quinta-feira, outubro 28, 2010

Teatro Recreio (Republicação)

A L&M era uma agência divertida. Disso já falei tanto, que às vezes fico até com receio de estar sendo repetitivo. Mas vou continuar a dizê-lo, porque poucas vezes trabalhei em uma agência que fosse tão gostosa, solta e maluca como ela. A gente trabalhava demais da conta, mas, em compensação se divertia o tempo inteiro. Aliás, característica das agências de publicidade da época – opostamente às de hoje – , quanto mais trabalho, quanto mais pressão, mais gozação, mais brincadeiras.

Lembro-me das entradas barulhentas do Ramalho, que quando chegava era recebido como numa festa. Risos, piadas, planos mirabolantes para deixar “a próxima vítima” numa saia-justa faziam parte do dia a dia naquela saudosa casa. Eu já contei aqui o “caso” do Porta Press, das armações em cima do Kirowsky, das noitadas intermináveis em uma “agência 24 horas”. O espírito sarcástico e bem humorado do Lindoval, o “pavio curto” do Santos Mello, a hipocondria do Mauro Matos. A questão é que não havia um dia sequer em que não acontecesse alguma coisa de muito engraçado naquela agência.

Paralelamente foi a agência do Rio de Janeiro em que mais ganhei prêmios. Aliás, a L&M era uma fábrica de prêmios. As paredes da sala de reuniões eram repletas de diplomas e as estantes cheias de estatuetas. Do Clio, do Colunistas do Festival de Veneza (Cannes foi posterior). Meus dois Clios foram conquistados lá. O Mauro Matos e sua criatividade arrebatadora fizeram da L&M a agência carioca mais premiada do mercado. Era um motivo de orgulho para qualquer um de nós fazer parte daquela equipe vencedora.

Mas a bagunça começava no elevador. Instalada no 16º andar de um prédio na rua México, a fila do ascensor era parada obrigatória para todos nós. E ali havia o Tião, um ascensorista engraçado, um gozador de mão cheia. Olhava para nós esperando a piada. E tinha uma sempre engatilhada para fazer. O Tião é uma figura da qual nunca me esqueço. Seu bom humor permanente fazia parte do folclore do prédio. Aliás, ele tinha uma muito oportuna. Quando chegava no andar da L&M e a porta se abria, ele anunciava: “Teatro Recreio!” (1)... e dava uma risadinha.

(1) O Teatro Recreio era uma casa de espetáculos que ficava no centro do Rio especializada em teatro de revista “B”, em outras palavras, peças com forte dose de humor xulo...

8 comentários:

anita disse...

Este caso é muito interessante, pois o estou relendo e ainda achei graça no ascensorista e tudo mais. Deve ter sido interessante ter vivido este período de gl´ria e graça!

Jonga Olivieri disse...

Como eu já falei várias vezes, o clima na L&M é mesmo inesquecível. Gava prazer trabalhar ali...

Anônimo disse...

L&M era uma agencia otima e heviam boas contas como a Philip Morris e a Costrutora Sisal, uma das maiores do Rio entao.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Além de ter o excelente ambiente de que falo, as contas da agência eram mesmo boas.
A Philip Morris tinha sede em São Paulo e era atendida nas marcas Shelton e Hawaí por uma agência do Rio. Isto é estupendo, pois na época a migração de contas do Rio para Sampa já havia começado.
Fizemos boas campanhas para estes produtos...

Anônimo disse...

Não sei se você sabe, mas o Mozart dos Santos Melo, o "M" de L&M faleceu. Como o "L" já havia nos deixado, a agência perdeu seus dois fundadores

Jonga Olivieri disse...

Eu não soube. Obrigado pela informação.

Cantidio disse...

Uma agência memorável.

Jonga Olivieri disse...

Falou e disse!