domingo, dezembro 26, 2010

Um sushi muito especial



Este caso foi publicado neste blogue em outubro de 2006. Mas tem tudo a ver com o natal!
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Estava perto do natal. E natal é aquela época em que a gente relaxa. Um ex-dupla meu costumava dizer: “Bicho... estou em espírito de natal...” mais ou menos um mês antes, lá pra meados de novembro.

O que se passa de fato é que depois do dia dezoito de dezembro, fica até difícil a gente se concentrar. É festa aqui, amigo oculto alí, jantar não sei onde. Puf! Você engorda e cansa.

Foi assim que aconteceu no dia que o Geraldo Mello, um fotógrafo amigo meu ligou me convidando para um almoço. Como o Geraldo era um grande amigo e parceirão nos trabalhos - aquele fora o ano da primeira campanha da VS para o Citibank, com fotos dele -, aceitei de bom grado o convite.

Fomos pro Kampai. Aquele “japa” que ficava lá da praia de Botafogo (1), que aliás era muito bom de serviço. E começamos aquela loucura que é navegar por aqueles barcos de combinados de sushi e sashimi. Tudo, naturalmente muito bem regado a saquê. Um bom saquê nipônico, gelado e com aquele salzinho na borda do copo, pra ele descer mais redondo ainda.

Bom. A verdade é que eu tomei saquê demais. O Geraldo não estava aguentando muito a tal bebida e no final eu estava tomando os meus e os dele. No melhor espírito natalino. E assim foi, até sei lá eu, que horas.

Sai de lá. Despedi-me do Geraldo, e aí começa a tal da amnésia alcoólica. Não me lembro como cheguei na VS. Mas cheguei. E o pior, dirigindo. Não me lembro também de muita coisa que aconteceu daí em diante, muitas das quais me contaram depois e eu até hoje não posso garantir se foi o fato, ou a versão do fato. Vamos a alguns deles.

Esse até eu me lembro mais ou menos. Estava eu na produção gráfica. Daí comecei a falar sobre as vantagens de se beber saquê. Entre elas, pasmem, a de que a dita bebida não deixava a gente de porre. Quando me levantei da cadeira, caí no chão.

Entre outras coisas, contam as más linguas que eu tirei o sapato da Silvana Grendene (secretária do Lula) e lhe beijei os pés. E por falar em beijo, taquei um beijo na Maída, um mulherão que trabalhava na mídia. Em plena escada, segundo me disseram.

A verdade é que de todas as histórias que contam deste dia, eu só me lembro do discurso na produção gráfica em defesa do saquê.

Só sei que eu cheguei em casa lá pelas cinco da tarde, apaguei, e acordei no dia seguinte com a maior ressaca que já tive em toda a minha vida. Não só a física, quanto, e principalmente a moral.

Depois disso, nunca mais bebi além de duas doses de saquê.

(1) Este caso aconteceu no Natal de 1989...

domingo, dezembro 19, 2010

E viva o humor!




Outro dia liguei a TV e assisti um comercial cujo clima remetia a um “quase” James Bond a entrar num hotel ou algo parecido. A música era tensa e ritmada. Parecia mesmo um trailer do próximo filme da famosa série de espionagem.
Mas eis que de repente revela-se o personagem. Quem? Felipe Massa... Mas como? Um “tampinha”... A cara? De mau. O olhar meio de esquiva. Que forçada de barra, não é mesmo? O pior foi quando ele abriu a boca. Olha gente, deveria ter sido dublado para convencer um pouco mais. No final das contas não ficou o recall do produto. Lembro que era um perfume... Mas a marca? Xá pra lá!

Por outro lado estamos vivendo um bom período de criatividade. E com uma certa dose de humor, um humor leve que andava meio ausente nos intervalos de comercias na TV.
Vamos começar pela campanha da Honda... Aquela que tem um sujeito dentro de um avião. De um lado um gorducho a devorar um “xistudo” da vida. E do outro um bebê a chorar sem parar e no final vomita no nosso herói que continua feliz da vida a imaginar o preço do seu Honda.
Esta campanha tem outro filme em que o juiz encontra-se no meio de uma briga entre dois times... Daí entram os técnicos a degladiar-se. E ele, nem aí, olhando feliz a faixa à beira do campo com a oferta da Honda.

Mas tem tambem aquele do Itaú. O sujeito conversando sobre futuro e segurança para a família com uma menina linda no interior de um busão. De repente ela pergunta sorrindo: “Quantos filhos você tem?”, e ele com um sorriso responde: “Mas como é que eu vou saber se eu acabei de conhecer a futura mãe deles?”. Olha gente, genial... Temos que tirar o chapéu para uma cantada como esta.

Sempre achei que humor e publicidade devem andar lado a lado. Afinal, o “Garoto Bom Bril” é a prova disso aí, fazem décadas.

terça-feira, novembro 16, 2010

O "caso" da sangria desatada

Este caso foi publicado originalmente em 26 de julho de 2007

Fui quase um fundador da Contemporânea. Entrei naquela agência no início de 1984. Certa vez, cheio de trabalho, fiquei até umas oito da noite. É certo que este horário para aquela agência era mais do que normal. Mas, fato curioso, foi um daqueles raros dias em que quase todos haviam saído lá pelas sete. Como tinha que acabar alguns trabalhos, não me foi possível acompanhar os demais, inclusive o Bernardo, redator que trabalhava comigo.

Terminadas as minhas tarefas, com a consciência tranquila e a sensação do dever cumprido, reuni meus pincéis, marcadores e outros apetrechos comuns à época, e me arrumei para sair. Como o Mauro Matos não estava na sala, não me despedi dele. Desci as escadas da criação, cansado, e me encaminhei para o portão de saída daquela aprazível casa na Urca. Quando ia chegando no portão, deparei com o Armando Strozemberg de pé, com um ar pensativo na porta principal da agência, um tanto quanto preocupado.

-- Jooongaaa... meu querido... que bom que você está aquí... Exclamou ao me ver.

Pela reação, senti que vinha “chumbo grosso”. Chamou-me para entrar na sala de reunião que ficava bem ao lado da recepção. Entrando na sala, lá estava o Mauro, cheio de papéis rabiscados. Conclui que estavam em reunião. Rapidamente me colocaram a par da situação. O BarraShopping ia fazer uma expansão (aliás a primeira de uma série delas), e precisava de um folhetaço para divulgar o fato. Pequeno detalhe: o cliente precisava ver a peça na manhã seguinte, sem falta.

Ali mesmo comecei a trocar idéias com o Mauro e o Armando. Nesta altura, num estalo, lembrei-me que precisava de alguém do estúdio para me dar um suporte. Saí correndo e, por sorte, encontrei o Ricardo, ainda bem que um profissional tarimbado. Mas um apenas, num estúdio de muita gente. Expliquei a ele a situação e voltei para a reunião. Esta se prolongou até cerca das dez da noite. O Armando me explicou que eu podia recortar fotos de revistas e colar nas páginas, que não era preciso marcar as ilustrações. Devido à falta de tempo, o importante era passar o espírito da coisa com belas imagens.

Ainda saí dali e fomos, o Mauro e eu para a sala dele tecer alguns ajustes finais do trabalho, como títulos e outros detalhes. Enquanto isso, o Ricardo, coitado, lá em baixo esperando. Quando acabei a reunião, desci e conversei com ele para acertar um esquema de trabalho, já que éramos apenas dois para aquela tarefa hercúlea. Principalmente pelo prazo. A esta altura, já estávamos além das onze, e eu ainda tinha que rafear tudo. Nessas horas, sempre dá um friozinho na barriga. Mas, não resta outra coisa a não ser arregaçar as mangas e “mandar pêra”. Passei para o Ricardo a medida e o número de páginas (calculado rapidamente) para ele começar a montar o esqueleto do folheto. Noite adentro, fomos selecionando, recortando e colando fotos, marcando letras de títulos, colando bodytipes nas áreas de texto, refilando as páginas. Enfim, eu também virava profissional de estúdio e letrista. Senão não dava tempo. Naquela época, isto era muito comum em boa parte das vezes.

Resumo da ópera. Varamos a noite nessa lenha. O dia já amanhecia quando terminamos o trabalho, e lá estava prontinho o folhetão (2) de mais de vinte páginas, bolsa para plantas e os cambál. Deixei o trabalho na mesa do Mauro, conforme combinado e me mandei. Fui dormir. Acho que merecia.

Voltei na agência às cinco da tarde daquele dia. Meio ressaqueado, mas curioso em saber de resultados. E aí aconteceu o pior. Por questões de horário e disponibilidade do cliente, o trabalho ainda não havia sendo apresentado. Argh! Voltei pra casa na mesma hora. Muito puto da vida.

(1) Termo (muito usado em Minas) para dizer que uma coisa é urgentíssima.

(2) Até hoje, passados tantos anos, tenho este folheto guardado. Ele ainda é um belo trabalho,e, importante, na opinião das pessoas que o vêem.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Teatro Recreio (Republicação)

A L&M era uma agência divertida. Disso já falei tanto, que às vezes fico até com receio de estar sendo repetitivo. Mas vou continuar a dizê-lo, porque poucas vezes trabalhei em uma agência que fosse tão gostosa, solta e maluca como ela. A gente trabalhava demais da conta, mas, em compensação se divertia o tempo inteiro. Aliás, característica das agências de publicidade da época – opostamente às de hoje – , quanto mais trabalho, quanto mais pressão, mais gozação, mais brincadeiras.

Lembro-me das entradas barulhentas do Ramalho, que quando chegava era recebido como numa festa. Risos, piadas, planos mirabolantes para deixar “a próxima vítima” numa saia-justa faziam parte do dia a dia naquela saudosa casa. Eu já contei aqui o “caso” do Porta Press, das armações em cima do Kirowsky, das noitadas intermináveis em uma “agência 24 horas”. O espírito sarcástico e bem humorado do Lindoval, o “pavio curto” do Santos Mello, a hipocondria do Mauro Matos. A questão é que não havia um dia sequer em que não acontecesse alguma coisa de muito engraçado naquela agência.

Paralelamente foi a agência do Rio de Janeiro em que mais ganhei prêmios. Aliás, a L&M era uma fábrica de prêmios. As paredes da sala de reuniões eram repletas de diplomas e as estantes cheias de estatuetas. Do Clio, do Colunistas do Festival de Veneza (Cannes foi posterior). Meus dois Clios foram conquistados lá. O Mauro Matos e sua criatividade arrebatadora fizeram da L&M a agência carioca mais premiada do mercado. Era um motivo de orgulho para qualquer um de nós fazer parte daquela equipe vencedora.

Mas a bagunça começava no elevador. Instalada no 16º andar de um prédio na rua México, a fila do ascensor era parada obrigatória para todos nós. E ali havia o Tião, um ascensorista engraçado, um gozador de mão cheia. Olhava para nós esperando a piada. E tinha uma sempre engatilhada para fazer. O Tião é uma figura da qual nunca me esqueço. Seu bom humor permanente fazia parte do folclore do prédio. Aliás, ele tinha uma muito oportuna. Quando chegava no andar da L&M e a porta se abria, ele anunciava: “Teatro Recreio!” (1)... e dava uma risadinha.

(1) O Teatro Recreio era uma casa de espetáculos que ficava no centro do Rio especializada em teatro de revista “B”, em outras palavras, peças com forte dose de humor xulo...

quarta-feira, outubro 06, 2010

O "caso" da bruxa

Quem me contou esta foi o saudoso Daniel de Freitas, um dos sócios da DNA, durante um jantar em Belo Horizonte, na última vez em que trabalhei naquela cidade entre abril de 1999 e setembro de 2000.

Estava ele uma noite, num bar, quando notou que seus charutos haviam acabado. Daniel que não passava sem um bom cubano, pegou o telefone, e ligou para a agência, que não estava muito longe. Atendeu o vigia. O Daniel pediu a ele que procurasse uma caixa de charutos que estava na gaveta de sua mesa, pegasse uns três ou quatro, e levasse para ele.

Continuou no papo, no uísque, e o tempo foi passando.

Após uma longa e “paciente” espera, voltou a ligar pro cara. Ele atendeu e o Daniel perguntou por que não havia chegado até aquele momento.

“Ih, Seu Daniel! Eu achei os seus charutos... eu peguei os seus charutos... eu desci com os seus charutos... mas acontece, que quando eu cheguei na rua... vinham duas bruxas andando na minha direção, e... eu... bom... eu voltei pra agência... e tô com medo até agora...” disse o zelador com a voz trêmula.

Era noite de Halloween.

Este caso foi publicado originalmente em 1 de setembro de 2006

quinta-feira, setembro 16, 2010

O "caso" do óbvio ululante

Este caso foi postado neste blogue pela primeira vez em março de 2007.

Uma vez, já há alguns anos atrás, eu trabalhava na Contemporânea e aquela agência estava com a conta da Cultura Inglesa. Era tarde da noite, e no dia seguinte tínhamos que apresentar um anúncio para os 50 anos daquela entidade de ensino. Detalhe: a verba era uma “titica”, e só cabiam nela um anúncio e um spot de rádio. Televisão, nem pensar!

Caiu na minha mão um livreto. Era realmente um livreto tamanho pocket, com poucas páginas. Precisando relaxar, eu o devorei. E vibrei. Pouco depois saia a solução para o anúncio. Uma solução óbvia. Tão simples. Tão direta. O anúncio era a foto de um bolo inglês, aquele bolinho pequeno que vem com um invólucro de papel (tipo o de brigadeiro, só que maior), um palitinho espetado nele com a Union Jack, a bandeira da Grã Bretanha.

Além disso, o bolo seria distribuído nas unidades da Cultura, como brinde, no dia do aniversário. Olha, foi um sucesso! Choveu gente. Todo mundo querendo bolo inglês com bandeirinha espetada. Uma promoção barata, com uma verba que só dava para um anúncio de um quarto de página nos jornais e um spot de 30 segundos anunciando o evento.

Tudo graças ao Adams Óbvio*. As boas idéias geralmente são simples. Além do mais, podem ser também bastante óbvias.
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(*) Encontram-se na web versões em português e no original em inglês deste livro. Vale a pena procurar!

quinta-feira, julho 15, 2010

A vulgarização dos softwares

Curioso, mas quando comecei a trabalhar com o Photoshop, em 1993, ninguem sabia o quê que era isso. Sério! O programa até já estava sendo utilizado para certos retoques hoje muito popularizados nas imagens de mulheres despidas em revistas masculinas, e, apesar de ter recursos a menos do que hoje, era um instrumento profissional de qualidade para esta finalidade.
E nós, em publicidade, começávamos a ganhar tempo com possibilidades de um trabalho mais ágil... Pois, até então, dependíamos de um longo processo que começava com a marcação de um rough, depois, passar para um ilustrador marcar o layout e por aí afora. E os prazos, mesmo assim eram mínimos. Daí as viradas madrugada adentro, que podem até existir hoje, mas são bem menos frequentes, desde que haja um mínimo de organização na agência.

Já falei bastante neste blogue sobre essas diferenças entre o trabalho em publicidade daqueles tempos heróicos do guache e da cola de sapateiro, mas o que quero tratar hoje é outro assunto. A imagem acima foi um print screen que fiz na página principal do UOL. E teem sido comuns as chamadas para coisinhas do tipo “aprenda a fazer isto ou aquilo no Photoshop”. Hoje mesmo tem uma lá para que o público saiba como fazer sombras no referido programa.

Eu juro que a primeira vez que me assustei, estava andando na rua e um sujeito de gravata, tipo um advogado ou outro profissional liberal da vida, a conversar com um amigo ao lado falou a palavra Photoshop, referindo-se a que ia usar para fazer alguma coisa nele. Juro que levei um susto, pois era a primeira vez que ouvia referência àquele software fora das paredes de uma agência, e, principalmente enunciada por uma pessoa que não tinha nada a ver com propaganda.
Mas isto foi apenas o início... Daí em diante, foi num crescendo cada vez maior a quantidade de gente que se interessava pelo programa, fazia perguntas quando sabia que a gente dominava o dito cujo, etc. Depois vieram aqueles que já o usavam e trocavam ideias, e, finalmente chegamos ao ponto em que o Photoshop deixou de ter aquela exclusividade e foi parar em chamadas para filmetes com aulinhas nas Home Pages de portais da internet.

sexta-feira, julho 09, 2010

Jazz em Prosa & Imagens tem nova data

Antônio Torres me comunicou que a oficina Ritmos do Jazz em Prosa & Imagens teve o seu início adiado do dia 6 de julho para o dia 13 (terça feira próxima) em função da realização da Copa do Mundo... Coisas do “país do futebol”!
Mas continuarão a ser quatro reuniões em torno do conto O perseguidor, de Júlio Cortázar, ao som de Charlie Parker e imagens dos filmes Bird, de Clint Eastwood, e Round Midnight, de Bertrand Tavernier.

De qualquer maneira, maiores informações podem ser obtidas na Casa do Saber pelo telefone (21) 2227-2237 ou pelo e-mail: inforio@casadosaber.com.br

terça-feira, julho 06, 2010

O blogue da Irene

“Atriz,bailarina, cineasta, roteirista, redatora e publicitária, poliglota, nasceu em 1961 na cidade do Rio de Janeiro. Trabalhou nas áreas das artes e das tecnologias das mídias relacionadas a ela. Suas experiências lhe renderam prêmios e muitas alegrias. Tendo participado de tamanha variedade de funções, tipos de eventos e diversos cargos. Costuma dizer: estou redatora ou estou diretora e numa gosta de usar a palavra sou. Aos 40 anos anos foi acometida de uma doença genética que a deixou imóvel por 3 anos, após muitos estágios Irene se encontra plenamente móvel e seguindo sua vida.”

Assim Irene Meinberg se define em seu novo blogue "Meteriologia do humor". O link está aí ao lado. Veja, leia e confira!

sexta-feira, julho 02, 2010

O "caso" da paella

Este caso escrito em julho de 1997, e postado neste blogue em 30 de agosto de 2006 merece ser republicado...

Era aniversário do Lula Vieira. O pessoal da então VS Escala, resolveu comemorar no Clube Espanhol. Era bem pertinho da agência, que nessa época ficava alí na Rua Maria Eugênia, Humaitá.
Daí, fizeram uma reserva para cinquenta pessoas mais ou menos. E encomendaram paella para todos. Era comida pra dedéu.

Meio dia e meia. Aquele bando de gente deslocou-se a pé para o local escolhido. Muito papo, alegria, descontração geral. Subimos as amplas escadas e estavam lá as mesas formando um gigantesco retangulo. Praticamente fechamos o restaurante do clube. O maitre, feliz da vida com a casa cheia, anotando os pedidos de vinhos, cervejas, caipiras, e, naturalmente generosas doses de uísque escocês. Uma festa! Papos descontraídos, risadas. O ambiente cada vez mais etílico.

Chegam os panelões de paellas. Hummm! Afinal era o Clube Espanhol! Não era uma paella qualquer, mas a autêntica. E por sinal maravilhosa mesmo. Óbviamente, comemos de nos entupir. Isso tudo, magistralmente regado, a essa altura, por um bom vinho e o impecável portunhol do Manolo a falar apaixonadamente de sua terra natal, justamente Valencia, o berço da mais famosa das paellas, e também de Barcelona, de Gaudi, da Sagrada Família, de Miró. Uma autêntica viagem pelas maravilhas da península.
Sobremesas mil. A turma já pesada... ufff!

Lá pras tantas, entra o garçom e dirige-se ao Aías, o diretor financeiro, o homem do dinheiro.
- Telefone pro senhor...
O Aías retirou-se para atender o telefone lá dentro.

Olha, eu juro que me pegaram de surpresa. Mas, instantaneamente fui brifado do que estava acontecendo. Alguém tinha combinado de chamar o Aías ao telefone só para que, durante a sua ausência, todo mundo saísse correndo e o deixasse sozinho para pagar a rechonchuda conta. É bom lembrar que naquele tempo ainda não tinha telefone celular.

Rapidamente levantou-se a imensa galera, que disparou, em velocidade estonteante (até porque o álcool ajudava neste aspecto) qual uma horda desvairada. Foi uma correria dos diabos. E eu me ria muito de ver toda aquela gente, em disparada, primeiro escadas abaixo, depois pela rua Maria Eugênia, e, em seguida entrando em algazarra, pelo portão de entrada da agência. Uma verdadeira loucura.Mas o melhor mesmo foi ver o Aías chegar, pau da vida, esbravejando, e até ameaçando descontar no final do mês, no contra-cheque de cada um dos participantes e, quem sabe até nos pró-labores dos sócios proprietários. Coisa que naturalmente não passou de ameaça.

Ficaram mesmo a recordação dos sabores de um momento hilariante, de uma autêntica paella valenciana, e, principalmente daquela inesquecível VS Escala.

domingo, junho 27, 2010

Ritmos do Jazz em Prosa & Imagens


Desenho em crayon s/ papel de minha autoria

Antônio Torres vai realizar uma oficina interessante na Casa do Saber. Segue abaixo a programação e mais detalhes que recebi e transcrevo aqui:

"Esta é para quem quer treinar o texto literário e gosta de boa música e boa prosa: Antônio Torres ministra a oficina Ritmos do Jazz em Prosa & Imagens. Serão quatro reuniões em torno do conto O perseguidor, de Júlio Cortázar, ao som de Charlie Parker e imagens dos filmes Bird, de Clint Eastwood, e Round Midnight, de Bertrand Tavernier.

A partir da leitura desse longo conto, considerado universalmente a obra-prima de Cortázar, esta nova oficina do escritor Antônio Torres será mais do que um mergulho num texto. Oferecerá uma viagem em torno dos ritmos em prosa e verso, ilustrada por imagens cinematográficas de uma era do jazz em Nova York e Paris, e das origens e desenvolvimento do conto como gênero literário, que teve em Cortázar um dos seus mais instigantes cultores.

E com espaço para leitura e análise dos textos criados pelos participantes.

Perseguidor do impossível
Na sua juventude, em Buenos Aires, Júlio Cortázar adorava ouvir no rádio Duke Ellington, Louis Armstrong e os velhos cantores de blues. Já consagrado como um dos mais brilhantes escritores do século XX, quando ficava horas a fio falando do pianista Thelonious Monk, ele viria a escrever um conto dedicado à memória de Charlie Parker, tendo como personagem um saxofonista genial, mas perseguidor do impossível."

Oficina Literária Ritmos de Jazz em Prosa & Imagens
Maiores informações na Casa do Saber (Rio de Janeiro):
Início: 6 julho
Duração: 4 encontros
Terças-feiras, às 19h (06/07, 13/07, 20/07, 27/07)
Valor: R$ 200,00 na inscrição + 1 parcela de R$ 240,00
Tel.: (21) 2227-2237
E-mail: inforio@casadosaber.com.br

sábado, junho 19, 2010

Festas & festas

O mês passado foi o pessoal da velha guarda da VS... Apesar de que é importante ressaltar que nem todos são velhos. Mas assim nos referimos à turma que trabalhou na Maria Eugênia 123. Para nós, sem sombra de dúvida a melhor época daquela agência.
Acabamos tendo um encontro por causa da Silvana Grendene que veio de São Paulo passar um feriadão aqui no Rio. No final marcamos no Quiosque do Português no Leblon, e estivemos lá a Lucia Matuschka (chefe de estúdio), a Silvana (ex-secretária do Lula e produtora do programa Intervalo), a Patrícia Aguiar (RTVC e diretora de filmes), e eu. Foi uma festa pequena por fora e grande por dentro. Quero dizer: compareceram poucas pessoas mas nos curtimos muito.
Alem disso, ficaram os planos para mais um encontro, já que muitos ex-colegas daquela agência que rebatizamos de Maria Eugênia 123, estão dispostos a realizar um evento maior. Tomara! Até porque já tivemos bons encontros, que agora renomeamos de “VS Forever” com mais de 30 pessoas e os dois últimos, com a galera mais recente foram verdadeiros fiascos.

E já que falei da VS, houve nesta semana o encontro da C”... Tambem conhecida como ‘Contemporânea’, cujo nome completo, aliás, era ‘Comunicação Contemporânea’. Mas, aqui entre nós, C” é bem mais curto e simpático...
Este foi no Mamma Rosa, um restaurante que pode ser considerado como um ponto de referência para a C”, que durante muitos anos esteve no Cosme Velho e foi organizado por Gisa Ferman, que, curiosamente entrou na agência bem na época em que eu saia. Sim porque trabalhei nesta agência no seu início, ainda na Urca, de fevereiro de 1984 a agosto de 1985, quando fui para Beagá assumir a direção de criação da Asa.
E tivemos a presença do Armando Strozemberg e do Calazans, ambos diretores de uma agência em que as pessoas realmente se gostavam.
É bom lembrar que a C” tem no Facebook uma página chamada Uma vez C” sempre C” que tem fotos antigas e atuais da mesma.

São duas agências nas quais gostei de trabalhar, pelo ambiente que nelas havia, pela descontração quase que permanente que não existem mais nas empresas do ramo encaretadas destes tempos “pós modernos” em que vivemos.

terça-feira, junho 15, 2010

O "caso" do Banquete


Este caso foi escrito em setembro de 1999, e postado anteriormente neste blogue com o título de “O ‘caso’ do Pato Laqueado” em 2006. Vale a pena republicá-lo... E vale a pena reler.

A VS Escala instituiu um prêmio de incentivo que consistia no seguinte: a pessoa que ganhasse o título de melhor, mais empenhado e os escambal funcionário do mês, tinha direito a um jantar em qualquer restaurante à sua escolha. Depois, o contemplado trazia a notinha fiscal e a contabilidade reembolsava. E tanto era uma idéia do caralho, que, em homenagem ao Lula e sua lingua solta, o prêmio foi batizado de "Prêmio Ducaralho", assim mesmo, do jeito que ele se expressava quando via um anúncio ou uma campanha da gente que o agradasse.

Bom. O prêmio ainda era conferido no final de uma festa mensal (cuja produção, a cargo da Léa Penteado era de fazer inveja a qualquer chef de hotel da C’ôte D’azur) que tinha direito a tudo, inclusive show de sapateado do Fernando Farah.

A coisa era esperada por todo mundo com muita ansiedade, pois somente no último minuto da festa, no apagar das luzes, o Valdir, o Lula ou o Carlão anunciavam o grande vencedor. E o felizardo já ficava a imaginar onde iria jantar bem, mas bem "pra caralho" mesmo, como já dizia o nome do prêmio.

Eu me lembro que quando eu ganhei, fui com a Virgínia no L’Argent, então o melhor restaurante francês do Rio, e degustamos em grande estilo um daqueles Menus Complets, com direito a sorvetinho entre um prato e outro, queijinhos no final, e outras coisas que a gente não encontra sempre no fast food mais próximo.

Daí, houve o mês que o Manolo ganhou. O espanhol ficou exultante. Pulava de alegria. E era alegria mesmo. A mais pura, porque o afinal de contas, o Manolo era um dos fundadores dos Alcoólicos Anônimos. Soltou uma das suas mais famosas frases em portunhol do tipo: "crejo que gané el dia honestamente", e se mandou.

Dois dias depois, uma daquelas polvorosas inesquecíveis. Gente xingando pra lá e pra cá. O Aías espumando pelos corredores, o Lula, o Carlão se dirigindo para a sala de reunião. Um auê de proporções apavorantes. "Será que perdemos a conta do Citibank?". "Será que a Fleishmann Royal vai deixar a agência?", perguntei aos meus botões. Aquele ti-ti-ti danado na agência. Cada um dizia uma coisa. Cada um especulava alguma história mais escabrosa.
Finalmente. Convocação de toda a criação para reunião na sala do Lula.

"É, o bicho pegou", concluí com os meus botões. Enfim, fomos todos mais do que rápidamente para lá, saber o que afinal de contas estava se passando.

O Lula, com aquele jeitão calmo e irônico que lhe é peculiar, tomou a palavra e começou a explicar pra gente que a partir daquele momento, prêmio "Ducaralho", só para o casal. Que, decisão da diretoria, em hipótese alguma poder-se-ia levar mais que a esposa, companheira, namorada, a mãe, o pai, ou seja lá o nome que tenha a única pessoa que o(a) acompanharia. E aí contou a história do "pato laqueado", que, garantia o Manolo, era caro daquele jeito porque tinha que ser encomendado de véspera, que é um prato especial, etc, etc. E, concluíram todos que o Manolo tinha levado a família, a vizinhança e o papagaio para o restaurante chinês.

Dois meses depois, o prêmio "Ducaralho" passou definitivamente para a história da VS e da propaganda carioca.

quinta-feira, junho 10, 2010

Um diretor inesquecível

Conheci e trabalhei com o Carlos Manga em alguns filmes (comerciais para TV), e posso dizer que foram experiências que somente acrescentaram e me fizeram apurar os horizontes.
Estar numa mesa de reunião e ouvir os seus casos sobre cinema e TV, era algo fascinante e engraçado, dado o seu fino humor e ironia ao narrar acontecimentos vividos por ele, sempre ligados a fatos que fazem parte da história da comunicação neste país, desde os anos 1950 até os mais recentes.

Num dos filmes que realizamos com ele, com a grande maestria do experiente artesão cinematográfico que sempre foi, o diretor reproduziu com detalhes os cenários de “Janela Indiscreta” de Hitchcock. Era um comercial para o Procel (1).

Posto aqui uma entrevista --em duas partes-- que ele fez que dá um apanhado de sua carreira (ver vídeos), como diretor de filmes na Atlântida, onde realizou o que, sem dúvida foi a maior ”chanchada” de todos os tempos: “O homem do Sputnik” com Oscarito, Grande Otelo e grande elenco, encabeçado por Norma Bengell e trazendo um estreante gorduchinho chamado Jô Soares.
A entrevista em duas partes, se estende à sua atuação na TV e na publicidade (quando tive contato com ele) e era, ao lado de Cyll Farney --famoso galã de cinema dos anos 1960-- um dos diretores da Tycoon, sua empresa produtora.

As entrevistas abaixo foram realizadas pelo Canal 16 da Net/Rio (Universidade Gama Filho) e apresentadas por Bruno Meier para o programa “Mosaico”.
http://www.youtube.com/watch?v=m8MqBj2o-cI
http://www.youtube.com/watch?v=bG93c0s0MDk&feature=related

(1) Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica

segunda-feira, junho 07, 2010

Mais dois blogues

Léa Penteado em sua bicicleta no litoral da Bahia
Este mês está sendo de poucos “casos” e muito blogues. Já anunciei aqui o da minha prima Bárbara, publicitária, cinéfila. “A memória é uma ilha de edição”, cujo título é por si só um teaser de sua criatividade, e já está aí ao lado nos Links deste blogue.
Depois veio o de meu amigo e um dos melhores redator/diretor de criação que conheci ao longo destes tantos anos de janela, o José Guilherme Vereza (veja o engraçado caso na postagem anterior), ZéGui para os íntimos, ou aqueles que o tratam com o carinho que ele merece.
E o endereço para acessá-lo, tambem já está aí, marcado nos Links...

Mas agora tem o blogue da Léa Penteado, esta jornalista, promoter, Secretária da Cultura de Santa Cruz de Cabrália e que foi minha colega na VS Escala, ainda na Maria Eugênia, 123, a melhor fase daquela saudosa agência carioca. E uma das razões de ter sido assim pelas maravilhosas festas que promovia todos os meses na agência; que só quem esteve lá sabe o quanto eram bem organizadas e saborosas.
Seu blogue é “Léa Penteado. Memórias, reflexões e pensamentos de uma jornalista.” http://leapenteado.com/

E para além deste, o do Kleber Nina, tambem um “VS Forever Friend”, uma figura inteligente, preparado através de MBA’s e muitos pós e pós-pós MBA’s. Mas antes de mais nada caracterizado pelo seu humor finíssimo e apurado, e que hoje tem o blogue “Sobre Humanos. E Outros Nem Tanto” http://sobrehumanos.com/
Confiram...

quinta-feira, junho 03, 2010

Tricotando... Coisas da vida!

Ao acessar o blogue do ZéGui, meu amigo e ex-diretor de criação na VS, para comentar sua postagem (1), fui surpreendido com uma burocracia (não sabia que as mulheres tambem eram tão burocratas!) que levou-me a ter que fazer login para uma turnê entre o site delas e minha caixa postal por diversas vezes num vai e vem dos diabos... Ufa Zézinho, uma verdadeira maratona!

O mais engraçado, no entanto, foi a resposta que me surpreendeu ao voltar inocentemente para minha caixa postal.

“Olá, joao carlos alves olivieri
Que bom ter você aqui com a gente. :)
Entre e fique à vontade. A casa é sua! O Bolsa é um espaço único para você desabafar, trocar idéias, conviver entre amigas, aprender e ensinar muito.
Aqui você tem a sua página pessoal com blog, fotos, amigas, correio, fóruns e um monte de coisas bacanas para você montar um cantinho todo seu. No Bolsa você também encontra reportagens, ferramentas, jogos, vídeos, cursos, pode receber notícias pelo celular e muito mais.
Convide suas amigas clicando em http://minha.bolsademulher.com/perfil/jongolivieri/amigas/ e mantenha sua página pessoal sempre atualizada clicando no link http://minha.bolsademulher.com/perfil/jongolivieri/ .
Todo mundo quer te conhecer.
Lembre-se: Seu apelido é jongolivieri.
Se quiser entrar em contato com a gente, escreva para producao.2010@bolsademulher.com.
(Aí a parte boa)
Um beijo enorme,
Andiara Petterle
CEO - Bolsa de Mulher”

Obrigado, Andiara, pelo “beijo enorme”, e, claro um outro procê, viu?

(1) O link para o blogue do ZéGui é:
http://blog.bolsademulher.com/JoseGuilhermeVereza/

terça-feira, junho 01, 2010

Um blogue que vale a pena

Minha prima Bárbara Pedro Alves é uma jovem e promissora criativa publicitária. Seu blogue A memória é uma ilha de edição já está marcado aí ao lado faz mais de uma semana. Mas fica aqui a nota e a sugestão para que dêem uma espiadela lá.
O link é http://bpartdesign.wordpress.com/
Bom proveito!

quarta-feira, maio 26, 2010

Cantores de agência

Mais um “caso” de Maurilo Andreas, meu primeiro parceiro e/ou inspirador deste blogue:

Meu vizinho de mesa é um grande diretor de arte, artista plástico e, infelizmente, um bosta de um cantor.

Além de cantar desafinadamente o dia inteiro ele volta e meia inventa letras do fundo de sua alma pútrida para renovar canções consagradas
A última vítima foi Menina Veneno, do Ritchie. Nosso amigo cantou assim:
"Seus olhos vesgos no espelho
Viram para mim."

Elogiar os olhos vesgos da pretendida reduz em pelo menos 90% a sua chance de você pegar a moça. Se bem que, em defesa do meu vizinho, se você já começou chamando de menina veneno nunca teve muita chance mesmo.

terça-feira, maio 18, 2010

Qualquer semelhança...

... não é mera coincidência.
Neste caso, a imagem de um cartaz de Saul Bass, um dos maiores Diretores de Arte de Hollywood, em um dos filmes mais conhecidos do cinema “Anatomy of a murder” (1958) de Otto Preminger, que muito embora tenha sido realizado há mais de 50 anos, é uma referência até os dias de hoje.
Agora surge este “Quincas berro d’água”. Nada contra o filme. Mas quem criou (ou copiou) esta programação visual? É muito igual... Igual demais, gente!

sábado, maio 15, 2010

Nova exposição em Lisboa

Saulo Silveira inaugura no próximo dia 19 (quarta feira) no Hotel Marriot/Lisboa uma exposição de seus quadros sob os auspícios da UM – Galeria de Arte Contemporânea.

Saulo, mineiro de nascimento, foi ilustrador publicitário aqui no Rio de Janeiro, onde tambem começou a pintar. Mudou-se para Portugal no início dos anos 1990, estabelecendo-se em Lisboa, ainda na área de ilustração publicitária, quando prestou serviços para as principais agências daquele país.

Porem, a pouco e pouco, a paixão pela pintura, o fez adentrar-se cada vez mais no mundo das artes plásticas através de um trabalho espontâneo dotado de cores fortes e traços inconfundivelmente rápidos e marcantes. Hoje, seu trabalho é reconhecido, para alem de Portugal, em vários países europeus, da Península Ibérica até Moscou.

Segundo as palavras de Vítor Escudeiro, da Academia Nacional de Belas-Artes e da Academia de Letras e Artes (ambas de Portugal): “(...) os seus quadros são disso mesmo vivo testemunho, palpitante manifesto de reconhecimento, gratidão, generosidade e afectos. Os seus afectos, as suas emoções, os seus sentidos, a sua dimensão de Homem Solitário, mas Solidário, fazem-no percorrer a sensualidade dos corpos e dos nus femininos, com calor tropical, com o mesmo à vontade com que mimetiza a Festa de Toiros, na sua interpretação do esplendor mediterrânico.”

segunda-feira, maio 03, 2010

O “caso” do elevador (republicação)

Escrevi este “caso” em junho de 1997. E foi publicado neste blogue em 25 de agosto de 2006.

A Fosfértil (que era um cliente da Asa) resolveu promover um concurso interno de decoração natalina. E chamou o Luis Márcio Vianna e a mim, como representantes da agência no júri que escolheria o vencedor.

Combinado o dia, resolvemos nos encontrar bem cedo na agência, e dali, sair para a visita, visto que esta deveria ser prolongada. Primeiro porque o cliente estava localizado em dois prédios. Segundo, porque de fato, nós tínhamos que observar cada uma das seções para efetuar o julgamento. Seria, sem dúvida um processo demorado.

Começamos a operação pelo prédio situado na Avenida do Contorno. Correu tudo às mil maravilhas. Certo que demandou um certo tempo. Dirigimo-nos em seguida ao outro prédio, que não ficava muito distante dali, na rua Sergipe, Savassi.

Quando terminamos a inspeção, e pegamos o elevador para voltar ao térreo, e finalmente retornarmos à agência já era quase hora do almoço. Estávamos no quarto e último andar. O elevador, que era pequeno estava bem apertado. Só o amplo Luis Márcio já ocupava uma boa área do dito cujo. Ainda havia eu, e mais dois diretores da Fosfértil. Quando ele parou no terceiro andar e entraram mais três pessoas, eu pensei com os meus botões que aquilo estava ficando cheio demais. E estava mesmo.

Chegando ao seu destino, o maldito do ascensor, resolve passar um pouquinho do nível. A porta ensaiou um pequeno deslocamento e ficou por aí. “Pifou” - pensei. Um ligeiro entreolhar dos seus ocupantes, alguns segundos de silêncio, aquele pensamento relâmpago de “isto aqui está um pouco apertado... quente”, quando alguém mais afoito - ou mais próximo - deu alguns murros na porta. A princípio nada. Um silêncio do cão lá fora. Algum tempo depois uma voz. Depois um barulho e uma barra de ferro surgindo na abertura central da porta. Ufa! Um pouco de ar também.

O dia estava quente. E a coisa prolongou-se. Ninguém conseguia abrir a porta. Tinha travado mesmo.

- Já mandamos chamar o Corpo de Bombeiros. - disse a voz do outro lado. E nós lá dentro. Aquele aperto que mal dava para respirar direito.

E o tempo passando. Não sei quanto, mas passando mesmo. O suor escorrendo. O incômodo. A claustrofobia começando...

Lá pelas tantas, um odor estranho. Algum dos ocupantes grita que está sentindo um cheirinho de queimado. Eu gelei. Gente, eu gelei mesmo. Morrer queimado no térreo é demais! Até se concluir que o cheiro de queimado fora apenas um cigarro que alguém acendeu lá fora, e que chegou a nós pela fresta da porta, foi um deus-nos-acuda dos diabos.

O Corpo de Bombeiros chegou depois de decorridos uns vinte minutos naquela situação esquálida.

Quando saímos e atravessamos a rua, entramos num bar e pedimos uma cerveja. Sem dúvida a loura gelada mais gostosa da minha vida!

quinta-feira, abril 29, 2010

Atendendo a pedidos


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Realmente muita gente me pediu mais reproduções de anúncios do power point que me foi encaminhado pelo Torres. Fiz uma seleção e publico mais algumas.

sábado, abril 24, 2010

Alerta sempre vale


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Capturei as imagens de um power point encaminhado pelo meu amigo Antônio Torres, e que achei valer a pena reproduzir aqui estes anúncios maravilhosos...

quarta-feira, abril 21, 2010

O "caso" das quartas sem lei (Republicação)

Anúncio criado por mim em parceria com Tonico Mercador na Livre

Escrito em maio de 1997. Publicado neste blogue em setembro de 2006.

A Livre Propaganda Brasileira é um caso muito especial na minha vida profissional. Era uma agência poética, solta, livre mesmo, como dizia o seu sugestivo nome.

O meu caso com a Livre estendeu-se por muitos meses de paquera, e em seguida um curto casamento. Bom, isto porque, característica do mercado mineiro, conta de governo era um negócio que sustentava naquela época cerca de 70% do faturamento das grandes agências. No caso da Livre, era mesmo 99,9%. E acontece que a Livre, numa dessas desastrosas mudanças políticas (1), ficou com seu 0,01% de contas privadas e ela obviamente naufragou. O que não quer dizer que os oito meses que lá passei não tenham sido realmente inesquecíveis.

Começou quando eu estava na ASA. Com a saída do Zuim, o pessoal da Livre precisava de um novo diretor de criação. E começaram a me sondar. Foram alguns meses de papo, algumas negativas e, finalmente, aquela famosa "de uma boa cantada ninguém escapa".
Arrumei minhas malas e lá fui eu para a Livre. Uma agência sui generis, que tinha um boxer perambulando pelas suas dependências, um papagaio e um pátio interno que mais parecia uma miniatura do paraíso. Tinha fogão de lenha, muitas plantas e uma frondosa mangueira. Uma equipe que eu achava perfeita: o Boca, o Alvinho, o Wanderley. Depois ainda veio o Tonico Mercador para reforçar esse time. No RTVC o Juninho e sua assistente, a Claudinha, que alem de competente era um colírio para os olhos.

A Livre era uma agência tão dupirú, que todo mês tinha lá um regabofe sortido e fartamente mineiro, repleto de chope e cachaça da melhor em torno do seu fogão de lenha. E o melhor é que o pessoal que ia lá com frequência, alem dos clientes eram nada mais nada menos do que a turma do "Clube da Esquina". Eles mesmos, Toninho Horta, Milton Nascimento e outros. Gente da pesada, porque a Livre tinha surgido como Quilombo, e depois desdobrou-se. O Marcinho, um dos seus sócios prematuramente desaparecido recentemente, continuava inclusive como produtor musical de Milton e sua turma e a Quilombo continuava a existir numa casa próxima a ela, e que também tinha papagaio, cachorro, e um ambiente que mais parecia um quadro da Djanira. A propósito, os outros sócios eram o Murilo Antunes, um poeta, um performático, um intelectual mineiro de primeiro time e o Pardal, pintor, uma figuraça.

Mas, embora da Livre eu tenha outros casos, que um dia sem dúvida eu conto, tem um que é marcante: o das quartas sem lei. "Segunda sem lei" era o título de um programa da Band que só passava faroestes e fazia sucesso. Pelo menos para os fãs do gênero.
Mas na Livre o negócio era um pouquinho diferente. Quando chegava o final das quartas-feiras, a turma já começava a ficar meio ouriçada esperando o que ia acontecer. E em geral o que acontecia mesmo era que um dos sócios poetas, pintores ou músicos pegar um extintor de incêndio e começar a disparar aquela geringonça numa guerra contra os outros sócios, que naturalmente respondiam na mesma moeda.

Era uma zorra, um corre-corre e uma gritaria geral. Uma das maiores loucuras coletivas de que já participei na minha vida. Algo realmente ducacete.

Vale aqui uma observação importante. A Livre Propaganda Brasileira era uma agência séria. O trabalho era tocado com muita, mas com muita responsabilidade. E a enorme quantidade de prêmios que ela acumulou nos breves anos de sua vida estão lá, nos anais da propaganda mineira.
É que criação é isso aí. Quanto mais livre, melhor.

(1) "O 'caso' do sonho que não decolou" explica essa história toda e foi postado neste blogue em outubro de 2007.

quarta-feira, abril 14, 2010

Uma homenagem merecida


Falei a poucos dias de Caio Domingues, uma figura que sempre mereceu homenagens, pelo seu caráter, sua capacidade profissional e empreendedora e a contribuição ao mercado. Não somente o carioca, mas tambem o mercado brasileiro de publicidade como um todo.
A seriedade e o respeito de um Caio Domingues, poucos conseguem...

Acontece que a conta da Xerox era do Caio. Ele a conquistou e realizou trabalhos excelentes.
A VS Escala, porem, conseguiu uma fatia da Xerox. E nós a dividíamos. Numa boa, nunca houve problemas neste sentido.

Com a morte do Caio, surgiu uma oportunidade de homenageá-lo, à altura do que ele merecia. E não houve pedido de anúncio por parte do atendimento ou da agência.
O sempre brilhante Paulinho Costa, no mesmo dia sacou o título acima, e o apresentou à diretoria, que no mesmo instante autorizou a publicação. Eu, apenas humildemente, e com um puta dum orgulho, tive a sorte de leiautá-lo.

Hoje, Paulinho está na mesma equipe de Caio Domingues e tantos que se foram... Lá no céu * !

(*) Faço questão de afirmar aqui que sou um ateu (à toa), sempre fui e pretendo morrer sendo. Mas, por licenciosidade poética, achei por bem finalizar o texto assim. Não ficou bonito?

terça-feira, abril 13, 2010

Lançamento HOJE em Salvador, Bahia


13 de abril de 2010 às 20 horas
na SaladearteCinema do Museu, na Av. Sete de Setembro (Museu Geológico da Bahia).

domingo, abril 11, 2010

O cinema passado a limpo


Para ampliar clique na imagem
Este não é um “caso” de propaganda, mas tem alguma coisa a ver com os que gostam de cinema, como eu, por exemplo. Para alem de ser meu primo, considero o Professor André Setaro (1) um dos maiores conhecedores de cinema no Brasil. Ia escrever um texto sobre e para o lançamento de seus três livros em noite de autógrafos, dia 13/04/2010 (quarta feira) em Salvador, Bahia (2). No entanto ao ler o seu blogue (3) ontem, travei conhecimento com este brilhante resumo de sua trajetória escrito pela jornalista Aleksandra Pinheiro e o transcrevo abaixo:

Um homem chamado cinema

André Setaro estreou na crítica cinematográfica há cerca de 40 anos, quando escreveu seu primeiro ensaio na imprensa, no antigo Jornal da Bahia, defendendo a importância de Jerry Lewis. Em vez de submeter-se aos padrões ideológicos da época, preferiu privilegiar a estética cinematográfica, tal e qual aquele personagem quixotesco de Nós que nos amávamos tanto, de Ettore Scola. É o próprio Setaro quem explica as reações na ocasião: “Se até hoje muitas pessoas não compreendem o valor de Jerry Lewis, acham que é um diretor de sessão da tarde, imagine naquele período ideologizado? Fui logo chamado de alienado”, relata, com o riso irônico de quem sempre amou muito mais o cinema do que as revoluções.

Seu amor pelo cinema, reiterado na militância da imprensa diária, especialmente no Jornal Tribuna da Bahia, ganha agora o sabor da permanência. A editora Azouge, em parceria com a Edufba, lança no próximo dia 13 de abril, Escritos sobre o cinema, trilogia de um tempo crítico.

A obra 'setariana' está dividida em 3 volumes: No Vol I encontramos os escritos sobre filmes, atores e diretores que marcaram a história do cinema e também depoimentos e artigos com inclinações autobiográficas. Além das impressões do crítico sobre Orson Welles, Kurosawa, Fellini, Godard, Bergman, entre outros ícones, fica-se também conhecendo a trajetória e paixão de Setaro pelo seu objeto de desejo e estudo.

O Vol II é dedicado integralmente ao cinema baiano que este ano completa 100 anos. Nas resenhas críticas, o autor fala sobre as obras e cineastas pioneiros na Bahia (a exemplo de Roberto Pires e Glauber Rocha) e também reflete sobre os homens e as circunstâncias que permitiram o surgimento e a efervescência do cinema na província. Setaro rende homenagens ao mestre Walter da Silveira e ao lendário Clube de Cinema da Bahia, assim como reconhece o valor de empreendedores, a exemplo de Guido Araújo e sua longeva Jornada de Cinema. Fala sobre o boom superoitista e recorda com ternura dos cinemas de rua de Salvador, como o Guarany, Excelsior, Liceu, Tamoio, Bahia, Pax, Aliança, Jandaia.

No Vol III Setaro trata especificamente da linguagem cinematográfica: Embrenha-se pelos caminhos teóricos, destaca as escolas, os autores, mas nunca perde de vista aquilo que o crítico Inácio Araújo, autor do prefácio da sua trilogia, definiu como “uma prazerosa proposta civilizatória”.

Este farto material estava praticamente destinado ao esquecimento, já que André Setaro, apesar do incentivo que sempre recebeu dos colegas e alunos, recusava a ideia de transformar tudo em livro: “Amigos sempre me falaram para escrever um livro, mas eu nunca quis”, relata, destacando que foi convencido da viabilidade do projeto pelo jornalista e escritor Carlos Ribeiro, que há mais de 15 anos insistia na publicação destes textos. Foi assim que, a partir de 2005, Carlos Ribeiro juntou-se a Carlos Pereira, André França, Marcos Pierry e alguns outros ex-alunos de Setaro e decidiram, de forma voluntária, realizar o trabalho de pesquisa e seleção da obra: ‘O enorme esforço dos professores que realizaram o trabalho foi, em si, um reconhecimento à contribuição de André Setaro ao cinema da Bahia e do Brasil. É um material valiosíssimo, que necessitava ser preservado.’, destaca Carlos Ribeiro, organizador dos três volumes.“

(1) Graduado em Direito pela UFBa (1974), fez mestrado em História e Teoria da Arte pela Escola de Belas Artes, na mesma universidade(1998). Atualmente é professor adjunto do Departamento de Comunicação tambem na UFBa. Crítico cinematográfico do jornal Tribuna da Bahia, desde agosto de 1974 e colunista cinematográfico da revista eletrônica Terra Magazine http://terramagazine.terra.com.br/ onde publica ensaios e críticas todas as terças feiras.

(2) Em breve a coleção estará à venda em todo o país. Para quem morar ou estiver em Salvador, o evento será dia 13 de abril às 20 horas na “SaladearteCinema do Museu”, na Av. Sete de Setembro (Museu Geológico da Bahia).

(3) Link em “links” ao lado ou

http://setarosblog.blogspot.com/

quarta-feira, abril 07, 2010

Uma campanha que não aconteceu...

Foi na VS. Naquela boa e saudosa VS Escala da Rua Maria Eugênia. Criamos, o Marcos Vinicius e eu, uma campanha que considero inesquecível.

Aliás, a campanha partiu da ideia de um filminho de 10 segundos... Primeiro, porque havia este espaço na TV dos idos de 1988. Segundo, porque a campanha seria veiculada gratuitamente pelas emissoras de televisão, principalmente as pertencentes àqueles grupos de comunicação que tinham rádio. Já que tratava-se do “I Encontro Nacional de Rádio”.
Os principais patrocinadores eram a ABP (Associação Brasileira de Propaganda) e o semanário Meio & Mensagem.

Mas voltando à ideia para o comercial de 10 segundos ela era muito simples. E as boas ideias, no meu entender, são simples.
Começava com um ovo em close. Ouvia-se o barulhinho do estalar da casca e notavam-se as rachaduras a aumentar. Neste instante, quando se imaginava a saída de um pintinho, surgia a ponta de uma antena que rapidamente subia à medida que a câmera se afastava formando a imagem completa (como a do anúncio acima). O locutor em off dizia: “Você nunca ouviu nada igual” enquanto entravam os letreiros com o nome do evento.
Daí, partimos para o spot de rádio, apenas com efeitos sonoros.

A reunião de apresentação da campanha foi na Denison, contando com nós dois (a dupla de criação) e Lula Vieira (pela agência) e a presença de nada mais nada menos do que Celso Japiassú (1) e Caio Domingues (2). E foi uma honra para nós termos tudo aprovado por essas figuras mitológicas da historia da propaganda no Brasil. E o mais importante, com aplausos e louvores.
Pena que no final das contas somente foi veiculado um anúncio na Meio & Mensagem (3) por questões de verba, o filme acabou não sendo realizado. E o spot de rádio idem.

(1) O jornalista, poeta e publicitário Celso Almir Japiassu Lins Falcão, nasceu em João Pessoa no ano de 1939. Em 1957, cursando o terceiro ano clássico em Recife, entrou em contato com movimentos literários e teatrais da cidade. Trabalhou, como ator em grupos de teatro locais. Em 1958, transferiu-se para Belo Horizonte onde formou-se em Direito, exerceu o jornalismo e, depois a publicidade. Em 1967 mudou-se para o Rio, onde foi sócio da Denison.

(2) Caio Aurélio Domingues (1923/1994) ingressou na carreira publicitária em 1946, como redator da Grant, no Rio. Em 1950, foi transferido para São Paulo onde gerenciou o escritório daquela agência. Passou por outras agências como Thompson e Almap. Em 1972, ele e outros dezessete profissionais da filial carioca da Almap fundaram a Caio Domingues & Associados, que figurou entre as mais importantes agências de publicidade do Brasil.

(3) Anúncio que nunca saiu do meu portfólio. Inclusive o virtual:

http://jonga-portfolio.blogspot.com/

domingo, abril 04, 2010

O anúncio que foi parar no país errado

Na Salles atendi algumas contas que veiculavam muito em outros países. Em particular a Souza Cruz, o Banco do Brasil e o IBC (Instituto Brasileiro do Café).
Para este último, criamos um anúncio a ser veiculado no México. Se não me engano foi um cujo título era “O grão de seis milhões de dólares”; uma alusão ao seriado de TV com Lee Majors (O homem de seis milhões de dólares), muito popular naqueles tempos (1).

A foto já havia dado um trabalho danado. Era um grão de café, iluminado por faixas de luz, como se estivesse num palco. Acontece que hoje com Photoshop é mole. Mas naquele tempo tudo era no suor mesmo.
Por que diabos eu sei lá, resolvi fazê-la com um fotógrafo português, recém chegado de Angola. O cara tinha um papo... Mas só isso mesmo. Fui no seu estúdio, fizemos a foto com o grão em primeiro plano em fundo preto e por trás duas faixas de papel desfocadas pela profundidade. Acontece que o resultado final ficou uma bosta.
Tivemos que chamar um retocador que retrabalhou a foto com aerógrafo (2), e ela ficou estupenda. E tudo no prazo, porque o anúncio tinha veiculação no Brasil, Portugal, Espanha e Estados Unidos. O fato do anúncio ter o título mais compreendido no Brasil, porque a série em outros países tinha nomes diferentes, não importava tanto porque era o valor de uma operação da companhia.

Terminadas as artes finais, mandamos fazer os fotolitos para enviar para os respectivos países, normalmente “via Correios” (3), que mais se usava na época. Mas aí é que foi o grande desastre. Um dos anúncios (não me lembro qual) não chegou ao seu destino. E somente depois de uma semana soubemos que foi parar no Chile.

(1) Este caso aconteceu em 1981.

(2) Para a turma mais nova que não conheceu os tempos do pasteup, aerógrafo é uma ferramenta de pintura que utiliza uma técnica de uso do fluxo de ar associado à tinta. No caso o ar torna-se o "pincel".

(3) Naquele tempo os serviços e empresas de “Courier” ainda estavam engatinhando no Brasil.

terça-feira, março 30, 2010

O "caso" do Capitão Aza


Continuando a republicar postagens mais antigas, segue esta de setembro de 2006.

O Capitão Aza (assim com “zê” mesmo), era este cara aí na foto que na TV Tupi concorria com o Capitão Furacão da TV Globo. Costumava aparecer na televisão num suposto avião, com capacete, nuvenzinhas e tudo a que tinha direito. Além do que, como seu principal rival, apresentava os principais desenhos animados e demais entretenimentos para a garotada de então.

Eram figuras folclóricas naquela época. E tinham, ambos, casos muito estranhos. Conta-se, que o Capitão Furacão num determinado dia sorteou alguns dos seus “grumetes” para navegar numa escuna pelos mares da vida. O Capitão Furacão era caracterizado como um velho “lobo do mar”, e tinha como sua principal ajudante uma garotinha, a Elisangela (1). Pois bem. Começada a viagem, o tal do “comandante”, começou a enjoar, passar mal, e no final foi resgatado por um helicóptero em alto mar. Um puta dum vexame!

Mas, voltando ao Capitão Aza. Era uma figura. Fazia propaganda da FAB. Enaltecia a "gloriosa" força aérea, era um estardalhaço. E, até dava o maior dos ibopes.

Um determinado dia, nosso colega Victor Kirowsky trafegava em sua inconfundível Variant de cor vinho (2), quando esbarrou num Puma. Esbarrou é o modo de se dizer. Bateu mesmo.

Abriu-se a porta e sai de lá o comandante in self. Começa então uma discussão de quem era ou não o culpado do incidente. Dizem que o capitão era meio violento. Até contavam as más línguas que ele era agente do SNI. O Vic, certamente, com o seu cachimbo à boca, no melhor estilo Monsieur Hulot, ouviu a presopopéia toda do apresentador televisivo, que no final, virou-se para ele e falou em altos brados:

- Sabe com quem está falando? Com o Capitão Aza!!!.

Victor Kirovisky baforou seu cachimbinho, olhou para o cara e respondeu com seu carregado sotaque de gringo:

- Prazer... Capitão Marvel!

Fechou a porta da Variant e arrancou sem dizer mais nada.

(1) Aquela mesma que é filha do comediante Zacarias e até hoje continua a trabalhar na TV.

(2) Até hoje muita gente não sabe como a Variant do Vic andava. Mas eu juro que sim!

terça-feira, março 23, 2010

O blogue da sobrinha




Ludmila Olivieri é minha sobrinha, atriz e produtora. O seu blogue está marcado aí ao lado nos links. E tem alguns momentos de seu desempenho de atriz, como no curta “A espera” que vale a pena conferir, para alem de reflexões e textos variados.

Começou sua carreira em teatro ainda estudante no Colégio São Vicente e lá a vi crescer em peças como “O diário de Anne Frank” e tantas outras, pois todo ano eles montavam uma nova. Posteriormente trabalhou profissionalmente tanto em peças teatrais infantis como tambem destinadas ao público adulto.

Clicando no link http://www.youtube.com/watch?v=UJEpAbi7uMQ você pode assistir um excelente desempenho dela em reprodução de cena da “Rainha da sucata”.

No momento dedica-se à produção de um filme (que tambem vai dirigir) cujo título é “Todo dia” e que terá em seu elenco a atriz Elizabeth Savala.

sábado, março 20, 2010

Uma republicação para minha amiga Carla

“Já nas bancas. Não perca!” Este era o título de uma postagem em que anunciava o lançamento de uma revistinha do Maurício de Sousa no qual minha ex-dupla Carlinha estreava como personagem de um número dedicado à página na web que reúne um grupo de admiradores da Mônica e sua turma que visitou os estúdios do merecidamente famoso quadrinista.

Na capa acima ela é a primeira da esquerda para a direita, na primeira fila (veja a seta amarela). Abaixo segue o artigo postado em 18 de março de 2007.
Como almoçamos na cidade recentemente, lembrei de republicá-lo. A Carla merece.

“Carla Pacheco, além de brilhante redatora é a mais nova personagem do Maurício de Sousa.
Isso mesmo, minha querida amiga e ex-dupla tornou-se a “Caula”, amiga da Mônica, Cebolinha e sua turma na revista agora publicada pela Panini Comics: ‘Uma aventura no Parque da Mônica - Orkontro no Parque!.’
Meus palabéns Caula por mais esta empleitada de sucesso em sua vida.”

quinta-feira, março 18, 2010

Ainda sobre o Ronaldo


Na foto acima, Ronaldo Graça (nosso Personal Guide em Paris) em 1992, ao lado da Vi e eu mesmo... Ao fundo o histórico Hotel de Ville.

Uma vez, estava a conversar com meu filho e fiz-lhe uma pergunta. Ele olhou pra cima, pra baixo, pensativo. Daí eu cobrei dele uma resposta, mas instantaneamente ele retrucou: “Espera, papai, deixe-me pensar um pouco sobre o assunto!”.
Pois bem, Ronaldo Graça era assim tambem. Uma pessoa que gostava de pensar um pouco antes de responder. Ele era um sábio. Gostava que as coisas estivessem claras. Sim, porque às vezes, na pressa de responder falamos cada “besteira” que sai da frente.

Ronaldo era um sujeito meticuloso, cuidadoso em todos os campos de sua vida. Tanto pessoal quanto profissional. Lembro que uma vez passei para ele a finalização de umas ilustrações para uma campanha da IBM. O prazo era curto, mas ele, virando noites em sua casa, entregou-me tudo em telas cuidadosamente pintadas a óleo. Um primor de trabalho. E, detalhe, tudo sequinho, pois ele usou um produto para acelerar a secagem da tinta a óleo.

Meditava todos os dias. Às vezes ligava para a casa dele e a Eliana (sua esposa) me dizia; “Jonga, liga mais tarde porque ele está a meditar”. Não é fantástico?

A foto acima é uma das muitas que me recordam os momentos inesquecíveis que passamos com ele em Paris. O seu cuidado em escolher os roteiros a cada dia em que nos guiou foram surpreendentes. Vejam bem, o Ronaldo, que na época morava em Paris há mais de um ano, ia todas as semanas ao Louvre e lá passava algumas horas para admirar cada pedacinho daquele fantástico museu.
Na sua meticulosa forma de ser ele queria absolver tudo o que aquele fantástico acervo podia lhe acrescentar. Cada sala, cada corredor, cada um dos muitos setores do museu.
Quando digo que considerava ele um “irmão” mais velho é por esses pequenos detalhes e pelo tanto que me ensinou durante todo o tempo de nosso convívio.

Existem pessoas que jamais poderiam morrer. E o Ronaldo é uma delas. Mas, podem ter certeza, seus ensinamentos, sua amizade, sua sabedoria, não vão morrer enquanto alguem que o conheceu estiver vivo.

Mais um blogue de publicidade no pedaço

É só ver nos links aí ao lado. O nome é “puracatapora” e é do Almir Gomes, que entre outras agências, trabalhou na MPM do Rio de Janeiro. Força Almir...

sexta-feira, março 12, 2010

Sempre assim, desde o início dos tempos

Acho que a primeira vez que inventaram a roda, alguem deu um palpite do tipo “não seria melhor se fosse quadrada?” e a ideia sambou... Levou milhares, talvez milhões de anos para ser retomada por algum outro indivíduo, que, mais teimoso resistiu às sugestões absurdas e levou o invento pra frente.

A verdade é que eu tenho certeza de que desde o princípio, desde que a imaginação surgiu, surgiu ao seu lado o “espírito de porco”, o demolidor de boas criações. Sempre disse que o “Garoto Bom Bril” foi das grandes vitórias da venda de uma ideia em publicidade. Duvido que numa época em que garotas-propaganda bonitinhas e embonecadas alguem não tenha se levantado contra o que, a princípio parecia uma anti-publicidade, tendo à frente um sujeito estranho, meio tímido, meio efeminado... Bom, gente, era a DPZ quem estava do outro lado da mesa. Seus argumentos devem ter sido muito bem defendidos.

Quando fui trabalhar na Salles, o anúncio acima havia acabado de ter sido publicado. Eu me orgulhava de estar naquela agência porque no dia a dia da nossa profissão nos deparamos sempre com uma tentativa de “derrubada” em nossa criatividade. Não posso contar as vezes em que deixei de colocar um anúncio, ou mesmo uma campanha na pasta porque um infeliz qualquer disse: “Aumenta o logotipo”, ou “este título não está legal”. Quantas vezes presenciei boas peças virarem “comunicados” sem a menor bossa.

Portanto vamos relembrar o anúncio acima. Ele faz parte da história da publicidade no Brasil e no mundo. E mostra o quanto um palpite qualquer, de um tambem "qualquer" pode destruir uma boa idéia.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Um amigo que deixou saudades

RIO - Ronaldo Graça Vianna Santos (1936-2010) nasceu no Rio de Janeiro, onde foi desenhista da Rio Grafica Editora, diretor de cinema de publicidade, roteirista de cinema - O Flagrante, de Reginaldo Farias -, diretor e autor de teatro. Dirigiu filmes de publicidade que marcaram época, como o do Tigre da Esso, "Coca-Cola, isso é que é", biscoitos Sem-parar, Sardinhas 88 e AMIL. Em 1980, obteve o 1° lugar no Concurso de Dramaturgia do Instituto Nacional de Artes Cênicas com a peça "Malhas do Casulo". Em 1991 mudou-se para Paris, onde desenvolveu uma carreira de artista gráfico, roteirista e desenhista de História em Quadrinhos. Participou de grandes campanhas publicitárias - Eurodisney - e trabalhou para grandes editoras - Fayard - como criador de capas de livros. Era responsável exclusivo pelas capas de duas coleções de romances populares publicadas em Paris e na Costa do Marfim, África. Morreu em Paris no dia último domingo, dia 11 de janeiro. Deixa mulher e dois filhos menores. Do primeiro casamento deixa dois filhos maiores entre eles, o ator Xando Graça, e quatro netos. Seu corpo será cremado no Crematório do Cemitério Père Lachaise, em Paris, no dia 18 de janeiro. Suas cinzas serão transferidas, em fevereiro, para o Rio de Janeiro.

O texto acima foi extraído do Jornal do Brasil e resume o Ronaldo Graça profissional que se dedicou a tantas atuações no mundo das artes. Sim, porque Ronaldo foi um profissional diversificado em suas funções, mas, antes de mais nada extremamente dedicado em todas elas.

Mas quero falar, principalmente do amigo Ronaldo Graça. Amigo de quem tenho grandes recordações por décadas de convívio. Sempre um convívio saudável. Talvez o tenha visto nos corredores da McCann, quando lá estagiei. Mas o certo é que vim a conhecê-lo mesmo na L&M, quando foi para aquela agência com a função de ajudar e orientar as duplas de criação no processo de produção de comerciais para TV, dada sua experiência na área.

Mais de 10 anos depois, o encontro na VS Escala. Ali como ilustrador. Excelente por sinal. Neste período, começamos a desenvolver uma amizade maior. Por características de sua personalidade, sempre que lhe passava um trabalho, havia um papo sobre o clima da ilustração, numa época em que este tipo de trabalho era importantíssimo para a venda de uma ideia. Conversávamos muito nestas ocasiões. E ele acrescentava, contribuía para que o trabalho saísse da melhor forma possível.

Às sextas a criação da VS saia para almoçar em grupo. Eram verdadeiras orgias degustativas, do churrasco na Plataforma a outras opções. Mas aos poucos fomos cada vez mais nos aproximando da culinária japonesa. Como eu lembro do Ronaldo perguntando: “E aí, sushi sashimi hoje?” E lá íamos nós para o Kampai, excelente “japa” ali na praia de Botafogo. Eram muitos pratos deliciosos bem regados a saquê.

Fui para Portugal em 1990 e o Ronaldo mudou-se para a França no ano seguinte. Estava no Porto quando a Eliana se encontrava grávida da Maria, a primeira filha do casal. Foram passeios inesquecíveis naqueles dias em que passaram naquela cidade. Por outro lado, quando fomos a Paris, ele nos recebeu com um “Guia Michelin” debaixo do braço. E como rodamos museus e locais imperdíveis da cidade luz. Chegávamos no hotel à noite com os pés doloridos de tanto andar, mas com a sensação de ter conhecido muita coisa. Dos quinze dias que lá passamos, em pelo menos seis o Ronaldo saiu conosco.

Desde que voltei para o Brasil, encontrei o Ronaldo (e família) todos os anos. Em sua casa, na minha, na festa de aniversário que fazia para os seus filhos antes de voltarem a Paris. E, curiosamente no almoço anual do pessoal que trabalhou na Rio Gráfica. E digo curiosamente porque eu nunca trabalhei lá. Mas era um grande prazer encontrar aquela turma de ilustradores, muitos dos quais eu conhecia do mercado e outros que fiquei a conhecer depois.

É muito difícil falar de um amigo em momento de dor. Para mim ele foi como um "irmão" mais velho e gostaria mesmo de estar combinando um próximo almoço. Mas, são coisas da vida. Como a saudade que ele deixou em mim e tantos outros que o estimaram.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Ronaldo

Tenho recebido e-mails e até telefonemas sobre o saudoso amigo Ronaldo Graça.

Desde a sua morte, traumatizado, apesar de estarmos a esperar o acontecimento devido ao seu delicado estado de saúde, tenho pensado em publicar uma matéria sobre ele. São muitas coisas, um longo tempo de convívio que culminou na véspera de sua viagem de volta a Paris em agosto último.

Estou a escrever, mas, para além do pouco tempo disponível, sempre acho que falta alguma coisa. Um pequeno detalhe que seja. Acho que ele merece uma postagem à altura do que foi e representou para mim, e, creio, todos os que o conheceram.

Prometo para breve.

sábado, janeiro 02, 2010

Um osso duro de roer








Havia uma conhecida com quem havia feito um trabalho Ela tinha um estúdio chamado Texto e Arte. Era um folhetão, quase uma revista e que teve um bom resultado.
Um dia ela me ligou e perguntou se estava a fim de pegar um novo frila. Um cartaz e convite para um evento do Castelinho do Flamengo. E, um pequeno detalhe. Era um evento para comemorar os 30 anos de surgimento da Jovem Guarda.
Bom, a primeira coisa que me ocorreu é que eu sempre detestei o dito movimento musical. Primeiro porque na época de seu auge havia uma disputa entre ele e a MPB (Música Popular Brasileira). A Jovem Guarda a pregar a alienação, os valores vazios de carrões e anelões, e a MPB a lançar temas mais conscientes, numa época em que isto era necessário.

Mas é o tal caso, a gente tá na chuva é pra se molhar, certo? No dia a dia da publicidade fazemos propaganda de produtos que não gostamos ou até mesmo que não acreditamos. O que fazer? São ossos do ofício. Mas às vezes existem “ossos duros de roer”.
Topei o trabalho. E começamos. Entrei no clima, fui a uma reunião no Castelinho do Flamengo, que por acaso ficava ao lado da agência, o que facilitava muito a coisa. Lá encontrei a Lúcia Rito, que, para além de estar no “Caso” do leão (republicado recentemente), ainda era amiga de uma de minhas irmãs.

Aos poucos fui pesquisando o visual da época, arranjei uma foto excelente do Arquivo Abril de Imagens, o que facilitou o trabalho. E o cartaz/convite (transformei numa peça só, com dobras) acabou ficando de um jeito legal. De resto, foi mesmo “uma brasa, mora”, porque “mandei tudo pro inferno”. Inclusive o osso...