terça-feira, setembro 22, 2009

O “caso” da estagiária (Republicação)

Agência grande tem alguns probleminhas. Um deles é a quantidade de estagiários que pintam. Vá lá, quando o dito cujo tem talento, é bom. Quando não tem, é um saco só de ficar imaginando que aquela figura vai ficar pelo menos uma semana na sua sala, e você terá que aturar; porque afinal de contas, geralmente são filhinhos de clientes importantes.

Na Salles era assim. Os mais de dois anos que passei naquela agência, posso contar nos dedos os dias em que ficamos sem um estagiário na sala. Havia aqueles que somavam. O Valois foi um exemplo. Ganhamos até um prêmio com um anúncio para a Souza Cruz. Posteriormente chegamos a formar uma dupla em outra agência.

A Bebel, sobrinha do Mauro Salles, foi outro exemplo de uma estagiária motivada. Tanto que anos depois, tive uma reunião na Mesbla Móveis e ela estava lá, como diretora de marketing.

Mas tinham as garotinhas vazias, que às vezes salvavam-se por serem pelo menos um colírio para os olhos. E pior, os garotinhos mimados, que nem isso eram.

Um dia surgiu a Beth. Uma graça de estagiária. Ao mesmo tempo, revelou-se logo excelente. Participativa, curiosa, produtiva. Tudo na medida certa, sabendo o seu lugar na engrenagem. Ficou uma semana conosco.

Lá pela metade de sua estadia, fiquei sabendo uma coisa sensacional. Ela era filha de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Isso mesmo: filha do Tom Jobim... Vê se pode !?

Num desses dias em que passou na nossa sala, a Beth foi almoçar conosco. Eu não aguentei, virei pra ela e disse:

- Olha Beth... Você está fazendo estágio com a gente... Tudo bem... Mas, na verdade eu vou lhe pedir uma coisa... Será que você se importa?

Fiz uma breve pausa, respirei fundo e continuei:

- Posso colocar isso no meu currículo?

19 comentários:

Anônimo disse...

Caramba, vim comentar num "causo" anterior que havima me falado que você publicou e encontro este também. Estou gostando de ver este blogue voltar com toda a força.
Ernani

Jonga Olivieri disse...

Esta idéia de republicar "casos" antigos foi excelente para dar um impulso novo às postagens.
Cara, os neurônios vão queimando, o Tico e o Teco não conseguem sozinhos se lembrar de tantas coisas!

maria disse...

Que barato! Deve ter sido emocionante o momento em que você descobriu que era a filha do Tom Jobim, né?

Jonga Olivieri disse...

E ao mesmo tempo eu não acreditava.

Anita disse...

Pôxa, reli alguns dos seus casos antigos mas havia pulado este.
SEN-SA-CIO-NAL!

Jonga Olivieri disse...

Vê, Anita, foi uma emoção muito grande. Até porque a Beth é gente finíssima.

Anônimo disse...

Também gostaria de ter presenciado e participado desta festa degustativa e etílica
Cantídio

Jonga Olivieri disse...

Teria valido a pena, Cantídio.
Eu garanto que naquela época, amanhecia as sextas feiras sempre de bom humor...

Anônimo disse...

Lembro de quando publicou este caso. Puxa vida, há quanto tempo acompanho este seu blog.
E da Beth, você ainda tem notícias? Mantem contato com ela?
Otávio

Jonga Olivieri disse...

Não a vejo há muitos anos, Otávio.

Popeye disse...

Nada mais nada menos do que filha do Tom Jobim!
Ter uma estagiária assim é demais!

Leonardo disse...

Esta Beth Jobim, creio que depois, pois você não precisou o ano em que isto aconteceu, fez a capa de um disco do Tom e acho que atualmente é artista plástica ou algo assim.

Jonga Olivieri disse...

E então não é, sailor man?!

Jonga Olivieri disse...

Isso mesmo. E além do mais cantava num côro que (no mesmo disco que ela fez a capa) acompanhava o Tom.

Anônimo disse...

Isto teria um valor imenso no seu curriculum ate aqui nos States.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Sem dúvida, caro Anonymous.

Sue Ellen disse...

Historinha fantástica.
Conheço o trabalho plástica da Beth Jobim. São esculturas muito criativas.
E como falaste, ela cantava com o Coral do Maestro Morelembaum. Aliás ela e a 'madrasta' dela a Ana Lontra Jobim.

Jonga Olivieri disse...

É isso mesmo. Ela faz esculturas.

Anônimo disse...

Beth hoje está mais envelhecida. Deve ter uns cinqüenta anos. Por aí. Mas é uma artista plástica conceituada e com qualidade no seu material de escultora.