segunda-feira, novembro 28, 2011

Criatividade com simplicidade. Capítulo / Olivetto – Parte 2



A publicidade brasileira no final dos anos 1960 e início dos 70 despontou como uma das mais criativas do mundo. E quando digo “despontou” é porque até então, por exemplo, los Hermanos, aqui ao nosso lado tinham uma qualidade muito superior à nossa, tanto que havia uma grande quantidade de criativos argentinos em nossas agências nos ensinando o “caminho das pedras”. No meu caso quando comecei a fazer estágio  em propaganda (1964) havia o diretor de criação e um diretor de arte portenhos na equipe.
Antes de mais nada fundaram-se na ocasião agências nacionais de qualidade como por exemplo a DPZ (1), a Denison, a Norton e a JMM (2), num mercado até então dominado pelas multinacionais como a Thompson , a McCann e a Lintas. Surgiu tambem uma geração composta de redatores e diretores de arte do nível de Washington Olivetto, Neil Ferreira, Mauro Matos, Jarbas de Souza, Celso Japiassú, Carlos Pedrosa, Francesc Petit, somente para citar os que me vieram à cabeça (3) de imediato e não ficar aqui fazendo uma relação interminável.

Mas principalmente na mídia eletrônica o salto foi ainda maior. Lembro que quando entrei na McCann-Erickson o comentário geral dos gringos era de que precisávamos aprimorar a nossa produção neste particular. Em poucos anos demos um verdadeiro salto. Talvez fruto de nossa cultura multiracial (4), alcançamos em muito pouco tempo um patamar mais elevado.

Tanto que o comercial da Seagram com o garoto sorrindo (vídeo acima), foi criado em 1973. Computador nesta época? Nem pensar! Computadores eram aquelas máquinas esquisitas e enormes com rolos e cartões perfurados que serviam para outras finalidades que não fossem publicidade. As “trucas” eram na câmera (slow e fast motions) ou no retoque quadro a quadro.
A criação foi de Washington Olivetto, ainda nos seus tempos de DPZ. E este filme é um outro exemplo de “criatividade + simplicidade = genialidade”.

1. A DPZ, começou como um estúdio, quase uma butique de criação chamado “Metro 3”, já composto por Duailibi, Petit e Zaragoza.

2. A JMM que vêm a ser as iniciais de João Moacir de Medeiros, seu fundador, iniciou suas atividades em 1950 e foi uma das agências mais criativas do país. Criou campanhas inovadors e inesquecíveis para o Banco Nacional e também atendeu outra das maiores contas nacionais, a Lopes Sá, à época a principal concorrente da Souza Cruz no mercado de cigarros.

3. Fico até emocionado, quando me lembro dos profissionais que conheci e me ensinaram tanto, numa época em que um diretor de arte tinha muita coisa a aprender. Prometo a eles, os vivos e os mortos, que um dia vou fazer uma lista e publicar neste blogue...

4. Sempre defendo que isto é um fator que nos eleva, porque sou de uma geração em que havia um “racismo” oculto e hipócrita que afirmava o contrário. Outrossim, neste mesmo período surgiram intelectuais tupiniquins a defender esta miscigenação como o Dr. Antônio da Silva Melo que publicou –entre outros o livro– “A superioridade do homem tropical” (1967) ou Celso Furtado, economista e um dos destacados pensadores brasileiros do século 20.

8 comentários:

Anônimo disse...

Olivetto é o melhor profissionsl de criação que conheço. Infelizmente não pessoalmente.
Você está de parabéns por estar fazendo o segundo post sobre os seus trabalhos.
Espero que publique mais!

Selma

Jonga Olivieri disse...

Claro que vou Selma, muito embora tenha outros que merecem o reconhecimento tambem!

almagro disse...

Tocando em frente, velho Jonga, é isso aí! A Lopes Sá fabricava o LS, entre outros e incomodou bastante os gringos da British American Tobbacco (S.Cruz), q depois foi "tragando" - descurpa o trocadalho, inevitável - os rivais "nacionais" (Tabac. Londres, Sabrati, Sudan etc.) mas, olha só, acho q o assunto central do teu post nem é esse, viajei na fumaceira, a propósito, bom post, nessa época, o Manga já mexia com comerciais ou só cinema, mesmo?

Fernanda Ramos disse...

Conheçam meus blogs:

"Sobre Todas as Coisas", um "Tratado sobre a Experiência Humana em Realismo Fantástico" http://inadvertidamente.blogspot.com/

"Tessituras de Penélope" - de moda e decoração http://tessiturasdepenelope.blogspot.com/

"Inventário de Flores Urbanas - fotos de flores http://inventariodefloresurbanas.blogspot.com/

Jonga Olivieri disse...

O enfoque, embora não seja bem este, deve ser abordado assim tambem!
Afinal a 'British American Tobbacco' fez uma limpa e sobraram mesmo as multinacionais a 'Philip Morris' e a 'Reynalds', porque tinha a mesma "força (e identidade) que ela.
Quanto ao Manga... Lembro de ter trabalhado com ele lá pelos 1980. Mas talvez antes disso ele já estivesse na área, pois desde o fim das "chanchadas" o Manga esteve envolvido com as emissoras de TV.

Jonga Olivieri disse...

Ok, Fernanda, vou vê-los... Com imenso prazer!

Anônimo disse...

MA-RA-VI-LHA!
Mayra

Jonga Olivieri disse...

Só estar entre os "100 melhores comerciais de todos os tempos" diz tudo!