sábado, dezembro 01, 2012

Da série relembrando Zuim: O “caso” do Barão


Este “caso” já foi contado neste blogue. No entanto, adaptei o tempo dos verbos para o passado em função do desaparecimento do Zuim.


Minas Gerais me abrigou por três anos (1). Foram anos em que fiz grandes amigos, sem dúvida. Amigos como o Luis Márcio Viana, o Sérgio Torres, o Tonico Mercador, a Lúcia Lobo, o Newton Silva, o Juninho e a Claudinha (RTV’s da Livre), o Cid e tantos, mas tantos outros. Até hoje, quando volto por aquelas montanhas encantadas, tenho que reunir a moçada toda num almoço festivo, geralmente no Minas I, ou no Dona Lucinha (putz, a comida do Dona Lucinha!) para poder matar a saudade de todos eles ao mesmo tempo. Senão, não dá tempo.

Mas havia um redator que eu conhecí nas Gerais, uma figura inesquecível, marcante mesmo, que foi o Jackson Drummond Zuim. O Zuim, como era conhecido.
Zuim tinha uma característica ímpar. Era extremamente sincero. Claro, além de ser um dos melhores redatores que eu conheci, e de ter sido, como todo bom mineiro um senhor papo e um puta levantador de copos. Além disso, tinha a particularidede de chamar todo mundo de barão. Você estava num papo com ele, e ele virava pra você e dizia: "ô barão, o negócio é o seguinte..." e ia por aí a fora.

Quando fui eleito presidente do Clube de Criação de Minas, dividi a presidência com o Zuim. Criamos a "Zorra da Criação", que eram encontros nas agências, bancados pelas agências. Detalhe: toda agência mineira que se preze tem que ter uma boa cozinha, algumas com fogão de lenha, outras com churrasqueira ou coisa similar, e muito, muito chope.

As reuniões semanais da diretoria do Clube eram feitas nos bares da vida. Muitas vezes chegava em casa já amanhecendo. Por isso eram quase sempre feitas às sextas.

Mas tinha uma conta em Minas que era dose. Chamava-se Credireal. Porque era dose? Olha, era aquele banco estatal com cara de Ministério da Transilvânia. Tinha até sua "momenklatura" interna. Formalidade, cerimônia. Paúra mesmo. Quando você andava nos corredores você sentia o peso da atmosfera reinante. Dava arrepios. A diretoria tinha uma idade limite: não aceitava membros com menos de 80 anos. E eu sei disso porque atendi a conta. Quando era diretor de criação na ASA tive que apresentar uma campanha lá. O negócio foi todo ensaiado na agência. Quem falava e quando. Mesmo assim eu tremia.
Agora, tem um caso do Zuim que realmente deve passar pra história da propaganda. Não só da mineira, em que ela já está devidamente registrada, mas de toda a nossa propaganda. Vale ressaltar aqui que este caso eu não presenciei, até porque ele aconteceu antes da minha chegada em Minas. Mas é fato corrente. Conversa nos bares.

Conta a lenda que Zuim foi certa vez apresentar junto com a equipe da agência em que trabalhava na época uma campanha no Credireal. Ali, na mesa de reunião (daquelas longas que chegavam a ter linha do horizonte) estava reunido todo o staff da agência e a dita "momenklatura" do politbureau do banco. E, conversa vai, conversa vem, lá pras tantas o presidente do banco pediu a palavra. Todos se viraram para ele, e o ancião começou a tecer comentários sobre a campanha. E a cair de pau, coisa que era aliás sempre comum por ali. E o Zuim, autor da idéia, quietinho no seu canto, caladinho, se mordendo. De repente, surgiu aquela cabeça que se projetou para a frente, levantou o dedo como que pedindo um aparte na sala de aula de um ginásio inglês. O presidente se calou. As atenções voltaram-se para o Zuim, e ele pausadamente com sua voz de baixo disse: "ô barão... isso aí não é bem o que você está pensando não, tá!".

Dá para imaginar o reboliço que foi. Bom. Quem conheceu o Credireal sabe. E, sem dúvida, foi uma atitude ousada e memorável dessa personalidade histórica que foi o Jackson Drummond Zuim. O "barão".
 
1. Trabalhei em Minas nos períodos de 1985 a 1988 e 1999 a 2000. Este caso aconteceu no primeiro

7 comentários:

Anita disse...

Dá pra se ter uma boa ideia de quem foi o Zuim!

Cantídio disse...

Sem a menor sombra de dúvida foi um sujeito criativo... e audaz.

Anônimo disse...

O 'Barão' deveria ser um 'Duque', isto sim!
Tavim

Anônimo disse...

Sou mineiro e claro que conheci o Zuim. Mas quem por aquelas bandas não o conheceu?
Posso garantir que foi de fato um dos melhores profissionais de criação que existiram.
E que não somente merece essa sua, como deveria ter a homenagem a de muitos outros.
O.

Ernani disse...

Valeu a opinião de um mineiro. E os outros? Não lêem ou simplesmente não comentam neste Blog?

Anônimo disse...

Mais uma do Zuim para nao nos esquecermos.

Anonymous
New York

Anônimo disse...

Este Zuim era "massa"!
Tavim