domingo, outubro 25, 2009

O "caso" do erro de revisão (Republicação)


Como não tenho mais a prova deste anúncio, a reprodução dele aqui publicada foi escaneada a partir de uma xerox da xerox do jornal em que foi noticiada a sua premiação.
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Prometi para este mês a republicação de mais um “caso”. Este eu considero muito bom e que nos fez rir demais no dia em que aconteceu. Vai lá:

A Embratel era uma conta fantástica. A gente fez coisas memoráveis para ela nos tempos de L&M.

O meu primeiro prêmio no Clio, devo a um anúncio da Embratel. Na ocasião, o Carlinhos Chagas e eu estávamos começando na agência e nos passaram um job de classificados, destes que nenhuma das duplas mais antigas na casa queria fazer.

Nós pegamos o pedido e faturamos o prêmio. Era um anúncio que procurava técnicos em computação. Bom, nos idos de 1976, computação era realmente um bicho-de-sete-cabeças, uma coisa em que pouca gente trabalhava. Uma pequena aldeia mesmo. Daí, nós criamos um anúncio que era o seguinte: "OS, DOS, COBOL, TOTAL, ADABAS. Se você entendeu este anúncio até aqui, você é uma das 16 pessoas que estamos procurando". Aliás, o anúncio foi premiado não somente no Clio, como também na coluna do Jomar, do jornal O Globo, na Janela Publicitária, no Colunistas. Foi prêmio pra dedéu.

Mas, prêmio era uma característica na L&M, e na conta da Embratel em particular, a coisa era rotina.

Algum tempo depois, eu fazia dupla com o Ney Azambuja, e nos chegou o pedido de um anúncio para inauguração do DDI para a Alemanha. E o Neyzinho sacou um título excelente: "Meu mãe mora no Berlim. Eu gosta de falar com ela sempre". O texto era todo escrito assim também, quer dizer, como se fosse um alemão falando português. Hi-lá-rio!

Claro que no layout eu taquei lá o carão de uma alemãozão. Bom, o anúncio foi aprovado, produzido. Tem um detalhe engraçado: o modelo da foto não era uma alemão e sim um belga. Mas qualquer um juraria que o cara era um boche.

Bom, material produzido, tudo em cima, seguiu pra mídia.

Ai é que foi o grande acontecimento do referido anúncio. Alguém pegou o dito cujo e saiu gritando pela agência em alto e bom som que o anúncio tinha passado cheio de erros de revisão.

É mole?

24 comentários:

Anita disse...

Geenteeee, quando imagino que você lançou o DDI que eu acho que é uma sigla que ninguém mais usa, vejo o quanto foi pioneiro na tecnologia numa época em que isto tudo era novidade.
Mas não estou criticando não, pelo amor de Deus, estou é fascinada com isto.

Jonga Olivieri disse...

Eu lançando o DDD também, para cidades que ainda não tinham o sistema.
Falando mais claro, havia discagem direta entre as capitis e Estados mais desenvolvidos. Mas em alguns não existiam ainda. Foi o caso do Amapá. Nós criamos um anúncio que era "Agora, toda a população de Macapá está na cadeia", referindo-se à cadeia (ou rede) nacional de telecomunicações.

Anônimo disse...

Tempo bom. De novidades. Nãoq ue hoje não tenham, mas as coisas acontecem com tanta velocidade que não dá nem para acompanhar.
Cantídio

Jonga Olivieri disse...

Eu acho até que hoje teem mais novidades. Principalmente na área tecnológica.
Só que na época as novidades eram mais "novidades" ainda...

redatozim disse...

Provavelmente um atendimento o autor da façanha, não?

Jonga Olivieri disse...

Um dos poucos casos em que não foi um "boy de luxo", mas sim um assistente de mídia (que eu prefiro nem dizer o nome), mas que era um dos sujeitos mais burros que eu conheci em todos os tempos!

Leonardo disse...

Um caso engraçado mesmo. E típico daqueles que nas agencias ficam atrás de pegar um errinho alheio. Imagino como deve ter saído gritando para dizer que ele descobriu um erro que ninguém vira.
Como acontecem fatos assim e geralmente vindo dos mais medíocres.

Jonga Olivieri disse...

Isto sempre foi uma atitude corriqueira nas agências.
E você tem razão, os mais medíocres aproveitam estes momentos para mostrar-se eficientes.
Porém, em casos como este, dão com as caras na parede.

Anônimo disse...

Será que o sujeito não deduziu que aquilo era um anúncio gozativo?
Bem que você diz que é um dos caras mais burros que conheceu.

Jonga Olivieri disse...

Este era dose! Pra alemão!

Popeye disse...

O sujeito precisa ser muito burro pra não ver que o texto todo era uma brincadeira.
Bastava observar o título, quando fala de alemão e associar ao sotaque.
Será que tem que ser um gênio para sacar isto?

Jonga Olivieri disse...

Mas este era muito, mas muito burro mesmo. Isso eu garanto!

Anônimo disse...

E inacreditavel que possa ter acontecido um caso tao berrante em materia de: 1) maldade; 2) total falta de atencao; 3) burrice mesmo.
Pois se tudo passou pelos canais competentes, poderia passar um erro so, mas o texto inteiro? Isso e completa falta de qualquer tipo de raciocinio.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Exatamente, amigo...

Anônimo disse...

Coisa de louco!
Ernani

Jonga Olivieri disse...

E põe louco nisso...

Saulo disse...

Aquela agência só tinha doidos, agora pra variar, havia um burro. :-)

Jonga Olivieri disse...

Cê se lembra dele, ná Saulo?

Lígia Sacras disse...

Olá Jonga,deixei um primeiro comentário na carta de agradecimento do Saulo.É difícil saber por onde começar,ao falar do seu excelente blog, se pelo Amapá,o grande Manuel Costa,que foi a primeira pessoa ao lado de quem me sentei no primeiro dia, no pátio da Escola de Belas Artes,onde fizemos o curso de Pintura,se do Reluz, com quem trabalhei na Redinger & JGPublicidade, ele como free, eu como ilustradora contratada por 10 anos,(lamentei a morte dele),O José Guilherme,com quem trabalhei por 5 anos na Denison,e que agora, graças a vc. posso acompanhar o blog e os excelentes contos, O Valdo Melo, vulgo "Pastel",que olhou a minha pasta e disse que eu teria boas chances na minha ida para Lisboa,e agora, uma pessoa de quem sempre gostei muito,o Carlinhos Chagas,com quem fui várias vezes ao Clube de Criação,onde estavam o Pedrosa, a Célia, entre outros.Gostaria muito de saber dele,e agora mais ainda, porque de 3 anos para cá comecei a escrever poesia.O 'caso' do erro de revisão é ótimo, parabéns,pelo seu trabalho, que eu não conhecia,conheço vc.de nome,através do Saulo, há muitos anos, desde Lisboa. Um abraço, que este comentário , mil desculpas,já está uma novela,por mim, continuaria infindavelmente... Rsrsrs Lígia.

Jonga Olivieri disse...

Lígia, fico lisonjeado com os seus comentários sobre este blogue.
Espero que continue leitora e comentarista. E, quem sabe, caso tenha alguma história "fixe" pra contar, conte e mande.
Mas você, está em Portugal ou no Brasil?

O Carlinhos Chagas foi meu dupla na L&M. Depois fiz frilas com ele na VS. Mas tem tempo que não o vejo.

Rodrigo disse...

Isso me lembra um caso que houve comigo na Contemporânea. Tinha um anuncio para o programa Martha Stewart Living no canal GNT, cujo título era algo como "Martha Stewart Living, hall, quarto, cozinha, banheiro..." Aprovaram e disseram para finalizar o anúncio, mas mandaram tirar o "Living" porque o programa se chamaria apenas Martha Stewart. Conseguimos pegar a peça antes que fosse enviada pro veículo. Imagine só se saísse "Martha Stewart, hall, quarto..."

Jonga Olivieri disse...

Ia ser de doer.

Mas, por falar em Contemporânea, tem um caso que eu conto aqui neste blogue que foi o erro de revisão do Mauro (ainda na McCann) em que foram mostrar o anúncio para ele no elevador, ele saindo pro almoço (lá pelas cinco da tarde provavelmente).
O Mauro olhou o anúncio, aprovou e saiu com um puta erro de revisão. E, no título, para agravar a situação.
Dizem que foi culpa da viradinha no olho!

Maria Celia Olivieri disse...

Jonga é uma pessoa simples, quando ele fala de Paulinho Tapajós que não se promoveu!!!! eu falo JONGA OLIVIERI é um talento, hoje, se ele tivesse badalado muito por ai tempos atrás, seria muito famoso e tem mais ainda estaria nas paradas de sucesso, pois que CRIATIVIDADE tem esse rapaz, não por ser meu irmão, por ser ele JONGA OLIVIERI.

Irmão me orgulho de vc., bjsssssssssss

Jonga Olivieri disse...

Obrigado Cecé, mas não é bem assim. As coisas mudaram muito nesta profissão...