sexta-feira, novembro 16, 2012

O “caso” do cenário teatral

Esboço do cenário. O desenho ao fundo é meramente ilustrativo
Uma conhecida minha me chamou para criar e executar o cenário de uma peça de teatro amador. Confesso que fiquei muito feliz com isso. Afinal, aposentado, estou a deixar a publicidade, tendo apenas dois clientes que mantenho quase que por diletantismo e, no momento, dedico-me à pintura; ramo em que, aliás, venho obtendo bons resultados.

Arregacei as mangas, baseado em uma ideia, que, se não for inédita, pelo menos a considero bastante original. E parti para as ruas atrás de materiais, lojas e fabricantes de produtos que se adequassem ao cenário por mim pensado.
Aproveitando para falar da ideia: pensei em um fundo de palco branco com os cenários (eram dois ambientes) desenhados em preto e posteriormente plotados. Passei em três gráficas rápidas até conseguir o melhor preço.
Exemplo (simplificado) para o cenário

Depois foram os blocos (tipo puf) que serviam de assentos e ao mesmo tempo, remanejados, formariam as mesas do ambiente. Inicialmente, pensara em madeira, porem nem cheguei a orçar porque sabia que madeira é caríssimo. Fiz os orçamentos em caixas de papelão que, segundo o fornecedor aguentariam o peso de um adulto sentado. Bom, pelo menos eu (92 quilos), sentei, mexi pra lá e pra cá, e me pareceram confiáveis. Alem do mais eram dobráveis e fáceis de guardar por ficarem planos.
Não conformado, cheguei a uma descoberta ao pesquisar no Google: blocos de Isopor. Fui na loja –na Praça Tiradentes–, e os achei muito resistentes ao peso, e, apesar de não serem quadrados eram possíveis de serem usados.
Havia ainda a pintura desses acessórios. Optei pelo “Pó Xadrez”, que misturado à água torna-se semelhante à tinta acrílica e eram bem mais em conta. Rolinhos para a pintura dos cubos completavam o material para a confecção do cenário.

Resumo da ópera, os custos ficaram em:
Total com caixas de papelão: R$ 3.344,40 (três mil, trezentos e quarenta e quatro reais e quarenta centavos).
Total com cubos de isopor: R$ 4.790,40 (três mil, trezentos e quarenta e quatro reais e quarenta centavos).
Blocos (cadeiras e mesa)

Em reunião com a cliente, ela achou muito caro e fora de seu budget. Como não havíamos falado em orçamento, parti então para um novo levantamento de materiais tentando reduzir para os R$ 500,00 (quinhentos reais) que ela (então) fixou como limite. Um desafio, mas a minha vida em publicidade sempre esteve marcada por clientes com pouca verba... E como ganhei prêmios com anúncios e campanhas com soluções criativas, porém baratas. Os anúncios Alltype (1) foram um exemplo disto!
  
Fui à luta! 
  
A primeira coisa que pensei foi em fazer os fundos de palco pintados com a mesma tinta “Pó Xadrez”, mas no caso apenas pretas. Ao custo de R$ 6,50 cada caixa, a coisa já ia ficar mais barata aí. Alem disso, orcei estes painéis em gorgurão e plástico. O plástico ganhou disparado. Os dois painéis ficariam em R$ 226,80 (duzentos e vinte e seis reais e oitenta centavos), contra os R$ 3.120,00 (três mil, cento e vinte reais) da plotagem.
Rolinhos e tintas eram baratinhos e pouco mudaram no montante. Precisaria alugar um Retroprojetor para ampliar os desenhos, mas o aluguel tambem pouco somava no total. O resultado é que o preço caiu para R$ 340,90 (trezentos e quarenta reais e noventa centavos). Quer dizer: mamão com açúcar. O total ficou abaixo do budget...

Infelizmente a cliente resolveu não concretizar o trabalho. Por e-mail, comunicou-me a decisão de desistir do projeto. Fiquei a pensar se não gostou. Mas nas reuniões que fizemos ela não havia manifestado isto, somente se fixando na questão dos custos, não tendo em momento algum criticado a ideia. Ou será que apareceu um outro cenógrafo com mais know how na área?
De qualquer maneira registrei os cenários ainda ontem, e aproveito esta postagem para anunciar que este projeto está à disposição de quem queira comprá-lo (2). Podemos negociar, certo?

1. Anúncios em que se usavam apenas letras, evitando as fotos, muito caras na época.

2. Detalhe: como era um grupo amador não estava a cobrar nada do meu trabalho...


10 comentários:

Anita disse...

Que coisa! Depois de fazer tudo!!! Acho que tem alguma coisa mal contada aí!
Ou melhor dizendo, tem outras coisas no meio de campo. Me entende?

Misael de Silva Costa disse...

Gostei, esta é uma proposta 'Brechtiana' de cenário.

Cantídio disse...

Posso dizer uma coisa?
Esta sua "conhecida" te sacaneou!

Jackie disse...

O importante é que você (como bom criativo que é) bolou um cenário muito interessante e diferente. Criativo mesmo!
Será que ela entendeu? Rs

Anônimo disse...

Nao entendi o porque de tudo isto. E um motivo para alguma reflexao.
E por que nao conversar para obter pessoalmente mais informacoes sobre a decisao?

Anonymous
New York

Anônimo disse...

Fique de olho, cara, parecem evidentes as intenções de mamar esta ideia!
Não é só na nossa área que acontecem coisas assim.

Fernando (?)

Anônimo disse...

Chupa-cabra?
Otávio (Tavim)

Anselmo de Castro Neves disse...

Fez muito bem em registrar.

Ernani disse...

Mas foi assim?!!!

Alice Müeller disse...

Escabroso. Essa sua "conhecida", vê se passa a desconhece-la, meu!