segunda-feira, agosto 27, 2012

O “caso” da herança

Desculpem as falhas. Fotomontagem feita por mim

Edson Braga era uma figura curiosa e de um humor extremamente fino e aguçado. Não é de surpreender, sobrinho de nada mais nada menos do que Rubem Braga, possuía tambem um excelente nível cultural.

Quando entrei na L&M, com um puta dum gás, ele estava meio que insatisfeito com o emprego. Principalmente por promessas não cumpridas, encontrava-se de freelancer, sem carteira assinada há mais de um ano e não via muitas possibilidades de uma solução para o problema.
E eu, fui justamente fazer dupla com ele. Não que fosse mal redator, muito pelo contrário, mas porque estava de saco cheio. E eu chegava tipo nove da matina, fitava aquela pilha de Jobs na mesa e simplesmente desesperava. Sim, porque o Edson adentrava a agência lá pelas onze e meia, ficava um tempinho e ia almoçar. A sorte é que, rápido como era deixava uns três textos prontos para os meus layouts. Mas coisa que ele fazia sozinho, na dele. Tão bons que eu nem questionava nada! Metia o pau e leiautava...

O Braga tinha tambem umas coisas engraçadas. Um dia ficou parado no corredor e a todo momento que o Vic Kirovsky passava ele o acompanhava com o olhar até ele entrar em sua sala, contígua à nossa. No final das contas, Kirovsky, puto da vida perguntou porque ele ficava olhando ele passar. E o Edson soltou uma que ficou na história da L&M: “... Porque você tem uma uma bundinha linda e eu não resisto, Vic.” Os dois quase chegaram às vias de fato.

Edson Braga não durou muito tempo nessa. Teve uma proposta e se mandou mais ou menos um mês e meio depois que entrei.
Mas sem deixar de fazer uma piada da qual eu nunca vou esquecer. Uma tarde estávamos na janela que dava para o consulado, ainda então embaixada dos Estados Unidos, defronte ao prédio da agência na Rua México. E neste dia estava no topo do prédio da embaixada um estadunidense com um garoto ao lado, provavelmente o filho; e o certamente pai a mostrar gesticulando com os braços o belíssimo cenário da Baia de Guanabara.
Edson Braga virou pra mim e disse: “Sabe o que ele está falando?”. Eu balancei a cabeça em sinal negativo, simplesmente porque não fazia a menor ideia do que rolava naquele papo.
Então, ele continuou: “Ele está falando com o garoto: filho, um dia isso tudo será seu”. Uma promessa anunciada pelo proprietário da capitania hereditária.

sexta-feira, agosto 24, 2012

Uma homenagem merecida


No limite entre ontem e hoje, Nelson Rodrigues teria completado 100 anos.
A homenagem, postei no mês passado ao republicar o "Caso" do Nelson Rodrigues. Quem não o conhece, clique no link abaixo e leia...
 
 
... Um dos melhores casos deste blogue...

quarta-feira, agosto 22, 2012

O “caso” do homem Minister


Quando atendia a Souza Cruz na Salles, lá pros idos dos anos 1980, fazíamos um bom trabalho para as suas marcas. O Eric Nice era o designer exclusivo de todas as embalagens do fabricante. Nos seus quase setenta anos, aquele mestre, em sua salinha na Salles de São Paulo elaborava meticulosamente mockups de novas caras para produtos antigos, ou caras inéditas para produtos idem. Era o bam-bam-bam da história. E, tiro o meu chapéu para reverenciar o seu trabalho e a sua memória.

Mas, voltando à vaca fria. À Salles Rio, que na época atendia produtos da Souza Cruz e Brahma, além claro de outras contas como a Sul América Seguros, a Texaco ou o Banco do Brasil, o DNER e a Embratur, isso somente para enumerar algumas das mais expressivas. Ali, fizemos bons trabalhos para diversas marcas da Souza Cruz. Lembro-me de um filme para Continental usando aquela música “Eu voltei... porque aqui é o meu lugar... e lá, la, la... lá, lá, lá...”, que emocionou o Brasil e decerto marcou presença na história da publicidade neste país.

Mas a Souza Cruz também tinha as suas pedrinhas no sapato. E uma delas era uma marca pioneira em cigarros com filtro, outrora um símbolo de status, e que de repente começava a despencar vertiginosamente em vendas. Lembro-me perfeitamente da primeira reunião que tivemos com o Domingos Logullo (à época o diretor nacional de criação da agência) em que ele falava da necessidade que teríamos de criar uma campanha, para alavancar e reerguer a marca, pois o fabricante não queria desativá-la. Paulistamente falando, uma dupla de criação de Sampa vinha nos “ajudar”. E veio. Prefiro nem citar nomes, pois eram sujeitos do cacête com quem nos demos otimamente, apesar do sentido paternal e intervencionista intrínsecos...

O certo é que de imediato começamos a fazer reuniões atrás de reuniões. Longos brainstorms a portas fechadas para achar uma solução. Foram dias, semanas de um esforço em que saíram as idéias mais estaparfúdias e as mais criativas quase que simultaneamente. Um exercício criativo de causar inveja a qualquer Jerry Della Femina* da vida.

Mas a coisa alongou-se por este período sem uma solução aparente. Examinando números e o mercado, suas novidades como produtos light e otras cositas más, ficava difícil reerguer a condenada e outrora gloriosa marca. Mas, um belo dia, alguém que não me lembro mais saiu com a idéia do “Homem Minister”. Um fator novo que balançou o coreto. Mas, quem seria este homem? Quais as características que fariam alguém ser o homem Minister?

Depois de muitos vais e vens, de se terem rifado “ene” alternativas, chegamos finalmente a um nome: Tarcísio Meira. Bonitão, ator de novela, comprovadamente macho, casado há anos com a Glória Menezes,e, antes de mais nada um fumante. Por quê não? E ficamos nele. Por unanimidade a agência inteira aplaudiu. Até que um “advogado do diabo”, que também não me lembro o nome, mas que certamente deve estar ardendo nas profundezas do inferno, levantou aquela lebre: “Mas, e se o cara morre? Afinal ele pode ter um acidente, vive na ponte aérea e blá, blá, blá...”

Assim acabou o “Homem Minister”. E algum tempo depois, a própria marca. Quanto ao Tarcísio Meira. Acho que a última vez que foi visto estava embarcando em seu avião para a fazenda no interior de São Paulo... Feliz Da vida!

(*) Jerry, considerado nos anos 60/70 dos mais criativos publicitários da época, foi um dos sócios da “Della Femina Travisano & Partners”, também uma das agências mais criativas dos Estados Unidos, e tinha uma característica ‘sui generis’ em sua forma de atuar, chegando uma ocasião a afirmar que sua agência não aprovaria nada com seus clientes. Estes veriam os anúncios publicados, os filmes no ar, etc. Porque ele acreditava que, por saber o que fazia, o cliente tinha que confiar nele e em sua equipe. E fim de papo...

domingo, agosto 19, 2012

E por falar em Sebastião Barbosa...

O quadro acima é uma reprodução bastante fiel da famosa obra de Da Vinci. E uma das mais importantes fotografias de Sebastião Barbosa. Pelo cuidado na produção, detalhe a detalhe, o gestual de todos os personagens e pelo simples –e belíssimo detalhe– da mulher desnuda ao centro da mesa... Um toque de criatividade e bom gosto...

Mas o que aconteceu foi que corria o ano de 1975 ou 76 (sentiu?) e um padreco daquela igreja da Praça N. S. da Paz soube de sua exposição numa galeria de arte ao lado do citado templo da Universal (1) Apostólica Romana e foi dar uma espiadela. O (provavelmente pedófilo) sacerdote ficou chocado e chamou a polícia política (Dops) que criou a maior quizumba ao ver a obra.

Resumo da ópera: Sebastião Barbosa foi preso, passou a noite no xelindró, o quadro devidamente apreendido... E o artista e sua obra passaram para a história deste país em mais um capítulo do “Febeapá”, o conhecido “Festival de Besteiras que Assola o País” a criação de Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) para catalogar as idiotices deste tipo cometidas nos tempos da ditadura militar.

1. católica é universal em latim.

quinta-feira, agosto 16, 2012

Lançamento do livro de Sebastião Barbosa

O autor e o convite

É hoje (16 de setembro) na Livraria da Travessa --da própria Travessa do Ouvidor--, a partir das 17h30m. Não perca porque o livro está maravilhoso! Como maravilhosas são as fotos do artista!

A capa e uma foto premiadíssima

segunda-feira, agosto 13, 2012

O “caso” da árvore de natal ambulante


A Focus era uma agência média do mercado carioca. Tinha dois sócios. Um deles era o Alfredo Souto de Almeida. Muito bem relacionado em toda a sociedade carioca, isso lhe abria portas, tendo feito consolidar na agência contas como Roberto Simões, Lidador, Banco Denasa, Companhia Força e Luz Cataguazes Leopoldina, Companhia Siderúrgica Nacional, Ernani Leiloeiro, etc. O outro era um "baixinho recalcado que... Prefiro não comentar!

Alfredo, uma pessoa ligada às artes, era também um radialista conceituado e tinha um programa sobre arte na Rádio MEC. Havia também sido ator cinematográfico e participara de um filme de Humberto Mauro, o grande cineasta brasileiro. Para complementar, era padrinho da hoje atriz Fernanda Torres, filha do casal Fernando Torres e Fernanda Montenegro, que por seu turno eram padrinhos do seu filho Marcelo.

Na criação, tínhamos um grupo descontraído. Uma turma que estava sempre aprontando alguma. O trabalho era muito, a equipe enxuta e criativa, chefiada pelo Fernando Simôes. Então, restava-nos a diversão nos momentos entre um trabalho e outro, na pressão.

Havia, por exemplo, um torneio de dardo que era levado muito a sério. Um dia, a diretoria até pediu que diminuíssemos o ruído porque na sala deles que era ao lado da nossa, ficavam escutando aquele “tum... tum... tum...” e gritos exaltados. Arranjamos formas de abafar o som e diminuir a nossa vibração a cada jogada.

Outra coisa era a presença do filho do Alfredo. O Marcelo costumava, nas férias escolares, frequentar a agência. Um dia, amarramos o garoto em uma cadeira no meio da sala da criação e fizemos um círculo com benzina. Ateamos fogo àquele círculo, e, grosseiramente fantasiados de índios ficamos rodopiando em torno. O garoto se divertia. E nós também. É importante ressaltar que isso não representava grande perigo, pois o fogo da benzina é de um tipo que não perdura. Se você colocar benzina na mão e acender um fósforo, nada vai lhe acontecer, garanto.

Mas, houve em determinada época o Pedro Porfírio. Intelectual e jornalista, posteriormente, foi secretário da Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro (não me lembro em que governo).

Sei que o Porfírio foi contratado para ser Relações Públicas da Agência.

Porfírio acabara de escrever “O Rei Leão”, uma peça de teatro infantil. E, por vezes, ficava vagando pelo meio da agência ensaiando trechos da mesma, pois estava para estreá-la. Fantasiado de Rei Leão, o gajo colocava uma coroa e uma manta vermelha e saia a declamar o texto. Uma cena hilariante.
O mais engraçado no Porfírio era o seu desligamento constante de tudo que o cercava. Muitas vezes criavam-se brincadeiras pesadas com ele. Um dia encheram os seus sapatos de cola de borracha. Outro, deixaram uma caixa com talco em cima de sua porta entreaberta. Quando ele a abriu, sujou-se todo, pois o talco despencou em cima dele.

Mas, a mais frequente era mesmo a quantidade de rabinhos e outras coisas que penduravam nas suas costas sem que ele percebesse.

Um dia, por ter saído da agência sem que ninguém notasse, não deu tempo de se retirar os penduricalhos.

Quem viu, disse que na rua, Porfírio mais parecia uma árvore de natal.

sexta-feira, agosto 10, 2012

Em defesa de Cristiano Paz e do mercado mineiro


Tenho pautado este blogue com “casos” engraçados e/ou pitorescos da propaganda, por onde tenha passado. Outras vezes venho destacando alguns comerciais que considero dignos de nota num cenário em que a qualidade criativa tem sido muito questionada. Desta feita, porem, considero importante uma postagem sobre um tema polêmico mas que merece nossa atenção.

Conheci Cristiano Paz na SMP&B (Belo Horizonte) em 1986. Eu exercia a Direção de Criação na Asa, e, ao ser eleito presidente do Clube de Criação de Minas Gerais (CCMG), travei contato com os profissionais do mercado em sua quase totalidade. O conceito de Cristiano sempre foi o de um publicitário sério e de um talentoso criativo. A sua agência, fundada em 1983, três anos após já estava entre as mais badaladas e premiadas (1) de Minas.
 
Nunca fui íntimo de Paz, mas a impressão profissional que me deixou, sempre foi a melhor possível.
Não conheci Marcos Valério... Este nunca foi um publicitário! Mas apoderou-se das duas melhores e maiores agências de Belo Horizonte, a SMP&B e a DNA (2) com finalidades meramente políticas e lobistas e as destruiu após os escândalos de 2005, deixando o mercado local em situação de encolhimento de suas atividades e uma completa falta de perspectivas, circunstância que jogou os profissionais atuantes na área em uma verdadeira “saia justa” na busca por colocações.
Na terça feira (07), o advogado Castellar Modesto Guimarães Filho, que defende Cristiano, afirmou no STF (Supremo Tribunal Federal) que ironias da vida transformaram o publicitário em sócio de Marcos Valério na SMP&B. Castelar argumentou que ele somente atuava na área de criação e não se envolvia em questões financeiras e administrativas.
"Sua atividade como homem de criação o impedia de qualquer outra participação na SMP&B. Ele trabalhava na construção de marcas", completou. Para corroborar a sua tese, o defensor citou os inúmeros prêmios recebidos pelo seu cliente e um depoimento do tambem publicitário Duda Mendonça –um dos réus do mensalão–, ratificando o argumento de que quem atua em criação, em geral, não em tempo de se dedicar a outras atividades nas empresas de publicidade.

Cristiano Paz é acusado de negociar empréstimos e ajudar na distribuição de dinheiro a políticos em troca de contratos de publicidade. Paz também é acusado de ter feito remessa irregular de dinheiro para o exterior, respondendo pelos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, evasão de divisas e peculato.

É difícil “botar a mão no fogo” por alguem, mas pessoalmente acho que no caso de Cristiano Paz tudo isto é um grande imbróglio que, espero, um dia seja devidamente esclarecido... Até porque, Paz, como presidente da SMP&B, pode até ter assinado algum documento, mas, convenhamos, será que estava a par de certas manobras espúrias?
 
1. A SMP&B sempre foi uma agência muito premiada. Tentei procurar antecedentes desses prêmios (que infelizmente despareceram nos arquivos da web), mas consegui efetivamente de 2003 para cá, quando foi a Agência do Ano pelo Clube de Criação de Minas Gerais com 130 peças premiadas. Cito a seguir outros prêmios deste período:
- Agência mineira com mais finalistas no Prêmio Abril: dois anúncios;
- Bronze e dois Finalistas no Festival de Nova Iorque;
- Uma peça incluída no Anuário e agência mineira com mais finalistas no Anuário do CCSP (Clube de Criação de São Paulo), com quatro ao todo;
- Finalista no Prêmio ANJ (Associação Nacional de Jornais);
- 17 Medalhas no Prêmio Colunistas Centro Leste.
- Em 2004: Agência mineira com o maior número de finalistas no CCSP (oito peças);
- Vencedora e agência com o maior número de finalistas no Prêmio Abril Regional Central: cinco finalistas;
- Agência do Ano Colunistas Brasília e Melhor Desempenho Criativo;
- Vencedora do Profissionais do Ano da Rede Globo, região Leste-Oeste, categoria Campanha;
- Agência do Ano no Colunistas Centro-Leste, com dois Ouros, sete Pratas e quatro Bronzes;
- Bronze e dois Finalistas no Festival de Nova Iorque;
- Duas peças finalistas no Prêmio Daniel Freitas, de Rádio;
- Finalista no Prêmio ANJ;
- Grand Prix, quatro Ouros, Prata no Prêmio Central de Outdoor.
 
2. No tocante à DNA, outro profissional do maior respeito no mercado publicitário mineiro, Chico Castilho tambem acabou arrolado nos processos desencadeados por Marcos Valério pelo simples fato de estar à frente da direção da agência; principalmente após o prematuro desaparecimento de Daniel de Freitas, outro competente (e saudoso) criativo mineiro.

domingo, agosto 05, 2012

Havaianas rises again!

Mais um comercial criativo, oportuno e muito bem humorado das Havaianas, by AlmapBBDO...  Y los hermanos que nos perdoem!

Assista o filme abaixo

quarta-feira, agosto 01, 2012

O "caso" da modelo estreante


Quando eu trabalhava na Provarejo (leia-se Grupo Mesbla), fui dirigir uma foto para a chamada Linha Branca.

Na verdade, o anúncio ‘Linha Branca’ era um página dupla veiculado todos os anos pelo Magazine Mesbla na primeira contra capa e na página ao lado da revista Veja. Uma senhora colocação. Também um senhor problema, porque a contra capa era impressa em processo diferente da primeira página, além do que em papéis também diferentes. Isso sempre dava uma diferença brutal nas cores, na textura. Detalhes de uma profissão cheia deles.

O anúncio tinha esta denominação porque era composto de várias modelos – quase sempre eram só mulheres – todas vestidas de branco. A veiculação era na última edição do ano da revista, e, portanto as modelos sugeriam um clima de passagem de ano.

O layout (pena que não o tenho mais) que eu apresentara e fora aprovado tinha umas seis modelos, todas com taças de champanhe na mão. As cores ficavam por conta de serpentinas e confetes caindo, compondo um ambiente, cujo fundo de um azulado mais escuro realçava a cor branca das roupas. Essas, o produto. A razão de ser do anúncio.

Cheguei mais cedo no estúdio do Sebastião Barbosa em Santa Teresa. E, com o fotógrafo, começamos a adiantar o cenário e outros detalhes, como luz, angulação... Além de acomodar a maquiadora, a produtora.

Sempre pensei o quanto as pessoas não sabem o trabalho que dá produzir uma foto, por mais simples que possa parecer.

Lá para as tantas, começaram a chegar as modelos. Conhecia algumas, como a Elzinha, que na época era casada com o filho do Clício Barroso, por acaso também Clício, e era então uma super badalada modelo. Haviam outras que eu conhecia de fotos ou de catálogos de agências. Porém, algumas nem isso. Era gente nova mesmo.

Uma dessas me chamou uma atenção especial. Era linda. Devia ter uns vinte aninhos, se tanto. Um rostinho vivo. E um corpo que sai da frente. Estava mais para uma ilustração do Benício do que para algo real. Um sonho de menina. Além do mais, a roupa que ‘caiu’ para ela era extremamente sensual.

Durante os preparativos a gente vai conversando, descontraindo, trocando idéias. Normalmente o diretor de arte tem que passar para as modelos o que quer delas, o clima da foto, etc. E tentar deixa-las bem à vontade para poderem render o máximo na hora do clic.
Em determinado momento estava eu conversando com a tal lindézima criatura descrita acima. Perguntei o nome dela. Antes de qualquer coisa ela disse:

- Eu sou irmã da Ísis de Oliveira... conhece?

Claro que eu conhecia. Naquela época, a Ísis era atriz da Globo, e estava na crista da onda.
- Estou começando agora nesta profissão... Acrescentou timidamente, desviando o olhar para os lados. Ai, que coisa mais linda! E continuou:

- ... o meu nome é Luma.

Não sei se foi aquela a sua estréia como modelo, mas, tenho certeza de que foi uma das primeiras vezes que pousou.