sábado, setembro 08, 2012

O “caso” do elevador seguro...



Os dois anos que trabalhei na Salles foram cheios de muito trabalho, mas por outro lado recheados de momentos divertidos, muitos das quais já postei neste blogue. E ali tambem conheci profissionais, para alem de competentes, muito engraçados... Pessoas de quem a gente não se esquece pela originalidade delas.
É o caso do Carlos Frederico Prestes Coutinho, conhecido na intimidade como Fred Coutinho, uma figura impar. Como redator e criativo beirava a genialidade, tendo criado anúncios memoráveis como aquele do DNER para os feriados da semana santa que simplesmente dizia “Nesta semana todos os pecados são mortais” sublinhando uma foto de faróis difusos em forte neblina, no meio de uma curva... Isto só para citar alguma das muitas excelentes peças que criou por aquelas bandas. E como colega de trabalho brilhante em suas brincadeiras, sempre temperadas com sutis ironias.
Era tambem o editor responsável pelo famoso “Bestialógico”, que vinha a ser um compêndio de expressões e frases erradas enunciadas ou escritas por alguém em qualquer instante. O dito “dicionário da ignorância” que continha pérolas do falar mal a lingua mater era guardado pelo Fred a sete chaves.

Mas o Fred tinha algumas características fortes e marcantes. Uma delas era o horror a altura, avião e elevador. Detalhe: a Salles ficava no décimo nono andar do “espigão” na Praia do Flamengo, 200. Pois bem, era comum ele subir e descer a pé aquelas sei lá quantas centenas, talvez milhares de degraus, pelo menos duas vezes ao dia.
  
Houve então uma tarde meio pachorrenta, dessas raríssimas em que há pouco trabalho e as horas se arrastam lentamente, que começamos um papo muito doido sobre opções para um elevador mais seguro. Sim, o objetivo era criar um ascensor que não pudesse cair, já que o Fred costumava dizer que os do prédio costumavam passar por turbulências, Tal e qual os aviões.

Inicialmente criamos um tipo de elevador flutuante em água, segundo o princípio dos vasos comunicantes (veja desenho). Seriam sempre dois. Enquanto um subia, o outro descia; claro que flutuando a segurança era muito grande e em hipótese alguma poderia despencar. Mas, lá pras tantas nos ocorreu que ele poderia afundar, simplesmente fazer água e naufragar... Alguns segundos de silêncio e surgiu a solução; coletes salva-vidas e botes infláveis com a mesma finalidade.

A seguir, no entanto, conseguimos imaginar um tipo de elevador mais diferenciado ainda... O elevador plano. Ou seja, não subia nem descia, mas andava de lado... Os andares seriam na horizontal e ele deslizaria sobre trilhos seguros a uma velocidade de no máximo 20 quilômetros por hora. Quer dizer, tudo em cima, tudo na mais perfeita segurança.

No mais, papos deste naipe rolavam numa agência cuja equipe de criação era muito divertida e sempre à procura de como ocupar os poucos tempos disponíveis com alegria e prazer. O que, sem dúvida conseguíamos... Certamente que sim!


7 comentários:

Anselmo de Castro Neves disse...

Já ouvi falar deste Fred Coutinho e suas histórias. Sei pouco sobre ele. Mas parece que trabalhou muito tempo na DPZ Rio. Nem sabia que foi da Salles.
Vocês todos foram de um tempo que se respirava criatividade.
Hoje reina apenas a mediocridade, muito silêncio, menos papo ainda e uma competição desumana.

Ernani disse...

Fred Coutinho é um sujeito muito esquisito. Não sabia deste lado bem humorado dele.

Ana Paula Duarte disse...

Gente, esse cara é um mito da publicidade carioca!

Anita disse...

Só podia ser o Fred para pensar algo no gênero !!!

Anônimo disse...

Jonga, você esqueceu do melhor projeto: a pessoa entrava no elevador e o elevador ficava parado, o prédio é que descia. Era muito prático e não havia jeito da pessoa ficar presa no elevador, uma vez que o prédio não enguiçava por ter um equipamento movido a campo eletromagnético, igualmente patenteado por nós, completamente à prova de falhas. Eu sempre disse que não dá pra confiar num troço sustentado por um cabo. No mínimo um general. Beijos pra você, Virginex e Guguex!

Jonga Olivieri disse...

Faleceu... O neurônio queimou... Este pelo menos já se foi. Mas o Teco continua, já que o Tico tambem morreu... Snif!

Depois vou publicar uma postagem falando apenas deste projeto... 'The best'!

Anônimo disse...

Excelente!
Mas quero ver a continuacao proposta pelo Fred. Nao vou deixar de cobrar esta!

Anonymous
New York