quinta-feira, dezembro 03, 2009

O "caso" da apresentação à japonesa (Republicação)

Este “caso” foi publicado pela primeira vez em setembro de 2006.

Aconteceu na Salles em São Paulo. Na época eu trabalhava na mesma agência aqui do Rio, mas o fato, de fato correu pelos quatro cantos, e todo o mundo ficou sabendo.

Foi numa apresentação para um prospect. Era um grupo nipônico. E havia um detalhe muito importante: os clientes não falavam bulhufas de português. Então, obviamente era necessária a presença de um intérprete. Um desses nisseis, que não faltam por aquelas bandas de Sampa.

Presente o alto comando da Salles. Naquela época, além do Mauro Salles, seu irmão Luis e o Domingos Logullo, este, diretor nacional de criação da agência.

A apresentação foi toda feita na base do falava alguém em português, e o tal do tradutor repassava tudo em japonês. E assim a campanha foi toda apresentada. E os japas ali, atentos a tudo.

No final, o tal grupo de orientais se retirou e fechou-se numa sala ao lado. Aquele suspense. Suor frio nas mãos, todos se entreolhando. Um puta dum clima de expectativa.

Ao final de alguns minutos – sabe-se lá quantos – os personagens saem da sala, a tal sala ao lado, caem de aplausos em frente à equipe da Salles e do intérprete. E retiram-se abruptamente.

Instantes de alegria e exaltação. Mauro, Domingos, Luis, todos vibrando com os aplausos, com o entusiasmo dos japas. De repente o intérprete toma a palavra e pede um aparte:

- Calma, gente, calma gente, né!?

O grupo, sem compreender exatamente o quê, encara o nissei. E ele continua:

- Não é bem o que vocês estão pensando... Né?

Todos, atônitos, continuam a encarar o intérprete que acrescenta:

- Na verdade, existe um velho hábito japonês que é o de aplaudir, por questão de respeito, aqueles que perdem, mas que pelo esforço e pelo empenho merecem solidariedade e muita consideração.

Ah, esses japoneses!

10 comentários:

Anônimo disse...

Já havia lido este caso anteriormente e achei hilário.
Grande idéia a sua republicação.
Cantídio

Jonga Olivieri disse...

E na ocasião, quando soubemos na agência foi mais engraçado ainda...

Anônimo disse...

Excelente caso. A sua republicacao valeu a pena pois eu nao conhecia.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Tambem gosto muito deste caso meu caro.

Leonardo disse...

Também, bater palmas para nós só tem um significado. Que coisa.

Jonga Olivieri disse...

Surpreendente, não é mesmo?

Anita disse...

Imagino como ficaram. Depois das palmas e do aparente sucesso, a derrota.

Jonga Olivieri disse...

Nem imagino, tenho certeza da decepção.

Anônimo disse...

Que coisa mais doida.
Ernani

Jonga Olivieri disse...

Põe doida nisso!