segunda-feira, fevereiro 14, 2011

O “caso” do hipersalário (republicação)

Oportunamente, lembrei-me deste "caso", publicado em 12/06/08, que me lembra a outra agência do Rio em que eu não desejava trabalhar de forma alguma, e ainda bem, nunca aconteceu esta desgraça. Poderia até ser o "Coisas da Vida - 2", mas é uma republicação.

Ao lado a foto do Geraldo Alonso, o Geraldão, presidente e fundador da Norton. Uma agência muito bem posicionada em São Paulo (1), mas no Rio... Bem, leiam o caso.








Houve um tempo em que existiu um mercado publicitário no Rio. Pasmem, mas isto realmente é verdade. Os salários eram, pelo menos razoáveis, e em alguns casos, muito bons. Quando eu trabalhei na Salles, seguramente toda a nossa equipe ganhava entre os melhores. Eram salários pra ninguém botar defeito. Não me lembro dos valores porque ainda era a época do “cruzeiro”, mas giravam em torno de uns cinquenta (2) a sessenta salários mínimos de então.

Acontece que, naquele tempo, eu dizia que existiam duas agências na cidade que eu não queria trabalhar de jeito algum. Uma era a Norton, outra era a Artplan. A Norton porque era uma agência instável. Vez por outra, Geraldão – como era conhecido o Geraldo Alonso –, vinha de São Paulo como “interventor”, olhava pra um, pra outro e mandava metade da agência embora. Pelo menos era o que contavam aqueles que por lá passaram... A Artplan, bom, porque na Artplan, a criação tinha que entrar pelos fundos no seu suntuoso prédio da Lagoa (3). E de quebra ainda tinha um sujeito anotando a hora que você chegava. Ou saia. Hummmm!

Justamente quando estava na Salles, ganhando bem pra “dedéu”, fui chamado na Norton. Bom, é o tal caso, deixar de ir seria “grosseiro”. Até porque quem me chamou foi o Ney Cantinho, naquele momento diretor da filial do Rio, e conhecido profissional de atendimento com quem havia trabalhado na McCann-Erickson. Chato, né? Tinha que ir, tinha que conversar. Afinal, você estando no mercado não poderia fazer uma desfeita dessas. Fui.

Chegando lá, levamos um papo, lembramos dos velhos tempos de McCann, rimos muito, etc, etc. Até que chegou a hora “dos finalmente”, como se diz no popular. Bom, o Ney perguntou quanto eu queria para ir trabalhar lá. Eu já havia pensado justamente neste momento. Gente, chutei um salário que era mais ou menos umas quatro vezes o que eu ganhava na Salles. Eu sabia que não ia colar, mas caso colasse, seguramente viria a ser o maior salário do mercado. O Ney olhou pra mim. Senti que engoliu em seco, mas não perdeu a pose. Ficou de me dar uma resposta... depois. Resposta que, claro, nunca veio. Mas eu juro que fiquei feliz da vida. Pelo menos o Geraldão não poderia olhar para mim e me mandar embora só porque não foi com a minha cara.

(1) A Norton, nos anos 1960/70 foi das melhores agências de São Paulo e do Brasil, principalmente no período do Neil Ferreira, Jarbas de Souza e outros profissionais inesquecíveis do mercado publicitário no Brasil. Campanhas como as da Fotoptica ou a do Conhaque do Papa ficaram na história desta profissão para sempre.

(2) Como o acordo ortográfico já está valendo, aviso aos navegantes que o trema acabou.

(3) Tem uma caso “famoso” na Artplan, em que a criação estava descendo o elevador na hora do almoço. O diabo do “ascensor” parou justamente no andar da diretoria, que mandou todo mundo sair para que eles descessem “em paz”.

12 comentários:

almagro disse...

Só de ironia: se tivesses deixado essa (re)postagem p/próx. sábado, 'cairia' bem no nome/dia da rua da dita cuja. Passava lá todos os dias (da S.Clem.) à D. Mariana, outra opção era a G. Guinle.

Jonga Olivieri disse...

Almir, como estou em falta com você e o seu blogue maravilhoso. Principalmente pelo peso que ele tem aem relação à história da publicidade no Rio.
Mas você sabe que outro dia passei pela outra, a Sorocaba, sentei na mesa, pedi um chops e dois pastel e relembrei os tempos das noitadas em que fui algumas vezes encontrar a galera, principalmente da MPM.
Aquilo era muito bacana. Um botecão que virou point... Graças a vocês da maior agência carioca de então.
Ah! A gente vai ficando véio e saudosista.
Depois andei um pouco e vi que o estúdio do Luiz Augusto (Ascot) virou um prédio qualquer.

Jonga Olivieri disse...

Esqueci de dizer, mas no MM, of course!

Agora, que a Norton era horrível, lá isso era. Era cheia de contatos mau caráter... Aliás, isso tinha em todo lugar mesmo! O chamado "boy de luxo".
Um amigo meu dizia que "conhecia uns cinco contatos... O resto era 'leva e trás' mesmo".

almagro disse...

Poizé, véio, inda bem que a Adega da Velha ficava bem próx. (da Norton) e aí quando a gente ia embora, final do dia, no meu caso, 'pegando' a 19/fevereiro, já passava em frente da ag. totalmente "imunizado", ('pós-Adega', of course)eh, eh, abs.

Jonga Olivieri disse...

É, frequentei muito a Adega muitos anos depois, lá pelos 1993 ou 94, porque a VS ficava justamente na rua do meio: a Guilhermina Guinle (nada a ver com a atriz).
Mas, se não entendi mal, você trabalhou também na Norton? Sempre o associo à MPM.

almagro disse...

Not, nein! Às vezes passava em frente, indo-voltando da MPM (D. Mariana), pois morava na São Clemente (de 1983 a 1990).

Jonga Olivieri disse...

E eu morei na São Clemente de 1957 a 1972, ano em que casei e saí da casa de meus pais, que moram lá até hoje...

Jonga Olivieri disse...

Mas, vem cá. Não é melhor a gente trocar e-mails?

Anita disse...

Mas o que que é isso? Um papo íntimo nos comentários deste blogue?
Quero entrar também, mas para comentar o caso que achei excelente.
Você fez que nem um diretor de arte famoso (que não me lembro do nome) que na época em que o famoso e odiado Guinsburg (é assim que se escreve) era diretor de criação na McCann, aceitou ir trabalhar lá, mas nem pediu demissão do seu emprego.
Foi lá só pra encenar uma farsa. Sentou-se na cadeira em frente a prancheta, olhou em torno, e saiu para nunca mais voltar.
Queria saber o nome deste sujeito. Ele é o "cara".

Jonga Olivieri disse...

Lembro deste caso, mas também não sei o nome dele.
O outro, o (realmente odiado) e nem tão famoso era o Ricardo Guinsburg (acho que o nome é assim mesmo), diretor de comerciais(*) que resolveu virar diretor de criação da McCann e meteu os pés pelas mãos.

(*) Certa vez foi dirigir um comercial da Petrobras para a Contemporânea e me lembro que ele reolveu mudar o filme todo... O Mauro Matos ficou pê da vida! E com razão, não é?!

Cantídio disse...

Que coisa mais fantástica. Que coisa mais justa do que o que você fez com aquela agência maldita. Conheci um contato de lá, um bigodudo que eu não me lembro o nome que foi um dos piores caracteres da propaganda carioca de todos os tempos.
Hoje, nem sei se está vivo. Mas se morreu em bom lugar ele não está. Posso garantir.

Jonga Olivieri disse...

Sei quem é! Paulo? Paulo alguma coisa? Acho que sim...