segunda-feira, janeiro 19, 2009

O “caso” do Nelson Ned

Engarrafamento na Lagoa, principalmente ali na curva do calombo é coisa antiga neste Rio de Janeiro. Houve uma época em que era comum a gente subir a rua Tabatinguera para cortar caminho. Como era em “U”, a rua deixava quem a pegasse depois da curva e isso era uma economia de tempo danada.

Bem, um dia peguei o diabo da rua e quando cheguei do outro lado ela estava fechada. Sim, fechadona com peças de concreto, que aliás estão lá até hoje. Tive que manobrar e voltar atrás... bem atrás. Eu e uma meia dúzia de carros que pegaram aquele atalho-macete para avançar alguns metros, mas, àquela altura preciosos metros.

Quando cheguei na agência no dia seguinte, fiquei sabendo de tudo. O Lindoval de Oliveira, o “L” de L&M conseguira mandar fechar a rua, com o auxílio do presidente da Embratel (conta que atendia), porque a zoeira de veículos passando por ali à noite incomodava a ele e toda a vizinhança. Até uma razão muito justa, porque devia ser mesmo infernal.

Mas o Lindoval, apesar de ter cortado o meu caminho para chegar mais rápido em casa, era um bom patrão, um sujeito dotado de um bom humor quase que constante, espírito irônico e brincadeiras constantes. Uma vez, criei uma logomarca para a Portela e ele me chamou para ir uma noite na quadra daquela escola de samba. Com direito a acompanhante e camarote da diretoria. Levei minha mulher e foi uma noite bastante divertida. Apesar do barulho quase ensurdecedor.

Houve um final de ano que ele convidou toda a criação da agência para ir a uma festa no seu apartamento. Na ocasião, morava na Lagoa, mas numa outra transversal que não me recordo o nome. Eram três duplas, além do diretor de criação, a revisora o RTVC e mais acompanhantes, somando em torno de doze pessoas. Uma festa em petit comité. Logo que chegamos, Lindoval e a esposa armaram um tablado desdobrável na grande sala do apê, formando assim uma pista de dança. Rolaram muito uísque, cerveja, vinho e fosse lá o que se quisesse beber, de campari a gin. Isso acompanhado de muitos canapés. A música começou a distrair os ouvidos e alegrar o ambiente. Primeiro mais calmamente e à medida que o tempo passava elas esquentavam.

Mas o mais inesquecível naquela festa, foi sem dúvida o pileque do Mauro Matos, então o diretor de criação da L&M. O cara entrou numa louquíssima e lá pras tantas, quando tocava um samba, se jogava no chão, e de joelhos continuava a dançar gritando: “Nelson Ned!”. Foi muito engraçada a situação. O pior é que na saída ainda brigou com a Maria Isabel, sua mulher, porque queria ir dirigindo pra casa. Tombou no banco antes de consumar a loucura.

Na segunda-feira, encontrei o Mauro. Talvez ainda de ressaca, dois dias depois, mas, segundo ele com os joelhos em pandarecos.

18 comentários:

jr disse...

Imagino o Mauro Matos completamente bêbado fazendo caretas e se jogando de joelhos. Deve ter sido hilário, meu!

Jonga Olivieri disse...

Isso é maldade!

redatozim disse...

Ajoelhou, tem que sambar, Oliva.

Jonga Olivieri disse...

E haja joelho pra güentar um tranco desses.

Anônimo disse...

Maldade é com o Nelson Ned.
Isso é politicamente incorreto.
Cantídio Tarsitano

Jonga Olivieri disse...

Não sou nada partidário deste radicalismo "politicamente correto", mas você tem uma certa razão.

Anônimo disse...

Esta foi muito boa. Morri de rir no final.
Um dos melhores Causos deste blog.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Caramba! Num pensi qui fosse tão bão assim!

leonardo disse...

O Lindoval foi um grande profissional deste mercado. Não sabia era desses detalhes de festas em casa e coisas assim.

Jonga Olivieri disse...

O Lindoval era um sujeito que gostava de festas. Era divertido conviver com ele.
Agora, precisava ter um certo cuidado porque era irônico que só ele. Se lhe pegasse numa escorregada, sai da frente, gozava muito tempo em cima disso.

Anita disse...

Também que loucura a desse Mauro.
É só uma prova de que quem está bêbado não sabe o que está fazendo.
Mas deve ter sido uma festa e tanto.

Jonga Olivieri disse...

Muita bebida tem desses problemas...

Anônimo disse...

O Mauro Matos sempre gostou de um copo. Tem um caso seu em que você conta um memorável dele no Bar Lagoa.
Ernani

Jonga Olivieri disse...

Aquele caso foi sensacional.
O Mauro levantou-se, foi ao banheiro e sumiu...
Preocupados porque não voltava, o encontramso numa outra mesa a bater o maior papo com outra turma de conhecidos.
Ele simplesmente pensou que estava lá desde o início.
Quer dizer estava totalmente fora de órbita com os sei lá quantos uísques tomou.

Anônimo disse...

O Mauro Mattos saiu da Contemporânea. Você sabe onde ele está?

Jonga Olivieri disse...

Pra dizer a verdade não.
Creio ser bem provável que tenha se aposentado.

Jonga Olivieri disse...

Em tempo. "O 'caso' da mesa trocada" que conta o porre do Mauro Matos no Bar Lagoa foi publicado em 25 de agosto de 2006 neste blogue.
Quem quiser, confira.

Anônimo disse...

Obrigado pela dica. Pela data, fui lá e conferi o tal caso da mesa trocada. É divertido as pamparras.
Ernani