terça-feira, junho 15, 2010

O "caso" do Banquete


Este caso foi escrito em setembro de 1999, e postado anteriormente neste blogue com o título de “O ‘caso’ do Pato Laqueado” em 2006. Vale a pena republicá-lo... E vale a pena reler.

A VS Escala instituiu um prêmio de incentivo que consistia no seguinte: a pessoa que ganhasse o título de melhor, mais empenhado e os escambal funcionário do mês, tinha direito a um jantar em qualquer restaurante à sua escolha. Depois, o contemplado trazia a notinha fiscal e a contabilidade reembolsava. E tanto era uma idéia do caralho, que, em homenagem ao Lula e sua lingua solta, o prêmio foi batizado de "Prêmio Ducaralho", assim mesmo, do jeito que ele se expressava quando via um anúncio ou uma campanha da gente que o agradasse.

Bom. O prêmio ainda era conferido no final de uma festa mensal (cuja produção, a cargo da Léa Penteado era de fazer inveja a qualquer chef de hotel da C’ôte D’azur) que tinha direito a tudo, inclusive show de sapateado do Fernando Farah.

A coisa era esperada por todo mundo com muita ansiedade, pois somente no último minuto da festa, no apagar das luzes, o Valdir, o Lula ou o Carlão anunciavam o grande vencedor. E o felizardo já ficava a imaginar onde iria jantar bem, mas bem "pra caralho" mesmo, como já dizia o nome do prêmio.

Eu me lembro que quando eu ganhei, fui com a Virgínia no L’Argent, então o melhor restaurante francês do Rio, e degustamos em grande estilo um daqueles Menus Complets, com direito a sorvetinho entre um prato e outro, queijinhos no final, e outras coisas que a gente não encontra sempre no fast food mais próximo.

Daí, houve o mês que o Manolo ganhou. O espanhol ficou exultante. Pulava de alegria. E era alegria mesmo. A mais pura, porque o afinal de contas, o Manolo era um dos fundadores dos Alcoólicos Anônimos. Soltou uma das suas mais famosas frases em portunhol do tipo: "crejo que gané el dia honestamente", e se mandou.

Dois dias depois, uma daquelas polvorosas inesquecíveis. Gente xingando pra lá e pra cá. O Aías espumando pelos corredores, o Lula, o Carlão se dirigindo para a sala de reunião. Um auê de proporções apavorantes. "Será que perdemos a conta do Citibank?". "Será que a Fleishmann Royal vai deixar a agência?", perguntei aos meus botões. Aquele ti-ti-ti danado na agência. Cada um dizia uma coisa. Cada um especulava alguma história mais escabrosa.
Finalmente. Convocação de toda a criação para reunião na sala do Lula.

"É, o bicho pegou", concluí com os meus botões. Enfim, fomos todos mais do que rápidamente para lá, saber o que afinal de contas estava se passando.

O Lula, com aquele jeitão calmo e irônico que lhe é peculiar, tomou a palavra e começou a explicar pra gente que a partir daquele momento, prêmio "Ducaralho", só para o casal. Que, decisão da diretoria, em hipótese alguma poder-se-ia levar mais que a esposa, companheira, namorada, a mãe, o pai, ou seja lá o nome que tenha a única pessoa que o(a) acompanharia. E aí contou a história do "pato laqueado", que, garantia o Manolo, era caro daquele jeito porque tinha que ser encomendado de véspera, que é um prato especial, etc, etc. E, concluíram todos que o Manolo tinha levado a família, a vizinhança e o papagaio para o restaurante chinês.

Dois meses depois, o prêmio "Ducaralho" passou definitivamente para a história da VS e da propaganda carioca.

10 comentários:

maria disse...

Com certeza que eu tinha lido (apesar de a muito tempo) esta história tão engraçada. Jamais eu a esqueceria.

Jonga Olivieri disse...

Mary, esta é mesmo muito pedida pelos leitores.

Anita disse...

Olha, simplesmente sensacional!

Anônimo disse...

Eu ja conhecia este caso, ate porque sempre andi passeando la pelo final (ou seria comeco) do blog. E tem casos excelentes la pelos 2006 e 2007. Uuuuuh!

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Não é Anita?! Um caso pra não se esquecer!

Jonga Olivieri disse...

My friend novaiorquino... A sua postagem sei lá porque cargas dágua demoriu um pouco a chegar e só agora respondo.
Concordo com você: há boas historinhas no início deste blogue. Só a "do leão" e o "caso" do Nelson Rodrigues, são dois bons exemplos disso.

Cantídio disse...

Este causo é mesmo ducaralho!
kkkkkkkkk!

marcia.altoe disse...

Boa!!!! Pena que todos tiveram que pagar o pato do Manolo. (Rs)

Jonga Olivieri disse...

e kkkkkkk, Cantídio! hehehe!

Jonga Olivieri disse...

Boa Marcinha. E todos pagaram mesmo!