sábado, julho 11, 2009

Um artista inesquecível

Conheci o Flávio Colin (1) quando comecei meu estágio em publicidade – na McCann Erickson – no ano de1965.

Para além de ficar seu fã, um admirador (de carteirinha) do seu trabalho artístico, frequentei durante muito tempo a sua casa, sempre muito bem recebido pela Norma, sua simpática esposa. Na época, ambos morávamos em Botafogo e sua casa ficava a alguns quarteirões da minha.

Ia às noites de sexta-feira, e batia longos papos com ele, que considero um dos melhores contadores de “causos” que tive oportunidade de conhecer. Enquanto contava as suas ricas histórias, cheias de detalhes, ele ficava a desenhar seus projetos de HQ e frilas para agências de publicidade, e era comum eu sair de lá, já o sol nascendo, após muitas e muitas garrafas de cerveja.

Ficava escutando e admirando a sua grande imaginação e poder de descrever os acontecimentos com detalhes preciosos. E, claro, o seu primoroso trabalho artístico em seu estúdio montado num quarto no pátio de sua casa, em uma típica vila carioca. Era um local tão agradável que o tempo passava sem que se notasse. Ali, acompanhei o lançamento de “Vizunga” (2) passo a passo. E era emocionante ver a sua vibração com o personagem. Que, aliás, considero um dos melhores que tivemos aqui por terras tupiniquins.

Flávio faleceu aos 72 anos em 2002. Eu estava a fazer campanha política em Recife e soube de sua morte somente quando voltei para o Rio de Janeiro. O Brasil havia perdido um dos maiores quadrinistas de sua história (3). E eu um amigo inesquecível.

(1) Se quer saber mais sobre a vida e a obra do autor acesse este link:
http://www.bigorna.net/index.php?secao=biografias&id=1148261005

(2) Existem muitos textos sobre “Vizunga” na web, mas o link abaixo é muito esclarecedor:
http://www.universohq.com/quadrinhos/vizunga_intro.cfm

(3) Flávio Colin amava tanto o seu trabalho em HQ, tendo abandonou a publicidade, que lhe proporcionava muito mais dinheiro pelo seu ideal.

11 comentários:

Anônimo disse...

Não sabia que eras tão íntimo do Flávio Colin.
Sempre ouvi falar bem dele mas me lembro bem das historinhas d'O Anjo. Ele tinha um traço marcante.

Cantídio Tarsitano

Jonga Olivieri disse...

Estes limks que coloquei na postagem falam sobre as influências do que havia de melhor no traço do Colin.
Eu, pessoalmente acho que a grande marca dele eram luz e sombra. Um grande segredo das HQ daquele tempo (que eram muito melhores que as de hoje *).
Mas eu era amigo dele até porque um vizinho no prédio dos meues pais conhecia muito ele.

(*) Por mais ricas que sejam, quando você pega aquelas historietas em PB é que vê que o que vale mesmo é o talento...

anita disse...

Já ouvi falar do Flavio Colim. Alguns de seus quadrinhos foram publicados na Europa.

Jonga Olivieri disse...

Anita, houve uma ocasião em que encontrei o Colin na rua e ele me contou que o que o stava mantendo era o fato de estar publicando historietas na Europa.
O negócio é que a História das histórias em quadrinhos no Brasil é triste.
Creio que exceto o Mauricio de Sousa, não me recordo de nenhum que tenha se dado bem.
Foram talentos, desenhistas espetaculares que se deram mal na vida por causa do verdadeiro bloqueio dos distribuidores estadunidenses, notadamente o "King Features" que foi um truste me nosso mercado. Um triste truste!

redatozim disse...

Não conheci, mas a gente sempre acha ruim sempre perde um artista.

Jonga Olivieri disse...

Caro Redatozim, o Flávio Colin era uma figura inquestionavelmente querida em todos os locias em que trabalhou.
Era dotado de um humor constante, sutil, e, principalmente que não era um humor incômodo.
Do artista nem se fala. Dá uma pesquisada pelo Google que você comprova isto rapidinho.

Anônimo disse...

O Flávio foi não só um profissional como um dos caras mais geniais que eu conheci na vida!
Vitor

Jonga Olivieri disse...

Idem, ibidem!

Anônimo disse...

Eu nao soube que o Flavio Colin mirreu ha tanto tempo atras.
O que fazer se estou afastado do pais ja se vao uns bons aos e os contactos vao ficando cada vez mais longe.
Nao trabalhei com ele, mas sempre ouvi falar muito dele. E falar bem.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Será que alguém poderia falar mal do Flávio?

Jonga Olivieri disse...

Meu amigo Lincoln Pires escreveu este e-mail:

"Grande Jonga, tudo bem?
Muito legal ter escrito sobre o Flávio Colin que eu conheci pessoalmente numa rápida passagem lá pela extinta Publicittá apesar de já conhecer o seu trabalho em HQ.
O traço dele era inconfundível e ainda tenho algumas revistas com seus trabalhos.
Um abraço,
Lincoln

A quem eu respondi:

Pois é Lincoln. O sonho do Flávo era viver de HQ, que no Brasil é um convite a privações... Enfim, como falei anteriormente: fora o Maurício de Sousa ninguem se deu bem neste país com quadrinhos.
Gde abraço procê tamb´m,
Jonga