quarta-feira, maio 26, 2010

Cantores de agência

Mais um “caso” de Maurilo Andreas, meu primeiro parceiro e/ou inspirador deste blogue:

Meu vizinho de mesa é um grande diretor de arte, artista plástico e, infelizmente, um bosta de um cantor.

Além de cantar desafinadamente o dia inteiro ele volta e meia inventa letras do fundo de sua alma pútrida para renovar canções consagradas
A última vítima foi Menina Veneno, do Ritchie. Nosso amigo cantou assim:
"Seus olhos vesgos no espelho
Viram para mim."

Elogiar os olhos vesgos da pretendida reduz em pelo menos 90% a sua chance de você pegar a moça. Se bem que, em defesa do meu vizinho, se você já começou chamando de menina veneno nunca teve muita chance mesmo.

terça-feira, maio 18, 2010

Qualquer semelhança...

... não é mera coincidência.
Neste caso, a imagem de um cartaz de Saul Bass, um dos maiores Diretores de Arte de Hollywood, em um dos filmes mais conhecidos do cinema “Anatomy of a murder” (1958) de Otto Preminger, que muito embora tenha sido realizado há mais de 50 anos, é uma referência até os dias de hoje.
Agora surge este “Quincas berro d’água”. Nada contra o filme. Mas quem criou (ou copiou) esta programação visual? É muito igual... Igual demais, gente!

sábado, maio 15, 2010

Nova exposição em Lisboa

Saulo Silveira inaugura no próximo dia 19 (quarta feira) no Hotel Marriot/Lisboa uma exposição de seus quadros sob os auspícios da UM – Galeria de Arte Contemporânea.

Saulo, mineiro de nascimento, foi ilustrador publicitário aqui no Rio de Janeiro, onde tambem começou a pintar. Mudou-se para Portugal no início dos anos 1990, estabelecendo-se em Lisboa, ainda na área de ilustração publicitária, quando prestou serviços para as principais agências daquele país.

Porem, a pouco e pouco, a paixão pela pintura, o fez adentrar-se cada vez mais no mundo das artes plásticas através de um trabalho espontâneo dotado de cores fortes e traços inconfundivelmente rápidos e marcantes. Hoje, seu trabalho é reconhecido, para alem de Portugal, em vários países europeus, da Península Ibérica até Moscou.

Segundo as palavras de Vítor Escudeiro, da Academia Nacional de Belas-Artes e da Academia de Letras e Artes (ambas de Portugal): “(...) os seus quadros são disso mesmo vivo testemunho, palpitante manifesto de reconhecimento, gratidão, generosidade e afectos. Os seus afectos, as suas emoções, os seus sentidos, a sua dimensão de Homem Solitário, mas Solidário, fazem-no percorrer a sensualidade dos corpos e dos nus femininos, com calor tropical, com o mesmo à vontade com que mimetiza a Festa de Toiros, na sua interpretação do esplendor mediterrânico.”

segunda-feira, maio 03, 2010

O “caso” do elevador (republicação)

Escrevi este “caso” em junho de 1997. E foi publicado neste blogue em 25 de agosto de 2006.

A Fosfértil (que era um cliente da Asa) resolveu promover um concurso interno de decoração natalina. E chamou o Luis Márcio Vianna e a mim, como representantes da agência no júri que escolheria o vencedor.

Combinado o dia, resolvemos nos encontrar bem cedo na agência, e dali, sair para a visita, visto que esta deveria ser prolongada. Primeiro porque o cliente estava localizado em dois prédios. Segundo, porque de fato, nós tínhamos que observar cada uma das seções para efetuar o julgamento. Seria, sem dúvida um processo demorado.

Começamos a operação pelo prédio situado na Avenida do Contorno. Correu tudo às mil maravilhas. Certo que demandou um certo tempo. Dirigimo-nos em seguida ao outro prédio, que não ficava muito distante dali, na rua Sergipe, Savassi.

Quando terminamos a inspeção, e pegamos o elevador para voltar ao térreo, e finalmente retornarmos à agência já era quase hora do almoço. Estávamos no quarto e último andar. O elevador, que era pequeno estava bem apertado. Só o amplo Luis Márcio já ocupava uma boa área do dito cujo. Ainda havia eu, e mais dois diretores da Fosfértil. Quando ele parou no terceiro andar e entraram mais três pessoas, eu pensei com os meus botões que aquilo estava ficando cheio demais. E estava mesmo.

Chegando ao seu destino, o maldito do ascensor, resolve passar um pouquinho do nível. A porta ensaiou um pequeno deslocamento e ficou por aí. “Pifou” - pensei. Um ligeiro entreolhar dos seus ocupantes, alguns segundos de silêncio, aquele pensamento relâmpago de “isto aqui está um pouco apertado... quente”, quando alguém mais afoito - ou mais próximo - deu alguns murros na porta. A princípio nada. Um silêncio do cão lá fora. Algum tempo depois uma voz. Depois um barulho e uma barra de ferro surgindo na abertura central da porta. Ufa! Um pouco de ar também.

O dia estava quente. E a coisa prolongou-se. Ninguém conseguia abrir a porta. Tinha travado mesmo.

- Já mandamos chamar o Corpo de Bombeiros. - disse a voz do outro lado. E nós lá dentro. Aquele aperto que mal dava para respirar direito.

E o tempo passando. Não sei quanto, mas passando mesmo. O suor escorrendo. O incômodo. A claustrofobia começando...

Lá pelas tantas, um odor estranho. Algum dos ocupantes grita que está sentindo um cheirinho de queimado. Eu gelei. Gente, eu gelei mesmo. Morrer queimado no térreo é demais! Até se concluir que o cheiro de queimado fora apenas um cigarro que alguém acendeu lá fora, e que chegou a nós pela fresta da porta, foi um deus-nos-acuda dos diabos.

O Corpo de Bombeiros chegou depois de decorridos uns vinte minutos naquela situação esquálida.

Quando saímos e atravessamos a rua, entramos num bar e pedimos uma cerveja. Sem dúvida a loura gelada mais gostosa da minha vida!