sexta-feira, março 12, 2010

Sempre assim, desde o início dos tempos

Acho que a primeira vez que inventaram a roda, alguem deu um palpite do tipo “não seria melhor se fosse quadrada?” e a ideia sambou... Levou milhares, talvez milhões de anos para ser retomada por algum outro indivíduo, que, mais teimoso resistiu às sugestões absurdas e levou o invento pra frente.

A verdade é que eu tenho certeza de que desde o princípio, desde que a imaginação surgiu, surgiu ao seu lado o “espírito de porco”, o demolidor de boas criações. Sempre disse que o “Garoto Bom Bril” foi das grandes vitórias da venda de uma ideia em publicidade. Duvido que numa época em que garotas-propaganda bonitinhas e embonecadas alguem não tenha se levantado contra o que, a princípio parecia uma anti-publicidade, tendo à frente um sujeito estranho, meio tímido, meio efeminado... Bom, gente, era a DPZ quem estava do outro lado da mesa. Seus argumentos devem ter sido muito bem defendidos.

Quando fui trabalhar na Salles, o anúncio acima havia acabado de ter sido publicado. Eu me orgulhava de estar naquela agência porque no dia a dia da nossa profissão nos deparamos sempre com uma tentativa de “derrubada” em nossa criatividade. Não posso contar as vezes em que deixei de colocar um anúncio, ou mesmo uma campanha na pasta porque um infeliz qualquer disse: “Aumenta o logotipo”, ou “este título não está legal”. Quantas vezes presenciei boas peças virarem “comunicados” sem a menor bossa.

Portanto vamos relembrar o anúncio acima. Ele faz parte da história da publicidade no Brasil e no mundo. E mostra o quanto um palpite qualquer, de um tambem "qualquer" pode destruir uma boa idéia.

22 comentários:

Anita disse...

Não é atoa que sempre dou uma passadinha por aqui.
Você tem publicado pouca coisa, mas quando vem, aparece com algo bastante sugestivo.
Parabéns!

Jonga Olivieri disse...

E isto é uma das maiores verdades no "ramo", podes crer...

Anônimo disse...

Caramba, quem de nós naão passou por isso inúmeras vezes?
Me lembro desse anúncio. Foi um dos melhores sobre o assunto e aliás o título virou jargão popular, Pelo menos entre publicitários.

Jonga Olivieri disse...

Até hoje falo essa frase quando acontece ou sinto que possa acontecer algo semelhante.
Ela virou uma máxima.

Professor Texto disse...

Yonga: essa máxima faz parte de meu vocabulário em sala de aula. É atual, não envelhece nunca. Porque sempre haverá gente medíocre, recalcada, querendo minimizar as ideias dos outros por total incapacidade de ter luz própria. Excelente postagem, mano. Saudades...
=)

Jonga Olivieri disse...

Grande Luiz Favilla. É um prazer ter um comentário seu neste blogue.
Tambem estou com saudades.
Abs...

Jonga Olivieri disse...

Meua amigo Lincoln Pires mandou um comentário para o meu e-mail que eu reprocuzo aqui com grande prazer:
"Grande Jonga, há quanto tempo.
Muito bom "O Caso do King Kong" pois já perdemos a conta de quantos "Kongs" desses já atravessaram a nossa frente. Sempre ouvia o comentário que "a zebra era um cavalo que alguém deu um palpite", ou algo parecido."


É isso aí Lincoln. E tem o caso do camelo que tambem foi o fruto de uma reunião de sábios para tentar criar o "cavalo perfeito". hehehe!

Leonardo disse...

Nada melhor do que relembrar este anúncio. Ou daquela frase: a pressa passa e a merda fica!
Coisas desta profissão.

Jonga Olivieri disse...

Aliás, todas as vezes que fui diretor de criação nas agências em que trabalhei tinha esta frase (A pressa passa...) em cimada mesa.
Uma vez, para fundir a cuca do atendimento embaralhei as plavras e escrevi: "A fica pressa e a passa merda".
Claro que por pouco tempo, mas foi hilário...

Anônimo disse...

Simplesmente genial a idéia!

Anônimo disse...

Brilhante este anuncio. E quem nao se lembra dele?

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Acho mesmo que é um ícone da publicidade no Brasil.
E uma das melhores coisas concretas que já foram feitas por "nós" em defesa de "nós mesmos".
Certo?

André Setaro disse...

Ainda que não seja publicitário, os 'casos' aqui postados são bastante instrutivos. Vejo, neste, uma alusão a alguma coisa que conheço.

Jonga Olivieri disse...

Sin duda, señor...
Mas a verdade é que desde que me entendo em publicidade este negócio de meter o dedo ou "tirar o título" é fato... Uauuuu!

maria disse...

Achei genial este seu post.
No fundo "de publicitário e louco todo mundo tem um pouco".

Jonga Olivieri disse...

Boa essa Mary. E é isso mesmo, todos gostam de dar uma "pitada" em ideias.

Anônimo disse...

Caro Jonga, lembro-me da peça já - merecidamente - em anuários (provav. o CCSP) qdo. iniciava carreira. Brilhante lembrança, a propósito, agradeço se visitasse um blog meu recém-instituído (!) com a mesma intenção de recordações quanto o seu, embora focado em basicamente uma única ag. na qual trabalhei 10 anos no RJ. Como era - déc. de 80 - a maior do BR, há sempre umas historinhas pra se contar. É o http://puracatapora.blogspot.com, obrigado e abração, AGGomes.

Jonga Olivieri disse...

Caro AC Gomes, vou ler seu blogue e marcá-lo nos meus links.
Porque a publicidaade hoje é um arremedo da que nós conhecemos.

Popeye disse...

Uma dos melhores anúncios que ja´vi. E, como não sou publicitário não conhecia.

Jonga Olivieri disse...

Bem, anúncios são feitos para um determinado público alvo.
Nesre caso, claro, somos nós mesmos os publicitários.
Mas é de fácil alcance em outras profissões tambem.

Anônimo disse...

Bem lembrado. Um anúncio emblemático!
Cantídio

Jonga Olivieri disse...

Na verdade nunca o esqueci. E acho que todos deveriam ter feito isto: não esquecer!