domingo, setembro 27, 2009

O "caso" da modelo estreante (Republicação)

Mais um “caso” interessante. Este foi publicado em setembro de 2006, mas se refere a acontecimentos de dezembro de 1983.

Quando eu trabalhava na Provarejo (leia-se Grupo Mesbla), fui dirigir uma foto para a chamada Linha Branca.

Na verdade, o anúncio ‘Linha Branca’ era um página dupla veiculado todos os anos pelo Magazine Mesbla na primeira contra capa e na página ao lado da revista Veja. Uma senhora colocação. Também um senhor problema, porque a contra capa era impressa em processo diferente da primeira página, além do que em papéis também diferentes. Isso sempre dava uma diferença brutal nas cores, na textura. Detalhes de uma profissão cheia deles.

O anúncio tinha esta denominação porque era composto de várias modelos – quase sempre eram só mulheres – todas vestidas de branco. A veiculação era na última edição do ano da revista, e, portanto as modelos sugeriam um clima de passagem de ano.

O layout que eu apresentara e fora aprovado tinha umas seis modelos, todas com taça de champanhe na mão. As cores ficavam por conta de serpentinas e confetes caindo, compondo um ambiente, cujo fundo de um azulado mais escuro realçava a cor branca das roupas. Essas, o produto. A razão de ser do anúncio.

Cheguei mais cedo no estúdio, que era em Santa Teresa. E, com o fotógrafo, começamos a adiantar o cenário e outros detalhes, como luz, angulação etc. Além de acomodar a maquiadora, a produtora.

Sempre pensei o quanto as pessoas não sabem o trabalho que dá produzir uma foto, por mais simples que possa parecer.

Lá para as tantas, começaram a chegar as modelos. Conhecia algumas, como a Elzinha, que na época era casada com o filho do Clício Barroso, por acaso também Clício, e era então uma super badalada modelo. Havia outras que eu conhecia de fotos ou de catálogos de agências. Porém, algumas nem isso. Era gente nova mesmo.

Uma dessas me chamou uma atenção especial. Era linda. Devia ter uns vinte aninhos, se tanto. Um rostinho vivo. E um corpo que sai da frente. Estava mais para uma ilustração do Benício do que para algo real. Um sonho de menina. Além do mais, a roupa que ‘caiu’ para ela era extremamente sensual.

Durante os preparativos a gente vai conversando, descontraindo, trocando idéias. Normalmente o diretor de arte tem que passar para as modelos o que quer delas, o clima da foto, etc. E tentar deixá-las bem à vontade para poderem render o máximo na hora do clique.

Em determinado momento estava eu conversando com a tal lindézima criatura descrita acima. Perguntei o nome dela. Antes de qualquer coisa ela disse:

- Eu sou irmã da Ísis de Oliveira... Conhece?

Claro que eu conhecia. Naquela época, a Ísis era atriz badalada, e estava na crista da onda.

- Estou começando agora nesta profissão... Acrescentou timidamente, desviando o olhar para os lados. Ai, que coisa mais linda! E continuou:

- ... O meu nome é Luma.

Não sei se foi aquela a sua estréia como modelo, mas, tenho certeza de que foi uma das primeiras vezes que pousou.

12 comentários:

Popeye disse...

Carambolas, depois de ter a filha do Tom, você fotografou a Luma nos estertores de sua arrancada para a glória.
Coisas da publicidade, não é?

Jonga Olivieri disse...

É isso aí, coisas da publicidade... Atrevés dela conheci muita gente conhecida.
Em Portugal, por exemplo, travai contato com o Joaquim Letria, uma das maiores expressões da cultura daquele país.
Ou aqui no Brasil, figuras como Nelson Rodrigues, Grande Otelo e João Saldanha (conforme recontado em caso recente).
Ou Sergio Brito, Dionisio Azevedo, Cyll Farney ou Carlos Manga. Fora locutores, estes nem se falam como Cid Moreira ou Eliakim Araújo.

maria disse...

A publicidade pela própria característica da profissão possibiita mesmo conhecer muita gente.
É uma profissão interessante. Sente-se pelas histórias que você conta, João.

Jonga Olivieri disse...

Realmente publicidade é um meio em que circula-se bastante e consequentemente se conhece muita gente.

Anita disse...

Essa foi demais. A menina ainda se apresentando como a irmã da Isis.
Esta eu peguei já no final da sua carreira artísitica, pois logo sumiu do mapa.
Conheci a Luma como star e casada com o seu biliardário.

Leonardo disse...

A Luma sempre foi um mulherão. A Isis era bonita, apesar de ter vivido um tempão se naõ me engano com a Renata Sorrah.

Jonga Olivieri disse...

A Isis deu uma sumida mesmo.
E hoje ela deve se apresentar como a irmã da Luma. hehehe!

Jonga Olivieri disse...

Acho que sim, mas que é isto?
Parece fofoca de "Amiga TV Tudo"...
Hoje em dia "Caras" e outras revistinhas marrons de "famosos e celebridades".

Anônimo disse...

Um previlégio seu ter conhecido a Luma naquela época. Ela era um pitéuzinho, não é?
Otávio

Anônimo disse...

Uh-La-La!
Conhecer a Luma deste jeito tao especial e demais.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

è Tavinho, era um piteuzinho mesmo!

Jonga Olivieri disse...

Umjeito especial para uma mulher especial.
Só que nunca mais a vi... Personally, of course.