quarta-feira, novembro 25, 2009

Criativos através dos tempos

Nosso parceiro de blogue, Maurilo Andreas, publicou este texto de Marcelo Pires que fala sobre as mudanças do perfil do criativo publicitário ao longo das décadas desde a de 1960. Achei muito interessante e estou a republicar aqui.

Anos 60
Qual era o perfil do criador publicitário? Um cara talentoso que sonhava em ser poeta, artista plástico, ator – e que caía na propaganda porque precisava sobreviver. Uma pessoa que escrevia pensando nos seus amigos intelectualizados. Não pensava em agradar ao público. Pensava em inovar a linguagem. Ou seja, uma pessoa muitíssimo interessante e pouco envolvida com propaganda.

Anos 70
Quem virava criador publicitário? Um sujeito talentoso que até poderia ser poeta, artista plástico, ator – mas que escolhia propaganda porque gostava desse negócio. Uma pessoa que ensinou aos donos de agência que se escreve publicidade pensando no público, não no gosto pessoal do cliente. Era uma pessoa bem interessante e bem envolvida com a propaganda.

Anos 80
Quem virava criador publicitário? Um indivíduo com preconceito de ser poeta, artista plástico, ator. E que sonhava em ser publicitário. Vinte e quatro horas por dia. Uma pessoa que mostrou ao cliente que agradar ao público é o melhor jeito de agradar ao próprio cliente. Uma pessoa interessante e envolvida com propaganda.

Anos 90
Quem vira criador publicitário? Uma pessoa que não tem talento nem informação suficientes para ser poeta, artista plástico, ator. E que não sonha em ser apenas publicitário: sonha em virar empresário da propaganda, com fotos na Caras e notas na Joyce. Uma pessoa que não escreve pensando no público nem no cliente – escreve para os próprios publicitários. Uma pessoa pouco interessante e totalmente envolvida com propaganda.

Como foi escrito em 96, eu vou cometer a ousadia (ou a burrice) de completar (1) falando de como deveria ser o redator da primeira década do novo milênio, pode ser?

Anos 00
O redator não é mais offline ou online, não é tituleiro e nem pensa apenas em peças. Ele percebe que colaboração, envolvimento e relevância são palavras-chave para tudo o que faz e que anúncios não são um fim, mas uma parte de algo maior. Escrever é apenas um detalhe do seu ofício. Está conectado aos outros e aprende a cada dia que ouvir é o segredo de fazer melhor. É interessante? Sei lá. Mas está envolvido com algo muito maior do que simplesmente propaganda.

Resumidamente, e na minha opinião, é isso.

(1) O complemento é do Maurilo

10 comentários:

redatozim disse...

O texto do Marcelo é muito bom mesmo. A dica foi do Carlos Henrique, do ótimo blog de planejamento CHMKT.

Jonga Olivieri disse...

Valeu a complementação informativa, Maurilo!

Anita disse...

Muito boa a matéria.
Só não sei bem se nos anos 00 as coisas são tão encaixadas assim.

Jonga Olivieri disse...

Não sei Anita. Nos anos 00 venho trabalhando de frila. E para clientes diretos.
Mas estive por quase três anos em duas agências de 2001 para cá.
Juro que a coisa que mais notei foi o clima que ficou mais contido e silencioso, menos "zoneado" do que havia nas décadas anteriores, mas que eu juro, achava muito saudável e anti-stress.

Anônimo disse...

Um resumo preciso e bem humorado.
Cantídio

Jonga Olivieri disse...

Tambem acho Cantidio.
Na verdade passei por todas essas fases e vejo bem como eram de fato.
E a gente ia se adaptando a todas as novas configurações, pois foi uma evolução mesmo.

Anônimo disse...

Muito boas difinicoes, na minha opiniao.

Anonymous
New York

Leonardo disse...

Muito bom.

Anônimo disse...

Aprendi muito

Jonga Olivieri disse...

Maurilo é um dos melhores redatores que conheci. Criativo do pequeno "tombstone" até uma grande campanha, tem o que qualquer criativo tem que ter: TESÂO pela criação...