quarta-feira, agosto 01, 2012

O "caso" da modelo estreante


Quando eu trabalhava na Provarejo (leia-se Grupo Mesbla), fui dirigir uma foto para a chamada Linha Branca.

Na verdade, o anúncio ‘Linha Branca’ era um página dupla veiculado todos os anos pelo Magazine Mesbla na primeira contra capa e na página ao lado da revista Veja. Uma senhora colocação. Também um senhor problema, porque a contra capa era impressa em processo diferente da primeira página, além do que em papéis também diferentes. Isso sempre dava uma diferença brutal nas cores, na textura. Detalhes de uma profissão cheia deles.

O anúncio tinha esta denominação porque era composto de várias modelos – quase sempre eram só mulheres – todas vestidas de branco. A veiculação era na última edição do ano da revista, e, portanto as modelos sugeriam um clima de passagem de ano.

O layout (pena que não o tenho mais) que eu apresentara e fora aprovado tinha umas seis modelos, todas com taças de champanhe na mão. As cores ficavam por conta de serpentinas e confetes caindo, compondo um ambiente, cujo fundo de um azulado mais escuro realçava a cor branca das roupas. Essas, o produto. A razão de ser do anúncio.

Cheguei mais cedo no estúdio do Sebastião Barbosa em Santa Teresa. E, com o fotógrafo, começamos a adiantar o cenário e outros detalhes, como luz, angulação... Além de acomodar a maquiadora, a produtora.

Sempre pensei o quanto as pessoas não sabem o trabalho que dá produzir uma foto, por mais simples que possa parecer.

Lá para as tantas, começaram a chegar as modelos. Conhecia algumas, como a Elzinha, que na época era casada com o filho do Clício Barroso, por acaso também Clício, e era então uma super badalada modelo. Haviam outras que eu conhecia de fotos ou de catálogos de agências. Porém, algumas nem isso. Era gente nova mesmo.

Uma dessas me chamou uma atenção especial. Era linda. Devia ter uns vinte aninhos, se tanto. Um rostinho vivo. E um corpo que sai da frente. Estava mais para uma ilustração do Benício do que para algo real. Um sonho de menina. Além do mais, a roupa que ‘caiu’ para ela era extremamente sensual.

Durante os preparativos a gente vai conversando, descontraindo, trocando idéias. Normalmente o diretor de arte tem que passar para as modelos o que quer delas, o clima da foto, etc. E tentar deixa-las bem à vontade para poderem render o máximo na hora do clic.
Em determinado momento estava eu conversando com a tal lindézima criatura descrita acima. Perguntei o nome dela. Antes de qualquer coisa ela disse:

- Eu sou irmã da Ísis de Oliveira... conhece?

Claro que eu conhecia. Naquela época, a Ísis era atriz da Globo, e estava na crista da onda.
- Estou começando agora nesta profissão... Acrescentou timidamente, desviando o olhar para os lados. Ai, que coisa mais linda! E continuou:

- ... o meu nome é Luma.

Não sei se foi aquela a sua estréia como modelo, mas, tenho certeza de que foi uma das primeiras vezes que pousou.

8 comentários:

Anita disse...

Quem diria. Hoje a Ísis é que seria capazz de se apresentrar como irmã dela!

almagro disse...

Desculpando lugar-comum mas essa faz por merecer: belezíssima lembrança e creio campanha ter ficado bonitona também.

Cantídio disse...

Será que ela estreiou aí?

Anônimo disse...

Que espetacular experiencia a de ter sido, senao o primeiro, sem duvida um dos primeiros a ter fotografado esta beldade.

Anonymous
New York

Eustáquio disse...

Sortudo!

Anônimo disse...

Pena que você não tem mais este anúncio. Seria uma espécie de troféu a ser pendurado na parede, que nem aqueles caçadores faziam.
L.P.

Anônimo disse...

Queria ter estado em seu lugar

Ernani disse...

Eu me lembro destes anúncios de fim de ano da Mesbla. Não sei se especificamente este que você leiautou, mas de vários que sempre eram veiculados no final do ano.