quinta-feira, julho 15, 2010

A vulgarização dos softwares

Curioso, mas quando comecei a trabalhar com o Photoshop, em 1993, ninguem sabia o quê que era isso. Sério! O programa até já estava sendo utilizado para certos retoques hoje muito popularizados nas imagens de mulheres despidas em revistas masculinas, e, apesar de ter recursos a menos do que hoje, era um instrumento profissional de qualidade para esta finalidade.
E nós, em publicidade, começávamos a ganhar tempo com possibilidades de um trabalho mais ágil... Pois, até então, dependíamos de um longo processo que começava com a marcação de um rough, depois, passar para um ilustrador marcar o layout e por aí afora. E os prazos, mesmo assim eram mínimos. Daí as viradas madrugada adentro, que podem até existir hoje, mas são bem menos frequentes, desde que haja um mínimo de organização na agência.

Já falei bastante neste blogue sobre essas diferenças entre o trabalho em publicidade daqueles tempos heróicos do guache e da cola de sapateiro, mas o que quero tratar hoje é outro assunto. A imagem acima foi um print screen que fiz na página principal do UOL. E teem sido comuns as chamadas para coisinhas do tipo “aprenda a fazer isto ou aquilo no Photoshop”. Hoje mesmo tem uma lá para que o público saiba como fazer sombras no referido programa.

Eu juro que a primeira vez que me assustei, estava andando na rua e um sujeito de gravata, tipo um advogado ou outro profissional liberal da vida, a conversar com um amigo ao lado falou a palavra Photoshop, referindo-se a que ia usar para fazer alguma coisa nele. Juro que levei um susto, pois era a primeira vez que ouvia referência àquele software fora das paredes de uma agência, e, principalmente enunciada por uma pessoa que não tinha nada a ver com propaganda.
Mas isto foi apenas o início... Daí em diante, foi num crescendo cada vez maior a quantidade de gente que se interessava pelo programa, fazia perguntas quando sabia que a gente dominava o dito cujo, etc. Depois vieram aqueles que já o usavam e trocavam ideias, e, finalmente chegamos ao ponto em que o Photoshop deixou de ter aquela exclusividade e foi parar em chamadas para filmetes com aulinhas nas Home Pages de portais da internet.

sexta-feira, julho 09, 2010

Jazz em Prosa & Imagens tem nova data

Antônio Torres me comunicou que a oficina Ritmos do Jazz em Prosa & Imagens teve o seu início adiado do dia 6 de julho para o dia 13 (terça feira próxima) em função da realização da Copa do Mundo... Coisas do “país do futebol”!
Mas continuarão a ser quatro reuniões em torno do conto O perseguidor, de Júlio Cortázar, ao som de Charlie Parker e imagens dos filmes Bird, de Clint Eastwood, e Round Midnight, de Bertrand Tavernier.

De qualquer maneira, maiores informações podem ser obtidas na Casa do Saber pelo telefone (21) 2227-2237 ou pelo e-mail: inforio@casadosaber.com.br

terça-feira, julho 06, 2010

O blogue da Irene

“Atriz,bailarina, cineasta, roteirista, redatora e publicitária, poliglota, nasceu em 1961 na cidade do Rio de Janeiro. Trabalhou nas áreas das artes e das tecnologias das mídias relacionadas a ela. Suas experiências lhe renderam prêmios e muitas alegrias. Tendo participado de tamanha variedade de funções, tipos de eventos e diversos cargos. Costuma dizer: estou redatora ou estou diretora e numa gosta de usar a palavra sou. Aos 40 anos anos foi acometida de uma doença genética que a deixou imóvel por 3 anos, após muitos estágios Irene se encontra plenamente móvel e seguindo sua vida.”

Assim Irene Meinberg se define em seu novo blogue "Meteriologia do humor". O link está aí ao lado. Veja, leia e confira!

sexta-feira, julho 02, 2010

O "caso" da paella

Este caso escrito em julho de 1997, e postado neste blogue em 30 de agosto de 2006 merece ser republicado...

Era aniversário do Lula Vieira. O pessoal da então VS Escala, resolveu comemorar no Clube Espanhol. Era bem pertinho da agência, que nessa época ficava alí na Rua Maria Eugênia, Humaitá.
Daí, fizeram uma reserva para cinquenta pessoas mais ou menos. E encomendaram paella para todos. Era comida pra dedéu.

Meio dia e meia. Aquele bando de gente deslocou-se a pé para o local escolhido. Muito papo, alegria, descontração geral. Subimos as amplas escadas e estavam lá as mesas formando um gigantesco retangulo. Praticamente fechamos o restaurante do clube. O maitre, feliz da vida com a casa cheia, anotando os pedidos de vinhos, cervejas, caipiras, e, naturalmente generosas doses de uísque escocês. Uma festa! Papos descontraídos, risadas. O ambiente cada vez mais etílico.

Chegam os panelões de paellas. Hummm! Afinal era o Clube Espanhol! Não era uma paella qualquer, mas a autêntica. E por sinal maravilhosa mesmo. Óbviamente, comemos de nos entupir. Isso tudo, magistralmente regado, a essa altura, por um bom vinho e o impecável portunhol do Manolo a falar apaixonadamente de sua terra natal, justamente Valencia, o berço da mais famosa das paellas, e também de Barcelona, de Gaudi, da Sagrada Família, de Miró. Uma autêntica viagem pelas maravilhas da península.
Sobremesas mil. A turma já pesada... ufff!

Lá pras tantas, entra o garçom e dirige-se ao Aías, o diretor financeiro, o homem do dinheiro.
- Telefone pro senhor...
O Aías retirou-se para atender o telefone lá dentro.

Olha, eu juro que me pegaram de surpresa. Mas, instantaneamente fui brifado do que estava acontecendo. Alguém tinha combinado de chamar o Aías ao telefone só para que, durante a sua ausência, todo mundo saísse correndo e o deixasse sozinho para pagar a rechonchuda conta. É bom lembrar que naquele tempo ainda não tinha telefone celular.

Rapidamente levantou-se a imensa galera, que disparou, em velocidade estonteante (até porque o álcool ajudava neste aspecto) qual uma horda desvairada. Foi uma correria dos diabos. E eu me ria muito de ver toda aquela gente, em disparada, primeiro escadas abaixo, depois pela rua Maria Eugênia, e, em seguida entrando em algazarra, pelo portão de entrada da agência. Uma verdadeira loucura.Mas o melhor mesmo foi ver o Aías chegar, pau da vida, esbravejando, e até ameaçando descontar no final do mês, no contra-cheque de cada um dos participantes e, quem sabe até nos pró-labores dos sócios proprietários. Coisa que naturalmente não passou de ameaça.

Ficaram mesmo a recordação dos sabores de um momento hilariante, de uma autêntica paella valenciana, e, principalmente daquela inesquecível VS Escala.