sábado, novembro 24, 2012

Zuindo de genial



A última fotoque tenho do Zuim (1) num jantar no Minas Tênis Clube em 1999
Postagem publicada originalmente neste blogue no dia 28 de novembro de 2008, foi adaptada em função de fatos...

Conheci poucos profissionais como o Jackson Drummond Zuim. Tenho alguns casos contados neste blogue sobre este criativíssimo redator mineiro. Como por exemplo: “O ‘caso’ do Barão”, postado em agosto de 2006 ou “O ‘caso’ do clube etílico”, este em março de 2007. Mas, para além desses e de um ou outro que eu tenha esquecido de relacionar aqui, ele é citado em diversas historinhas aqui transcritas.

Com o Zuim, participei do Clube de Criação de Minas, e, apesar de levarmos nossos cargos muito a sério, nos divertimos às pamparras. Pelo menos bebemos muitas... ou “todas”, isso posso garantir. Aliás, quando me indicaram para ser presidente daquele clube, topei, mas com a condição da formação de um triunvirato em que os presidentes eram, além de mim, o Zuim e o Marcos Vinícius, um RTVC de Goiás, que logo voltou para sua terra natal, nos deixando em dueto.
Como não tínhamos sede própria, a diretoria se reunia invariavelmente nos bares da vida. Nossos companheiros mais frequentes eram o Jener e o Orlandinho. Mas vez por outra apareciam outros, como o Tonico ‘Mercador’, o Pedro, o Wanderley ou o Luis Márcio. Olha, varávamos as noites, e, claro, as reuniões começavam muito bem, mas depois de uma certa hora era um pileque só.

A última vez que encontrei o Jackson Zuim, nos cruzamos na Savassi. Foi em 2000, quando eu trabalhava em Beagá. Paramos e ficamos a conversar por mais de meia hora. Ele com aquele vozeirão (um tremendo dum baixo) e sempre chamando a gente de “barão”... Um amigo nosso o apelidou de “o açougueiro da propaganda”. Mas o mais engraçado é que o cara com o seu jeitão de “Fred Flintstone” era um poeta sensível, que se defendia por trás de uma aparência rude. Tanto que montou uma agência de publicidade e a batizou de “Sabiá”.
Em julho do ano passado soube por amigos que o Zuim havia falecido. Já sabia de sua doença e do quanto ele sofreu com aquilo...

Em sua homenagem, publico aqui esta homenagem a ele. E aproveito para finalizar este artigo transcrevendo abaixo um poeminha descompromissado de sua autoria, que li no “Pastelzinho”, o blogue do Maurilo (link ao lado), outro redator mineiro que conheci em época mais recente... Mas, apesar disso é uma sujeito decente. E talentoso.

Poeminha Abstêmio

Depois que parei de beber

Minha vida mudou
Do vinho para a água
  
Jackson Drummond Zuim

1. Infelizmente a foto não é boa porque foi escaneada de um Newsletter (impresso em jato de tinta) que fizemos de um Encontro de Criativos Mineiros ao qual compareceram mais de 30 profissionais.

4 comentários:

Jonga Olivieri disse...

Vejam este texto sobre o Zuim:

“Um dia eu olhei para a aquela velha máquina Remington, enorme, gorda, do modelo que equipou tantas redações importantes e pensei com os meus botões: mas essa máquina é do Zuim! Quando o Zuim veio trabalhar na minha agência, que naquela época se chamava Contacto, ele exigiu que eu comprasse aquele trambolho pré-histórico com o qual conquistou prêmios, deixou enormes recordações de sensibilidade e profissionalismo, e, principalmente, deixou um publicitário melhor, porque me ensinou muito de publicidade, da boa publicidade. Mandei embrulhar a máquina em um enorme papel celofane, amarrado com uma também enorme fita vermelha e enviei para ele, na Sabiá, acompanhada de um bilhete que dizia que ninguém mais era digno de tocar naquela máquina, além dele. Não tive a menor resposta. Tempos depois, talvez anos, eu estava em minha sala, absorto em um texto qualquer, quando senti uma inesperada presença na minha frente. Levantei a cabeça e me deparei com um sujeito carrancudo, de dedo em riste e pronto pra dizer alguma coisa, que parecia não ser nada de bom. Fiquei lívido de susto. E o Zuim falou: _ Eu só vim aqui pra dizer que você é meu amigo e que eu gosto muito de você. Antes de eu esboçar qualquer resposta, virou as costas e foi embora. Esse era o Zuim. E hoje eu chorei porque estou com muita saudade dele. E com um imenso remorso em ter sido tão relapso com esse grande companheiro, por não tê-lo procurado nos últimos anos. Agora, não vou vê-lo nunca mais. E a saudade está doendo em mim.
José Maria Vargas”

Diretor da Agência Staff de Publicidade, Sindicato das Agências de Propaganda do Estado de Minas Gerais - Sinapro-MG e Federação Nacional das Agências de Propaganda - Fenapro

Em tempo: O publicitário e poeta Jackson Drummond Zuim faleceu no dia 09 de julho, em Belo Horizonte, vítima de um câncer na garganta.

Anônimo disse...

Falou, nobre Jonga.
Abs,
AT

Cantídio disse...

A gente aqui no Rio não sabe muito do mercado mineiro.
Por acaso a CPI do Mensalão revelou nomes como Marcos Valério e alguns outros, mas de forma tão ruim.
Pena que não conhecemos figuras como este Zuim. Mas isto era o nome ou sobrenome dele?
Engraçado!

Ernani disse...

Bem melhor a homenagem a um amigo do que aquele causo anterior falando de uma mau-caráter!