domingo, abril 11, 2010

O cinema passado a limpo


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Este não é um “caso” de propaganda, mas tem alguma coisa a ver com os que gostam de cinema, como eu, por exemplo. Para alem de ser meu primo, considero o Professor André Setaro (1) um dos maiores conhecedores de cinema no Brasil. Ia escrever um texto sobre e para o lançamento de seus três livros em noite de autógrafos, dia 13/04/2010 (quarta feira) em Salvador, Bahia (2). No entanto ao ler o seu blogue (3) ontem, travei conhecimento com este brilhante resumo de sua trajetória escrito pela jornalista Aleksandra Pinheiro e o transcrevo abaixo:

Um homem chamado cinema

André Setaro estreou na crítica cinematográfica há cerca de 40 anos, quando escreveu seu primeiro ensaio na imprensa, no antigo Jornal da Bahia, defendendo a importância de Jerry Lewis. Em vez de submeter-se aos padrões ideológicos da época, preferiu privilegiar a estética cinematográfica, tal e qual aquele personagem quixotesco de Nós que nos amávamos tanto, de Ettore Scola. É o próprio Setaro quem explica as reações na ocasião: “Se até hoje muitas pessoas não compreendem o valor de Jerry Lewis, acham que é um diretor de sessão da tarde, imagine naquele período ideologizado? Fui logo chamado de alienado”, relata, com o riso irônico de quem sempre amou muito mais o cinema do que as revoluções.

Seu amor pelo cinema, reiterado na militância da imprensa diária, especialmente no Jornal Tribuna da Bahia, ganha agora o sabor da permanência. A editora Azouge, em parceria com a Edufba, lança no próximo dia 13 de abril, Escritos sobre o cinema, trilogia de um tempo crítico.

A obra 'setariana' está dividida em 3 volumes: No Vol I encontramos os escritos sobre filmes, atores e diretores que marcaram a história do cinema e também depoimentos e artigos com inclinações autobiográficas. Além das impressões do crítico sobre Orson Welles, Kurosawa, Fellini, Godard, Bergman, entre outros ícones, fica-se também conhecendo a trajetória e paixão de Setaro pelo seu objeto de desejo e estudo.

O Vol II é dedicado integralmente ao cinema baiano que este ano completa 100 anos. Nas resenhas críticas, o autor fala sobre as obras e cineastas pioneiros na Bahia (a exemplo de Roberto Pires e Glauber Rocha) e também reflete sobre os homens e as circunstâncias que permitiram o surgimento e a efervescência do cinema na província. Setaro rende homenagens ao mestre Walter da Silveira e ao lendário Clube de Cinema da Bahia, assim como reconhece o valor de empreendedores, a exemplo de Guido Araújo e sua longeva Jornada de Cinema. Fala sobre o boom superoitista e recorda com ternura dos cinemas de rua de Salvador, como o Guarany, Excelsior, Liceu, Tamoio, Bahia, Pax, Aliança, Jandaia.

No Vol III Setaro trata especificamente da linguagem cinematográfica: Embrenha-se pelos caminhos teóricos, destaca as escolas, os autores, mas nunca perde de vista aquilo que o crítico Inácio Araújo, autor do prefácio da sua trilogia, definiu como “uma prazerosa proposta civilizatória”.

Este farto material estava praticamente destinado ao esquecimento, já que André Setaro, apesar do incentivo que sempre recebeu dos colegas e alunos, recusava a ideia de transformar tudo em livro: “Amigos sempre me falaram para escrever um livro, mas eu nunca quis”, relata, destacando que foi convencido da viabilidade do projeto pelo jornalista e escritor Carlos Ribeiro, que há mais de 15 anos insistia na publicação destes textos. Foi assim que, a partir de 2005, Carlos Ribeiro juntou-se a Carlos Pereira, André França, Marcos Pierry e alguns outros ex-alunos de Setaro e decidiram, de forma voluntária, realizar o trabalho de pesquisa e seleção da obra: ‘O enorme esforço dos professores que realizaram o trabalho foi, em si, um reconhecimento à contribuição de André Setaro ao cinema da Bahia e do Brasil. É um material valiosíssimo, que necessitava ser preservado.’, destaca Carlos Ribeiro, organizador dos três volumes.“

(1) Graduado em Direito pela UFBa (1974), fez mestrado em História e Teoria da Arte pela Escola de Belas Artes, na mesma universidade(1998). Atualmente é professor adjunto do Departamento de Comunicação tambem na UFBa. Crítico cinematográfico do jornal Tribuna da Bahia, desde agosto de 1974 e colunista cinematográfico da revista eletrônica Terra Magazine http://terramagazine.terra.com.br/ onde publica ensaios e críticas todas as terças feiras.

(2) Em breve a coleção estará à venda em todo o país. Para quem morar ou estiver em Salvador, o evento será dia 13 de abril às 20 horas na “SaladearteCinema do Museu”, na Av. Sete de Setembro (Museu Geológico da Bahia).

(3) Link em “links” ao lado ou

http://setarosblog.blogspot.com/

10 comentários:

André Setaro disse...

Mais uma vez obrigado por esta postagem em tão importante blog, mas já deixei meu comentários e meus agradecimentos em 'Novas Pensatas'

Jonga Olivieri disse...

Você merece, André...

Anita disse...

Maravilha! Seu primo entende de cinema! Parabéns!

Jonga Olivieri disse...

è isso aí, Anita. Ele realmente conhece cinema.
Confira no "Setaro's Blog".

Anônimo disse...

Fiquei impressionado com a extencao de cada um dos tres volumes.
Na verdade o Andre conhece muito mais de cinema do que muitos criticos de Sao Paulo e Rio.
Ai e que esta o problema em ser-se da provincia.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

O André pode não ser conheciso pelo grande público por não estar em Sampa ou no Rio.
Mas entre o meio profissional (críticos e jornalistas) ele é uma figura respeitada.
Por isto, inclusive, escreve no Terra Magazine.

maria disse...

Dou a maior força e apoio a este lançamento.
ER espero que o livro logo esteja à venda em Fortaleza. Quando vai chegar?

Jonga Olivieri disse...

Vou perguntar ao André. E depois digo-lhe algo.

Leonardo disse...

Que beleza de currículo o do teu primo Setaro.
Fiquei até penalizado pelo fato de não poder estar em Salvador.

Jonga Olivieri disse...

Eu tambem... Gostaria imenso de lá estar, pois é para alem de primo um amigo.