segunda-feira, maio 03, 2010

O “caso” do elevador (republicação)

Escrevi este “caso” em junho de 1997. E foi publicado neste blogue em 25 de agosto de 2006.

A Fosfértil (que era um cliente da Asa) resolveu promover um concurso interno de decoração natalina. E chamou o Luis Márcio Vianna e a mim, como representantes da agência no júri que escolheria o vencedor.

Combinado o dia, resolvemos nos encontrar bem cedo na agência, e dali, sair para a visita, visto que esta deveria ser prolongada. Primeiro porque o cliente estava localizado em dois prédios. Segundo, porque de fato, nós tínhamos que observar cada uma das seções para efetuar o julgamento. Seria, sem dúvida um processo demorado.

Começamos a operação pelo prédio situado na Avenida do Contorno. Correu tudo às mil maravilhas. Certo que demandou um certo tempo. Dirigimo-nos em seguida ao outro prédio, que não ficava muito distante dali, na rua Sergipe, Savassi.

Quando terminamos a inspeção, e pegamos o elevador para voltar ao térreo, e finalmente retornarmos à agência já era quase hora do almoço. Estávamos no quarto e último andar. O elevador, que era pequeno estava bem apertado. Só o amplo Luis Márcio já ocupava uma boa área do dito cujo. Ainda havia eu, e mais dois diretores da Fosfértil. Quando ele parou no terceiro andar e entraram mais três pessoas, eu pensei com os meus botões que aquilo estava ficando cheio demais. E estava mesmo.

Chegando ao seu destino, o maldito do ascensor, resolve passar um pouquinho do nível. A porta ensaiou um pequeno deslocamento e ficou por aí. “Pifou” - pensei. Um ligeiro entreolhar dos seus ocupantes, alguns segundos de silêncio, aquele pensamento relâmpago de “isto aqui está um pouco apertado... quente”, quando alguém mais afoito - ou mais próximo - deu alguns murros na porta. A princípio nada. Um silêncio do cão lá fora. Algum tempo depois uma voz. Depois um barulho e uma barra de ferro surgindo na abertura central da porta. Ufa! Um pouco de ar também.

O dia estava quente. E a coisa prolongou-se. Ninguém conseguia abrir a porta. Tinha travado mesmo.

- Já mandamos chamar o Corpo de Bombeiros. - disse a voz do outro lado. E nós lá dentro. Aquele aperto que mal dava para respirar direito.

E o tempo passando. Não sei quanto, mas passando mesmo. O suor escorrendo. O incômodo. A claustrofobia começando...

Lá pelas tantas, um odor estranho. Algum dos ocupantes grita que está sentindo um cheirinho de queimado. Eu gelei. Gente, eu gelei mesmo. Morrer queimado no térreo é demais! Até se concluir que o cheiro de queimado fora apenas um cigarro que alguém acendeu lá fora, e que chegou a nós pela fresta da porta, foi um deus-nos-acuda dos diabos.

O Corpo de Bombeiros chegou depois de decorridos uns vinte minutos naquela situação esquálida.

Quando saímos e atravessamos a rua, entramos num bar e pedimos uma cerveja. Sem dúvida a loura gelada mais gostosa da minha vida!

18 comentários:

Anita disse...

Apesar da situação que vocês passaram, devem ter rido muito depois quando tomavam a geladinha.

Jonga Olivieri disse...

E como rimos, Nita, foi muito riso em meio ao suor duplamente gerado pelo calor e pelo nervosismo!

Lenivaldo Silva disse...

Muito legal.
Só não entendi por que o texto se repete...

Jonga Olivieri disse...

Obrigado Lenivaldo. Realmente por qualquer motivo a coisa saiu repetida...

Anita disse...

Eu notei e não entendi o porque da dupla publicação. Desculpe a minha burrice. Fico envergonhada, por isso estou mandando este novo coment.

Jonga Olivieri disse...

Tudo bem, Anny, A cagada foi minha mesmo! Mas já corrigi.

Popeye disse...

Caramba, deve ter sido um sufoco. Eu então que já tenho claustrofobia. Imagina.

Jonga Olivieri disse...

Eu que não tenho este tipo de probelma fiquei com... imagina quem já tem!

marcia.altoe disse...

Depois desse sufoco, acho que nem deu para lembrar qual era a melhor decoração, né?
Jonga, por que vc não escreve um livro? Histórias e excelente texto não faltam. Parabéns!

Jonga Olivieri disse...

O pior é que me lembro. Foi a da Avenida do Contorno.
Mas este blogue começou com a intenção de publicar um livro. O primeiro editor que procurei logo foi falando que o meu target era muito limitado e eu naõ conseguiria publicar facilmente este livro.
Daí ele ficou um bom tempo na gaveta.
Um belo dia deparei com o "Pastelzinho", blogue de meu amigo Maurilo (link na home page) e resolvi publicar desta forma.

Anônimo disse...

Puxa vida. Este caso me deixou tao pensativo que so nao subo para a agencia pelas escadas porque e muito degrau. (Rs)

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Nao seja por isso, o Fred Coutinho subia os 19 andares da Salles (mais três de garagem, um de Salão de Reuniões e outro de pátio aberto), quer dizer 24 andares só porque tinha horror a elevador.

Anônimo disse...

Olha, um dos melhores casos que li aqui. E ainda bem que republicou-lhe pois não li muita coisa do passado, quer dizer, aentes de eu começar a ler este blog.

maria disse...

Minha Nossa Senhora!
Como é que ninguém passou mau dentro desse elevador?
Era pra ter chamado o bombeiro e a ambulância.

Jonga Olivieri disse...

É, antes eu tê-lo republicado...

Jonga Olivieri disse...

Os bombeiros, geralmente veem com ambulância. No caso a deles mesmos.

Leonardo disse...

Que situação! Meu Deus do céu eu teria pirado ou pelo menso desmaiado

Jonga Olivieri disse...

E eu? Você acha que eu fiquei tranquilinho, amigooo?!