade, nem deus sabe!
Uma empresa da qual fui Diretor de Criação, mas que nem consta no meu currículo porque tenho vergonha de ter trabalhado nela.
Vaderetro!

(*) apelido dado ao tal do Fernando Campos por um colega nosso, e que eu nunca vi uma definição tão feliz.

jr disse...

O outro caso já havia me chocado. Juro por Deus, mas esse Fernando é uma figura ignóbil, asquerosa. Cheirador, tem toda pinta que é, mas será que ele é, será que ele é?

Jonga Olivieri disse...

Eu acho que sim. Mas não tenho como comprovar.
Agora... quando chegava de manhã totalmente 'tresloucado', fungava que nem um condenado. hehehe!

Anônimo disse...

putaquiupariu, não pode existir ninguém como este cara.
concordo com outros que afirmam que se trata de ficção.
Mozart

Jonga Olivieri disse...

Mas o pior é que existe, a "agência"(?) chama-se Solution, e é uma empresa laranja (ou laranjo) no dizer dele até na cor da logomarca.
E o "cara" é execrável meu caro Mozart.
Pra começar ele diz que fez pós-graduação nos Estados Unidos e na França. Pois bem, não fala nada nem de inglês nem de francês (???).
E... onde será que ele se graduou? Num desse cursos por correspondência? E começou como "contatinho" de merda do jornal "Estado de Minas".
Dá pra acreditar? Eu não acredito. Até porque conheci o gajo e ele só tem um discurso... um único e cansativo discurso que não leva a nada! Só impressiona quem nunca o escutou.

Selma Trigueiros disse...

Que coisa mais horrível. Estou horrorizada, porque não pensei que pudesse existir uma pessoa tão cruel e baixa a não ser em filmes e romances. Principalemtne os folhetinescos.
Selma

Jonga Olivieri disse...

Believe... or not!