quinta-feira, junho 23, 2011

“Casos” que o Pedrosa contou – 3


Um “caso” cabeludo

Continuo esta série de casos contados por um dos maiores ícones da propaganda carioca, “cuíca” (1) brasileira. Como este da mensagem por e-mail abaixo:

“Alô, prezado Jonga,
Claro. Você está livre para, quando queira, à falta de melhor assunto, contar a história.
O que me lembra uma outra , mas essa não tem a ver com propaganda.
Uma vez, há não muito tempo, estava andando alí pela Rio Branco, quando ouvi uma voz tonitroante, quase na outra esquina, a berrar por alguém:
“Alcebíades... Ô Alcebiades! Alcebiiiiiades!”

Continuei andando, esperando que o gritador encontrasse a qualquer momento o cara por quem clamava.
Mas, por uns cem metros isso não aconteceu e notei que a voz estava cada vez mais próxima de mim.
“Alcebiades, ô Alcebiades, porra... Não tá me ouvindo não?”

E de repente, o dono da voz estava pendurado no meu pescoço, me abraçando. Era um cara com quem eu tinha jogado futsal no passado na quadra da ACM (2).

Só aí entendi o que acontecia. Naquela época, eu usava o cabelo comprido. Em função disso, como quase todo mundo tinha apelido, eu fiquei conhecido c omo The Beatle , e durante muitos anos o resto do time e a torcida me chamava assim: "passa a bola,The Beatle!”.

Um dia, eu finalmente cortei o cabelo, mas continuei sendo The Beatle. Quem entrou no time depois e não sabia da origem do apelido, e era esse o caso do gritador da Rio Branco, só ouvia aquilo: dibilte, dibite, dibibias, dibiades, até chegar de The Beatles a ...Alcebiades. Para ele, passou a ser o meu nome, e assim é até hoje, porque eu achei muito mais engraçado manter do que desfazer o equívoco.

Pra você ver que eu sou um alvo muito fácil nessa coisa de troca de nomes (3).”

(a) Carlos Pedrosa

As notas abaixo são minhas:
1. Como diz a piada de um político que queria dizer “quiçá do Brasil” e leu “cuíca do Brasil”.
2. Associação Cristã de Moços. Ali na Lapa. Um local muito usado para a prática de esportes para quem trabalhava na Cidade.
3. Ver o “caso” do nome errado, publicado aqui neste blogue em 27/04/11.

6 comentários:

Jonga Olivieri disse...

Daí os amigos não comentam aqui, mas mandam e-mails, telefonam, etc, etc... No entanto, acho-me no direito de transcrever aqui estas mensagens, pois afinal são um comentário do "caso".
Segue aqui o primeiro:

"Querido amigo e etermo dupla,
Vou ler com prazer.
Pedrosa foi o primeiro extra-terrestre que vi e falei na vida. Porque para um garoto que sonhava ser redator aquele cigarro pendurado no dedo com a cinza ameaçando cair e aquela fala mansa de poeta, era como encontrar um E.T. A mente paralisada e o coração saindo pela boca.
Passaram 25 anos e nunca vou esquecer a gentileza e o interesse dele por umas folhinhas de papel amarrotadas com linhas mal escritas na minha primeira máquina de escrever.
Para Pedrosa, apesar da artroscopia que fim há 3 dias, levanto e bato palmas, de pé.
Abraço forte,
Marcos Ferraz"

Jonga Olivieri disse...

Outro:

"Olivaire, o Marcos tem razão; o Pedrosa não é deste mundo. Eu já vinha intuindo algo assim
faz tempo, mas lendo o Marcos caiu a ficha; Pedrosa é um ser extra-terrestre e está em
boa companhia; Einstein também era. Abs Fred."

André Setaro disse...

"Cabeludo" é um eufemismo para caso tão particular e engraçado.

Jonga Olivieri disse...

Realmente...

Anita disse...

Casos do Pedrosa são sempre dignos de nota.

Jonga Olivieri disse...

Concordo com você, Anita!