sábado, janeiro 07, 2012

Propaganda dos tempos da brilhantina


Encontrei esta verdadeira “pérola da história da publicidade radiofônica” brasileira no ALMANAQUE DA RÁDIO NACIONAL (1) de autoria de Ronaldo Conde Aguiar. Seguem abaixo trechos do texto:

OS JINGLES DA RÁDIO NACIONAL

Não há ouvinte antigo da Rádio Nacional que não saiba cantar alguns dos velhos jingles que, nos anos dourados, deliciavam nossos ouvidos. Querem ver? Então repitam comigo: Melhoral, Melhoral É melhor e não faz mal!

Estes versinhos mostram bem o sentido e a estrutura dos jingles daépoca: melodia simples, bom humor, letra fácil e de rápida memorização. Na verdade, os jingles tinham, ou deveriam ter, a mesma estrutura das marchinhas carnavalescas, daí o fato de que, passados tantos anos, ainda permanecerem vivos na nossa memória. Há coisa mais objetivamente singela e bonita que o jingle do Colírio Moura Brasil?
“Duas gotas, Dois minutos, Dois olhos claros e bonitos”

Conta-se que Paulo Tapajós ganhou uma pequena fortuna ao escrever o jingle do Detefon (Detefon/É que mata/Moscas e mosquitos/Pulgas e baratas!), bem como o produtor e escritor Ghiaroni, que bolou não só a vinheta"Gebaratíssimas" para a rede de Casas Gebara (especializada na venda de tecidos) como o bordão "Pequeninas, mas resolvem" para as Pílulas de Vida do Dr. Ross.

A produção de jingles era essencialmente amadora ou, mais exatamente, pré-capitalista. A verdade é que ela pouco dependia das poucas agências de publicidade (em geral, americanas) então existentes no eixoRio/São Paulo. O que prevalecia, de fato, era o talento de homens como Haroldo Barbosa, Antonio Maria, Almeida Rego, Fernando Lobo e Nestor de Holanda, além dos já citados Ghiaroni e Paulo Tapajós.

A coisa funcionava mais ou menos assim: o patrocinador interessava-se por um programa que lhe era oferecido. Discutia-se o melhor horário de apresentação, os custos e a propaganda do produto ou do patrocinador (às vezes, os dois coincidiam), que era encomendada a algum radialista. A atividade era estimulante e funcionava como uma fonte de renda adicional para o autor do jingle.

Nem tudo era simples e fácil. O jingle, sim, este tinha que ser extremamente enxuto e marcante, mas o processo de escrevê-lo às vezes demandava dias e noites de sofrimento para o autor, à cata da melhor rima e da melodia mais graciosa. Em geral, o resultado era satisfatório, e mais uma"musiquinha de produto" incorporava-se à nossa cultura radiofônica.
Os jingles fizeram parte do mundo mágico da Rádio Nacional. Nós, os velhos ouvintes da PRE-8, ainda lembramos, com extrema saudade, do poder e do encanto daquelas "musiquinhas de produtos". Quem não lembra?

NOSSOS COMERCIAIS, POR FAVOR!

REFRIGERANTE GUARÁ
Guará, Guará, Guará, Guará! Melhor refrescante não há! Guará, Guará, Guará, Guará! Melhor refrescante não há. Eu vou ali, já volto já, Eu vou depressa beber o meu Guará! Guará, Guará, Guará, Guará!

LÂMPADAS GE
Se a lâmpada apagar... Não adianta estrilar... Nem bater o pé! O que resolve... É ter logo à mão... Lâmpadas GE!

MELHORAL
Melhoral, Melhoral... É melhor e não faz mal! (Locutor: Tome Melhoral. É batata!!!)

GRAPETE
Quem bebe Grapete, Repete!

CASAS PERNAMBUCANAS 
Não adianta bater... Eu não deixo você entrar... Nas Casas Pernambucanas... É que eu vou... Aquecer o meu lar... Vou comprar flanelas... Lãs e cobertores eu vou comprar... Nas Casas Pernambucanas... E nem vou sentir... O inverno passar.

MELHORAL
Melhoral, MelhoralÉ melhor e não faz mal! (Locutor: Tome Melhoral. É batata!!!)

GRAPETE
Quem bebe Grapete, Repete!

CREME DENTAL COLGATE
Limpa bem seus dentes... Creme dental Colgate... Perfuma o hálito... Enquanto limpa os dentes (Colgate, Colgate!)... Perfuma a boca (Colgate!)... Enquanto limpa os dentes (Colgate!)

13 comentários:

Anita disse...

Muito bom este ALMANAQUE DA RÁDIO NACIONAL.
Mas este Ronaldo Conde não tem nada a ver com o outro, certo?
Devem ser apenas homônimos.

Jonga Olivieri disse...

Claro que sim. Inclusive porque Ronaldo é um nome comum... E Conde não é um sobrenome tão raro assim.

Cantídio disse...

Isso é história!
Cara, este Blog está se tornando um "maná" de informações sobre a publicidade.
Estou gostando de ver!

Jonga Olivieri disse...

E comecei com "casos" engraçados... Mas, o Tico e o Teco não têm ajudado a me lembrar de mais 'causos'...
Daí entrei com assuntos mais sérios e estou gostando pra cacete!

Anônimo disse...

"Melhoral Melhoral e melhor e nao faz mal" ou "Quem bebe Grapette repete" sao classicos que ficaram na historia da publicidade brasileira.

Anonymous
New York

Jonga Olivieri disse...

Exato. Mas tem tambem o bom e velho: "Não adianra bater... Eu não deixo você entrar... As Casas Pernambucanas é que vão..."
Coisas "dos tempos da velha" ou "dos arcos do rádio" hehehe!

Ernani disse...

E Melhoral, Colgate, lãmpadas GE... Uma rememorizaação de grandes clássicos do jingle.

Jonga Olivieri disse...

Muito bom este ALMANAQUE DA RÁDIO NACIONAL, não é mesmo?

Ernani disse...

Tempos tambem de:

Olhe iustre passageiro
O belo tipo faceiro
Que ao seu lado está sentado
No entanto, acredite
Quase morreu de bronquite
Salvou-o
O Rum Creosotado

Uma pérola dos tempos da polaina!

Jonga Olivieri disse...

Como você bem definiu, meu caro Ernani, este é dos tempos da "polaina", e, com certeza o rádio ainda era o "Galena" hehehe!

Anônimo disse...

Que coisa boa este Almanaque. Eu o marquei aqui!

Abelardo

Jonga Olivieri disse...

Vale a pena, Abelardo. Procure no Google "Memória da Propaganda"
Ali você vai encontrar anúncios e filmes do "Arco da Velha".

Unknown disse...

Tinha também o jingle do remédio para dor de ouvidos: aurisedina (acho que se escrevia assim.)
O jingle:
"dorme, dorme, filhinha/mamãe tem aurisedina."