quarta-feira, novembro 30, 2011

Bolsas, bolsinhas e Sacoletas...


Acima algumas sacolas que recebi numa mensagem de meu amigo Antônio Torres.
Valem a pena...

segunda-feira, novembro 28, 2011

Criatividade com simplicidade. Capítulo / Olivetto – Parte 2



A publicidade brasileira no final dos anos 1960 e início dos 70 despontou como uma das mais criativas do mundo. E quando digo “despontou” é porque até então, por exemplo, los Hermanos, aqui ao nosso lado tinham uma qualidade muito superior à nossa, tanto que havia uma grande quantidade de criativos argentinos em nossas agências nos ensinando o “caminho das pedras”. No meu caso quando comecei a fazer estágio  em propaganda (1964) havia o diretor de criação e um diretor de arte portenhos na equipe.
Antes de mais nada fundaram-se na ocasião agências nacionais de qualidade como por exemplo a DPZ (1), a Denison, a Norton e a JMM (2), num mercado até então dominado pelas multinacionais como a Thompson , a McCann e a Lintas. Surgiu tambem uma geração composta de redatores e diretores de arte do nível de Washington Olivetto, Neil Ferreira, Mauro Matos, Jarbas de Souza, Celso Japiassú, Carlos Pedrosa, Francesc Petit, somente para citar os que me vieram à cabeça (3) de imediato e não ficar aqui fazendo uma relação interminável.

Mas principalmente na mídia eletrônica o salto foi ainda maior. Lembro que quando entrei na McCann-Erickson o comentário geral dos gringos era de que precisávamos aprimorar a nossa produção neste particular. Em poucos anos demos um verdadeiro salto. Talvez fruto de nossa cultura multiracial (4), alcançamos em muito pouco tempo um patamar mais elevado.

Tanto que o comercial da Seagram com o garoto sorrindo (vídeo acima), foi criado em 1973. Computador nesta época? Nem pensar! Computadores eram aquelas máquinas esquisitas e enormes com rolos e cartões perfurados que serviam para outras finalidades que não fossem publicidade. As “trucas” eram na câmera (slow e fast motions) ou no retoque quadro a quadro.
A criação foi de Washington Olivetto, ainda nos seus tempos de DPZ. E este filme é um outro exemplo de “criatividade + simplicidade = genialidade”.

1. A DPZ, começou como um estúdio, quase uma butique de criação chamado “Metro 3”, já composto por Duailibi, Petit e Zaragoza.

2. A JMM que vêm a ser as iniciais de João Moacir de Medeiros, seu fundador, iniciou suas atividades em 1950 e foi uma das agências mais criativas do país. Criou campanhas inovadors e inesquecíveis para o Banco Nacional e também atendeu outra das maiores contas nacionais, a Lopes Sá, à época a principal concorrente da Souza Cruz no mercado de cigarros.

3. Fico até emocionado, quando me lembro dos profissionais que conheci e me ensinaram tanto, numa época em que um diretor de arte tinha muita coisa a aprender. Prometo a eles, os vivos e os mortos, que um dia vou fazer uma lista e publicar neste blogue...

4. Sempre defendo que isto é um fator que nos eleva, porque sou de uma geração em que havia um “racismo” oculto e hipócrita que afirmava o contrário. Outrossim, neste mesmo período surgiram intelectuais tupiniquins a defender esta miscigenação como o Dr. Antônio da Silva Melo que publicou –entre outros o livro– “A superioridade do homem tropical” (1967) ou Celso Furtado, economista e um dos destacados pensadores brasileiros do século 20.

sábado, novembro 26, 2011

Vamos falar um pouco mais de simplicidade e criatividade. Que tal Olivetto?



Conta a lenda que Washington Olivetto estava jantando em Nova Iorque quando escutou a música “I Had the Craziest Dream” interpretada por Sinatra e, de imediato lhe surgiu a ideia de criar um filme para Chocolates Garoto, este mesmo que está aí em cima.

Não sou eu quem diz, mas concordo em pleno que este filme, realizado em 1995, é um dos mais criativos que já foram concebidos no Brasil, a começar pelo seu título “Garoto apresenta garotos” e a finalizar com a frase “Bonbons Garoto. Estes bonbons ainda vão ajudar você a realizar os seus sonhos”.
E como toda obra criativa, extremamente simples em seu conceito. Algo que quem assiste não precisa fazer ginástica cerebral para captar. Algo que qualquer “garoto” entende... Ou que qualquer “garota” há de compreender... Ou apenas "fingir" que não gostou. Simplesmente porque qualquer um de nós certamente já passou por uma situação como essas.

Comparativamente, este filme é mesmo uma versão masculina do filme da Valisère, aquele do primeiro sutiã (1), também da W/Brasil, que aborda a descoberta do sexo na préadolescência com uma bem dosada pitada humor e leveza. São ambas, pura emoção!

Continuo batendo nesta tecla porque sinto que nos dias em que vivemos está havendo uma distorção do que seja “criativo” através de uma supervalorização da técnica. Sei tambem que jovens publicitários lêm este blogue, e estes comentários podem lhes ser úteis. E, apesar de achar que “conselho é pura besteira”, apenas quero lembrar que toda grande ideia é simples.
Todo grande filme tem que partir de uma boa ideia (insisto nisto), que esta tem que estar amarrada a um bom conceito e em alcançar o seu target. Apenas isso! E isso tudo é muito... Muito simples!

1. Se quiser assistir esta verdadeira poesia, clique no link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=JlIAtOVY4qo

domingo, novembro 20, 2011

Um encontro regado a chope e gibis

Almir Gomes e eu num bar na Avenida Atlântica

A tarde deste domingo foi muito agradável! Após quase dois anos de contato virtual, finalmente conheci pessoalmente Almir Gomes, parceiro neste blogue e autor do Puracatapora, o seu blogue (que está marcado aí ao lado em Links)...

Foi um encontro breve, mas o fato de podermos bater um bom papo téte-a-téte regado a chopes foi muito bom. E, para alem disto, ele me trouxe alguns “gibis” do Fantasma – antigos e raros–, os quais tinha fissura para incluir em minha coleção...

Almir veio ao Rio de Janeiro para participar do Encontro MPM Lovers – 2011, realizado na véspera. Valeu Almir! E assim que puder, mande mais uns “casos” para este blogue. Serão sempre benvindos!

Ao lado detalhe da camiseta do Encontro MPM Lovers
(para ampliar, clique na foto) 

quinta-feira, novembro 17, 2011

A sempre polêmica United Colors of Benetton

Papa Bento 16 dá um beijo em Ahmed Mohamed el Tayeb, imã da mesquita de Al Azhar

Barack Obama, presidente estadunidense, e Hugo Chávez, presidente da Venezuela


Lembra quando a Benetton criou aquelas campanhas com fotos chocantes de aidéticos? Pois bem, agora, voltando à velha forma, atacam com chefes de governo ou religiosos antagônicos se beijando. Outra campanha genial... Esta mais bem humorada!

Mas o grupo Benetton e seu fotógrafo Oliviero Toscani já haviam se tornado célebres por algumas fotos provocadoras e tambem bem humoradas nos anos 90, entre elas a de uma irmã de caridade sedutora, que se apresenta vestida num hábito branco beijando um jovem padre de batina preta.

A criação é da Fabrica, fundada em 1993 em Treviso, Itália, por Oliviero Toscani e Luciano Benetton.

domingo, novembro 13, 2011

A legítima* criatividade



Houve um tempo, há longo tempo atrás, em que a criatividade era o mais importante em publicidade.

Nesta época as verbas eram pequenas e os filmes (filmes mesmo) eram caros para produzir. Daí, a ideia, que até hoje deveria ser o mais importante, era o que pesava numa peça publicitária, fosse na mídia impressa ou audiovisual.

Atualmente, com as facilidades da computação, a técnica, sobrepõe a ideia. Mas é claro que existem exceções que devem ser destacadas. Uma delas é a campanha das Havaianas. Como a do filme acima... Vale a pena conferir!

Em tempo: a campanha é da ALMAP-BBDO.

(*) Legítima, no caso é uma homenagem ao velho slogan das Havaianas "as legítimas"...

sexta-feira, novembro 11, 2011

Zuindo de genial


Conheci poucos profissionais como o Jackson Drummond Zuim. Tenho alguns casos contados neste blogue sobre este criativíssimo redator mineiro. Como por exemplo: “O ‘caso’ do Barão”, postado em agosto de 2006 ou “O ‘caso’ do clube etílico”, este em março de 2007. Mas, para além desses e de um ou outro que eu tenha esquecido de relacionar aqui, ele é citado em diversas historinhas aqui transcritas.
Republico este, postado em novembro de 2008, devido à saudade provocada pela sua morte recente.

Com o Zuim, participei do Clube de Criação de Minas, e, apesar de levarmos nossos cargos muito a sério, nos divertimos às pamparras. Pelo menos bebemos muitas... ou “todas”, isso posso garantir. Aliás, quando me indicaram para ser presidente daquele clube, topei, mas com a condição da formação de um triunvirato em que os presidentes eram, além de mim, o Zuim e o Marcos Vinícius, um RTVC de Goiás, que logo voltou para sua terra natal, nos deixando em dueto.

Como não tínhamos sede própria, a diretoria se reunia invariavelmente nos bares da vida. Nossos companheiros mais freqüentes eram o Jener e o Orlandinho. Mas vez por outra apareciam outros, como o Tonico ‘Mercador’, o Pedro, o Wanderley ou o Luis Márcio. Olha, varávamos as noites, e, claro, as reuniões começavam muito bem, mas depois de uma certa hora era um pileque só.

A última vez que o encontrei nos cruzamos na Savassi. Foi em 2000, quando eu trabalhava em Beagá. Paramos e ficamos a conversar por mais de meia hora. Ele com aquele vozeirão (um tremendo dum baixo) e sempre chamando a gente de “barão”... Um amigo nosso o apelidou de “o açougueiro da propaganda”. Mas o mais engraçado é que o cara com o seu jeitão de “Fred Flintstone” é um poeta sensível, que se defende por trás de uma aparência rude. Tanto que montou uma agência de publicidade e a batizou de Sabiá.

Recentemente soube por amigos que o Zuim está adoentado. Por isso publico aqui esta homenagem a ele. E aproveito para finalizar este artigo transcrevendo abaixo um poeminha de sua autoria, que li no “Pastelzinho”, o blogue do Maurilo (link ao lado), outro redator mineiro que conheci em época mais recente... mas, apesar disso é uma sujeito decente. E talentoso.

Poeminha Abstêmio

Depois que parei de beber
Minha vida mudou
Do vinho para a água

Jackson Drummond Zuim