segunda-feira, agosto 13, 2012

O “caso” da árvore de natal ambulante


A Focus era uma agência média do mercado carioca. Tinha dois sócios. Um deles era o Alfredo Souto de Almeida. Muito bem relacionado em toda a sociedade carioca, isso lhe abria portas, tendo feito consolidar na agência contas como Roberto Simões, Lidador, Banco Denasa, Companhia Força e Luz Cataguazes Leopoldina, Companhia Siderúrgica Nacional, Ernani Leiloeiro, etc. O outro era um "baixinho recalcado que... Prefiro não comentar!

Alfredo, uma pessoa ligada às artes, era também um radialista conceituado e tinha um programa sobre arte na Rádio MEC. Havia também sido ator cinematográfico e participara de um filme de Humberto Mauro, o grande cineasta brasileiro. Para complementar, era padrinho da hoje atriz Fernanda Torres, filha do casal Fernando Torres e Fernanda Montenegro, que por seu turno eram padrinhos do seu filho Marcelo.

Na criação, tínhamos um grupo descontraído. Uma turma que estava sempre aprontando alguma. O trabalho era muito, a equipe enxuta e criativa, chefiada pelo Fernando Simôes. Então, restava-nos a diversão nos momentos entre um trabalho e outro, na pressão.

Havia, por exemplo, um torneio de dardo que era levado muito a sério. Um dia, a diretoria até pediu que diminuíssemos o ruído porque na sala deles que era ao lado da nossa, ficavam escutando aquele “tum... tum... tum...” e gritos exaltados. Arranjamos formas de abafar o som e diminuir a nossa vibração a cada jogada.

Outra coisa era a presença do filho do Alfredo. O Marcelo costumava, nas férias escolares, frequentar a agência. Um dia, amarramos o garoto em uma cadeira no meio da sala da criação e fizemos um círculo com benzina. Ateamos fogo àquele círculo, e, grosseiramente fantasiados de índios ficamos rodopiando em torno. O garoto se divertia. E nós também. É importante ressaltar que isso não representava grande perigo, pois o fogo da benzina é de um tipo que não perdura. Se você colocar benzina na mão e acender um fósforo, nada vai lhe acontecer, garanto.

Mas, houve em determinada época o Pedro Porfírio. Intelectual e jornalista, posteriormente, foi secretário da Cultura da Prefeitura do Rio de Janeiro (não me lembro em que governo).

Sei que o Porfírio foi contratado para ser Relações Públicas da Agência.

Porfírio acabara de escrever “O Rei Leão”, uma peça de teatro infantil. E, por vezes, ficava vagando pelo meio da agência ensaiando trechos da mesma, pois estava para estreá-la. Fantasiado de Rei Leão, o gajo colocava uma coroa e uma manta vermelha e saia a declamar o texto. Uma cena hilariante.
O mais engraçado no Porfírio era o seu desligamento constante de tudo que o cercava. Muitas vezes criavam-se brincadeiras pesadas com ele. Um dia encheram os seus sapatos de cola de borracha. Outro, deixaram uma caixa com talco em cima de sua porta entreaberta. Quando ele a abriu, sujou-se todo, pois o talco despencou em cima dele.

Mas, a mais frequente era mesmo a quantidade de rabinhos e outras coisas que penduravam nas suas costas sem que ele percebesse.

Um dia, por ter saído da agência sem que ninguém notasse, não deu tempo de se retirar os penduricalhos.

Quem viu, disse que na rua, Porfírio mais parecia uma árvore de natal.

7 comentários:

Anita disse...

Gentem, sei quem é este Porfírio porque é político e chegou a aparecer na TV em outras épocas. Agora anda meio sumido, Mas vem aí as eleições e ele vai surgir, pode crer.

Cantídio disse...

Ué, você trocou a imagem? Por que?

Cantídio disse...

Mas o caso é muito engraçado com qualquer uma delas!

Jonga Olivieri disse...

Sim Cantidio, troquei a ilustração porque algo me incomodava na outra.
Frescura? Preciosismo? Talvez, mas o fato é que gostei mais desta.

Anônimo disse...

Mas isto era "bullying"!

Anonymous
New York

Misael de Silva Costa disse...

Este caso é simplesmente do caralho!

Ernani disse...

Muito voa esta postagem. E muito boa também a descrição do Porfírio. O cara é assim mesmo, um treloucado,um doido de pedra!