quarta-feira, dezembro 21, 2011

Anos dourados



Uma rica seleção de comerciais memoráveis do passado heróico da publicidade brasileira. A recordação de uma época um tanto quanto ingênua, de descobertas na comunicação... De novos caminhos.
Assim pode se resumir esta reunião de mais de 10 filmes que encheram as nossas telinhas de TV ainda em preto e branco, ou nos primórdios da televisão a cores.

Odd, o inesquecível jingle de Nescau... “Tem gosto de festa, dá mais vontade de...”, as Gotinhas da Esso, cuja personagem feminina foi criada aqui no Brasil por José Mello, um euro oriental de Macau (que eu tive a honra de conhecer) e que foi para o Canadá e depois Los Angeles onde se estabeleceu nos estúdios de Hanna & Barbera.
Aqui tambem o comercial da Esquire, do nosso saudoso Fernando Barbosa Lima para a companhia aérea Cruzeiro do Sul, no filme que tem como personagem central um guarda de Salvador (Bahia) que havia ficado famoso pelas piruetas e trejeitos no trânsito, entremeado de belos cenários do Brasil.

Mas chegamos à famosa criação de Paulo Cezar (Paulinho) Costa para o Banco Nacional na música natalina mais famosa da história da comunicação brasileira.
  
E o tambem inesquecível filme da Orloff “... Eu... Sou você amanhã!”? Ou o Tender da Sadia, seguido do japonês da Varig... Varig... Varig; e do famoso e inovador lançamento do BarraShopping com as "Frenéticas", criação do prematuramente desaparecido Rogério Steinberg para um shopping que inovou na forma de comunicar! Aliás, no que Rogério não inovou com sua genialidade?
Para finalizar um comercial belíssimo do Itaú e um imperdível da Coca-Cola!

Neste fim de ano, vamos ficar com as recordações e o recall desses comerciais que são parte da memória viva de nossa propaganda!
Saravá!

19 comentários:

Anita disse...

Acabei de receber o seu comunicado sobre esta postagem, vim e A-DO-REI ver que já se fazia uma boa publicidade neste país antes mesmo dos anos '90.
E tudo com "simplicidade" de idéias como a do tal guarda de trânsito de Salvador. Que coisa sugestiva!
E quase todos são geniais. O das "Frenéticas" que o diga!

Jonga Olivieri disse...

Antes mesmo dos anos 1990 é que se fazia o melhor mesmo, Anita!
Não havia recursos técnicos como hoje em dia. As verbas não permitiam (muitas das vezes) altos voos e mesmo assim se produziam verdadeiros "milagres".
No caso deste "rolo" de fimes a maioria até é de produções que tiveram algum custo, mas, via de regra não são super produções.
Valem por sua ideias, porque esta profissão vive, no mais profundo do seu "eu", apenas BOAS IDEIAS!
E aí está o "diferencial"...

Anônimo disse...

barbaro !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! / bjssss

Betinha

Jonga Olivieri disse...

Valeu... Elizabeth!

André Setaro disse...

Os comerciais de tempos idos não possuíam, bem sei, a técnica dos feitos atualmente, mas, talvez por ignorância, apreciava mais a ingenuidade, a simplicidade, a graça e a ausência da imposição tão frequente nos dias que correm para o suplício dos consumidores, que, por incrível que pareça, são os verdadeiros sofredores dessa sociedade em que o lucro é a palavra de ordem e o mercado o Deus solene. Os comerciais me fizeram recordar meus tempos idos e vividos, quando a vida era menos insolente e mais tranquila.

O mais que tenho a dizer é que você deu um belo presente de Natal aos seus leitores. Parabéns! E Próspero Ano Novo, como se dizia em eras priscas.

Jonga Olivieri disse...

Sem dúvida nenhuma, caro Professor Setaro, e, usando suas palavras, a publicidade do "pretérito" era menos sofisticada do ponto de vista tecnológico.
Havia os efeitos de mesa em VT, mas eram mal vistos por nós profissionais... Geralmente utilizados por quem não tinha ideia e precisava "apelar".
Mas, continua assim. Quando se tem uma "ideia na cabeça e uma camera na mão" --como bem o disse Glauber--, pode-se dizer e/ou transmitir o que se quiser!

Anônimo disse...

Bacana, querido Jonga.

Marcos Ferraz

Enviado de meu celular

Jonga Olivieri disse...

Obrigado Marquinhos... A escolha foi difícil, mas creio que de todas as retrospectivas esta era a melhor, Por isso mesmo a publiquei...

Falar nisso quero publicar alguns de seus simples e geniais filmes. Como é que faço?

Anônimo disse...

D+

Jonga Olivieri disse...

Sem dúvida... Um "rolo" excepcional! Todos os filmes são excelentes e têm 'recall'!

Jonga Olivieri disse...

Carlos Alberto do Carmo, o Carlão, mandou este comentário por e-mail, que eu publico aqui, simplesmente porque ele merece e é um dos profissionais que mais respeito no cenário da publicidade brasileira:

“Uma curiosidade. Em 1961 eu estava começando minha vida profissional e estava na MCann
como contato da Nestlé e tinha Nescau entre meus produtos. Tínhamos pronta uma campanha para o lançamento do Novo Nescau. O tema era “Gostoso como uma tarde no circo” . Era um material bonito e alegre como um tema como esse pode proporcionar e Agência e Cliente estavam animadíssimos com a qualidade do material criado e já produzido. Deu-se a tragédia! O incendio do Grande Circo Norte Americano ocorrido em dezembro de 1961 em Niterói com centenas de mortes. Naturalmente o lançamento foi adiado a campanha foi para o lixo e surgiu então novo tema mostrado em seu blog. Parabens pelo Blog e abs.”

Jonga Olivieri disse...

Carlos Alberto do Carmo sempre enriqueceu qualquer papo!
Com experiências e histórias de um sábio da propaganda!

Anônimo disse...

Eu chorei quando revi o da Cruzeiro!
Sérgio

Jonga Olivieri disse...

É lindo. Aliás, a grande maioria deste "rolo" o são!

Jonga Olivieri disse...

Pior eu, Almir, que nem me lembro do apelido do guarda... Feliz natal!

Anônimo disse...

Meu caro Jonga,
Não sou muito ligado a publicidade.
Mas reconheço (e vivo, no dia-a-dia) a sua importância social, além do seu ilimitado grau de inventividade, embora desperdiçado pelo fetiche do lucro... um desvio de origem da sua função primordial. É a criação sujando-se de impurezas motivadoras.
Li recentemente o catatau ‘Passagens’, de Walter Benjamin, uma análise do capital mercantil na Europa/Paris do século XIX com moda/Baudelaire/os templos do consumo, etc. Sinto em Benjamin um avanço considerável no determinismo marxistas de então. Algo que ele já considerava um “marxismo vulgar”. [ A montagem de Eisenstein me parece que influencia sua filosofia histórica: os fragmentos justapõem-se ao todo – um recurso dialético].
Necessitamos dar saltos qualitativos para a compreensão da Real-Idade. Uma dívida do pensamento. E onde ficam os afetos???
Caminhamos por ciclos: a ciência avança sem linearidade. A trancos e barrancos. Com direito a imprevistos. E surpresas (que bom!).
A percepção nossa do Real é precária: pisamos em ovos na impermanência de todos os fenômenos.
A vacuidade é um fato. De fato.
Mas... aquele abraço do amigo
José Umberto

Jonga Olivieri disse...

Meu caríssimo José Umberto Dias. Você sempre acrescentando em seus ricos comentários catedráticos...
Realmente a publicidade está ligada ao sistema de forma atávica. Mas, curiosamente, quando comecei na profissão havia uma quantidade de intelectuais (de esquerda) ligados ao 'metiér'.
Claro que isto dissipou-se com o passar dos anos e a alienação da sociedade como um todo quando o carreirismo deslavado substituiu certos sonhos oriundos da juventude do pretérito!

Anônimo disse...

Só agora pude ver os excelentes comerciais dos anos dourados. Acho que a criatividade foi se esgotando ao longo do tempo, pois raramente se vê um comercial interessante do qual possamos nos lembrar. Também há menos interesse das pessoas nesse tipo de propaganda, na verdade penso que tudo já foi mais interessante.

Ana

Jonga Olivieri disse...

Olha, Ana, existem alguns comerciais bons até hoje.
A questão básica está sempre na ideia, e, principalmente no fato de que ela seja simples.
O simples não deixa margem a dúvidas.
O problema é que essa "turminha" que anda por aí (nas agências), pensa complicado e de trás para a frente.
Começam pelos efeitos,pelas "trucagens", hoje à distância de um dedinho no computador.
Aí vem o desastre: filmes sem ideia alguma e cheios de presopopéias.
Mas têm comerciais como o da Mariana Ximenes --e outros das Havaianas, por exemplo-- que brilham por ter uma inspiraçãozinha por trás deles.