sexta-feira, agosto 10, 2012

Em defesa de Cristiano Paz e do mercado mineiro


Tenho pautado este blogue com “casos” engraçados e/ou pitorescos da propaganda, por onde tenha passado. Outras vezes venho destacando alguns comerciais que considero dignos de nota num cenário em que a qualidade criativa tem sido muito questionada. Desta feita, porem, considero importante uma postagem sobre um tema polêmico mas que merece nossa atenção.

Conheci Cristiano Paz na SMP&B (Belo Horizonte) em 1986. Eu exercia a Direção de Criação na Asa, e, ao ser eleito presidente do Clube de Criação de Minas Gerais (CCMG), travei contato com os profissionais do mercado em sua quase totalidade. O conceito de Cristiano sempre foi o de um publicitário sério e de um talentoso criativo. A sua agência, fundada em 1983, três anos após já estava entre as mais badaladas e premiadas (1) de Minas.
 
Nunca fui íntimo de Paz, mas a impressão profissional que me deixou, sempre foi a melhor possível.
Não conheci Marcos Valério... Este nunca foi um publicitário! Mas apoderou-se das duas melhores e maiores agências de Belo Horizonte, a SMP&B e a DNA (2) com finalidades meramente políticas e lobistas e as destruiu após os escândalos de 2005, deixando o mercado local em situação de encolhimento de suas atividades e uma completa falta de perspectivas, circunstância que jogou os profissionais atuantes na área em uma verdadeira “saia justa” na busca por colocações.
Na terça feira (07), o advogado Castellar Modesto Guimarães Filho, que defende Cristiano, afirmou no STF (Supremo Tribunal Federal) que ironias da vida transformaram o publicitário em sócio de Marcos Valério na SMP&B. Castelar argumentou que ele somente atuava na área de criação e não se envolvia em questões financeiras e administrativas.
"Sua atividade como homem de criação o impedia de qualquer outra participação na SMP&B. Ele trabalhava na construção de marcas", completou. Para corroborar a sua tese, o defensor citou os inúmeros prêmios recebidos pelo seu cliente e um depoimento do tambem publicitário Duda Mendonça –um dos réus do mensalão–, ratificando o argumento de que quem atua em criação, em geral, não em tempo de se dedicar a outras atividades nas empresas de publicidade.

Cristiano Paz é acusado de negociar empréstimos e ajudar na distribuição de dinheiro a políticos em troca de contratos de publicidade. Paz também é acusado de ter feito remessa irregular de dinheiro para o exterior, respondendo pelos crimes de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, evasão de divisas e peculato.

É difícil “botar a mão no fogo” por alguem, mas pessoalmente acho que no caso de Cristiano Paz tudo isto é um grande imbróglio que, espero, um dia seja devidamente esclarecido... Até porque, Paz, como presidente da SMP&B, pode até ter assinado algum documento, mas, convenhamos, será que estava a par de certas manobras espúrias?
 
1. A SMP&B sempre foi uma agência muito premiada. Tentei procurar antecedentes desses prêmios (que infelizmente despareceram nos arquivos da web), mas consegui efetivamente de 2003 para cá, quando foi a Agência do Ano pelo Clube de Criação de Minas Gerais com 130 peças premiadas. Cito a seguir outros prêmios deste período:
- Agência mineira com mais finalistas no Prêmio Abril: dois anúncios;
- Bronze e dois Finalistas no Festival de Nova Iorque;
- Uma peça incluída no Anuário e agência mineira com mais finalistas no Anuário do CCSP (Clube de Criação de São Paulo), com quatro ao todo;
- Finalista no Prêmio ANJ (Associação Nacional de Jornais);
- 17 Medalhas no Prêmio Colunistas Centro Leste.
- Em 2004: Agência mineira com o maior número de finalistas no CCSP (oito peças);
- Vencedora e agência com o maior número de finalistas no Prêmio Abril Regional Central: cinco finalistas;
- Agência do Ano Colunistas Brasília e Melhor Desempenho Criativo;
- Vencedora do Profissionais do Ano da Rede Globo, região Leste-Oeste, categoria Campanha;
- Agência do Ano no Colunistas Centro-Leste, com dois Ouros, sete Pratas e quatro Bronzes;
- Bronze e dois Finalistas no Festival de Nova Iorque;
- Duas peças finalistas no Prêmio Daniel Freitas, de Rádio;
- Finalista no Prêmio ANJ;
- Grand Prix, quatro Ouros, Prata no Prêmio Central de Outdoor.
 
2. No tocante à DNA, outro profissional do maior respeito no mercado publicitário mineiro, Chico Castilho tambem acabou arrolado nos processos desencadeados por Marcos Valério pelo simples fato de estar à frente da direção da agência; principalmente após o prematuro desaparecimento de Daniel de Freitas, outro competente (e saudoso) criativo mineiro.

9 comentários:

Anita disse...

É estranha mesmo esta postagem.
Até porque, amigo, até que ponto você pode afirmar que ele não fez parte dos planos de Marcos Valerius?
Bom, vale a defesa do mercado publicitário mineiro que levou (ao que soube) uma porrada violenta com o que aconteceu na época.

Cantídio disse...

Bela defesa!

Anônimo disse...

Pouco conheco de mercado mineiro.
Nao sei quem e o Cristiano Paz, e do Marcos Valerio li alguma coisa sobre ele nas revistas brasileiras que compro aqui e alguma coisa que saiu nos jornais de Nova York.
Mas pelo que voce fala o Cristiano e um profissional de primeiro time. O que nao impede que tenha participado de certas manobras do socio.
Fica a duvida. Nao sou tao confiante quanto voce na questao.

Anonymous
New York

Ernani disse...

SEM COMENTÁRIOS!

Eustáquio disse...

Também concordo ser meio perigoso tocar neste assunto.
Já ouvi falar muito mal deste Cristiano por alguns conhecidos que tenho no mercado mineiro. Diziam que ele era convencido e esnobe, se achando superior aos outros.
Não quero dizer nada quanto à sua integridade moral poruqe seria muito grave tal acusação.
Mas será que não podia conferir o que assinava? Pelo menos isso!

almagro disse...

É... parece que o carequinha incendiou o mercado mineiro, mesmo...

Jonga Olivieri disse...

Incendiou nada! A palavra corretaa é mesmo: "fudeu".
Algo mais ou menos como se alguem tivesse provocado o fechamento da MPM e de uma Thompson ou Standard (por exemplo) nos anos 1980... Já pensou o que seria do mercado carioca?

Misael de Silva Costa disse...

Sei não! Será que o cara é tão inocente assim?

Anônimo disse...

Sou do mercado mineiro e gostaria de declarar aqui que você nunca conheceu o Cristiano Paz de verdade.

Ao contrário de você eu garanto que ele está comprometido até o fundo com tudo isto das armações do Marcos Valério.

Podes crer. Voc~e teve uma impressão errada do sujeito.

(a) Um velho profissional de Minas