terça-feira, dezembro 13, 2011

Fumantes de todo o mundo, uni-vos!

O primeiro passo para uma campanha
Faz algum tempo postei no FaceBook a imagem acima (apenas virtual) elaborada no Photoshop. Foi o resultado de uma primeira experiência que fiz no tocante a uma campanha anti/anti/tabagista (1). Mas afinal, o que é o anti/anti/tabagismo?
Na verdade, essa história começa muito antigamente! Pra se ter uma ideia do quanto, quando eu nasci ela já existia! E para nós publicitários, remonta aos tempos dos “Afiches” e dos “Reclames”... Algo como “do tempo em que os bichos falavam” ou melhor, “do tempo em que os homens fumavam”.
E até por falar em “quando eu nasci...”, alguem aí se lembra do Humphrey Bogart? E do James Dean? Ou da Ava Gardner? Do tal cigarrinho pendurado no canto da boca! Pois bem, será que algum publicitário e/ou profissional de marketing vai acreditar que não havia um “mershan” por detrás de tudo isso?
Jean-Paul Belmondo
Quando eu estava lá pelos 13 anos, você fazia bonito com uma “pequena” se fumasse! Aquela pose ensaiada em frente ao espelho do banheiro só para chegar nos “hi-fis”, “festinhas” ou “arrastas”, pedir a uma garota para dançar com um cigarro bem ali, num dos cantinhos dos lábios... Como Elvis, Randolph Scott ou outro dos heróis do imaginário da época, era “charmosíssimo”!
Isto fazia parte do “ritual da conquista”. Outra coisa, no colégio se você não fumasse, era simplesmente um “sujeitinho meio por fora!”
Os fabricantes de cigarros eram as maiores contas publicitárias quando comecei a trabalher em propaganda. A Souza Cruz - leia-se BAT (2) – ou a Lopes Sá, eram os carros chefes de grandes verbas veiculadas na mídia. Quando vim a atender a Philip Morris em 1976, senti-me um criativo verdadeiramente completo pela primeira vez na vida. Na L&M atendíamos as marcas Shelton e Havaí, que estavam ali, na ponta, disputando com Minister, Hollywood ou Continental, os maiores concorrentes e líderes em vendas. Depois, na Salles passei a criar para outras marcas, entre elas Continental e Minister (3).
Havia uma propaganda massiva para consumirmos aqueles produtos e grande parte dos "carérrimos segundinhos" de comerciais em TV eram ocupados pelos tabacos. Era bonito fumar. Era “chique” estar com um cigarrinho a tiracolo e os bares eram impregnados de fumaça, nicotina e alcatrão. E ninguem reclamava disso!

Vamos pular algumas décadas e chegarmos aos dias de hoje. De “bonito” o hábito tornou-se “feio” e condenado por todas as doenças que Henry Ford e seu “Modelo T” deixaram neste mundo. O danado do cigarro, transformou-se numa verdadeira “praga”... O “único responsável pelas desgraças da humanidade”.
Mas o pior de tudo é que esta iniciativa gerou o comportamento fascista de alguns “anti tabagistas fundamentalistas”, que simplesmente abanam o nariz em sinal de repulsa ou viram a cara para um “cara” qualquer a fumar tranquilamente o seu cigarrinho nas ruas de uma cidade tambem qualquer... Surgiu toda uma “cultura inquisitiva” que passou a classificar os indivíduos de fumantes “ativos” ou “passivos” e a mandá-los arder à fogueira. Eu hein! Hoje estou empenhado em lutar por uma causa: a de me unir à luta de todas as vitimas deste comportamento e defendê-las em sua dignidade enquanto seres humanos...
Acontece que em 1981 eu havia deixado o cigarro. Para não me alongar em detalhes, passei a fumar cachimbo, coisa que faço até hoje; No entanto, nos últimos meses voltei a fumar cigarro (mesmo sem tragar) somente para exibir e espalhar a campanha que mostro aqui.
Se você é fumante, tem que se conscientizar do direito de fumar e lutar pela sua dignidade. Copie, cole e imprima esta última imagem. Ela está em tamanho natural. Ou seja, você pode recortá-la e colar no maço de cigarros em cima daquela horrível publicidade que seus algozes lhe impõem.
Por isso considero esta campanha de utilidade pública. Usem e espalhem este slogan entre os seus amigos que fumam. Afinal é chegada a hora de bradar aos quatro ventos: “fumantes de todo o mundo, uni-vos!"

1. Como ainda não compreendi o todo das novas normas do “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa faço alguma confusão com os hífens. Por isso mesmo coloquei desta forma...
 2. BAT eram as iniciais de “British American Tobaccos”, a maior fabricante de cigarros daquele tempo.
 3. Existe neste blogue o “Caso” do homem Minister, publicado em outubro de 2007: http://jongaoliva.blogspot.com/2007/10/o-caso-do-homem-minister.html

24 comentários:

André Setaro disse...

Sua campanha a favor da liberdade de se fumar deveria ganhar um prêmio. Poucas as pessoas com a sua coragem de enfrentar o estabelecido, a reinante lavagem cerebral que implantou ojeriza aos cigarros e aqueles que fumam. Sei dos malefícios causados pelo ato de fumar. Tenho consciência disso. Mas como também faço campanha contra a lei fascista que proíbe o fumo, na verdade o que defendo é a liberdade do homem de fazer o que quiser. A lei em vigor gera preconceitos e humilha e constrange os fumantes. Ontem (as humilhações são diárias), por exemplo, sentado num banco de cimento enorme que existe na faculdade, na outra ponta uma senhora, também sentada, ao me ver fumar levantou-se com fúria e me olhou de esguelha e de soslaio. Vi estampada o nojo na sua face.

E veja você: quem me deu a minha primeira carteira de cigarros foi Leleca (sua tia). Ela, apesar de ter apenas um pulmão (o outro foi secado por causa da tuberculose_ fumava sem parar o extraordinário Continental sem filtro, com o qual também comecei a minha exitosa carreira de fumante. Estou num processo de ataque à lei, agindo em desobediência civil.

Jonga Olivieri disse...

Não só concordo, como (disse isso na postagem) voltei a levar cigarros comigo por causa desta campanha.
O exemplo de seu comentário é tipico e revela o lado fasciostóide no comportamento dessas mal comidas criaturas, como eram as Lacerdistas tambem conhecidas como “viúvas do Lacerda”...
Mas tem mais, caro primo, estou fazendo uma arte para camiseta. Daí é só levar nunma gráfica rápida e imprimir. Não sai caro. E é uma senhora propaganda!

buchecha disse...

Me parece prosaico, dois grandes cérebros pregando disfarçadamente o suícídio. Limitar o debate a questões de ordem meramente políticas, não convém a pessoas diferenciadas como vocês (Jonga, Setaro). Vamos aprofundar, meu pai morreu fumando, mas estou disposto a ser convencido, façam mais força.

Jonga Olivieri disse...

Caro amigo "Buchecha". Agradeço, antes de mais nada a sua preocupação com a minha (nossa) saúde!
Quanto ao aspecto político, ele é extremamente importante. Muito mais do que possa parecer. Por que? Porque passamos por um período obscuro da história da humanidade em que o “pensamento único” tem sido determinante no tocante ao “comportamental” de certos círculos da sociedade.
Meu empenho é contra atitudes como aquelas que o Professor Setaro brilhantemente exemplificou, quando disse: “(...) sentado num banco de cimento enorme que existe na faculdade, na outra ponta uma senhora, também sentada, ao me ver fumar levantou-se com fúria e me olhou de esguelha e de soslaio. Vi estampada o nojo na sua face...”
Isso é fundamantal para que possamos compreender onde estão as bases de um novo --e perigoso-- traço social que nos ameaça a todos!

ANGELA PIETROBON disse...

Bom dia Jonga querido.. Adorei.. Eu morava em Brasilia la nos idos da decada de 60, e decidi fumar, justamente porque 'era bonito'.. Batalhei muito, sofri, tossi, enjoei, comi muito perfume e pasta de dentes pra disfarçar o halito em casa.. Consegui!! Fumei muito por mais de 30 anos.. Hoje não fumo mais, mas permito a todos os que fumam, que usem o seu direito.. Não vem ao caso o q acho do vicio do tabaco.. Só o que cabe aqui é isso.. Pra vc beijoca grande..

LICIA disse...

Sou fumante e sempre achei que como cidadã tenho direito de ver a minha liberdade individual respeitada. No minimo, o que vejo hoje é que essas campanhas anti-tabaco é uma verdadeira perseguição. Já passei da idade de me dizerem o que fazer ou deixarem que escolham por mim. Estou aderindo à sua campanha Jonga, pelo direito de fazer o exercicio da minha liberdade. Isso tudo me fez lembrar do meu querido poeta bolchevique:
"Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada."
(Vladimir Maiakóvski)

almagro disse...

Deves lembrar, final dos anos 70, meio a volta de exilados, anistia etc. Glauber cunhou a expressão "patrulha ideológica" q quem viveu a época sabe bem o q significava, hj diria q vivemos a "patrulha biológica/ecológica e até outras 'ógicas'". Detestável isso, tanto quanto deve ser a fumaça para o não-fumante. Sou do tempo em q era possível comprar cigarros em farmácia(!) e logo q cheguei ao RJ, anos 70, fumava-se em ônibus. Não q concorde com isto, meu acordo mesmo é pro teu texto, é isso aí. O Bogart não tem como não lembrar e a Rita Hayworth? (ou estarei enganado sobre uma "Gilda" não-fumante?), eh, eh

Jonga Olivieri disse...

Angelita, você sumida... Apareceu!
Mas tambem acho isso. Aliás, por causa da Vi sendo discriminada nos locais por causa do fumo, fiquei tão "pê" da vida que resolvi voltar a fumar, criar este 'slogan', o visual e começar a campanha.
Mas, você não sabe da maior: hoje mesmo immprimi a camiseta e saí por aí (vou postar assim que possa a foto) e as reações foram, em sua maioria positivas!!!

Jonga Olivieri disse...

Legal Licia. Você já pode imprimir o adesivo do maço (está na postagem de hoje)... E amanhã vou publicar o da camiseta a sobcom a minha foto e narrativa sobre minha primeira caminhada (sozinho) pelas ruas do centro e publico a imagem no formato original para imprimir na camiseta...
Quanto ao nosso querido Maiakovsky, suicidado por Stalin, mas que se definia como "uma usina soviética de fabricar felicidade" era mesmo um camarada exemplar!

Jonga Olivieri disse...

Ai, cacilda... Almir! Errei e coloquei a Rita, mas juro que não sabia que ela não era fumante! Em tempo vou corrigir, mas ia postar Lauren Bacall e me lembrei que ela era a 'mulé' do outro (o Humphrey)...

Mas aguarde porque amanhã tem mais!!!

Joelma disse...

Deixei de fumar naquele boom dos anos 90. Fiz uma aposta com uma amiga e ganhei.
Mas não me considero dessas ex-fumantes chatas. Acho que todo mundo tem direito de fazer oq ue quer.

Jonga Olivieri disse...

Gostei "daquele boom dos anos 90" (sic)

Cantídio disse...

Nem me lembro quando deixei de fumar! Mas que era gostoso, lá isso era! O chope ficava mais saboroso!

Jonga Olivieri disse...

Sabe por que?
Descobri agora que voltei a fumar cigarro (embora não trague) que ele é salgado. E sei disso porque após décadas fumando cachimbo, comprovei que os tabacos são adocicados.
Daí chamar o chopp ou qualquer bebida.

Anônimo disse...

Só hoje pude ler este seu artigo. Excelente por sinal!

L.P.

Jonga Olivieri disse...

Obrigado, amigo Luis!

henderson disse...

Bom amigos,sou fumante há 17 anos,e o que acontece sgora é que as empresas estao nesta onda facista e tem criado verdadeiros chiqueiros onde funcionários que fumam ficam
isolados,o chamado fumódromo,onde ficamos expostos a humilhação e os comentarios de quem não fuma,sempre piadinhas que doem na alma,o pior é que estas empresas são as que mais poluem o ambiente onde vivemos....

Jonga Olivieri disse...

Uma verdadeira discriminação!

ditaduraenrustida disse...

Adorei seu post e sua coragem, concordo plenamente com tudo que você falou. Tenho um blog http://ditaduraenrustida.wordpress.com onde falo sobre todas essas leis que acabam com a liberdade.
Tem abaixo assinado a favor da amenização da lei antifumo em: http://www.petitiononline.com/antifumo/petition.html e atualmente tem outro contra o projeto que proíbe a venda e o consumo de bebida alcoólica em ambientes públicos: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=Paulista. Divulgue por favor e saiba que você têm mais um parceiro a favor da liberdade!!

Fotografias e Vídeos de Tucha disse...

Hitler também criou as câmaras de gás parecidas com as câmaras de fumaça que os fumantes impõem aos não fumantes. Ambas matam por asfixia. Fumantes de todo o mundo , uni-vos. Mas longe dos não fumantes.

Jonga Olivieri disse...

Os ianques (Henry Ford) é que também criaram a produção em larga escala de veículos automotores que provocam efeitos semelhantes às câmaras de gás hitleristas, só que em toda a atmosfera do planeta. Ambas matam por asfixia.
Alem disso. criaram o mito mentiroso do "fumante passivo"...
Por isto mesmo: "fumantes de todo o mundo, uni-vos".

Anônimo disse...

Me caiu a pressão só de pensar nesse l1x0... ufa! Ainda bem que foi só um pensamento.

Rovian Ramos disse...

Bom dia, muito bom o seu blog, excelente!!!

Tenho um blog que é sobre a nobre arte de cachimbar, se tiver interesse: www.sabordetabaco.blogspot.com.br

Um abraço,
Rovian

Deciao disse...

Acontece que existem mafias poderosas por tras dessa guerra feroz do anti tabagismo. Uma delas compreende os governos que acham que todas as doenças vem do tabaco e gastos com a saude publica superam os lucros com IPI. Outra mafia poderosa é a da classe médica e farmaceutica que querem consultas psiquiatricas e psicologicas para receitarem calmantes no lugar do cigarro. Outra mafia é a da estética, porque, como fumar emagrece, tira o apetite, eles vivem desse monstruoso mercado de remedios emagrecedores, ginasticas, etc. Outra mafia de outra faceta dos governos envolve que toda produção de tabaco do Brasil deve ir para paises desenvolvidos, tipo Estados Unidos que querem que tudo o que o mundo produza vire excedente total para eles, alem disso o governo tem lucro com exportação. Então, juntando tudo deu essa guerra medonha. Faz mal ? Sim claro, mas em excesso, pois todo veneno em doses ideais vira remedio. Cigarro esta produzindo o mesmo estrago que tiro na cabeça... dá para desconfiar.