domingo, março 20, 2011

Copa de 90: deram o “BALÃO” no BOLÃO

Mais um parceiro neste blogue. Desta feita, Almir Gomes, redator, que após 10 anos na MPM RJ (1981/91, hoje está no Pantanal. Almir trabalhou nas cinco regiões do Brasil, sempre em agências de publicidade. E também tem um blogue, o “Puracatapora”. O link está aí ao lado, mas para facilitar o seu acesso, clique aqui: http://puracatapora.blogspot.com/  

Em tempos de Copa, entrar num Bolão (1) é quase tão inevitável como comprar rifa em véspera de formatura. A diferença é que você torce a cada rodada e ainda concorre a uma grana boa e não a uma cafeteira elétrica ou a um fim-de-semana em uma pousada ecológica, com direito a suco de alcachofra no café da manhã. A novidade da jogatina estava na tecnologia. Agora era via computador. Valia a pena, apesar dos resultados virem na voz do Galvão Bueno.

O computador faria a apuração quase automática do ranking de apostadores. Ou seja, a engenhoca evitava aquela aporrinhação de se fazer cálculos e contas sobre pontuações, resultados, chances, probabilidades, variações etc., poupando alguns centímetros cúbicos de nosso cérebro, providenciais para o happy hour de dias de jogo. Esse detalhe também atraiu a turba, ávida pelo prêmio em milhares de cruzados (2), com adesão quase total e empolgação idem. Muitos não se continham. Ouviam-se projetos em voz alta, pelos corredores.

– Vou botar tudo na poupança!
– Agora eu tiro aquele Chevette Hatch no consórcio!
– Esse é pra quitar aquele carnê do plano de expansão
da Telerj. (3)

E por aí vai. A grana era recolhida por um funcionário do “Tráfego” que tava completando um ano de casa. Ocorre que, bola já rolando, o cara saiu de férias. O Brasil foi eliminado pela Argentina e as atenções, claro, voltaram-se para a pontuação final e a hora do(s) vencedor(es) botarem a mão na bufunfa. Foram atrás do tal “tesoureiro”, ainda de férias, na Baixada Fluminense (sem preconceitos sócio geográficos, ele morava lá, mesmo).

O calote veio na “cara dura”. Ele tinha gasto tudo na “reforma do barraco” (sic), ainda tava devendo, credores na porta, ameaças na rua, enfim, zero na conta. A demissão foi imediata, mas sem envolver, digamos, “reembolso” via rescisão, a agência desaconselhou, corretamente, qualquer retaliação, afinal, pra todos os efeitos, era jogo de azar.

Pensou-se num cartaz interno comunicativo, na linha “É Com Puta Dor que comunicamos o resultado do Bolão Copa 90...” Mas, convenhamos, era um trocadilhismo infame até demais para tal situação. Na Copa seguinte, de 94, certamente a mesma turma deve ter preferido apostar no Bolão da CEF, mais garantido, em caso de vitória. E naquela, pelo menos, o Brasil ganhou (o tetra).

Obs.:

O nome do “capcioso” que se apropriou indevidamente do prêmio era Frazão (sim, dou nome aos ditos sujos) que até poderia ter sido o vencedor real, mas este foi o Sérgio Brandão, junto com a namorada, Ana Paula. Hoje, casados, ele é um alto executivo de uma grande agência em SP.

(1) 1990 + Copa do Mundo = Bolão na MPM Rio.


(2) O “Cruzado” foi a moeda vigente na época do chamado “Plano Cruzado”, que foi um fiasco, começou bem, mas acabou mal. Muito mal.

(3) A Telerj era a empresa estatal que operava os telefones do Rio de Janeiro. Depois virou Telemar, Oi Telemar e hoje simplesmente Oi. Além disso, na ocasião os telefones eram caros e compravam-se as linhas através de carnês dos chamados “Planos de Expansão” que financiavam valores que superavam os três mil dólares, em tempos em que o dólar era supervalorizado.

18 comentários:

Anita disse...

Excelente este seu caso Almir. Você entrou com o pé direito neste blog, desculpe Jonga, "blogue".
Seja benvindo e continue contando histórias assim!

Jonga Olivieri disse...

Vou repassar para o Almir e ver se ele tem um jeito de responder este seu comentário.
Quanto a 'blog' ou blogue. É tal e qual 'cow-boy' ou caubói... Entende? Um dia, quem sabe pega?

Cantídio disse...

Sei não, Imagina o que deve ter acontecido de BALÃO no BOLÃO em todo lugar.
Mas isso me me fez lembrar d os tempos dos cartões perfurados. Aquilo era muito engraçado visto do prisma de nosso mundo digital, pq fazia parte mesmo daqueles computadores ENORMES com fitas magnéticas.
Trabalhei num deles. Tempós de COBOL, ADABAS. Acho que a galera aí no máximo pegou o DOS e olha lá.

Jonga Olivieri disse...

Eu, pelo menos comecei no DOS. Mas como à época trabalhava só com Mac's, pouco tive contato com o programa.

Ernani disse...

Quanto foi a arreacadação total do Bolão? Porque dependendo do montante o tal do "Frazão" se deu bem nessa!
Mas que não valhe a pena se meter com um cara desses não é mesmo recomendado!

Anônimo disse...

Acho que este Almir tem expressao para ficar de fato entre os seus parceiros.
Espero que mesmo porque eu gostei demsis deste "caso". Espero outros assim Almir.

Anonymous
New Yorky

Jonga Olivieri disse...

É isso aí. Espero que sim...

almagro disse...

Pessoal, valeu, grato pela receptividade, quanto à questão meio sheikispiriana de nossos anglicismos (ser blog ou ser blogue) é realmente meio complicada e extensa, foi só o Jonga citar o caso do “cowboy x caubói” que lembrei de whisky x uísque que, aliás, alguns preferem cowboy (ou sera caubói?). Já o COBOL mencionado me lembrou meu primeiro computador (contábil), um Burroughs, isso mesmo, da fam. do criador do Tarzan. Valeu!

almagro disse...

Sobre o rateio do prêmio: era (pra ser) + ou – 75% ao vencedor, 20% ao segundo colocado e 5% p/o terceiro, com a condição de não embolsar a grana (caso do terceiro) e sim gastá-la toda em chope e petiscos com a galera, no MM e/ou Adega da Velha, o que dá uma ideia do estrago que o rapaz causou.

Jonga Olivieri disse...

Era... Ou seria muito chope e carne de sol! Que trampa!

lelo disse...

Grande Almir,

Ler seus textos é uma viagem np tempo.
Lembro, sim, dessas passagens na MPM.
Estou aguardando mais.

Boa sorte pantaneiro.

lelo disse...

Grande Almir,

Ler seus textos é uma viagem np tempo.
Lembro, sim, dessas passagens na MPM.
Estou aguardando mais.

Boa sorte pantaneiro.

Ernani disse...

Obrigado por responder, Almir, mas achei muito bacana os 5% do terceiro, que ao não poder embolsar a grana tinha que gastar em chope e tira-com a galera da agência.

almagro disse...

Então, Ernani, claro que rolou a tal "chopada" (era inevitável), mas a maioria foi na base do ticket-restaurante e do velho "pendura", como diria o grande João Saldanha (que morreu
durante aquela mesma Copa/90): vida que segue. Tks.

Felisberto disse...

O FRAZÃO comeu o BOLÂO e estourou o BALÃO para botar um DINHEIRÃO no bolso e comprar um CARRÃO, construir um PISCINÃO ou embarcar de AVIÃO pra bem longe daqui, quem sabe o AFEGANISTÃO? Com certeza morreu numa EXPLOSÃO!

Moita disse...

Gostei do caso, Almir. Vá em frente, mande mais.

almagro disse...

Brigadão, mandarei sim,

Jonga Olivieri disse...

Olha aí Almir... Agradou geral!
Então:
MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA! MANDA!