quinta-feira, dezembro 29, 2011

Guanaes 1 e ½



O título desta postagem deveria ter sido: “Criatividade com simplicidade. Capítulo / Nizan Guanaes – Parte 1”, mas numa homenagem ao autor e, simplesmente porque cometi o engano de ter omitido o seu nome do comercial Hitler da Folha de São Paulo (1), no qual Olivetto foi o Diretor de Criação, mas ele, Nizan, o autor da obra prima, resolvi, com grande justiça, compará-lo aqui a Fellini (com o seu 8 1/2).
Taí, caro Nizan. “Eu que vi você ainda começando, mas já despontando nos seus tempos iniciais de DM9/Bahia  em 1982 quando lá fui trabalhar... “
Segue este que é o primeiro (e meio) da obra deste criativo (baiano por sinal) que foi o primeiro profissional a ter defendido comigo o conceito do “simples” como fundamental no processo criativo!

1. Coisa que foi involuntária e a falta de acesso a uma ficha técnica mais completa. A propósito, Marcelo Serpa foi o seu parceiro neste filme. Washington Olivetto o Diretor de Criação.

terça-feira, dezembro 27, 2011

Colas e ideias que colam



Uma carona interessante, e, principalmente uma ideia, uma boa e simples ideia. Certamente polêmica, obviamente oportunista, por trás de um objetivo a ser alcançado. Veja aqui como colar um conceito em menos de um minuto...

sábado, dezembro 24, 2011

A Caula é uma glacinha!

Na capa acima ela é a primeira da esquerda para a direita, na primeira fila (veja a seta amarela)

Como almoçamos na cidade ontem, dia 23/12/2011, senti vontade de republicar esta postagem. A Caula Pacheco melece.
     
Já nas bancas. Não perca!” Este era o título de uma postagem em que anunciava o lançamento de uma revistinha do Maurício de Sousa no qual minha ex dupla Carlinha ou Carlota estreava como personagem de um número dedicado à página na web que reúne um grupo de admiradores da Mônica e sua turma que visitou os estúdios do famoso quadrinista.
Para ampliar clique na imagem
Carla Pacheco, alem de redatora publicitária, hoje trabalha na Comunicação da Petrobras e, o mais importante, é personagem do Maurício de Sousa. Isso mesmo, minha querida amiga e ex parceira tornou-se a “Caula”, amiga da Mônica, Cebolinha e sua turma na revista publicada pela Panini Comics: Uma aventura no Parque da Mônica - Orkontro no Parque!.
Meus palabéns Caula por mais esta empleitada de sucesso em sua vida.
   
E assim, Carla Pacheco uma doce e delicada criatura, tornou-se personagem dos quadrinhos...




A galera no almoço da "Caulinha",dia 23/12/2011

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Anos dourados



Uma rica seleção de comerciais memoráveis do passado heróico da publicidade brasileira. A recordação de uma época um tanto quanto ingênua, de descobertas na comunicação... De novos caminhos.
Assim pode se resumir esta reunião de mais de 10 filmes que encheram as nossas telinhas de TV ainda em preto e branco, ou nos primórdios da televisão a cores.

Odd, o inesquecível jingle de Nescau... “Tem gosto de festa, dá mais vontade de...”, as Gotinhas da Esso, cuja personagem feminina foi criada aqui no Brasil por José Mello, um euro oriental de Macau (que eu tive a honra de conhecer) e que foi para o Canadá e depois Los Angeles onde se estabeleceu nos estúdios de Hanna & Barbera.
Aqui tambem o comercial da Esquire, do nosso saudoso Fernando Barbosa Lima para a companhia aérea Cruzeiro do Sul, no filme que tem como personagem central um guarda de Salvador (Bahia) que havia ficado famoso pelas piruetas e trejeitos no trânsito, entremeado de belos cenários do Brasil.

Mas chegamos à famosa criação de Paulo Cezar (Paulinho) Costa para o Banco Nacional na música natalina mais famosa da história da comunicação brasileira.
  
E o tambem inesquecível filme da Orloff “... Eu... Sou você amanhã!”? Ou o Tender da Sadia, seguido do japonês da Varig... Varig... Varig; e do famoso e inovador lançamento do BarraShopping com as "Frenéticas", criação do prematuramente desaparecido Rogério Steinberg para um shopping que inovou na forma de comunicar! Aliás, no que Rogério não inovou com sua genialidade?
Para finalizar um comercial belíssimo do Itaú e um imperdível da Coca-Cola!

Neste fim de ano, vamos ficar com as recordações e o recall desses comerciais que são parte da memória viva de nossa propaganda!
Saravá!

sábado, dezembro 17, 2011

Mais um das Havaianas...



Os comerciais das Havaianas, by AlmapBBDO têm sido excelentes. Veja e confira este! Não é tão novo assim, mas vale a pena...

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Vamos vestir esta camisa!

Com a camiseta na Avenida Presidente Vargas
Ontem, pela primeira vez, sai com a camiseta da “campanha anti/anti/tabagista”. E foi grande a emoção de terminar a impressão e prensagem dela, estar devidamente vestido com o slogan da nossa ação!
Havia duas semanas que eu começara a circular com os adesivos nos maços de cigarros. Mas acontece que a mídia é fraca... Limitada a quem está do seu lado, num bar, numa casa... Onde mais? Surgiu a ideia de printar uma camiseta. Genial! E barata, custou entre o produto expositor e custos de impressão mais prensagem exatos R$ 23,00. Mas hoje mesmo cheguei à conclusão que o custo total de uma camiseta pode ficar em R$ 18,00.
Mas enquanto isso, queria falar um pouco da experiência de circular nas ruas, no metrô, nos ônibus. Em suma, pela cidade afora com uma chamada inusitada, diferente do que aceita o stableshiment.
Para início de conversa, pensei em existir até um certo perigo. Julgava que as “viuvinhas” iam cair de pau em cima da ideia, mas me esqueci que a direita não trabalha com a cabeça, mas com a ignorância. Tal e qual o general “Nacionalista”(1) que durante a Guerra Civil Espanhola bradava aos quatro cantos; “Abajo la inteligência, viva la muerte!”.
Por outro lado, foram-me dirigidas várias manifestações de solidariedade. As que mais me marcaram foram as do vendedor de um “sebo” na Avenida Passos que sorriu e disse: “Isto é o que sinto!”. Outra foi a de dois rapazes com que cruzei na estação Estácio do metrô e que me abriram os braços exclamando “Pensamos a mesma coisa... Parabens!”.
De resto foram olhares de soslaio, risinhos e coisinhas assim! Mas aprovei de tal forma a ação que estimulo aos companheiros de empreitada que as façam sem temor!

Esta imagem está no seu formato original. Copie, cole e imprima
1. A Guerra Civil Espanhola dividiu-se de um lado em Republicanos, aqueles que defendiam a res pública recem implantada e os Nacionalistas que representavam a oligarquia agrária e a insípida burguesia local.

terça-feira, dezembro 13, 2011

Fumantes de todo o mundo, uni-vos!

O primeiro passo para uma campanha
Faz algum tempo postei no FaceBook a imagem acima (apenas virtual) elaborada no Photoshop. Foi o resultado de uma primeira experiência que fiz no tocante a uma campanha anti/anti/tabagista (1). Mas afinal, o que é o anti/anti/tabagismo?
Na verdade, essa história começa muito antigamente! Pra se ter uma ideia do quanto, quando eu nasci ela já existia! E para nós publicitários, remonta aos tempos dos “Afiches” e dos “Reclames”... Algo como “do tempo em que os bichos falavam” ou melhor, “do tempo em que os homens fumavam”.
E até por falar em “quando eu nasci...”, alguem aí se lembra do Humphrey Bogart? E do James Dean? Ou da Ava Gardner? Do tal cigarrinho pendurado no canto da boca! Pois bem, será que algum publicitário e/ou profissional de marketing vai acreditar que não havia um “mershan” por detrás de tudo isso?
Jean-Paul Belmondo
Quando eu estava lá pelos 13 anos, você fazia bonito com uma “pequena” se fumasse! Aquela pose ensaiada em frente ao espelho do banheiro só para chegar nos “hi-fis”, “festinhas” ou “arrastas”, pedir a uma garota para dançar com um cigarro bem ali, num dos cantinhos dos lábios... Como Elvis, Randolph Scott ou outro dos heróis do imaginário da época, era “charmosíssimo”!
Isto fazia parte do “ritual da conquista”. Outra coisa, no colégio se você não fumasse, era simplesmente um “sujeitinho meio por fora!”
Os fabricantes de cigarros eram as maiores contas publicitárias quando comecei a trabalher em propaganda. A Souza Cruz - leia-se BAT (2) – ou a Lopes Sá, eram os carros chefes de grandes verbas veiculadas na mídia. Quando vim a atender a Philip Morris em 1976, senti-me um criativo verdadeiramente completo pela primeira vez na vida. Na L&M atendíamos as marcas Shelton e Havaí, que estavam ali, na ponta, disputando com Minister, Hollywood ou Continental, os maiores concorrentes e líderes em vendas. Depois, na Salles passei a criar para outras marcas, entre elas Continental e Minister (3).
Havia uma propaganda massiva para consumirmos aqueles produtos e grande parte dos "carérrimos segundinhos" de comerciais em TV eram ocupados pelos tabacos. Era bonito fumar. Era “chique” estar com um cigarrinho a tiracolo e os bares eram impregnados de fumaça, nicotina e alcatrão. E ninguem reclamava disso!

Vamos pular algumas décadas e chegarmos aos dias de hoje. De “bonito” o hábito tornou-se “feio” e condenado por todas as doenças que Henry Ford e seu “Modelo T” deixaram neste mundo. O danado do cigarro, transformou-se numa verdadeira “praga”... O “único responsável pelas desgraças da humanidade”.
Mas o pior de tudo é que esta iniciativa gerou o comportamento fascista de alguns “anti tabagistas fundamentalistas”, que simplesmente abanam o nariz em sinal de repulsa ou viram a cara para um “cara” qualquer a fumar tranquilamente o seu cigarrinho nas ruas de uma cidade tambem qualquer... Surgiu toda uma “cultura inquisitiva” que passou a classificar os indivíduos de fumantes “ativos” ou “passivos” e a mandá-los arder à fogueira. Eu hein! Hoje estou empenhado em lutar por uma causa: a de me unir à luta de todas as vitimas deste comportamento e defendê-las em sua dignidade enquanto seres humanos...
Acontece que em 1981 eu havia deixado o cigarro. Para não me alongar em detalhes, passei a fumar cachimbo, coisa que faço até hoje; No entanto, nos últimos meses voltei a fumar cigarro (mesmo sem tragar) somente para exibir e espalhar a campanha que mostro aqui.
Se você é fumante, tem que se conscientizar do direito de fumar e lutar pela sua dignidade. Copie, cole e imprima esta última imagem. Ela está em tamanho natural. Ou seja, você pode recortá-la e colar no maço de cigarros em cima daquela horrível publicidade que seus algozes lhe impõem.
Por isso considero esta campanha de utilidade pública. Usem e espalhem este slogan entre os seus amigos que fumam. Afinal é chegada a hora de bradar aos quatro ventos: “fumantes de todo o mundo, uni-vos!"

1. Como ainda não compreendi o todo das novas normas do “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa faço alguma confusão com os hífens. Por isso mesmo coloquei desta forma...
 2. BAT eram as iniciais de “British American Tobaccos”, a maior fabricante de cigarros daquele tempo.
 3. Existe neste blogue o “Caso” do homem Minister, publicado em outubro de 2007: http://jongaoliva.blogspot.com/2007/10/o-caso-do-homem-minister.html

sábado, dezembro 10, 2011

Criatividade com simplicidade. Capítulo / Olivetto – Parte 3



Vamos continuar a dar exemplos de que “criatividade + simplicidade = genialidade”, no meu ponto de vista um fator que tem que estar na cabeça de todo criativo! E mais uma vez exemplificando com um comercial de Washington Olivetto, que considero (e não apenas eu), o maior de todos os profissionais de criação de todos os tempos no Brasil.

O comercial acima é uma das peças publicitárias mais criativas e “chocantes” a que assisti ao longo de minha vida. Reproduzo a seguir um trecho do texto de Renata Mancini, Mariana Trotta e Silvia Maria de Souza da Universidade Federal Fluminense em “Análise semiótica da propaganda Hitler, da Folha de São Paulo”.

“ (...) Hitler (Brasil, 1987), premiado comercial ... (1) chama atenção pelo o que de início não diz, nem mostra. Com isso, a peça publicitária obriga um ansioso e apressado enunciatário a parar durante um minuto à espera do grande final. E ele de fato acontece. Um zoom out faz com que o ponto negro se abra em vários outros, acompanhado por uma marcação de tambor e a progressão da narrativa que acrescenta: “este homem fez o produto interno crescer(...)” “este homem adorava música e pintura (...)”. Rufam tambores e o zoom out se acelera. Um rosto é revelado. O mistério se desfaz em perplexidade: é Hitler!...”

1. Aqui as meninas diziam: "(...) premiado comercial dos diretores Washington Olivetto e Gabriel Zellmeinsteir...), mas na realidade este filme é de Washington Olivetto e Nizan Guanaes...

NOTA: Os filmes Hitler (1987), para a Folha de São Paulo e O Primeiro Sutiã (1988), para a Valisère, são os únicos comerciais brasileiros a constarem na Lista Mundial dos "100 melhores Comerciais de Todos os Tempos".

terça-feira, dezembro 06, 2011

Quadrinhos era a sua cachaça*

Quando visitamos o Flavio Colin em Curitiba (1987)
Da esq para a dir Flavio, Vi, Gustavo, eu e Norma

Por acaso conheci o Flavio Colin antes de começar em publicidade. Havia o pai de uma amiga que o conhecia de outras épocas. Épocas em que o Colin militava na luta pela nacionalização das histórias em quadrinhos no Brasil, e tinha como companheiro , na empreitada, nada mais nada menos do que o Maurício de Sousa...
Nesta ocasião ele morava na Humaitá, a apenas três quarteirões da casa de meus pais, e criamos uma amizade que tornou-se maior quando o encontrei na McCann-Erickson; ele ilustrador e eu estagiário naquela agência.
Passei a ir visitá-lo quase todos os fins de semana, principalmente aos sábados à noite, ficando íntimo dele, da Norma e dos dois filhos –crianças à época. E o detalhe é que o estúdio dele, na casa (térrea) de uma bucólica vila, ficava frente à área interna (um pátio), com uma janela. Sua prancheta bem embaixo dela, e ao fundo uma estante repleta de HQs e livros diversos.
E ali, naquele pedaço, ele virava as noites desenhando seus “frilas”, inclusive quadrinhos, como Vizunga (2) por exemplo. E eu, principiante e curioso, ficava a observar sua habilidade artística e a ouvir seus “causos” maravilhosos (3), dosados com seu fino humor e detalhes nas descrições e detalhes, muito bem regados a várias “estupidamente geladas”.
Capa d’O Anjo e uma auto caricatura...
Geralmente saia de lá, meio  trocando as pernas, o sol já estando a lançar seus primeiros raios dourados pelas ruas. Num tempo (que existiu mesmo!) em que um adolescente “bebum” andava “pelai” sem lenço, sem documento... E principalmente sem medo!
Mas HQ sempre foi o sonho do Flávio, ao qual, sem dúvida empenhou grande parte de suas forças até o fim da vida (1). Embora realce aqui que ele sempre desempenhou de forma exemplar tudo que se referisse a ilustrações e desenhos. Como no caso dos empregos que teve em agências como a McCann e posteriormente a Deninson.

Fazendo uma breve retrospectiva de sua vida, a partir de 1959 ele conseguiu dedicar-se profissionalmente à sua paixão. Em maio daquele ano, foi lançada a primeira edição de As Aventuras do Anjo, a adaptação quadrinística de um popular seriado diário da Rádio Nacional. Já nessa primeira série, o desenhista exibia um traço sintético que valorizava os contrastes entre massas de preto e branco. Uma influência de mestres como Milton Caniff (Terry e os Piratas) e Chester Gould (Dick Tracy), Colin não se limitava a copiá-los. Apresentando um estilo beirando o cartunístico, imprimiu ao Anjo um visual moderno.
No início dos anos 60, Flavio Colin firmou de vez sua técnica, em trabalhos com a adaptação do primeiro seriado televisivo produzido no país,  O Vigilante Rodoviário e a saga regionalista Sepé, além de suas primeiras HQs de terror e da série de tirinhas do Vizunga (3).
Vizunga, uma de suas grandes criações
Contudo, nos anos 1980, os altos e baixos do mercado editorial novamente afastaram Colin das bancas de jornal. Ainda assim, nas duas décadas seguintes, o Mestre nos presenteou com seu traço inconfundível em revistas de tiragem limitada ou edições independentes, como Hotel do Terror, A Mulher Diaba, No Rastro de Lampião, O Boi das Aspas de Ouro, Fawcett,  e Estórias Gerais –obras-primas do desenho em quadrinhos, que hoje inclusive constam de algumas antologias internacionais.

Colin faleceu no dia 13 de agosto de 2002, aos 72 anos, de problemas respiratórios agravados por um enfarte. Eu somente soube algum tempo depois, pois na ocasião encontrava-me em Recife, “recluso” numa campanha política, somente retornando em setembro.
O grande artista deixou saudades, pois além dos amigos, muitos fãs aprenderam a admirar seu inconfundível estilo. Ficou também a certeza de que Flavio Colin foi um daqueles talentos geniais que o Brasil produz, mas não sabe valorizar...

(*) Ele costumava dizer: “quadrinhos é a minha cachaça”.

1. Flávio Barbosa Mavignier Colin, conhecido como Flavio Colin, nasceu no Rio de Janeiro em 20 de junho de 1930. Começou a carreira de quadrinhista aos 26 anos na “Rio Gráfica e Editora”.  Adaptou para os quadrinhos radionovelas, desenhou historirtas de terror e posteriormente publicou “bandas Desenhadas” na Bélgica, Itália e Portugal. Em seus 46 anos de carreira como quadrinhista e ilustrador desenvolveu um traço marcante e exclusivo e foi (sempre) um grande defensor dos quadrinhos nacionais, sendo considerado  no mundo um dos mais importantes artistas dos quadrinhos brasileiros.

2. Em meados dos anos 1960, Colin estava prestes a abandonar os quadrinhos. Ele havia sido um dos artistas mais engajados na luta pela valorização (e nacionalização) das HQs no Brasil, e, devido a isso, sofreu boicotes e passava por sérias dificuldades na vida financeira. Maurício de Sousa foi o único autor que atravessou o período de maneira tranquila e estável, sendo ele o responsável por convidar Flavio a desenvolver com total liberdade uma série de tiras diárias para a Folha de São Paulo (4). Desta forma surgiu "Vizunga", que com o passar do tempo se tornou um “cult” dos quadrinhos brasileiros. Eu me orgulho de ter acompanhado muitos dessas “tirinhas” do personagem.

3. Flavio foi um dos melhores contadores de “causos” e piadas que conheci.

4. Maurício começou nesta época, inicialmente com tirinhas do Bidú e depois da Mônica, personagens inspirado em sua filha e no cachorrinho dela.

sexta-feira, dezembro 02, 2011

Criatividade com simplicidade. Capítulo / Paulinho Costa - Parte 1




O jingle reproduzido acima foi criado para o (extinto) Banco Nacional. E foi um grande sucesso. Durante muitos anos marcou a presença daquela instituição nas casas dos telespectadores durante as festas natalinas. E existe um grande recall dele até hoje.
Aliás, o criativo que o bolou, foi um dos melhores e mais competentes do Brasil em todos os tempos. No entanto conheci poucas pessoas tão discretas quanto Paulo Cezar Costa, o Paulinho Costa, ou simplesmente Paulinho para os mais chegados.
A começar pela razão (muito simples) de ter tido apenas três empregos em cerca de 40 anos de sua trajetória na publicidade: a JMM, a McCann-Erickson e a VS. Enquanto a gente pulava de emprego em emprego numa época em que as propostas choviam em “nossa horta!”, Paulinho ficava quieto no seu canto... Criando, criando e criando. Sempre criando! Era desses de madrugar na agência...

Na JMM, para alem de tantas outras peças como esta marcante do Banco Nacional, ainda foi a imagem do “Retrato do dono” (1) inserido no cartão do banco. Dali foi para a McCann, onde, como Diretor de Criação foi o autor da frase “Coca Cola é isso aí”, que simplesmente rodou o mundo todo, traduzido para dezenas de línguas. E esta frase foi uma das que mais marcaram ao longo da comunicação daquele produto.

Foi um dos primeiros a chegar na VS, lá pelos idos de 1982... E um dos últimos a sair quando a casa fechou as portas em 2006. Mas ali deixou o slogan da Veja, “Indispensável”, um dos melhores e mais simples conceitos criativos que jamais conheci. Fiz parceria com Paulinho durante mais de cinco anos e sei do seu valor. Quando o Caio Domingues faleceu ele sacou um título memorável: “Estão abrindo uma agência de propaganda no céu” (2). Caio era conhecido pelo seu temperamento cordial e finíssima educação.

É bom que se conheça um pouco da história de um dos maiores criativos (embora completamente low profile) da publicidade deste país.

1. Quando o Banco Nacional lançou o seu cartão, o particularizou como o único até então com o retrato que ajudava a identificar seu proprietário e o slogan: “O cartão com retrato do dono”. Pois bem, imagem era do Paulinho.

2. Veja o anúncio clicando no link:


Foto publicada na revista “Propaganda” quando
a VS foi escolhida (pela segunda vez) “Melhor Agência do Ano”.
Paulinho é o último (da esquerda para a direita)

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Mais bolsas, bolsinhas e Sacoletas... Japonesas




Só pra finalizar... Atendendo a pedidos, seguem mais essas três. Obrigado Torres!

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O “Caso” do Leão foi publicado em 24 de agosto de 2006.
Mas é só clicar no link abaixo para lê-lo facilmente.

quarta-feira, novembro 30, 2011

Bolsas, bolsinhas e Sacoletas...


Acima algumas sacolas que recebi numa mensagem de meu amigo Antônio Torres.
Valem a pena...

segunda-feira, novembro 28, 2011

Criatividade com simplicidade. Capítulo / Olivetto – Parte 2



A publicidade brasileira no final dos anos 1960 e início dos 70 despontou como uma das mais criativas do mundo. E quando digo “despontou” é porque até então, por exemplo, los Hermanos, aqui ao nosso lado tinham uma qualidade muito superior à nossa, tanto que havia uma grande quantidade de criativos argentinos em nossas agências nos ensinando o “caminho das pedras”. No meu caso quando comecei a fazer estágio  em propaganda (1964) havia o diretor de criação e um diretor de arte portenhos na equipe.
Antes de mais nada fundaram-se na ocasião agências nacionais de qualidade como por exemplo a DPZ (1), a Denison, a Norton e a JMM (2), num mercado até então dominado pelas multinacionais como a Thompson , a McCann e a Lintas. Surgiu tambem uma geração composta de redatores e diretores de arte do nível de Washington Olivetto, Neil Ferreira, Mauro Matos, Jarbas de Souza, Celso Japiassú, Carlos Pedrosa, Francesc Petit, somente para citar os que me vieram à cabeça (3) de imediato e não ficar aqui fazendo uma relação interminável.

Mas principalmente na mídia eletrônica o salto foi ainda maior. Lembro que quando entrei na McCann-Erickson o comentário geral dos gringos era de que precisávamos aprimorar a nossa produção neste particular. Em poucos anos demos um verdadeiro salto. Talvez fruto de nossa cultura multiracial (4), alcançamos em muito pouco tempo um patamar mais elevado.

Tanto que o comercial da Seagram com o garoto sorrindo (vídeo acima), foi criado em 1973. Computador nesta época? Nem pensar! Computadores eram aquelas máquinas esquisitas e enormes com rolos e cartões perfurados que serviam para outras finalidades que não fossem publicidade. As “trucas” eram na câmera (slow e fast motions) ou no retoque quadro a quadro.
A criação foi de Washington Olivetto, ainda nos seus tempos de DPZ. E este filme é um outro exemplo de “criatividade + simplicidade = genialidade”.

1. A DPZ, começou como um estúdio, quase uma butique de criação chamado “Metro 3”, já composto por Duailibi, Petit e Zaragoza.

2. A JMM que vêm a ser as iniciais de João Moacir de Medeiros, seu fundador, iniciou suas atividades em 1950 e foi uma das agências mais criativas do país. Criou campanhas inovadors e inesquecíveis para o Banco Nacional e também atendeu outra das maiores contas nacionais, a Lopes Sá, à época a principal concorrente da Souza Cruz no mercado de cigarros.

3. Fico até emocionado, quando me lembro dos profissionais que conheci e me ensinaram tanto, numa época em que um diretor de arte tinha muita coisa a aprender. Prometo a eles, os vivos e os mortos, que um dia vou fazer uma lista e publicar neste blogue...

4. Sempre defendo que isto é um fator que nos eleva, porque sou de uma geração em que havia um “racismo” oculto e hipócrita que afirmava o contrário. Outrossim, neste mesmo período surgiram intelectuais tupiniquins a defender esta miscigenação como o Dr. Antônio da Silva Melo que publicou –entre outros o livro– “A superioridade do homem tropical” (1967) ou Celso Furtado, economista e um dos destacados pensadores brasileiros do século 20.

sábado, novembro 26, 2011

Vamos falar um pouco mais de simplicidade e criatividade. Que tal Olivetto?



Conta a lenda que Washington Olivetto estava jantando em Nova Iorque quando escutou a música “I Had the Craziest Dream” interpretada por Sinatra e, de imediato lhe surgiu a ideia de criar um filme para Chocolates Garoto, este mesmo que está aí em cima.

Não sou eu quem diz, mas concordo em pleno que este filme, realizado em 1995, é um dos mais criativos que já foram concebidos no Brasil, a começar pelo seu título “Garoto apresenta garotos” e a finalizar com a frase “Bonbons Garoto. Estes bonbons ainda vão ajudar você a realizar os seus sonhos”.
E como toda obra criativa, extremamente simples em seu conceito. Algo que quem assiste não precisa fazer ginástica cerebral para captar. Algo que qualquer “garoto” entende... Ou que qualquer “garota” há de compreender... Ou apenas "fingir" que não gostou. Simplesmente porque qualquer um de nós certamente já passou por uma situação como essas.

Comparativamente, este filme é mesmo uma versão masculina do filme da Valisère, aquele do primeiro sutiã (1), também da W/Brasil, que aborda a descoberta do sexo na préadolescência com uma bem dosada pitada humor e leveza. São ambas, pura emoção!

Continuo batendo nesta tecla porque sinto que nos dias em que vivemos está havendo uma distorção do que seja “criativo” através de uma supervalorização da técnica. Sei tambem que jovens publicitários lêm este blogue, e estes comentários podem lhes ser úteis. E, apesar de achar que “conselho é pura besteira”, apenas quero lembrar que toda grande ideia é simples.
Todo grande filme tem que partir de uma boa ideia (insisto nisto), que esta tem que estar amarrada a um bom conceito e em alcançar o seu target. Apenas isso! E isso tudo é muito... Muito simples!

1. Se quiser assistir esta verdadeira poesia, clique no link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=JlIAtOVY4qo

domingo, novembro 20, 2011

Um encontro regado a chope e gibis

Almir Gomes e eu num bar na Avenida Atlântica

A tarde deste domingo foi muito agradável! Após quase dois anos de contato virtual, finalmente conheci pessoalmente Almir Gomes, parceiro neste blogue e autor do Puracatapora, o seu blogue (que está marcado aí ao lado em Links)...

Foi um encontro breve, mas o fato de podermos bater um bom papo téte-a-téte regado a chopes foi muito bom. E, para alem disto, ele me trouxe alguns “gibis” do Fantasma – antigos e raros–, os quais tinha fissura para incluir em minha coleção...

Almir veio ao Rio de Janeiro para participar do Encontro MPM Lovers – 2011, realizado na véspera. Valeu Almir! E assim que puder, mande mais uns “casos” para este blogue. Serão sempre benvindos!

Ao lado detalhe da camiseta do Encontro MPM Lovers
(para ampliar, clique na foto) 

quinta-feira, novembro 17, 2011

A sempre polêmica United Colors of Benetton

Papa Bento 16 dá um beijo em Ahmed Mohamed el Tayeb, imã da mesquita de Al Azhar

Barack Obama, presidente estadunidense, e Hugo Chávez, presidente da Venezuela


Lembra quando a Benetton criou aquelas campanhas com fotos chocantes de aidéticos? Pois bem, agora, voltando à velha forma, atacam com chefes de governo ou religiosos antagônicos se beijando. Outra campanha genial... Esta mais bem humorada!

Mas o grupo Benetton e seu fotógrafo Oliviero Toscani já haviam se tornado célebres por algumas fotos provocadoras e tambem bem humoradas nos anos 90, entre elas a de uma irmã de caridade sedutora, que se apresenta vestida num hábito branco beijando um jovem padre de batina preta.

A criação é da Fabrica, fundada em 1993 em Treviso, Itália, por Oliviero Toscani e Luciano Benetton.

domingo, novembro 13, 2011

A legítima* criatividade



Houve um tempo, há longo tempo atrás, em que a criatividade era o mais importante em publicidade.

Nesta época as verbas eram pequenas e os filmes (filmes mesmo) eram caros para produzir. Daí, a ideia, que até hoje deveria ser o mais importante, era o que pesava numa peça publicitária, fosse na mídia impressa ou audiovisual.

Atualmente, com as facilidades da computação, a técnica, sobrepõe a ideia. Mas é claro que existem exceções que devem ser destacadas. Uma delas é a campanha das Havaianas. Como a do filme acima... Vale a pena conferir!

Em tempo: a campanha é da ALMAP-BBDO.

(*) Legítima, no caso é uma homenagem ao velho slogan das Havaianas "as legítimas"...

sexta-feira, novembro 11, 2011

Zuindo de genial


Conheci poucos profissionais como o Jackson Drummond Zuim. Tenho alguns casos contados neste blogue sobre este criativíssimo redator mineiro. Como por exemplo: “O ‘caso’ do Barão”, postado em agosto de 2006 ou “O ‘caso’ do clube etílico”, este em março de 2007. Mas, para além desses e de um ou outro que eu tenha esquecido de relacionar aqui, ele é citado em diversas historinhas aqui transcritas.
Republico este, postado em novembro de 2008, devido à saudade provocada pela sua morte recente.

Com o Zuim, participei do Clube de Criação de Minas, e, apesar de levarmos nossos cargos muito a sério, nos divertimos às pamparras. Pelo menos bebemos muitas... ou “todas”, isso posso garantir. Aliás, quando me indicaram para ser presidente daquele clube, topei, mas com a condição da formação de um triunvirato em que os presidentes eram, além de mim, o Zuim e o Marcos Vinícius, um RTVC de Goiás, que logo voltou para sua terra natal, nos deixando em dueto.

Como não tínhamos sede própria, a diretoria se reunia invariavelmente nos bares da vida. Nossos companheiros mais freqüentes eram o Jener e o Orlandinho. Mas vez por outra apareciam outros, como o Tonico ‘Mercador’, o Pedro, o Wanderley ou o Luis Márcio. Olha, varávamos as noites, e, claro, as reuniões começavam muito bem, mas depois de uma certa hora era um pileque só.

A última vez que o encontrei nos cruzamos na Savassi. Foi em 2000, quando eu trabalhava em Beagá. Paramos e ficamos a conversar por mais de meia hora. Ele com aquele vozeirão (um tremendo dum baixo) e sempre chamando a gente de “barão”... Um amigo nosso o apelidou de “o açougueiro da propaganda”. Mas o mais engraçado é que o cara com o seu jeitão de “Fred Flintstone” é um poeta sensível, que se defende por trás de uma aparência rude. Tanto que montou uma agência de publicidade e a batizou de Sabiá.

Recentemente soube por amigos que o Zuim está adoentado. Por isso publico aqui esta homenagem a ele. E aproveito para finalizar este artigo transcrevendo abaixo um poeminha de sua autoria, que li no “Pastelzinho”, o blogue do Maurilo (link ao lado), outro redator mineiro que conheci em época mais recente... mas, apesar disso é uma sujeito decente. E talentoso.

Poeminha Abstêmio

Depois que parei de beber
Minha vida mudou
Do vinho para a água

Jackson Drummond Zuim

sábado, outubro 15, 2011

O “caso” do ‘gólo’ em Maputo

Jurandir Persichini é de Belo Horizonte e me enviou este “caso” do inesquecível amigo Jackson Drummond Zuim, que publico abaixo. Detalhe: no título, lembrei que ele sempre falava esta palavra ao se referir a gole.

Trabalhei com o Zuim na 1ª campanha multipartidária de Moçambique, por volta de 94, junto com o Almir Sales e o Francisco Meira, a empresa mista que montaram lá no Continente Africano - a AFROVOX.

Numa sexta feira, depois de um dia quente e de muito trabalho fomos - eu o Zuim e um "desenhador" local (arte finalista) perambular pelos bares mal enjambrados da Maputo, cidade que havia sido totalmente saqueada e descaracterizada em sua guerra entre irmãos. Uma cidade sem energia elétrica, sem vida e sem opções. Mas que ainda mantinha um pouco do charme da antiga Lourenço Marques colonial. E nós estávamos lá para levantar a moral da população com nosso trabalho de propaganda política e tentar soerguer o espírito de cidadania.

Sem perda de tempo entramos logo numa cantina cheia de cadeiras e mesas quebradas. Fechamos os olhos à realidade, que poderia nos tirar todo nosso entusiasmo a um trago e perguntamos ao jovem maltrapilho que se apresentava como garçom. Fizemos pose como estivéssemos num "boulevard":

“Tem cerveja?”
Claro que tinha... para nós, estrangeiros, brancos e relativamente bem vestidos.
Mas o gajo foi logo avisando: "olhas aqui como não temos geladeira a cerveja fica ali na terra e jogamos água para esfriar um pouco. Então, vai querer uma Laurentina?
Laurentina era uma antiga cerveja fabricada lá mesmo pelos portugueses que um dia foram donos daquele país.
“Traga logo então, meu jovem!”

Quando veio a cerveja, uma garrafa bojuda de um litro e meio, o Zuim, já trêmulo de sede, foi logo pegando na Laurentina e balbuciou com sua voz tonitroante: "vou experimentar e depois passo meu veredicto procês".

Menino, numa só golada, como se estivesse num campeonato o Zuim sorveu tudo. E, em frações de segundos deu um arroto, olhou prá nós e disse: "Presta não!"
“Como assim, Zuim? essa cerveja tem gosto de que?”
"Sei não!"
“Moço, traga outra cerveja pra nós!”
"Tem não, senhor, aquela era a última.

Caçamos noite inteira uma Laurentina pra beber. E nada! O Zuim bebericou todo o estoque num só gole.

No outro dia fomos á um pub tomar sorvete. Você já viram fazer sorvete sem energia?... bem, aí é outra história.

Tenho saudades do Zuim!

terça-feira, outubro 04, 2011

Uma entrevista que vale a pena

Na foto acima um momento do acontecimento
Tempestade de Ideias, estreiou como uma minissérie da TV Cronópios. O programa número um traz o registro de um encontro com Antônio Torres, sendo entrevistado por Marcos Ferraz, redator com quem trabalhei por mais de dois anos na VS e atualmente mestre fundador da Escola de Redatores em São Paulo.

Como não foi possível baixar o vídeo, posto abaixo o endereço para este excelente papo em que Torres relata a sua trajetória na literatura com pitadas dos seus anos de publicidade, contas que atendeu, etc. Se tiver interesse, clique no link abaixo:

http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=5176

quinta-feira, setembro 15, 2011

O "caso" da sessão de cinema


Têm "casos" que valem a pena ser republicados. Este, cuja postagem foi em agosto de 2006 é um deles!

Era um filme de suspense. Mozart dos Santos Mello e senhora entraram no cinema e o filme já estava começando. Sentaram-se quietinhos e ficaram atentos ao enredo que era daqueles de provocar arrepios na espinha.

Lá pelas tantas, a senhora Santos Mello ouviu algum ruído e voltou-se para o lado. Um clarão, no filme escuríssimo e ela identificou uma silhueta que lhe era familiar de alguma forma. Ficou a refletir por alguns instantes e sussurrou no ouvido do marido:
"Acho que conheço a pessoa que está aqui ao lado..."
Mozart inclinou-se discretamente para frente. Outro clarão. Voltou-se para a esposa e sussurrou também:
"Parece o Vic!"

Ela olhou novamente na direção daquela figura que permanecia imóvel e profundamente atenta ao filme, e confirmou que realmente era o Vic, o Victor Kirovisky, diretor de arte da McCann. Santos Mello, por alguns instantes não sabia se falava ou não com o colega de trabalho, até que decidiu falar com ele, dizendo baixinho o seu nome para não atrapalhar o bom andamento da sessão.

Qual não foi o seu espanto, quando ao fazê-lo e colocar levemente a mão no seu ombro, ouviu-se aquele berro no cinema.
Bom, dizem alguns que até as luzes se acenderam. Mas isto talvez seja apenas a versão do fato. O que é verdade verdadeira mesmo, é que houve o berro.

sábado, setembro 10, 2011

Uma carona com Mr. Magoo

Havia um contato (1) na Salles. Apesar de não ser nada de mais, mas prefiro não citar o nome dele. Vou chamá-lo de Mr. Magoo, até porque ao ler este “caso” isto vai ficar claro.
O negócio é que ele enxergava mal pra cacete. Sim, quando lia um texto ou olhava um leiaute, encostava o olho na referida peça e a vasculhava. E isso de óculos. Aliás, falar em óculos, ele tinha alguns específicos para as mais variadas ações. O simples fato de ir a uma sessão de cinema o obrigava a levar uns óculos que mais pareciam um binóculo. Mr. Magoo era assim, um gajo quase cego.

Às vezes eu ia sem carro pro trabalho. Aliás, nunca fui dotado de uma personalidade automotiva. Sempre tinha Fuscas e outros carros simples... Não é à toa que hoje em dia faço parte daquela minoria que acha que o automóvel é bem pior do que o cigarro como agente poluidor, causador de doenças e da destruição da natureza.
Mas, como estava dizendo, ia bastante sem esta engenhoca trabalhar. Ida e volta de busão, na maioria das vezes, e de quando em vez, quando estava com pressa, um táxi.
Algumas ocasiões, encontrava o Mr. Magoo que me oferecia uma carona. Não, não!!! Sem risco nenhum de me deparar com algum modelo de óculos completamente diferente. Acontece que ele tinha um motorista particular.

Uma tarde, ao descer o elevador e encontrei Mr. Magoo.
-- Quer uma carona? Ofereceu gentilmente...
Eu concordei e descemos. Achei estranho porque paramos num dos andares de garagem. Até aí tudo bem, o motorista poderia ter chegado com antecedência e estar esperando ali.

Qual não foi a minha surpresa quando entramos no carro e vi que ele ia dirigir. Deu vontade de sair correndo; quem sabe me esconder e no dia seguinte convencê-lo de que teve uma alucinação e que não me ofereceu carona droga nenhuma. Mas era tarde. Gelei, mas entrei.
Ele ia mais longe e eu ficaria na Humaitá, perto de casa. Mas acontece que do Flamengo até lá foi uma viagem longa e suada. Ele me perguntava as coisas mais óbvias do tipo a cor do sinal ou se a curva era fechada ou não. E começou a me ocorrer que deveria acompanhá-lo até mais perto de sua casa, ideia que logo afastei da minha cabeça porque era em São Conrado.

Resumo da ópera, fiquei no meu ponto –ainda bastente assustado-- e no dia seguinte fui ver se o cara havia sobrevivido à empreitada. Ufa, pelo menos estava lá, vivinho da silva!

1. Naquele tempo o atendimento era popularmente conhecido como contato.

domingo, setembro 04, 2011

O "caso" do sutor

Ora bem, aproveitando que estava a falar do português de Portugal, lembrei-me deste caso que postei em setembro de 2007 e o republico abaixo

Existe uma grande diferença entre se ouvir uma piada de português, e viver uma delas. Olha, gente, adoro aquele povo d’além mar, mas eles têm coisas deveras engraçadas. Por exemplo: apesar de viverem dizendo que, nós brasileiros, temos o hábito de não traduzir determinados termos se outras línguas (do inglês em particular), eles também caem no mesmo vício. Daí, redator lá ser copywriter, contato ser account... e até em um “caso” que já contei aqui (1), estoque ser stock. Mas eles pronunciam sitoque.

Os lusos têm expressões muito curiosas, não somente em publicidade, mas em todas as áreas. Chegam a ser engraçadas. E por falar em engraçado, lá, alguém pode de repente falar que sua roupa está engraçada. Não, por favor, não se ofenda. Porque roupa engraçada por aquelas bandas não significa que você esteja vestido de palhaço. Mas, simplesmente ela tem graça... É que nem frescura. Frescura é aquilo que nós chamamos de frescor. “Hoje está tão gostoso, está uma frescura deliciosa!”. Há de dizer um lusitano, macho por sinal, a sorrir em sua direção. Não o confunda!

Registro é registo. Equipe é equipa. Goleiro é guarda-redes, soutien é porta-seios e cardápio é Ementa. Se você pedir um Menu, ou a Carta ao garçon, que lá é respeitosamente chamado de Senhor, o gajo vai ficar a olhar pra você com um ar estupefato. E parada de ônibus que é paragem? Fumante é fumador. Nunca peça por um durex, a não ser numa farmácia, porque é um preservativo. O nosso durex lá é fita-cola. E Isopor que é esferovite? Isso sem contar as mais conhecidas por aqui como a bicha que é simplesmente uma fila. “Peguei uma bicha hoje!”, dizem comumente... Cu não é chulo por lá. Se estiver com o traseiro encostado em algum balcão de loja, a distinta vendedora pode virar-se para você e dizer com a cara mais lavada do mundo: “Ó pá, desencosta o cu daí, se faz favor!”

Um dia, ia a uma reunião com meu patrão português, ele virou-se para mim e disse: “Caraças, hoje vamos nos reunir com o sutor engenheiro Motta, lá na Motta e Companhia.” Que diabos vinha a ser sutor? Não sabia, e, por outro lado não lhe perguntei. Antes de mais nada porque ele o disse com tanta espontaneidade e segurança que até fiquei sem jeito de questionar. Bom, é o sutor... é daí? Um sutor é um sutor e tá acabado...

Fomos, fizemos a reunião, correu tudo bem. Sutor pra lá, sutor pra cá. E eu sem saber. Tive vergonha de perguntar, e, juro fiquei dias sem sabê-lo. Uma noite, em casa, conversando com meu filho ele disse que a sutora diretora tinha falado alguma coisa no colégio. Imediatamente indaguei: “Mas afinal de contas, o quê é sutora? Tem algo a ver com sutor?” Aí caiu a ficha. Sutor, era nada mais nada menos do que Senhor Doutor. Fácil, não?

1. http://jongaoliva.blogspot.com/2006/08/o-caso-do-estoque.html

quarta-feira, agosto 31, 2011

Aniversário

Este mês, “Casos" da Propaganda está completando cinco anos de existência. Tem tido os seus altos em baixos ao longo destes anos, mas o fato é que ele continua e não tenho intenção de interrompe-lo.

Agradeço a todos os parceiros que têm ajudado bastante enviando “casos” e aos neurônios, que, apesar dos meus 66 anos continuam a me lembrar de alguns outros "casos" marcantes ao longo de minha trajetória na publicidade.

E vamuquivamu!

segunda-feira, agosto 08, 2011

O “caso” do paralítico


Republico aqui um “caso” contado em 25 de fevereiro de 2008...

Lembro-me que certa ocasião em Portugal, tive uma das discussões mais surrealistas com dois estagiários da agência sobre como se pronunciava a letra “agá” em inglês. Cheguei à conclusão que eles, os portugueses, têm o ouvido diferente do nosso. Não é possível, mas eles acham que o “agá” em inglês é mudo, ou seja: help por exemplo é “élp”. Não é à toa que lá as marcas Honda e Yamaha são pronunciadas como “onda” e “iamaá”.

Conclui que os ouvidos deles ouvem diferente dos nossos. Mas a coisa não para por aí. Existe uma xenofobia lingüística (que é ilusória) e que acusa, a nós brasileiros, de usar palavras estrangeiras em excesso. E quando digo que é ilusória, naturalmente a afirmação está baseada em três anos de convivência com termos como account, para designar contato (atendimento), ou copywriter para se referir a redator. Fato que até já contei em caso anterior publicado neste mesmo blog.

Mas uma expressão lusitana que me deixou desconcertado ocorreu no dia em que eu estava em uma ilha de edição numa produtora em Lisboa, o diretor levantou o braço e exclamou: “... entra com um paralítico!”. Juro que fiquei meio que pasmo. Por alguns instantes procurei para ver se tinha algum deficiente físico próximo a nós. “Mas, afinal, o que significa isso?”, pensei com os meus botões. Fiquei inibido em perguntar o que significava aquilo. Não fazia o menor sentido mesmo. Pus-me a observar cada gesto ou ação com extrema atenção, e, algum tempo depois, veio a resposta. Paralítico por terras d’além mar é nada mais nada menos do que frisar (paralisar) a imagem.

Tenho que admitir que neste ponto, lá à sua maneira, os “patrícios” pelo menos usam uma palavra portuguesa. Com certeza!

terça-feira, julho 12, 2011

Um ser humano para não esquecer

O caso abaixo foi publicado duas vezes neste blogue. De Jackson Drummond Zuim, tenho outros inesquecíveis contados ao longo destes quase seis anos que mantenho esta publicação. Mas sua terceira inserção se deve ao fato de Zuim ter nos deixado no último sábado. Já recebi duas notas sobre isto neste blogue. Para além disso, alguns telefonemas de Beagá. Isto, porque para quem o conheceu ele foi um profissional e um sujeito para não se esquecer. Jamais.

“O caso do Barão”

Minas Gerais me abrigou por três anos (1). Foram anos em que fiz grandes amigos, sem dúvida. Amigos como o Luis Márcio Viana, o Sérgio Torres, o Roberto (Boca) Quintas, o Tonico Mercador, a Lúcia Lobo, o Newton Silva, o Juninho e a Claudinha (RTV’s da Livre), o Cid e tantos, mas tantos outros. Até hoje, quando volto por aquelas montanhas encantadas, tenho que reunir a moçada toda num almoço festivo, geralmente no Minas I, ou no Dona Lucinha (putz, a comida do Dona Lucinha!) para poder matar a saudade de todos eles ao mesmo tempo. Senão, não dá tempo.

Mas tem um redator que eu conhecí nas Gerais, uma figura inesquecível, marcante mesmo, que é o Jackson Drummond Zuim. O Zuim, como é conhecido.

Zuim tem uma característica ímpar. É extremamente sincero. Claro, além de ser um dos melhores redatores que eu conheci, e de ser, como todo bom mineiro um senhor papo e um puta levantador de copos. Além disso, tem a particularidede de chamar todo mundo de barão. Você está num papo com ele, e ele vira pra você e diz: "ô barão, o negócio é o seguinte..." e vai por aí a fora.

Quando fui eleito presidente do Clube de Criação de Minas, dividi a presidência com o Zuim. Criamos a "Zorra da Criação", que eram encontros nas agências, bancados pelas agências. Detalhe: toda agência mineira que se preze tem que ter uma boa cozinha, algumas com fogão de lenha, outras com churrasqueira ou coisa similar, e muito, muito chopp.

As reuniões semanais da diretoria do Clube eram feitas nos bares da vida. Muitas vezes chegava em casa já amanhecendo. Por isso eram quase sempre feitas às sextas.

Mas tem uma conta em Minas que é dose. Chama-se Credireal. Porque é dose? Olha, é aquele banco estatal com cara de Ministério da Transilvânia. Tem até sua "momenklatura" interna. Formalidade, cerimônia. Paúra mesmo. Quando você anda nos corredores você sente o peso da atmosfera reinante. Dá arrepios. A diretoria tem uma idade limite: não aceita membros com menos de 80 anos. E eu sei disso porque atendi a conta. Quando era diretor de criação na ASA tive que apresentar uma campanha lá. O negócio foi todo ensaiado na agência. Quem falava e quando. Mesmo assim eu tremia.

Agora, tem um caso do Zuim que realmente deve passar pra história da propaganda. Não só da mineira, em que ela já está devidamente registrada, mas de toda a nossa propaganda. Vale ressaltar aqui que este caso eu não presenciei, até porque ele aconteceu antes da minha chegada em Minas. Mas é fato corrente. Conversa nos bares.

Conta a lenda que Zuim foi certa vez apresentar junto com a equipe da agência em que trabalhava na época uma campanha no Credireal. Ali, na mesa de reunião (daquelas longas que chegam a ter linha do horizonte) estava reunido todo o staff da agência e a dita "momenklatura" do politbureau do banco. E, conversa vai, conversa vem, lá pras tantas o presidente do banco pede a palavra. Todos se viram para ele, e o ancião começa a tecer comentários sobre a campanha. E começa a cair de pau, coisa que era aliás sempre comum por ali. E o Zuim, autor da idéia, quietinho no seu canto, caladinho, se mordendo. De repente, surge aquela cabeça que se projeta para a frente, levanta o dedo como que pedindo um aparte na sala de aula de um ginásio inglês. O presidente se cala. As atenções voltam-se para o Zuim, e ele pausadamente com sua voz de baixo diz: "ô barão... isso aí não é bem o que você está pensando não, tá!".

Dá para imaginar o reboliço que foi. Bom. Quem conheceu o Credireal sabe. E, sem dúvida, foi uma atitude ousada e memorável dessa personalidade histórica que é o Jackson Drummond Zuim. O "barão".

1. Trabalhei em Minas nos períodos de 1985 a 1988 e 1999 a 2000. Este caso aconteceu no primeiro deles e foi postado neste blogue pela primeira vez em 24/08/2006 e posteriormente em 30/09/2009.

quinta-feira, junho 23, 2011

“Casos” que o Pedrosa contou – 3


Um “caso” cabeludo

Continuo esta série de casos contados por um dos maiores ícones da propaganda carioca, “cuíca” (1) brasileira. Como este da mensagem por e-mail abaixo:

“Alô, prezado Jonga,
Claro. Você está livre para, quando queira, à falta de melhor assunto, contar a história.
O que me lembra uma outra , mas essa não tem a ver com propaganda.
Uma vez, há não muito tempo, estava andando alí pela Rio Branco, quando ouvi uma voz tonitroante, quase na outra esquina, a berrar por alguém:
“Alcebíades... Ô Alcebiades! Alcebiiiiiades!”

Continuei andando, esperando que o gritador encontrasse a qualquer momento o cara por quem clamava.
Mas, por uns cem metros isso não aconteceu e notei que a voz estava cada vez mais próxima de mim.
“Alcebiades, ô Alcebiades, porra... Não tá me ouvindo não?”

E de repente, o dono da voz estava pendurado no meu pescoço, me abraçando. Era um cara com quem eu tinha jogado futsal no passado na quadra da ACM (2).

Só aí entendi o que acontecia. Naquela época, eu usava o cabelo comprido. Em função disso, como quase todo mundo tinha apelido, eu fiquei conhecido c omo The Beatle , e durante muitos anos o resto do time e a torcida me chamava assim: "passa a bola,The Beatle!”.

Um dia, eu finalmente cortei o cabelo, mas continuei sendo The Beatle. Quem entrou no time depois e não sabia da origem do apelido, e era esse o caso do gritador da Rio Branco, só ouvia aquilo: dibilte, dibite, dibibias, dibiades, até chegar de The Beatles a ...Alcebiades. Para ele, passou a ser o meu nome, e assim é até hoje, porque eu achei muito mais engraçado manter do que desfazer o equívoco.

Pra você ver que eu sou um alvo muito fácil nessa coisa de troca de nomes (3).”

(a) Carlos Pedrosa

As notas abaixo são minhas:
1. Como diz a piada de um político que queria dizer “quiçá do Brasil” e leu “cuíca do Brasil”.
2. Associação Cristã de Moços. Ali na Lapa. Um local muito usado para a prática de esportes para quem trabalhava na Cidade.
3. Ver o “caso” do nome errado, publicado aqui neste blogue em 27/04/11.