terça-feira, agosto 25, 2009

Como morrem os PITs

Li e gostei tanto do texto a seguir no “Pastelzinho” de Maurilo Andreas (blogue de nosso primeiro parceiro), que pedi a ele para publicá-lo aqui.

Para quem não é publicitário, PIT é uma sigla que, em muitas agências, significa Pedido Interno de Trabalho. Resumindo, nada mais é do que um documento com todas as informações sobre a bagaça que você tem que fazer, como prazo, limitações, obrigatoriedades, etc.

Caso você também não saiba, PITs são criaturinhas frágeis que se assemelham muito a filhotinhos de tartarugas-marinhas. São depositados aos montes nas praias, a grande maioria morre e os poucos que sobrevivem passam por todo tipo de apuros.

A grande diferença entre os supracitados quelônios e os PITs são os predadores e o tipo de morte mais comum para cada um deles. E é justamente para você, que tem um pequeno biólogo (ou um pequeno publicitário) dentro de si, que o pastelzinho apresenta o famoso estudo científico "Como morrem os PITs".

1) Bebê Foca: esse PIT é um inocente. Nasce bonitinho, fofinho e já em seus primeiros momentos longe dos pais é recebido por caçadores sanguinários com paus, pregos e muita porrada na cabeça. Arrancam-lhe a pele e ele morre assim, irreconhecível. É das mortes mais cruéis que podem ocorrer a um PIT.

2) Envenenamento: essa morte acontece aos poucos, quase como se todo dia alguém colocasse mercúrio na sopa do PIT. No começo, ele nem parece doente, mas a cada novo começo ele parece mais fraco e abatido. Quando a gente percebe a gravidade da situação não há mais nada o que fazer, já está morto, o pobre.

3) Mal congênito: esse já nasceu sem chances de sobrevivência, coitadinho. As informações são contraditórias, o prazo é cancerígeno e a o organismo já está plenamente comprometido. Tentar mantê-lo vivo artificialmente só aumenta a dor de todos.

4) Rifle com mira telescópica: nesse caso a morte é rápida e indolor. Basta um tiro certeiro e tá lá um corpo estendido no chão.

5) Epidemia: às vezes basta um desequilíbrio ambiental no departamento de marketing do cliente para que um mal incontrolável e quase imperceptível se espalhe causando uma morte horrível e dolorosa para dezenas de PITs, dizimando quase que inteiramente a população.

6) Fadiga: certos PITs morrem de cansaço. São muitas indas e vindas, um fardo pesado de mudanças e observações inúteis, tudo na correria, tudo sem tempo de respirar. Não tem jeito, a criaturinha se esfalfa e kaput.

7) Mutilação: quase uma arte, esse procedimento (infelizmente) nem sempre resulta em morte. É aqui que o cliente exercita seu lado de cientista louco e enxerta órgãos onde eles não cabem , modifica funções de membros e retira estruturas vitais. É triste demais ver na rua esses verdadeiros monstros, deformados e sem nenhuma utilidade perceptível. Preferível a morte.

8 comentários:

Anônimo disse...

Excelente a comparacao do Maurilo. Parabens. Tem casos que eu parece que estou vendo na minha frente.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

"Esta é a nossa vida". Parodiando um velho programa de TV que muita gente por aí nem pegou, mas existiu: o "Esta é a sua vida"...

redatozim disse...

eu já vivi todos eles, anônimo aiai

Anita disse...

Gente, eu não sabia que PITs também eram filhotes de tartaruga.
Como podem fazer tanta maldade com criaturinhas tão fofas?

Jonga Olivieri disse...

É Anita... Só você mesma!
E como serão os filhotes de PIT BULS?
Veja bem, mas acho que a maldade mesmo é feita com gente. Gente que produz, gente que nada pelos caminhos da criação "na cega".
Também são conhecidos como PTs. Pelo menos eram em algumas agências em que trabalhei.

Anônimo disse...

Pedido Inicial de Trabalho: o Maurilo está de parabéns porque definiu com variações o significado deste papel/envelope/job. Na maioria das vezes uma grande armadilha.
Ernani

Anônimo disse...

Outro dia um amigo meu me ligou observando que eu estou assinando ora como Tarcitano, outras como Tarsitanso.
E eu lhe respondi: Você não sabe que este é um nome que uso para assinar neste blog?
No caso dos PITs, só faltou dizer que muitas vezes provocam pitís.
Cantídio Tarsitano

Jonga Olivieri disse...

Gostei da piada.
Quanto ao seu pseudônimo, já desconfiava há algum tempo, dado que nunca conheci nenhum "Tarcitano", nem tampouco "Tarsitano" em publicidade.
E, pelo seu papo sei que é do ramo!