segunda-feira, maio 02, 2011

Um cão uivando para a imortalidade

Cartaz de evento com o Torres em Sampa
agora em maio (clique e amplie)
Matéria de autoria de Juvenal Azevedo (1) sobre meu amigo Antônio Torres, às vésperas da votação para a cadeira na ABL.

Antônio Torres é um dos candidatos à vaga deixada por Moacyr Scliar na Academia Brasileira de Letras. Segundo os entendidos nos meandros da ABL, Torres é, ao lado de Nerval Pereira, um dos favoritos a envergar o fardão dos imortais.

Na minha opinião, Nerval é um jornalista sério, estudioso e competente, mas falta a ele a chamada bagagem literária. Já Antônio Torres, ademais de suas qualidades pessoais e de caráter, tem uma farta bagagem de livros escritos, publicados e aplaudidos tanto pela crítica quanto pelo público, aqui e no exterior.

Desde sua primeira obra, à qual poderíamos sem exagero classificar de obra-prima, “Um cão uivando para a Lua”, de 1972, até seu livro mais recente, “Sobre pessoas”, de 2007, Torres mostrou ser, fundamentalmente, um escritor.

Um escritor talentoso, dominador de seu ofício, como em “Os homens dos pés redondos”, “Essa terra”, “Carta ao Bispo”, “Adeus, Velho”, “Balada da infância perdida”, “Um táxi para Viena d’Áustria”, “O centro de nossas desatenções”, “O cachorro e o lobo” (que recebeu o Prêmio Hors-Concours de Romance da União Brasileira de Escritores em 1998 e foi traduzido para o francês), “O circo no Brasil”, “Meninos, eu conto” (traduzido para o espanhol na Argentina, México, Uruguai), para o francês (no Canadá e na França), para o inglês (nos Estados Unidos) e ainda para o alemão e o búlgaro, além de ser incluído na antologia dos “100 melhores contos do século”, de Ítalo Moriconi, “Meu querido canibal”, “O nobre sequestrador”, “Pelo fundo da agulha” e “Minu, o gato azul”, uma delícia de livro infantil.

E o que espero que aconteça na ABL, em junho próximo, é o reconhecimento de que aos escritores de ofício se deve abrir o reino dos céus literários. Seria também o autorreconhecimento da Academia a um escritor por ela agraciado em 2000 com o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra.

Como a vaga em questão é a de Moacyr Scliar, não custa lembrar que Torres e Scliar se conheceram pessoalmente em 1985, num circuito de palestras pela Alemanha, sendo que foi numa viagem de trem de Colônia para Bielefeld que a amizade se consolidou. Segundo Torres, “fomos só nós dois no trem”. E acrescenta: “Já havíamos conversado em Frankfurt, mas foi tudo muito rápido. Depois daquela viagem para Bielefeld, ficamos amigos para sempre. No Brasil, costumávamos frequentar a casa um do outro entre o Rio e Porto Alegre. E o maior presente que ele me deixou foi seu artigo com o título “Meu querido Antônio Torres”, quando do lançamento do livro “Meu querido canibal”.

Bem. Desconhecedor dos rituais e cânones da Academia Brasileira de Letras, não sei se ao escrever este artigo estarei colaborando ou não para incrementar a candidatura de Torres à imortalidade, de vez que, se consultado fosse, meu amigo quase milenar Antônio Torres, por seu caráter e modéstia que beira a humildade, me impediria de fazer esta declaração pública de amizade e admiração por suas qualidades, tanto pessoais quanto literárias.

Que o Torres e, principalmente, os membros imortais da Academia me perdoem, mas em certas ocasiões calar seria, isso sim, inoportuno. Avante, imortais, façam justiça. Deem a Antônio Torres a cadeira de Moacyr Scliar que, certamente, onde quer que esteja, terá sua aprovação.

(1) Publicado em 29/04/11 pela “Max Press”. Juvenal Azevedo é jornalista e publicitário. Publicou entre outros muitos o artigo: “A revolução criativa no Brasil”, no Observatório da Imprensa em 16/11/2010 http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=616FDS011  

14 comentários:

Jonga Olivieri disse...

As coisas estão parecendo ir bem para o Torres.
Esperamos todos que se confirmem pois é um profissional querido entre os publicitários que o conheceram, trabalharam e conviveram com ele.

almagro disse...

Com o talento, conhecimento e o brilho dele, nem precisaria desejar "sorte", até por esta ser praticamente um anagrama de "Torres" e como conterrâneo do Scliar espero que ele tenha este substituto à altura.

Jonga Olivieri disse...

Esperamos que sim, caro Almir.

almagro disse...

Bom ver "comentários reativados", bons fluidos de (e para o) Torres.

Jonga Olivieri disse...

Sim, Almir, parece que tudo voltou ao normal. Da mesma forma que aconteceu, desaconteceu!

Anônimo disse...

Conheci o Antônio Torres antes de sair do Rio para trabalhar em outro estado e o achei um bom profissional. Tomara que ganhe.
Geraldo

Anita disse...

O artigo do Juvenal Azeredo é muito bom e abrange toda a trajetória do Torres como ficcionista. E nota-se que ele tem tudo pra chegar lá.

Jonga Olivieri disse...

A verdade é que só teem vindo apoios e votos de simpatia para o Antônio Torres.
Esperemos que os Imortais pensem assim... Esperemos que sim.

Anônimo disse...

Seria contudo inútil minha visita a esta página sem prestar homenagem a este que em breve envergará o Fardão da Academia com toda a sua pompa e glória.
José Carlos

Jonga Olivieri disse...

Tá vendo só, José Carlos!? Este é o seu nome... Ou será um pseudonimo de alguém familiar?
Mas como tens razão ao afirmar do "Fardão", deixa isto pra lá, e vamos em frente. Com Antônio Torres na cabeça!

Cantídio disse...

Creio não ser necessário dizer mais alguma coisa. Pelo jeito tudo já o foi!

Jonga Olivieri disse...

Mas sempre há um jeitinho novo de se flar, não é Cantídio?

Anônimo disse...

Grande garoto-Bom-Bril!
Luciana

Jonga Olivieri disse...

Concordo plenamente...