sábado, dezembro 10, 2011

Criatividade com simplicidade. Capítulo / Olivetto – Parte 3



Vamos continuar a dar exemplos de que “criatividade + simplicidade = genialidade”, no meu ponto de vista um fator que tem que estar na cabeça de todo criativo! E mais uma vez exemplificando com um comercial de Washington Olivetto, que considero (e não apenas eu), o maior de todos os profissionais de criação de todos os tempos no Brasil.

O comercial acima é uma das peças publicitárias mais criativas e “chocantes” a que assisti ao longo de minha vida. Reproduzo a seguir um trecho do texto de Renata Mancini, Mariana Trotta e Silvia Maria de Souza da Universidade Federal Fluminense em “Análise semiótica da propaganda Hitler, da Folha de São Paulo”.

“ (...) Hitler (Brasil, 1987), premiado comercial ... (1) chama atenção pelo o que de início não diz, nem mostra. Com isso, a peça publicitária obriga um ansioso e apressado enunciatário a parar durante um minuto à espera do grande final. E ele de fato acontece. Um zoom out faz com que o ponto negro se abra em vários outros, acompanhado por uma marcação de tambor e a progressão da narrativa que acrescenta: “este homem fez o produto interno crescer(...)” “este homem adorava música e pintura (...)”. Rufam tambores e o zoom out se acelera. Um rosto é revelado. O mistério se desfaz em perplexidade: é Hitler!...”

1. Aqui as meninas diziam: "(...) premiado comercial dos diretores Washington Olivetto e Gabriel Zellmeinsteir...), mas na realidade este filme é de Washington Olivetto e Nizan Guanaes...

NOTA: Os filmes Hitler (1987), para a Folha de São Paulo e O Primeiro Sutiã (1988), para a Valisère, são os únicos comerciais brasileiros a constarem na Lista Mundial dos "100 melhores Comerciais de Todos os Tempos".

8 comentários:

Anita disse...

Este é realmente o melhor. Até pela simplicidade!

Jonga Olivieri disse...

'The best', Anita "Ximenes"...

Anônimo disse...

Não sou muito ligado a publicidade.
Mas reconheço (e vivo, no dia-a-dia) a sua importância social, além do seu ilimitado grau de inventividade, embora desperdiçado pelo fetiche do lucro... um desvio de origem da sua função primordial. É a criação sujando-se de impurezas motivadoras.
Li recentemente o catatau Passagens, de Walter Benjamin, uma análise do capital mercantil na Europa/Paris do século XIX com moda/Baudelaire/os templos do consumo, etc. Sinto em Benjamin um avanço considerável no determinismo marxistas de então. Algo que ele já considerava um “marxismo vulgar”. [ A montagem de Eisenstein me parece que influencia sua filosofia histórica: os fragmentos justapõem-se ao todo – um recurso dialético].
Necessitamos dar saltos qualitativos para a compreensão da Real-Idade. Uma dívida do pensamento. E onde ficam os afetos???
Caminhamos por ciclos: a ciência avança sem linearidade. A trancos e barrancos. Com direito a imprevistos. E surpresas (que bom!).
A percepção nossa do Real é precária: pisamos em ovos na impermanência de todos os fenômenos.
A vacuidade é um fato. De fato.
Mas... aquele abraço do amigo

Jonga Olivieri disse...

Zé Umbertp, você é muito culto, um puta dum diretor de cinema e intelectual nessa "Bahia velha de guerra".
Eu, como ex publicitário (mas sempre Marxista) publiquei o seu comentário porque você merece esta consideração...

Cantídio disse...

Indubtavelmente um "senhor" comercial!

almagro disse...

+ 1 bela escolha como exemplo de simplicidade impactante, c/criatividade, pbéns, Jonga, mas creio faltar, na autoria, o crédito a um conterrâneo teu, de sobrenome Guanaes, eheh, desculpando o pitaco, que serve pra realçar a vocação dos baianos p/o talento.

Jonga Olivieri disse...

Até lhe pedi, Almir, para mandar a ficha técnica. Ainda (e sempre) pé tempo de corrigir erros e esquecimentos.

Jonga Olivieri disse...

Concordo Cantídio. Este quem viu jamais esquece!