quinta-feira, abril 29, 2010

Atendendo a pedidos


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Realmente muita gente me pediu mais reproduções de anúncios do power point que me foi encaminhado pelo Torres. Fiz uma seleção e publico mais algumas.

sábado, abril 24, 2010

Alerta sempre vale


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Capturei as imagens de um power point encaminhado pelo meu amigo Antônio Torres, e que achei valer a pena reproduzir aqui estes anúncios maravilhosos...

quarta-feira, abril 21, 2010

O "caso" das quartas sem lei (Republicação)

Anúncio criado por mim em parceria com Tonico Mercador na Livre

Escrito em maio de 1997. Publicado neste blogue em setembro de 2006.

A Livre Propaganda Brasileira é um caso muito especial na minha vida profissional. Era uma agência poética, solta, livre mesmo, como dizia o seu sugestivo nome.

O meu caso com a Livre estendeu-se por muitos meses de paquera, e em seguida um curto casamento. Bom, isto porque, característica do mercado mineiro, conta de governo era um negócio que sustentava naquela época cerca de 70% do faturamento das grandes agências. No caso da Livre, era mesmo 99,9%. E acontece que a Livre, numa dessas desastrosas mudanças políticas (1), ficou com seu 0,01% de contas privadas e ela obviamente naufragou. O que não quer dizer que os oito meses que lá passei não tenham sido realmente inesquecíveis.

Começou quando eu estava na ASA. Com a saída do Zuim, o pessoal da Livre precisava de um novo diretor de criação. E começaram a me sondar. Foram alguns meses de papo, algumas negativas e, finalmente, aquela famosa "de uma boa cantada ninguém escapa".
Arrumei minhas malas e lá fui eu para a Livre. Uma agência sui generis, que tinha um boxer perambulando pelas suas dependências, um papagaio e um pátio interno que mais parecia uma miniatura do paraíso. Tinha fogão de lenha, muitas plantas e uma frondosa mangueira. Uma equipe que eu achava perfeita: o Boca, o Alvinho, o Wanderley. Depois ainda veio o Tonico Mercador para reforçar esse time. No RTVC o Juninho e sua assistente, a Claudinha, que alem de competente era um colírio para os olhos.

A Livre era uma agência tão dupirú, que todo mês tinha lá um regabofe sortido e fartamente mineiro, repleto de chope e cachaça da melhor em torno do seu fogão de lenha. E o melhor é que o pessoal que ia lá com frequência, alem dos clientes eram nada mais nada menos do que a turma do "Clube da Esquina". Eles mesmos, Toninho Horta, Milton Nascimento e outros. Gente da pesada, porque a Livre tinha surgido como Quilombo, e depois desdobrou-se. O Marcinho, um dos seus sócios prematuramente desaparecido recentemente, continuava inclusive como produtor musical de Milton e sua turma e a Quilombo continuava a existir numa casa próxima a ela, e que também tinha papagaio, cachorro, e um ambiente que mais parecia um quadro da Djanira. A propósito, os outros sócios eram o Murilo Antunes, um poeta, um performático, um intelectual mineiro de primeiro time e o Pardal, pintor, uma figuraça.

Mas, embora da Livre eu tenha outros casos, que um dia sem dúvida eu conto, tem um que é marcante: o das quartas sem lei. "Segunda sem lei" era o título de um programa da Band que só passava faroestes e fazia sucesso. Pelo menos para os fãs do gênero.
Mas na Livre o negócio era um pouquinho diferente. Quando chegava o final das quartas-feiras, a turma já começava a ficar meio ouriçada esperando o que ia acontecer. E em geral o que acontecia mesmo era que um dos sócios poetas, pintores ou músicos pegar um extintor de incêndio e começar a disparar aquela geringonça numa guerra contra os outros sócios, que naturalmente respondiam na mesma moeda.

Era uma zorra, um corre-corre e uma gritaria geral. Uma das maiores loucuras coletivas de que já participei na minha vida. Algo realmente ducacete.

Vale aqui uma observação importante. A Livre Propaganda Brasileira era uma agência séria. O trabalho era tocado com muita, mas com muita responsabilidade. E a enorme quantidade de prêmios que ela acumulou nos breves anos de sua vida estão lá, nos anais da propaganda mineira.
É que criação é isso aí. Quanto mais livre, melhor.

(1) "O 'caso' do sonho que não decolou" explica essa história toda e foi postado neste blogue em outubro de 2007.

quarta-feira, abril 14, 2010

Uma homenagem merecida


Falei a poucos dias de Caio Domingues, uma figura que sempre mereceu homenagens, pelo seu caráter, sua capacidade profissional e empreendedora e a contribuição ao mercado. Não somente o carioca, mas tambem o mercado brasileiro de publicidade como um todo.
A seriedade e o respeito de um Caio Domingues, poucos conseguem...

Acontece que a conta da Xerox era do Caio. Ele a conquistou e realizou trabalhos excelentes.
A VS Escala, porem, conseguiu uma fatia da Xerox. E nós a dividíamos. Numa boa, nunca houve problemas neste sentido.

Com a morte do Caio, surgiu uma oportunidade de homenageá-lo, à altura do que ele merecia. E não houve pedido de anúncio por parte do atendimento ou da agência.
O sempre brilhante Paulinho Costa, no mesmo dia sacou o título acima, e o apresentou à diretoria, que no mesmo instante autorizou a publicação. Eu, apenas humildemente, e com um puta dum orgulho, tive a sorte de leiautá-lo.

Hoje, Paulinho está na mesma equipe de Caio Domingues e tantos que se foram... Lá no céu * !

(*) Faço questão de afirmar aqui que sou um ateu (à toa), sempre fui e pretendo morrer sendo. Mas, por licenciosidade poética, achei por bem finalizar o texto assim. Não ficou bonito?

terça-feira, abril 13, 2010

Lançamento HOJE em Salvador, Bahia


13 de abril de 2010 às 20 horas
na SaladearteCinema do Museu, na Av. Sete de Setembro (Museu Geológico da Bahia).

domingo, abril 11, 2010

O cinema passado a limpo


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Este não é um “caso” de propaganda, mas tem alguma coisa a ver com os que gostam de cinema, como eu, por exemplo. Para alem de ser meu primo, considero o Professor André Setaro (1) um dos maiores conhecedores de cinema no Brasil. Ia escrever um texto sobre e para o lançamento de seus três livros em noite de autógrafos, dia 13/04/2010 (quarta feira) em Salvador, Bahia (2). No entanto ao ler o seu blogue (3) ontem, travei conhecimento com este brilhante resumo de sua trajetória escrito pela jornalista Aleksandra Pinheiro e o transcrevo abaixo:

Um homem chamado cinema

André Setaro estreou na crítica cinematográfica há cerca de 40 anos, quando escreveu seu primeiro ensaio na imprensa, no antigo Jornal da Bahia, defendendo a importância de Jerry Lewis. Em vez de submeter-se aos padrões ideológicos da época, preferiu privilegiar a estética cinematográfica, tal e qual aquele personagem quixotesco de Nós que nos amávamos tanto, de Ettore Scola. É o próprio Setaro quem explica as reações na ocasião: “Se até hoje muitas pessoas não compreendem o valor de Jerry Lewis, acham que é um diretor de sessão da tarde, imagine naquele período ideologizado? Fui logo chamado de alienado”, relata, com o riso irônico de quem sempre amou muito mais o cinema do que as revoluções.

Seu amor pelo cinema, reiterado na militância da imprensa diária, especialmente no Jornal Tribuna da Bahia, ganha agora o sabor da permanência. A editora Azouge, em parceria com a Edufba, lança no próximo dia 13 de abril, Escritos sobre o cinema, trilogia de um tempo crítico.

A obra 'setariana' está dividida em 3 volumes: No Vol I encontramos os escritos sobre filmes, atores e diretores que marcaram a história do cinema e também depoimentos e artigos com inclinações autobiográficas. Além das impressões do crítico sobre Orson Welles, Kurosawa, Fellini, Godard, Bergman, entre outros ícones, fica-se também conhecendo a trajetória e paixão de Setaro pelo seu objeto de desejo e estudo.

O Vol II é dedicado integralmente ao cinema baiano que este ano completa 100 anos. Nas resenhas críticas, o autor fala sobre as obras e cineastas pioneiros na Bahia (a exemplo de Roberto Pires e Glauber Rocha) e também reflete sobre os homens e as circunstâncias que permitiram o surgimento e a efervescência do cinema na província. Setaro rende homenagens ao mestre Walter da Silveira e ao lendário Clube de Cinema da Bahia, assim como reconhece o valor de empreendedores, a exemplo de Guido Araújo e sua longeva Jornada de Cinema. Fala sobre o boom superoitista e recorda com ternura dos cinemas de rua de Salvador, como o Guarany, Excelsior, Liceu, Tamoio, Bahia, Pax, Aliança, Jandaia.

No Vol III Setaro trata especificamente da linguagem cinematográfica: Embrenha-se pelos caminhos teóricos, destaca as escolas, os autores, mas nunca perde de vista aquilo que o crítico Inácio Araújo, autor do prefácio da sua trilogia, definiu como “uma prazerosa proposta civilizatória”.

Este farto material estava praticamente destinado ao esquecimento, já que André Setaro, apesar do incentivo que sempre recebeu dos colegas e alunos, recusava a ideia de transformar tudo em livro: “Amigos sempre me falaram para escrever um livro, mas eu nunca quis”, relata, destacando que foi convencido da viabilidade do projeto pelo jornalista e escritor Carlos Ribeiro, que há mais de 15 anos insistia na publicação destes textos. Foi assim que, a partir de 2005, Carlos Ribeiro juntou-se a Carlos Pereira, André França, Marcos Pierry e alguns outros ex-alunos de Setaro e decidiram, de forma voluntária, realizar o trabalho de pesquisa e seleção da obra: ‘O enorme esforço dos professores que realizaram o trabalho foi, em si, um reconhecimento à contribuição de André Setaro ao cinema da Bahia e do Brasil. É um material valiosíssimo, que necessitava ser preservado.’, destaca Carlos Ribeiro, organizador dos três volumes.“

(1) Graduado em Direito pela UFBa (1974), fez mestrado em História e Teoria da Arte pela Escola de Belas Artes, na mesma universidade(1998). Atualmente é professor adjunto do Departamento de Comunicação tambem na UFBa. Crítico cinematográfico do jornal Tribuna da Bahia, desde agosto de 1974 e colunista cinematográfico da revista eletrônica Terra Magazine http://terramagazine.terra.com.br/ onde publica ensaios e críticas todas as terças feiras.

(2) Em breve a coleção estará à venda em todo o país. Para quem morar ou estiver em Salvador, o evento será dia 13 de abril às 20 horas na “SaladearteCinema do Museu”, na Av. Sete de Setembro (Museu Geológico da Bahia).

(3) Link em “links” ao lado ou

http://setarosblog.blogspot.com/

quarta-feira, abril 07, 2010

Uma campanha que não aconteceu...

Foi na VS. Naquela boa e saudosa VS Escala da Rua Maria Eugênia. Criamos, o Marcos Vinicius e eu, uma campanha que considero inesquecível.

Aliás, a campanha partiu da ideia de um filminho de 10 segundos... Primeiro, porque havia este espaço na TV dos idos de 1988. Segundo, porque a campanha seria veiculada gratuitamente pelas emissoras de televisão, principalmente as pertencentes àqueles grupos de comunicação que tinham rádio. Já que tratava-se do “I Encontro Nacional de Rádio”.
Os principais patrocinadores eram a ABP (Associação Brasileira de Propaganda) e o semanário Meio & Mensagem.

Mas voltando à ideia para o comercial de 10 segundos ela era muito simples. E as boas ideias, no meu entender, são simples.
Começava com um ovo em close. Ouvia-se o barulhinho do estalar da casca e notavam-se as rachaduras a aumentar. Neste instante, quando se imaginava a saída de um pintinho, surgia a ponta de uma antena que rapidamente subia à medida que a câmera se afastava formando a imagem completa (como a do anúncio acima). O locutor em off dizia: “Você nunca ouviu nada igual” enquanto entravam os letreiros com o nome do evento.
Daí, partimos para o spot de rádio, apenas com efeitos sonoros.

A reunião de apresentação da campanha foi na Denison, contando com nós dois (a dupla de criação) e Lula Vieira (pela agência) e a presença de nada mais nada menos do que Celso Japiassú (1) e Caio Domingues (2). E foi uma honra para nós termos tudo aprovado por essas figuras mitológicas da historia da propaganda no Brasil. E o mais importante, com aplausos e louvores.
Pena que no final das contas somente foi veiculado um anúncio na Meio & Mensagem (3) por questões de verba, o filme acabou não sendo realizado. E o spot de rádio idem.

(1) O jornalista, poeta e publicitário Celso Almir Japiassu Lins Falcão, nasceu em João Pessoa no ano de 1939. Em 1957, cursando o terceiro ano clássico em Recife, entrou em contato com movimentos literários e teatrais da cidade. Trabalhou, como ator em grupos de teatro locais. Em 1958, transferiu-se para Belo Horizonte onde formou-se em Direito, exerceu o jornalismo e, depois a publicidade. Em 1967 mudou-se para o Rio, onde foi sócio da Denison.

(2) Caio Aurélio Domingues (1923/1994) ingressou na carreira publicitária em 1946, como redator da Grant, no Rio. Em 1950, foi transferido para São Paulo onde gerenciou o escritório daquela agência. Passou por outras agências como Thompson e Almap. Em 1972, ele e outros dezessete profissionais da filial carioca da Almap fundaram a Caio Domingues & Associados, que figurou entre as mais importantes agências de publicidade do Brasil.

(3) Anúncio que nunca saiu do meu portfólio. Inclusive o virtual:

http://jonga-portfolio.blogspot.com/

domingo, abril 04, 2010

O anúncio que foi parar no país errado

Na Salles atendi algumas contas que veiculavam muito em outros países. Em particular a Souza Cruz, o Banco do Brasil e o IBC (Instituto Brasileiro do Café).
Para este último, criamos um anúncio a ser veiculado no México. Se não me engano foi um cujo título era “O grão de seis milhões de dólares”; uma alusão ao seriado de TV com Lee Majors (O homem de seis milhões de dólares), muito popular naqueles tempos (1).

A foto já havia dado um trabalho danado. Era um grão de café, iluminado por faixas de luz, como se estivesse num palco. Acontece que hoje com Photoshop é mole. Mas naquele tempo tudo era no suor mesmo.
Por que diabos eu sei lá, resolvi fazê-la com um fotógrafo português, recém chegado de Angola. O cara tinha um papo... Mas só isso mesmo. Fui no seu estúdio, fizemos a foto com o grão em primeiro plano em fundo preto e por trás duas faixas de papel desfocadas pela profundidade. Acontece que o resultado final ficou uma bosta.
Tivemos que chamar um retocador que retrabalhou a foto com aerógrafo (2), e ela ficou estupenda. E tudo no prazo, porque o anúncio tinha veiculação no Brasil, Portugal, Espanha e Estados Unidos. O fato do anúncio ter o título mais compreendido no Brasil, porque a série em outros países tinha nomes diferentes, não importava tanto porque era o valor de uma operação da companhia.

Terminadas as artes finais, mandamos fazer os fotolitos para enviar para os respectivos países, normalmente “via Correios” (3), que mais se usava na época. Mas aí é que foi o grande desastre. Um dos anúncios (não me lembro qual) não chegou ao seu destino. E somente depois de uma semana soubemos que foi parar no Chile.

(1) Este caso aconteceu em 1981.

(2) Para a turma mais nova que não conheceu os tempos do pasteup, aerógrafo é uma ferramenta de pintura que utiliza uma técnica de uso do fluxo de ar associado à tinta. No caso o ar torna-se o "pincel".

(3) Naquele tempo os serviços e empresas de “Courier” ainda estavam engatinhando no Brasil.