domingo, abril 04, 2010

O anúncio que foi parar no país errado

Na Salles atendi algumas contas que veiculavam muito em outros países. Em particular a Souza Cruz, o Banco do Brasil e o IBC (Instituto Brasileiro do Café).
Para este último, criamos um anúncio a ser veiculado no México. Se não me engano foi um cujo título era “O grão de seis milhões de dólares”; uma alusão ao seriado de TV com Lee Majors (O homem de seis milhões de dólares), muito popular naqueles tempos (1).

A foto já havia dado um trabalho danado. Era um grão de café, iluminado por faixas de luz, como se estivesse num palco. Acontece que hoje com Photoshop é mole. Mas naquele tempo tudo era no suor mesmo.
Por que diabos eu sei lá, resolvi fazê-la com um fotógrafo português, recém chegado de Angola. O cara tinha um papo... Mas só isso mesmo. Fui no seu estúdio, fizemos a foto com o grão em primeiro plano em fundo preto e por trás duas faixas de papel desfocadas pela profundidade. Acontece que o resultado final ficou uma bosta.
Tivemos que chamar um retocador que retrabalhou a foto com aerógrafo (2), e ela ficou estupenda. E tudo no prazo, porque o anúncio tinha veiculação no Brasil, Portugal, Espanha e Estados Unidos. O fato do anúncio ter o título mais compreendido no Brasil, porque a série em outros países tinha nomes diferentes, não importava tanto porque era o valor de uma operação da companhia.

Terminadas as artes finais, mandamos fazer os fotolitos para enviar para os respectivos países, normalmente “via Correios” (3), que mais se usava na época. Mas aí é que foi o grande desastre. Um dos anúncios (não me lembro qual) não chegou ao seu destino. E somente depois de uma semana soubemos que foi parar no Chile.

(1) Este caso aconteceu em 1981.

(2) Para a turma mais nova que não conheceu os tempos do pasteup, aerógrafo é uma ferramenta de pintura que utiliza uma técnica de uso do fluxo de ar associado à tinta. No caso o ar torna-se o "pincel".

(3) Naquele tempo os serviços e empresas de “Courier” ainda estavam engatinhando no Brasil.

14 comentários:

Leonardo disse...

Uma coisa curiosa que nós hoje em dia nem podemos imaginar, porque as DHLs ou Sedexes da vida têm uma eficiencia muito grande.

Jonga Olivieri disse...

Como disse na postagem, naquele tempo os serviços e empresas de “Courier” ainda estavam engatinhando no Brasil.
Hoje uma FeDex ou mesmo os Correios fazem entregas com mais eficiência.
Mas para lhe dizer a verdade, foi um caso que aconteceu por algum erro operacional.
Talvez até hoje possa acontecer...

Anônimo disse...

Tem mesmo que explicar pra essa "turminha" que anda por aí nas agências o que é aerógrafo, porque nenhum deve saber do que se trata,
Você deveria ter explicado também o que é "past-up".
Será que algum deles sabe o que é?
Cantídio

Jonga Olivieri disse...

É outra geração e são outras as ferramentas, caro Cantídio...
Não podemos julgar o que "está por aí" com o que vivemos numa época em que a profissionalização era outra, bem mais árdua e difícil, reconheço.
Mas nem por isso melhor do que a atual.
O resto depende do "talento nosso de cada dia".

redatozim disse...

Bem que podia ter pelo menos veiculado no Chile, pô.

Jonga Olivieri disse...

Cara, tô em falta c'ocê. mas quarqué hora dessas estarei postando comentários no seu blogue.
Afinal, foi ele que me inspirou a criar este e outros blogues.
Beijos pra Fernanda e a Sophia...

Quanto ao Chile, sei lá... Em plena era Pinochet. O Chile que se foda!!!

Anita disse...

Que trapalhada dos Correios!
E a agência não processou por perdas e danos?

Jonga Olivieri disse...

Anita. Primeiro já lá se vão quase trinta anos que isso aconteceu.
Já foi difícil lembrar de todos os fatos, sendo que não consegui me lembrar do nome do tal fotógrafo português. O picareta.
Tambem não sei se houve alguma ação contra os Correios, nem da parte da agência quanto do cliente.

Anônimo disse...

Problema serio. Mas ja aconteceu comigo aqui nos States um caso semelhante. E foi com uma dessas empresas de grande porte. Imagina so?

Anonymous
New York

maria disse...

E o que aconteceu com a agência?
Teve que pagar?
Afinal de contas ela dois compromissos, um com o cliente e outro com o jornal.

Jonga Olivieri disse...

Coisa do primeiro mundo, imagino!

Jonga Olivieri disse...

Sim, e provavelmente saiu aquele comunicado: "espaço reservado para a Salles", seja na língua que seria...

Anônimo disse...

O interessante é que, na época - fim dos 70, déc. de 80, se não me engano-, como outras estatais numa espécie de rodízio, a ECT passou pela Salles, assim como pela MPM, talvez também Denison, Artplan etc. (ass. Almir do puracatapora, que vai + 1 vez como anÔnimo, pois ainda não domina - ê malemolência -as manobras "nominais" de acesso ao seu blog, como URL e as outras, mas eu chego lá, ou melhor, aí, thanks.

Jonga Olivieri disse...

Tambem passou pela L&M em fase anterior à que eu entrei lá.
Acontece que o Lindoval de Oliveira (o "L" de L&M) era amigo de um militar que lhe arranjava contas como esta (ECT) ou a Embratel, esta já na minha época naquela agência.

Quanto a dominar URL e outras linguagens de HTML, eu tambem naõ uso nada disso, caro Almir.
Vou comentando e fica por aí...