quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Coisas da vida - 2

Esta é uma série que fala um pouco da minha trajetória na publicidade. Das chances aproveitadas e das oportunidades perdidas. Bom, essas coisas acontecem com toda a gente...

O Caso Fernando Campos


Foto publicada na coluna de publicidade (Edson Zenóbio) no Estado de Minas na ocasião de minha contratação (diretor de criação) e de Maria José (diretora de planejamento) pela Solution

Comecei na Solution, agência mineira, no início de 1999. E saí de lá no ano seguinte, um ano e meio depois. Mas foi duro aguentar esse tempo aparentemente tão curto.

A história toda começou em dezembro de 1998. Fui indicado por um amigo meu, o Sérgio Torres (1), pois estava no desvio a procurar um novo emprego, recém saído da Doctor.
Fui a Beagá, e, recebido pelo Fernando Campos (não confundir com o criativo carioca), o dono da Solution, fomos almoçar num restaurante da Savassi, perto da agência, acompanhados do Nelson, seu diretor de atendimento. Na conversa ficou pendente, apenas uma decisão final do Fernando... Que veio cerca de duas semanas depois.
Quando cheguei a Belo Horizonte para assumir o cargo, foi realizado um encontro na sala de reuniões da agência, inicialmente com todos os funcionários presentes, e depois apenas com a equipe de criação que eu ia comandar. Duas duplas mais dois finalistas e a produtora gráfica. Apresentações formais, e cada um falou de si. Eu me apresentei a todos dizendo um pouco da minha vida profissional, em que agências havia trabalhado, etc, etc... Depois cada um também se apresentou.
Aquilo me deixou bem impressionado com a agência, também muito bem instalada em prédio da Savassi. Aliás, no coração do bairro, o moderno centro comercial de BH.

Mas vou contar um pouco da história de Fernando Campos. No início da carreira, trabalhou como contato do Estado de Minas, muito embora não divulgue isto. Mas o que o projetou foi a Localiza. Quando esta empresa começou --em 1973--, era apenas uma lojinha no Aeroporto da Pampulha. Em pouco menos de vinte anos, a locadora, fundada por Salim Mattar, transformou-se na maior da América Latina. E, sem dúvida, Fernando foi um dos responsáveis pelo sucesso por ser o seu diretor de marketing.
Para encurtar a história, porque senão esta postagem vira um tratado, em 1997, Mattar associou-se a um grupo internacional. E com isso o Fernando Campos sambou. Isto porque, obviamente esta multinacional quis colocar seu “gringo” dirigindo o marketing da empresa. Salim então negociou a criação de uma agência de publicidade para seu ex funcionário. Claro que levando com ele a conta da Localiza.

Quando eu entrei na história para ser diretor de criação da agência não conhecia nada do sr. Fernando Campos. Ele tivera semanas para ler e reler o meu currículo e analisar o meu portfólio. Talvez apresentar a alguém de sua confiança. Mas eu fui “na cara e na coragem”. Afinal, eu precisava.
Com cerca de dois meses surgiu o primeiro “grande” problema que conto n’O “caso” do frila (2). Mas daí em diante os choques tornaram-se cada vez mais intensos. Por uma razão muito simples: Fernando não era publicitário. Pelo contrário, ainda pensava como um cliente e odiava publicitários. Não admitia um “tráfego” na agência (3) e protegia o atendimento, achando que a criação era “pau mandado”.
Fernando, “ene” vezes dizia ironicamente coisas no gênero “... Isto aqui não é uma ‘agenciazinha’ de publicidade qualquer, em que o ‘artista’ trabalha com uma garrafinha de ‘pinga’ debaixo da mesa”. Ou: “... Porque aqui não existe a ‘impunidade’ de outras agências. Deu erro, tenho que descobri e punir o culpado!”. O que criava constantemente um clima de terror no melhor estilo da Inquisição. E mais, afirmava que a Solution não era uma agência de publicidade, mas se intitulava uma empresa de “comunicação integrada”... O que me fez concluir que só não era a pior agência de propaganda em que trabalhei, porque não sendo uma jamais poderia ser.

Aos poucos e numa ação conjunta, a criação foi se impondo. E digo isto porque os redatores e diretores de arte colaboraram bastante. Primeiro tínhamos um excelente ambiente de trabalho e éramos unidos no propósito de nos fazermos respeitar. Porém, no final das contas passaram a existir duas agências dentro de uma. A da criação... E a do resto. Conseguimos mais respeito e mostrei ao Fernando que eu era o responsável pelo que acontecia ali, que ele tinha que se dirigir a mim, se reportar a mim como diretor de criação da agência. E não adentrar o departamento criativo dando “esporro” em regra, como fazia quando lá cheguei.

Mas, passado o tempo, um belo dia, minha paciência se esgotou e saí da agência. Veja como foi n’O “caso do xingamento (4), pois lá conto isto com detalhes. Foi o final de um ano e meio de um convívio tumultuado e repleto de choques e atritos estressantes. Mas finalmente, desde o momento em que pisei aquela “agência que não queria ser agência”, pude dormir uma noite tranquila de sono. Sem medo do telefone tocar em plena madrugada para uma reunião sem cabimento e surrealista.
E o Fernando era um chato. Talvez uma das pessoas mais chatas com quem conviví. Um verdadeiro "chato de galocha".

(1) Sergio Torres foi o mais promissor dos redatores da minha equipe da ASA, onde também fui diretor de criação. Ao lado do saudoso Newton Silva, eram os mais criativos. Isto 15 anos antes destes acontecimentos. Após ser redator e diretor de criação em importantes agências de Belo Horizonte, foi sócio do Fernando, inaugurou a Solution e retirou-se da sociedade ainda no primeiro ano da agência, tomando outros caminhos. Hoje se dedica a campanhas políticas.

(2) http://jongaoliva.blogspot.com/2007/04/o-caso-do-frila.html

(3) Não sei como é hoje. A Solution mudou bastante com o passar do tempo, contam-me alguns ex colegas ainda a trabalhar no mercado mineiro. Há bastante tempo tem tráfego, e parece, que a criação é mais respeitada hoje em dia. Mas, juro que custo a acreditar nisto. Porque tivemos que jogar duro para tornar possível tal atitude naqueles tempos.

(4) http://jongaoliva.blogspot.com/2008/12/o-caso-do-xingamento.html


Publiquei os links para os “casos” referentes a cada episódio porque eles explicam tudinho, tim tim por tim tim! Dá para compreender melhor, sem tornar a postagem maçante e muito longa.

Mas existem outros links para “casos” da Solution contados aqui em “Casos” da Propaganda por Maurilo Andréas, autor do “Pastelzinho”; aliás o inspirador deste blogue:


O “caso” do nariz de palhaço
http://jongaoliva.blogspot.com/2006/10/o-caso-do-nariz-de-palhao.html  


O “caso” do maestro

16 comentários:

Moita disse...

Só urubuservando na moita. Mas este cara é um filho da puta pelo que você contou neste post.

Jonga Olivieri disse...

Mas você é o Moita ou não é?
Quanto à segunda parte concordo mesmo.

Alexandre disse...

Que experiência, meu caro. Você tá pagando algum pecado do passado. Do que foi noutra encarnação.
Porque enfrentar uma figura como esta, sai da frente.
E eu sei como é o tipo porque já peguei um pela frente.

Jonga Olivieri disse...

Alexandre. Graças a mim eu sou um ateu àtôa e "graças a deus eu não acredito em deus", frase dita por Buñuel.
E muito menos em teorias kardecistas...

Anita disse...

Barra pesada!

Jonga Olivieri disse...

E como!!! Só quem viveu sentiu.
Mas pelo que disse, você compreendeu...

Anônimo disse...

Mas parece que ele pretigiou voce. Senao nao teria tido aquela publicacao que voce publicou como ilustracao neste blog.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Olha só. O Fernando tem um bom marketing pessoal. Sabe se promover. Tanto que a sua agência continua crescendo. Fruto disso.
Mas que é um chato lá isso é.
E um criador de casos. Um pentelho. Este lado é o que incomoda.

Cantídio disse...

De doer. Senti por você como publicitário o que deves ter passado.

Jonga Olivieri disse...

E por mais que sinta, garanto que foi bem pior do que possa imaginar.
Foi uma situação surrealista...

Anônimo disse...

Este com certeza é o maior filho da puta que teve a ousadia de comer tanto e com tanta gula no prato em que cospe.
Eu disse um filho da puta, porque o conheci e trabalhei na Solution.
Mas prefiro não me revelar. É isso aí!

Jonga Olivieri disse...

Publicado o seu protesto, Anônimo (anônimo mesmo)...

Tapuia disse...

Têm casos piores. Posso garantir que este Fernando além de ter cara de babaca (pela foto) é mesmo um babacão.Mas, você conheceu o Franzé?

Jonga Olivieri disse...

Não sei a sua idade Alexandre, porque ademais não o conheço, porque nunca tive algum colega em publicidade om este nome.
Mas o Franzé? Dava até para contar o "Caso Franzé", mas não pretendo fazê-lo porque tem muito tempo.
Mas resumindo, o Franzé, acho que você nem era nascido deu um cano em todos os funcionários quando fechou a sua agência chamada "Nova Proudon" (nada a ver com o filósofo socialista que viveu no século 19).
Eu, por acaso fui o único que --a conselho de meu pai que é advogado-- apelei no Ministério do Trabalho, e cerca de um ano depois recebi todo o montante com juros e correção monetária.

Anônimo disse...

FDP de marca maior, nem tanto tempo de publicidade, mas o pouco tempo já me fez sentir na pele o Sr Burns embutido naquele corpo! Segundo ele, a Solution e uma agencia estratégica. há...

Jonga Olivieri disse...

Caro "Anônimo" anônimo. Quando for assim, põe um nome qualquer, mas assine a sua mensagem!

Mas, o pior da criatura, que um colega nosso apelidou apropriadamente de "semrabudusinferno" é justamente o seu discurso "moralista".
E eu sempre disse que todo 'moralista' (em excesso) é a pior e mais imoral das criaturas. Pois ele sempre falava em “dignidade”, “ética” e outra expressões que não me convenviam pelo seu comportamento no “dia a dia”.
Além disso, e por falar em discurso, sempre tinha uma introdução para novos clientes que parecia gravada. Eu que assisti várias destas ocasiões, cansava só de ouvi-lo falar com ‘prospects’ e/ou clientes recém conquistados. Era sempre a mesma ladainha, E de um “moralismo” ‘petit-bourgeois ‘ que me irritava profundamente.