domingo, junho 21, 2009

O “caso” do fotógrafo chorão

Trabalhava na DM9 em Salvador. Havia um excelente estúdio fotográfico na agência, no qual tirávamos fotos, revelávamos e com um fotógrafo safo dotado de um grande jogo de cintura ótimo para a “pauleira” da agência, e, principalmente a solução para as urgências.

Acontece que este fotógrafo também (e consequentemente) estava quase sempre atolado. Bom, na cidade havia outros profissionais competentes e sérios. E os usávamos quando a verba era maior ou quando o nosso não estava disponível para o trabalho no momento necessário.

Eu tinha que fotografar alguns automóveis na garagem de um cliente, uma revenda Volkswagen. E a foto tinha que ser no local porque deveria mostrar o seu grande tamanho. Não adiantava, portanto utilizar aquelas fotos cedidas pelos fabricantes, sempre de boa qualidade.

Pouco tempo antes, havia visto o portfolio de um fotógrafo estadunidense que muito me impressionou. Peguei o telefone e liguei pro cara. Marquei a foto, o dia e o horário para nos encontrarmos no endereço da garagem do cliente. O que aconteceu, com uma pontualidade britânica.

Realmente era uma área espetacular pelo seu tamanho. Eu havia marcado no layout uma foto em que havia um carro bem na frente e com uma grande angular, via-se o resto da área mostrando sua imensidão. Mas aí surgiram os problemas. O ianque começou a reclamar que fotos de automóvel não podiam ser feitas daquele jeito, que os reflexos incidindo sobre o veículo que estaria na frente seriam tétricos e yada yada yada (1).

Eu expliquei que sabia disto, que o ideal era usarmos um pano branco (no caso de enormes proporções) para evitar aqueles reflexos todos (2), mas o guy não cedia. No final de mais de 40 minutos de conversas e trocas de idéias, ele sentou-se no chão e pôs-se a chorar. Copiosamente.

Acabamos realizando a foto. E não ficou tão ruim. Afinal, o tal carro que estava em primeiro plano tinha alguns reflexos, mas juro que já vi coisas piores. Até porque a foto era uma das que estavam numa composição.

Nunca mais fiz nenhuma foto com o tal “gringo neurótico-depressivo”...

(1) Blá-blá-blá em inglês...

(2) É bom lembrar que não havia Photoshop naquela época. Retocar um slide era caríssimo e ficaria inviável.

8 comentários:

Anônimo disse...

Vim dar uma olhadela na sua resposta ao meu comentário de ontem e encontrei este caso tão engraçado.
É pra 'chorar' de rir.
Ernani

Jonga Olivieri disse...

Porra Ernani, foi um dos casos mais engraçados que vivi. Quer dizer: engraçado agora que passou...

redatozim disse...

se não era estrela, era tarja preta

Jonga Olivieri disse...

O cara era mesmo estranho!
E foi uma cena grotesca. Imagina um sujeito ruivo, baixinho, meio careca (apesar de novo), sentado num canto da oficina... Chorando.
E eu do lado me sentindo um babaca numa tarefa que poderia ter sido feita (e bem feita) em uma hora, mas durou a tarde inteira.

anita disse...

Esta foi uma verdadeira saia justa.

Jonga Olivieri disse...

Olha, Anita, os mecânicos passavam e olhavam intrigados aquela figura "woodyaleneana". Um vexame na melho das definições.
Nós, brasileiros, temos uma capacidade de improviso que não consegue entender um raciocínio duro daquele jeito.

Anônimo disse...

Voce falou do improviso brasileiro. Isso e uma coisa que eles nao tem a menor ideia.
Sei disso porque moro aqui ha muitos anos e ja vi coisas idiotas acontecendo por causa desta falta de imagincao.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Você até me lembrou que tenho um caso muito interessante sobre a falta de senso de improviso dos ianques e como ela atrapalha a criatividade.
Mas, vou escrevê-lo. E posta-lo.