quarta-feira, janeiro 09, 2013

Uma ideia na cabeça e uma virada...




A imagem que muitas pessoas fazem de criativos publicitários é que as ideias surgem como num passe de mágica. Geniais. Marcantes. Inesquecíveis. Até pode acontecer, uma vez em mil, que você olhe para o alto e caia aquela ideia maravilhosa na sua testa. Mas, posso garantir que isso é muito raro. Na grande maioria das vezes prevalece aquele raciocínio de que toda grande ideia é formada de 1% de inspiração e 99% de transpiração. Muita transpiração mesmo. Posso garantir.

São longos pedidos de trabalho, pesquisas, reuniões, reuniões e mais reuniões (muitas chatíssimas) brainstormings, revisões de avaliação, e, geralmente, horas e horas de um redator olhando para o diretor de arte e vice-versa. Não que nunca aconteça. Já tive ideias dormindo. Acordava e anotava ou desenhava o que havia sonhado ou sei lá o quê... mas são difíceis esses momentos. Lembro de um período em que atendí a conta da Aracruz Celulose, na Salles. Olha, era um clientezinho difícil. Até porque na época, muito vulnerável por críticas ao desmatamento, eles tinham medo de tudo. Quando pintava a campanha anual deles, dizer alguma coisa criativa era uma “parada”. E eu e o redator que trabalhava comigo, ficávamos tempos, quebrando a cabeça. De repente eu virava para ele e balbuciava: “Aracruz...”. Ele, após alguns momentos de silêncio, me entreolhava e respondia: “...Aracruz.” Era uma verdadeira “inconha”.

Às vezes o óbvio pode resolver muita coisa. Lembro de um filme premiado no Festival de Nova Iorque, que era sobre hambúrgueres. Simplesmente o personagem comia um sanduíche, quando o chão se abria e era tragado para sei lá aonde. E o locutor então entrava em off dizendo que o hambúrguer mais leve era o da lanchonete “Tal”. O óbvio me salvou “ene” vezes ao longo de minha trajetória profissional. A propósito, já até contei um caso neste blog (1).

Mas têm momentos que a gente se lembra de coisas que são mais ou menos comuns num processo criativo. E um deles é aquele negócio de não estar a conseguir um caminho, de nada estar dando certo, a solução é dar uma virada. Colocar tudo de cabeça pra baixo, inverter, revolucionar. Há poucos dias estava assistindo um comercial na TV, e me lembrei disso. O filme é todo com pessoas de cabeça pra baixo. Fazendo piruetas, andando, correndo, pulando, mas sempre de ponta cabeça. E me lembrei deste posicionamento. Pode até não ser, mas tenho quase certeza que em dado momento alguém resolveu virar tudo. Literal e obviamente.

1. “O ‘caso’ do óbvio ululante” foi publicado em 1 de março de 2007.

2 comentários:

Anita disse...

Andei uns dias de cabeça virada, por isto não comentei antes, mas você colocou de forma excelente a questão!
E adorei o Caso do Óbvio Ululante.

M. S. disse...

curti muito lendo este post um beijo