terça-feira, novembro 06, 2012

O melhor da comédia brasileira

Chanchada foi um gênero de filme (1), que aqui no Brasil teve seu o ápice entre as décadas de 1930 e 1950 e eram comédias musicais, misturadas com elementos de filmes, principalmente policiais. Quando o gênero instalou-se por terras tupiniquins, os críticos locais o consideravam vulgar, por isso o apelidaram de chanchada - palavra cujo significado mais próximo era "porcaria". A aversão dos críticos, entretanto, não prejudicou o estrondoso sucesso de bilheteria desses filmes.

Mas quem tenha batizado –maldosamente– as comédias da Atlântida de “chanchadas” o fez, sem dúvida a partir de um ponto de vista “moralista” e preconceituoso, embora tenha conseguido aliciar a imensa maioria dos críticos da época.
O professor André Setaro, uma das maiores expertises em história do cinema neste país nos relata:

“(...) É verdade que pode ter havido alguma exceção na crítica cinematográfica, mas a grande maioria as execrava...

... O crítico Moniz Vianna do Correio da Manhã, que era apontado como o imperador da crítica, era impiedoso com as chanchadas, considerando-as ‘filmes menores e sem expressão’...”

A Mostra NOITES DE CHANCHADA (6 a 18 de novembro na Caixa Cultural) produção da LAFFILMES (na qual trabalha minha sobrinha Ludmila) nos trás um resumo deste período importantíssimo para a história do cinema brasileiro, até porque o sucesso das chanchadas entre o público da época permitiram um rápido crescimento da indústria cinematográfica brasileira. Esta mostra vem a nos oferecer uma antologia de filmes que criaram ícones do humor no país, sendo Oscarito o maior deles.
O sobrinho-neto e o filho de Oscarito
 comigo no coquetel após a Mostra
Por isto fui ontem à primeira exibição, com o maravilhoso O Homem do Sputnik (1959), direção de Carlos Manga; que considero, ao lado de Os Dois Ladrões, tambem do mesmo diretor, os melhores filmes do gênero (2). E qual não foi a minha emoção ao rever este filme em tela grande, no escurinho do cinema, pois desde a minha juventude isto não acontecia, tendo-os assistido (a todos) em casa.
Infelizmente, Carlos Manga –que conheço de outros carnavais (3)– não compareceu, por motivos de força maior, sendo que na quarta feira deverá estar em palestra que fará após a exibição de Assim Era a Atlântida (1975), tambem de sua autoria, documentário antológico da chanchada.


No entanto, estava lá Norma Bengel, que interpretou no filme a sexy BB, com quem tirei uma foto que vou ficar devendo porque ainda não me foi enviada, clicada pela fotógrafa oficial do evento. Mas a publicarei em breve. Prometo!

E foi uma surpresa inenarrável ter encontrado a família de Oscarito (foto acima), e haver conversado com seu filho e o sobrinho-neto, este, a cara dele!
 
1. Esse tipo de humor não pode ser considerado uma invenção brasileira, pois comédias assim também eram comuns em países, principalmente Itália, México e Argentina, entre outros, incluindo Portugal.
2. É difícil escolher os melhores entre Matar ou Correr (1953), Nem Sansão nem Dalila (1955) ou De Vento em Popa (1957.
3. Manga dirigiu alguns comerciais dos quais participei da criação quando (ao lado de Cyll Farney) tinha a Tyccon, uma produtora de filmes

5 comentários:

Cantídio disse...

Tmabém considero a 'Chanchada' um gênero que foi muito injustiçado.
Porque além do mais os filmes eram muito bem produzidos. A luz e a fotografia eram ótimo
A edição bem cuidada nos cortes e os diálogos, na maioria das vezes era refinado!

Anita disse...

Esta foto com o filho e o sobrinho neto do OSCARITO é pra botar no "Curriculum Vitae"!

Ernani disse...

Chanchada me lembra Grande Otelo que me lembra mesmo é "Óticas do Povo... Moo-rôô?"

Anônimo disse...

O fato de ter tirado uma foto com o irmao e o sobrinho de Oscarito deve ter sido muita emocao
Pincipalmente voce que foi de aaquela epoca, Parabens!

Anonymous
New Youk

Jackie disse...

Não sabia que já tinha uma Livraria Cultura no Rio. Pesava que a da Senador Dantas ia ser a primeira.