segunda-feira, setembro 07, 2009

O “caso” do leão (Republicação)


Página (está virada) que reuniu o pessoal que foi a Cannes em 1989,
e que trouxe apenas um Leão, criação de Eduardo Martins
e Karin Sá Rego (o penúltimo e a última da esquerda para a direita)
Clique na foto para ampliá-la
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Resolvi continuar a republicação de alguns “casos” mais antigos deste blogue neste mês – a comemorar seu aniversário – com este, escrito em abril de 1997, e publicado no Blue Bus (no mesmo ano), no Jornal do CCRJ em 1998 e aqui em agosto de 2006.

Foi quando a gente ia publicar o Jornal do Clube, lá pelos idos de 89. Mauro Mattos era o presidente. O Cristóvão e eu tínhamos peitado a parte gráfica, junto com a Maria Célia. Era um corre-corre danado. Reuniões de pauta. Reuniões para diagramação. Naquele tempo ainda não tinha Macintosh aqui pelas bandas do Rio. Toninho Lima, o Zé Gui, e tantos outros - se eu fosse citar um por um ia encher a página só com eles - todos envolvidos naquele desafio. “Vamos botar o jornal na rua. Ele tem que sair, ele tem que sair!” Bom, ele saiu. Aliás, pra quem não conheceu, um senhor número! Tamanhão tablóide, muita matéria, entrevistas polêmicas. E um trabalho do cão... ou do leão.

Um belo dia, me liga o Henrique Meyer. “Jonga. Pra fechar o jornal... tá quase tudo pronto... só falta fazer uma foto com o pessoal que foi a Cannes.” Resumindo, a foto ia ser no Hamdam na noite daquele mesmo dia.

Lá pelas oito eu cheguei no estúdio do Hamdam. Aquela animação. “O jornal tá quase pronto, - era o comentário geral - vamos ver se na semana que vem a gente está estourando com ele nas agências.” Um puta dum clima.

Começou a chegar o pessoal pra foto. Era a turma carioca que tinha ido a Cannes. Eduardo Martins, João Bosco, Fábio Fernandes. No meio, como figuração, a Luciana Vendramini. De repente o Henrique solta aquela: “Tá faltando o convidado mais importante da foto.” Quem será o convidado mais importante? Pensei eu com meus botões. Mas, papo vai, papo vem a gente esqueceu isso. Comecei a conjecturar com o Hamdam, qual seria a melhor maneira para fazer o Anuário do Clube. Como viabilizar essa tarefa hercúlea e até então inédita. Foi um papo longo.

De repente o Henrique anuncia com um sorriso de um lado ao outro do rosto que o convidado mais importante acabara de chegar. Olhei na direção da porta e eis que vejo surgir um leão. Mas olha gentem, não era aquele leão brocha dos comerciais do Imposto de renda não! Não era aquele leão velho, pulguento, sonolento que a gente estava acostumado a ver por aí. Era um leão de verdade, em carne, osso e mandíbulas. Um leão jovem, cheio de tesão e babante. Olhar fixo, persistente. Um leão de arrepiar.

- Não se apavorem. Tudo bem - disse o Henrique firmemente - o leão tem um domador ao seu lado. Ele é obediente. Fiquem calmos.

A essa altura, sentia minhas pernas bambearem e pensava o que eu, que tinha medo de cachorro estava fazendo por aquelas bandas. É a mesma sensação de quando a gente está subindo na montanha russa, antes daquela primeira queda brusca.

Fiquei atrás do bar. Pelo menos tinha a ilusão de que ali havia uma parede divisória entre mim e aquela fera assassina. E olha que ela, a fera, no seu instinto realmente selvagem chegou a morder a calça de couro da Lúcia Ritto, segundo o seu domador porque ela era de couro de animal africano ou coisa que o valha. Fato que não aconteceu com a Karin que estava com uma de couro artificial.

- E quando começarem os flashes? Fiz esta pergunta ao Hamdam num determinado momento de lucidez. Meu medo era aquele bicho enlouquecer, desbundar numa overdose de luzes pipocantes.

No final da fita, entre mortos e feridos salvaram-se todos, suados, descabelados. Só respirei quando o leão finalmente cruzou a porta e eu ainda esperei um bom tempo pra colocar o pé no elevador e me mandar, para acabar uma história que, literalmente, foi dose pra leão.

Texto na legenda abaixo da foto: “Fotógrafo: Hamdam – Produção do leão: Hyran Guarino – Diretor de Arte: Jonga Olivieri – Criação: Henrique Meyer – Leão: Magno – Domador do Magno: Demétrio – Domadora do Demétrio: Tânia Mara Parra – Nariz de Porco – Adereço de cena: Luciana Vendramini”

19 comentários:

Anônimo disse...

Este causo é muito interessante e vale esta tua intenção de republicar os melhores.
E gostei muito de ter colocado a foto. Valeu
Cantídio

Jonga Olivieri disse...

Quando comecei a escrever blogues os encarava muito como livros. Dos tipos sem ilustrações ou fotos,
Hoje, mudei o meu conceito. Tenho blogues somente com os meus quadros e trabalhos de publicidade o q ue ajuda muito.
Agora, sempre que possa ou precise terei algum complemento visual.

Maria Celia Olivieri disse...

kkkkkkkkkkkkkkkk, Jonga até que vc me fez rir, que bom!!!! estou imaginando a cena - aliás passou um filminho na minha cabeça!!! vc ja tem pavor de cachorro!!!! kkkkkkkkkk

Trabalho tambem GENIAL, adoro esse blog dos casos de propaganda, pois todo publicitário é engraçado. E o ambiente de trabalho tambem é animado, escreva sempre!!!!

Bjs da irmã, Cecé

Jonga Olivieri disse...

Hoje não acho que tenha mais pavor de cachorro. A não ser Pitbull & Cia., ou seja essas espécies de cachorros, na maioria nascidos e criados para matar.
Mas naquela ocasião, tinha medo de quase todos os tipos de cães.

Anônimo disse...

Estou aqui neste momento e ao ler este caso nao resisto a saudade de tantos ai no Brasil.
E que esta foto me faz lembrar de uma conhecida, eu ate diria amiga, a Lucia Rito que eu nao sabia que tinha ido ao Cannes.
A Lucia faleceu precocemente a uns quatro anos atraz e eu ja nao estava ai no Brasil.
Mas o caso e muito engracado. Impagavel e da para imaginar o que voce pode ter passado.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Conheci a Lúcia Rito, que por sinal era muito amiga de uma das minhas irmãs.
Fiz um trabalho com ela quando estava no "Castelinho do Flamengo", embora não tenha sido chamado por ela, mas pela Shirley, uma amiga com quem realizei vários trabalhos e que ela (Lúcia) havia contactado.

Leonardo disse...

A Luciana Vendramini sempre foi uma gatinha. Aí então, novinha, tudo no lugar certinho. Que uva!

Jonga Olivieri disse...

Com os recursos de hoje, pode ficar tranquilo que tudo deve continuar no seu lugar... Cetinho... Certo?

Anônimo disse...

Macacos me mordam. Porque leões jamais. Eu teria me m andado desde o início. Isso é trabalho com resco de vida.
Ernani

Jonga Olivieri disse...

Juro que cheguei a pensar nisso. Seriamente...

Anônimo disse...

Li ou ouvi poucos casos tão engraçados como este. Gente, é demais! Parabens e vamos torcer para que dê para passar os originais paa DVD.

Bertha

Jonga Olivieri disse...

Obrigado Bertha, mas garanto que na hora não foi nada engraçado.
É porque contado assim, vira mesmo uma coisa tão grotesca que chega a ser engraçada.

Anônimo disse...

O domador Demétrius esteve envolvido num crime em que também estava implicada uma paraguaia, que não era nem anã, nem Adelaide.
Acho que o dito foi preso.

Inxerido

Jonga Olivieri disse...

Lembro do caso de uma socialite paraguaia envolvida num crime, mas não lembrava do domador.

... disse...

Estou escrevendo sobre o Demétrio, e procurando coisas sobre ele na internet, achei esse blog.

Demétrio Tenório de Mello foi inquilino da minha mãe em Ipanema de 1983 a 1995 e ele teve três leões nesse periodo, o Gugu, o Magno (lembrado por vcs) e o ultimo não tinha nome, me lembro bem dos três, dei mamadeira pra eles e comprei muito carne, imagine só, minha mãe horrorizada tentando despejá-lo do prédio, e seu filho eu, adorando os leões, são muitas histórias dessa época, no final Demétrio foi assassindo com 11 tiros, seu corpo fio encontrado no Cosme velho, perto do morro dos Guararapes, Demétrio era metido com muitas pessoas escusas, é por isso q estou escrevendo sobre ele, foi tipo um ídolo pra mim qndo eu era crinaça.

Abço

Jonga Olivieri disse...

Lembro disso. Demétrio estava envolvido no escândalo de uma socialite paraguais, uma putinha de quem não me lembro do nome.
A coisa foi pesada e mataram ele. Li nos jornais da época, mas não me lembro dos detalhes... Nem do nome da "tal" paraguaia!

... disse...

Verónica Castañeda é o nome dela, na verdade acham q ela mandou matar ele. Nunca nada ficou provado. Ele tinha um dossiê q ajudou no caso Dario Messer. Eram muitas negociatas...

É isso.

abço.

Anônimo disse...

Pra começar Demetrio nao era do Ceará , e sim de Recife !

Anônimo disse...

Muito bom ter noticias e ver fotos de Demetrio depois de tanto tempo mesmo sabendo o fim triste que ele teve porque escolheu. Demetrio viveu sua adolescencia aqui em Recife e tinha uma loja de artigos de surf e biquinis chamada Dema surf, era um garoto sarado e cobicado do pedaco aqui em BV (praia de Boa Viagem),irmao de Buah e idolo de muitos daquela epoca, gente boa. Pena que desencaminhou e se perdeu. Deus o ilumine onde ele estiver!