quinta-feira, outubro 29, 2009

A paixão de Cristo segundo William Wyler


Quando fui incumbido de criar o cartaz, e consequentemente o anúncio, o outdoor e os etceteras da campanha da “Paixão de Cristo” em Nova Jerusalém para o ano de 1989, eu juro que a primeira coisa que me veio à cabeça foi partir do visual gráfico de Ben-Hur de William Wyler (1959). Aquela mesmo... A superprodução com Charlton Heston, Stephen Boyd, Jack Hawks, Martha Scott e outras estrelas de primeiro time, como Hugh Griffith.
Um filme que faturou 11 Oscars (1) de um total de 12 indicações em 1960. Fora os Globos de Ouro e várias premiações internacionais. E uma obra inserida no mesmo período histórico, tanto que o romance de Lew Wallace (cuja primeira publicação deu-se em 1880), aborda dois encontros do personagem com Cristo.

Chamei na VS o Nilton Ramalho – ao lado do Benício um dos grandes ilustradores do nosso mercado – e pedi a ele que se inspirasse no cartaz daquele filme, trinta anos após, cujo layout ainda tinha uma força extraordinária. Era uma “chupada” intencional. E antes de qualquer coisa a homenagem a um grande cartaz. Foi o que ele fez, naturalmente com uma característica pessoal muito moderna, seguindo a composição e os personagens que estavam marcados no meu rough original. Porem o mais fiel possível ao do filme. É só conferir aí em cima.
O cliente (Souza Cruz) elogiou muito a campanha, considerando-a, na época, uma das mais bonitas feitas para o evento, que a empresa já patrocinava há muitos anos.

Aliás, o DVD de Ben-Hur está à venda. Ou disponível nas locadoras. Quem não assistiu, deve assistir, pois é um filme do tempo em que se fazia cinema como o cinema deve ser feito, no seu timing real e não nesta loucura de “videoclipefilmes” que se veem por aí a destruir a gramática do cinema.

(1) Os 11 Oscars de Ben-Hur foram: melhor filme, melhor diretor (William Wyler), melhor direção de arte a cores, melhor ator principal (Charlton Heston), melhor ator coadjuvante (Hugh Griffith), melhor fotografia, melhor figurino a cores, melhores efeitos especiais, melhor montagem, melhor trilha sonora e melhor som.

22 comentários:

Anônimo disse...

Existem chupadas e chupadas.
Concordo com voce que inspiracao e outra coisa. Homenagem tambem.
Ou seja, voce partiu de uma base que admirava e pelo jeito nunca escondeu isto de ninguem
O plagio e aquilo que o autor mama a ideia fica caladinho pra ninguem descobrir ele.
Parabens pelo belo cartaz.

Anonymous
New York

maria disse...

Uma historinha (ou caso) muito bom. Está de parabéns minino!

Jonga Olivieri disse...

De fato, desde o início, na agência eu disse a torto e a direito que aquilo era uma "chupada" no bom sentido. Que era uma homenagem ao grafismo daquele trabalho.
E porque eu via pontos semelhantes entre as duas histórias, uma real outra fictícia, é certo.
Mas ambas passadas na mesma época conturbada da Judéia.

Jonga Olivieri disse...

Obrigado minina.

André Setaro disse...

O cartaz de 'Ben-Hur' faz parte do meu imaginário cinematográfico.

Jonga Olivieri disse...

Tem uma força gráfica para isto.
São poucos os cartazes que fixaram tanto.
Talvez o de "Anatomia de um Crime" de Otto Preminger me remeta a um visual tão marcante.

Anônimo disse...

Uma história muito boa essa.
E concordo que sem dúvida seja uma homenagem ao cartaz do filme.
Ernani

Jonga Olivieri disse...

E este cartaz, convenhamos, mereceu esta homenagem, certo?

Anônimo disse...

Belo cartaz, Chupado ou não.
Cantídio

Jonga Olivieri disse...

Obrigadíssimo.

Anônimo disse...

Gostei de ver. Uma "mamada" assumida, pública e com boas intenções é digna de nota.
Athayde

Jonga Olivieri disse...

Obrigado, anônimo.
Mas, como já falei esta mamada foi pública e declarada desde o início mesmo.

Maria Celia Olivieri disse...

Jonga, ficou muito bonito mesmo! vc é muito criativo, sou sua fã. bjs

Jonga Olivieri disse...

Obrigado.

Anônimo disse...

Mas será que por causa disso não deixa de ser uma chupada?
Agnaldo

Jonga Olivieri disse...

É uma chupada. Mas o enfoque aqui é que a chupada foi assumida. Parti de uma peça que eu admirava e se encaixava no trabalho a que me propunha fazer.
Veja bem, não que não existam ideias originais. Existem às pamparras. Às vezes até coicidem de ser paracidas com outras. Mas também às vezes (e muitas) existem chupadas maldosas... A cópia na surdina. Esta é uma chupada condenável, escrota mesmo. Só dizendo assim.
Trabalhei em muitas agências que tinham páginas (ou parte delas) arrancadas de Anuários de Propaganda. Quem e por que as arrancou?

Rodrigo disse...

Eu me lembro bem disso. Nessa época eu era "O Sombra" e acompanhei direitinho essa produção! Parabéns!

Jonga Olivieri disse...

E ficou linda esta "chupada" na moral, hem, Don Rodrigo?!
Uma campanha que eu realmente adoro ter realizado...

Paulo Azevedo disse...

É como diz o ditado popular:
"Nada se Cria...Tudo se Copia"
Mas ficou Belíssimo o Cartaz da Paixão de Cristo,muito bem feito,está de Parabéns.Quando vi este cartaz da Paixão veio logo na minha cabeça o cartaz de Ben Hur.

Jonga Olivieri disse...

Grande Paulinho.
Este cartaz fez sucesso na época. E acho que hoje ainda faria, porque a fonte dele também é fora de série.
E veio à sua cabeça o de Ben-Hur porque foi proposital e consciente, sem más intenções de chupar uma ideia na surdina.

Maria Celia Olivieri disse...

Espetacular!!! nada se cria tudo se copia. Isso é uma verdade... mas porem tem que ter talento!!! o que vcs tinham e muito, e ainda tem,

Esse cara o Jonga, não por ser meu irmão!!! é fera na criatividade!!! um genio da arte!!!

bjssssssssssssssss

Jonga Olivieri disse...

Obrigadaço!!!