segunda-feira, novembro 26, 2012

Da série relembrando Zuim: um texto poético sobre o poeta!


A imagem é meramente figurativa

“Saudade do Jackson Drummond Zuim
  
Um dia eu olhei para a aquela velha máquina Remington, enorme, gorda, do modelo que equipou tantas redações importantes e pensei com os meus botões: mas essa máquina é do Zuim! Quando o Zuim veio trabalhar na minha agência, que naquela época se chamava Contacto, ele exigiu que eu comprasse aquele trambolho pré-histórico com o qual conquistou prêmios, deixou enormes recordações de sensibilidade e profissionalismo, e, principalmente, deixou  um publicitário melhor, porque me ensinou muito de publicidade, da boa publicidade. Mandei embrulhar a máquina em um enorme papel celofane, amarrado com uma também enorme fita vermelha e enviei para ele, na Sabiá (1), acompanhada de um bilhete que dizia que ninguém mais era digno de tocar naquela máquina, além dele. Não tive a menor resposta. Tempos depois, talvez anos, eu estava em minha sala, absorto em um texto qualquer, quando senti uma inesperada presença na minha frente. Levantei a cabeça e me deparei com um sujeito carrancudo, de dedo em riste e pronto pra dizer alguma coisa, que parecia não ser nada de bom. Fiquei lívido de susto. E o Zuim falou: – Eu só vim aqui pra dizer que você é meu amigo e que eu gosto muito de você. Antes de eu esboçar qualquer resposta, virou as costas e foi embora. Esse era o Zuim. E hoje eu chorei porque estou com muita saudade dele. E com um imenso remorso em ter sido tão relapso com esse grande companheiro, por não tê-lo procurado nos últimos anos. Agora, não vou vê-lo nunca mais. E a saudade está doendo em mim.
José Maria Vargas
Diretor da Agência Staff de Publicidade, Sindicato das Agências de Propaganda do Estado de Minas Gerais - Sinapro-MG e Federação Nacional das Agências de Propaganda – Fenapro
http://sinapromg.com.br/index.php
   
Em tempo: O publicitário e poeta Jackson Drummond Zuim, faleceu no dia 09 de julho, em Belo Horizonte, vítima de um câncer na garganta.”

NOTA: Não conheço José Maria Vargas, mas achei o seu texto tão bonito e emocionante que o reproduzi aqui com os devidos créditos a ele e à Sinapro-MG.

1. Sabiá foi a agência fundada pelo Zuim (a nota é minha).

8 comentários:

Anita disse...

Realmente um texto maravilhoso. Pena que eu não conheci este Zuim!

Cantídio disse...

Também sinto que ele não tenha sido divulgado aqui no Rio.
Mas foram poucos os que tiversm alguma repercussão além das montanhas mineiras.

Ernani disse...

E este José Maria Vargas tambem é outro poeta, um puta dum redator!

Anônimo disse...

Este Zuim deve ter sido mesmo muto bom criativo. A opiniao de seu ex-patrao comprova isso nesta belissima narrativa.

Anonymous
New York

Anônimo disse...

Muito demais.
Tavim

Marquinhos disse...

Só quem conviveu com o Zuim, sua mãe maravilhosa e seus dois irmãos, como eu convivi, sabe o grande cara que ele foi!

Pedro Vianna disse...

Ave, Mestre Zu! Ave, Mestre Jonga!

Rovian Ramos disse...

Muito bom!!!!