sexta-feira, abril 01, 2011

No meio do caminho tinha uma pedra

Muro da MPM-RJ, Botafogo, os grafismos são uma iniciativa dos diretores de arte Billy Gibons e João Galhardo, com a colaboração de jovens grafiteiros de outras áreas e parte da campanha “Pintou Sujeira”, criada por Wilson Nóbrega e Valéria Chaves, para a Prefeitura do Rio, contra pichações irresponsáveis
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Continuando com os “casosmeus dos outros” (1), mais um do Almir Gomes...

Na verdade, um p*ta dum paralelepípedo, sob uma caixa de papelão e este “caso” nem de longe tem a singeleza de um poema drummondiano, tendo quase virado página policial, quem sabe até mesmo manchete da “Última Hora”, além de relembrar uma molecagem que muitos devem ter feito na adolescência.

O cara era o Mesquita, do Serviços Gerais, contínuo, gente muito fina, não é duplo sentido, o magrinho era gente boa mesmo. Ocorre que a turma da mesma seção, depois do almoço, ficava por ali, em frente à agência, Rua Dona Mariana, 136. Numa dessas resolveram, sem que o Mesquita estivesse presente, colocar uma caixa de papelão “escondendo” uma tremenda duma pedra, pesadona mesmo, no meio da calçada.

Aí foram pro outro lado da rua observar a cena. Nisso chega o Mesquita, que fica ali, a poucos metros do crime a ser consumado, descansando em pé mesmo, pós-rango, encostado, sozinho, no muro da agência.

O primeiro passante que aparece é justamente um marombeiro vitaminado, tipo “armário” – mas daqueles embutidos, ou seja, vem com a parede junto –, provavelmente indo pruma academia ou levando o seu totó (algo assim como um pit-weiller), pra passear.

Sequência previsível, o espadaúdo transeunte “mandou ver” com o pé direito na tal caixa. Sequência mais previsível e agora bem dolorosa: o fortão, pulando e espumando, partiu pra cima do nosso colega disposto a tirar algo mais que satisfações, no mínimo a pele ou quem sabe o fígado pela garganta do nosso bravo e intrépido, porém nada hercúleo, Mesquita.

Sem entender nada, mas percebendo que iria passar, rapidinho, de leiaute para arte-final, com direito a overlay (2), o “Mesquita” tocou o gongo – ou melhor, bem melhor, nesse caso, a campainha – para o Seu Vicente, o porteiro, abrir o portão e vazou pra dentro da agência, MPM-Rio.

A brincadeira é velha, a história não tem lá muita graça – principalmente pro Mesquita - mas diz a lenda que depois dessa ele passou a almoçar em casa. E olha que ele morava em Mesquita, (Baixada Fluminense), daí o apelido.

1. Copywright by Millôr Fernandes in “poemeu dos outros”.


2. Overlay: ... Talvez precise explicação pra galera de hoje, que não deve saber o que era, era sempre papel-manteiga sobre o leiaute ou a arte final.

16 comentários:

Anita disse...

O tal do Mesquita entrou foi numa treenda duma fria.
E muito bonito o painel grafitado.

Jonga Olivieri disse...

E põe fria nisso!

José Augusto disse...

Tinha que ser intitulado como:
'Portão da MPM: o CAIXOTÂO que virou MALÂO' e ficaria mais de acordo como o título anterior.
Não é Almir?

Jonga Olivieri disse...

Realmente "Portão da MPM: o CAIXOTÂO que virou MALÂO" tem mais a ver com "Copa de 90: deram o “BALÃO” no BOLÃO", caro José Augusto.
Mas quem pode responder melhor a esta pergunta é o autor. Vamos esperar por ele, certo?

Agora pergunto-lhe, você é ou por acaso foi produtor gráfico?

Anônimo disse...

Muito bom o seu causo.
A MPM foi uma grande agencia e eu nao tenho duvidas que voce podera trazer muitos outros causos de la.
Por enquanto vamos aguardar.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Tem razão, "Anonymous". O Almir deve ter 'trocentas' historinhas da MPM.
Quem sabe nos trará muitos instantes de riso e "casos" engraçados como estes dois que publicou aqui?

almagro disse...

Sem dúvida, um portão histórico, só não entendi bem se a rima dos "ão" dita pelo José Augusto, seria pro "caso do Mesquita" (que foi quase caso de caixão e extrema-unção) ou do "Bolão", mas valeu a atenção, outros virão...

Jonga Olivieri disse...

É isso aí, Almir. Agora só o José Augusto pode responder à questão.
JOSÉÉÉ AUGUUUSTOOO, onde está você???

José Augusto disse...

Olha. nunca fui produtor gráfico (nem sei o que é isso) e nunca trabalhei em publicidade.
E o meu comentario foi pela rima, pelo rítmo, sei lá se pelo jeito do outro.

Jonga Olivieri disse...

Acho que explicaste tudo José Augusto...

Joelma disse...

Uma MALA mesmo. E sobrou para o Mesquita! Tadinho gente, que maldade!

Jonga Olivieri disse...

Em agência tem muito disso.
Uma vez, um sujeito foi entregar uma prova de fotolito. O coitado estava meio cansado e encostou numa prancheta (vazia porque era hora do almoço) enquanto esperava.
Adormeceu de cansado que devia estar.
Mas não teve perdão. Amarraram as pernas do cara nos pés de ferro da prancheta.
Lá pras tantas alguém chamou o pobre diabo, que ao levantar-se levou um senhor tombo.

Mário disse...

Realmente sofreu o tal do Mesquita!

Jonga Olivieri disse...

Armaram pro lado dele. Mas quem ia saber que vinha logo o marombado com um cachorrão?

Anônimo disse...

Marcou toca, sambou!
Luis Paiva

Jonga Olivieri disse...

Sin duda!