domingo, julho 28, 2013

O “caso” da modelo estreante

Quando eu trabalhava na Provarejo (leia-se Grupo Mesbla), fui dirigir uma foto para a chamada 'Linha Branca'.
Na verdade, o anúncio ‘Linha Branca’ era um página dupla veiculado todos os anos pelo Magazine Mesbla na primeira contra capa e na página um (ao lado) da revista Veja. Alias, do último número daquela revista antes da passagem de ano... Uma senhora colocação. Também um senhor problema, porque a contra capa era impressa em rotogravura e a primeira página em offset, além do que em papéis também diferentes. Isso sempre dava uma diferença brutal nas cores, na textura. Detalhes de uma profissão cheia deles.

O anúncio tinha esta denominação porque era composto de várias modelos – quase sempre eram só mulheres – todas vestidas de branco, e como a veiculação era na última edição do ano, e, portanto as modelos sugeriam um clima de Reveillon.
O layout que eu apresentara e fora aprovado tinha umas seis modelos, todas com taça de champanhe na mão. As cores ficavam por conta de serpentinas e confetes caindo, compondo um ambiente, cujo fundo de um azulado mais escuro realçava a cor branca das roupas. Essas, o produto. A razão de ser do anúncio.

Cheguei mais cedo no estúdio do Sebastião Barbosa, que era em Santa Teresa. E, com oTião, começamos a adiantar o cenário e outros detalhes, como luz, angulação e outros coisinhas. Além de acomodar a maquiadora e a produtora.
Sempre pensei o quanto as pessoas não sabem o trabalho que dá produzir uma foto, por mais simples que possa parecer.

Lá para as tantas, começaram a chegar as modelos. Conhecia algumas, como a Elzinha, que na época era casada com o filho do Clício Barroso, por acaso também Clício, e era então uma super badalada modelo. Havia outras que eu conhecia de fotos ou de catálogos de agências. Porém, algumas nem isso. Era gente nova mesmo.
Uma dessas me chamou atenção especial. Era linda. Devia ter uns vinte aninhos, se tanto. Um rostinho vivo. E um corpo que sai da frente. Estava mais para uma ilustração do Benício do que para algo real. Um sonho de menina. Além do mais, a roupa que ‘caiu’ para ela era extremamente sensual.

Durante os preparativos a gente vai conversando, descontraindo, trocando idéias. Normalmente o diretor de arte tem que passar para as modelos o que quer delas, o clima da foto, etc. E tentar deixa-las bem à vontade para poderem render o máximo na hora do clic.
Em determinado momento estava eu conversando com a tal lindézima criatura descrita acima. Perguntei o nome dela. Antes de qualquer coisa ela disse:

- Eu sou irmã da Ísis de Oliveira... conhece?
Claro que eu conhecia. Naquela época, a Ísis era atriz da Globo, e estava na crista da onda.

- Estou começando agora nesta profissão... Acrescentou timidamente, desviando o olhar para os lados. Ai, que coisa mais linda! E continuou:
- ... o meu nome é Luma.

Não sei se foi aquela a sua estréia como modelo, mas, tenho certeza de que foi uma das primeiras vezes que pousou.


segunda-feira, julho 22, 2013

A primeira cachimbada a gente nunca esquece


Comecei a fumar cachimbo na Bahia em 1966. Ganhara dois cachimbos de um primo. Um era da marca Compass do tipo Apple, que eu tenho até hoje, passados 48 anos. O outro, também inglês, era do tipo billiard estampado com a famosa grife Dunhill. Um cachimbo excelente, que, infelizmente, e apesar do “sangue azul”, o tempo acabou por destruir.
O certo é que, naquela época, comecei a achar que jovem fumando cachimbo era meio pedante, pensamento agravado pelo fato de que havia o Gabriel, um conhecido do tipo que fazia uma puta duma pose para fuma-lo (1). Tambem achava que precisava haver uns cabelinhos brancos para justificar o hábito. Deixei de fumá-los, mas, guardei as preciosidades.

Em 1981 a minha pressão foi parar nas alturas. Bom, na ocasião eu fumava uns sessenta cigarros por dia, quase que acendia um no outro. Se acordasse no meio da noite, a primeira coisa que fazia era, ainda sonolento, esticar o braço, tateando em direção à mesa de cabeceira, colocar um cigarro na boca, e, mecanicamente, acende-lo quase sem sentir.
O médico, então, me aconselhou a deixar o vício, sob pena de piorar mais ainda, ou até morrer. Fiquei impressionadíssimo, e me lembro perfeitamente que quando saí do consultório, joguei a carteira de cigarros na primeira lixeira que encontrei. A decisão foi assim, súbita e radical, mas resolví mantê-la a qualquer custo. Inicialmente, comecei a comprar balas em quantidade. Recordo que entrava na Kopenhagen e saía com sacos e mais sacos das guloseimas. Comecei a ficar com medo de virar um elefante, pois se já era um tanto quanto gordinho, chupando balas daquele jeito, sabe-se lá onde ia parar?

Um belo dia lembrei-me das “velhas” pipas (2). Mas onde estavam? Ao chegar em casa, perguntei a minha mulher se os havia visto. Ela disse que nosso filho (então com uns quatro anos) os guardava numa caixa de brinquedos velhos. Gelei! Puz-me rapidamente a vasculhar a caixa à cata das preciosas peças. E depois de muito revirar o enorme depósito, os encontrei (inteiros) entre Playmobis e Legos esfacelados. O que me deixou numa felicidade indescritível.
E limpá-los? Como, se não tinha nada em casa para fazê-lo? Já era noite. Mas mesmo assim desci, peguei o carro e sai à procura de um lugar para comprar tabacos e apetrechos indispensáveis. Recordava-me de dois locais onde os poderia encontrar àquela hora: o Mercadinho Azul em Copacabana, e o Lamas no Flamengo. Achei que a segunda opção seria melhor para estacionar e me mandei para lá.
Na tabacaria, bem na entrada do boêmio e famoso restaurante, comprei um pacotinho de Bulldog, um de Tilbury e outro de Irlandês (3). Procurei um importado, tipo Prince Albert, London Dock ou Half & Half, mas, infelizmente não havia nenhum. Acrescentei um limpador de metal e uma embalagem daquelas de limpadores descartáveis de algodão, o que completaram a minha aquisição. Chegando em casa, limpei os dois cachimbos com uma expectativa e dedicação imensas. Depois, era somente acender e fumar. Importante: sem tragar. Eu sabia que nas primeiras vezes isto iria ser difícil, mas logo a gente se acostuma, pensava com meus botões.

O importante é que, após um banho curtido, vesti o roupão, refastelando-me com todo o conforto na melhor poltrona na sala, à meia luz... Afinal, com trinta e seis anos, principalmente com alguns esperados –e ainda poucos– fios de cabelos brancos, eu pude me entregar às baforadas de um delicioso billiard, fabricado pela famosa Dunhill.

1 Anos depois, por coincidência, um colega, Diretor de Arte espanhol, chamado Manolo Rodriguez, escreveu um livro chamado: “Como fumar cachimbo sem fazer pose”.

2 “Pipa” é cachimbo em espanhol e italiano. Em francês é “pipe”. Em inglês é “pipe” (pronuncia-se paipe). Ah essa língua portuguesa!

3 Bulldog e Tilbury, antigas marcas da Inducondor de Petrópolis eram então fabricados pela Souza Cruz, e Irlandês era, e ainda o é pela Wilder Finamore.

 

sábado, julho 20, 2013

O “caso” do leão

A turma que foi a Cannes. Da esquerda para a direita: Luciana Vendramini, um diretor de arte da Thompson (que não lembro o nome), Alexandre Machado, Lucia Ritto, João Bosco (ao seu lado o bastão do domador), Adilson Xavier, Fábio Fernandes, Eduardo Martins e Karen. Na frente, o leão...

Foi quando a gente ia publicar o Jornal do Clube, lá pelos idos de 1989. Mauro Mattos era o presidente. O Cristóvão Martins, a  Maria Célia Salgado e eu tínhamos peitado a parte gráfica. Era um corre corre danado. Reuniões de pauta, reuniões para diagramação; noites e madrugadas adentro. Naquele tempo ainda não havia Macintosh pelas bandas do Rio de Janeiro. O Zé Gui - coordenando tudo -, e todos envolvidos naquele desafio. "Vamos botar o jornal na rua. Ele tem que sair, ele tem que sair!" Bom, ele saiu. Aliás, pra quem não conheceu, um senhor número! Tamanhão tablóide, muita matéria, entrevistas polêmicas. E um trabalho do cão... ou do leão.

Um belo dia, me liga o Henrique Meyer. "Jonga. Pra fechar o jornal... tá quase tudo pronto... só falta mesmo fazer uma foto com o pessoal que foi a Cannes." Resumindo, a foto ia ser no Handam na noite daquele dia mesmo.
Lá pelas oito, cheguei no estúdio do Handam. Aquela animação. "O jornal tá quase pronto, - era o comentário geral - vamos ver se na semana que vem a gente está estourando com ele nas agências." Um puta dum clima.
Começou a chegar o pessoal pra foto. Era a turma carioca que tinha ido a Cannes. Eduardo Martins, João Bosco, Fábio Fernandes. No meio, como figuração, a Luciana Vendramini. De repente o Henrique solta aquela: "Tá faltando o convidado mais importante da foto." Quem será o convidado mais importante? Pensei eu com meus botões. Mas, papo vai, papo vem a gente esqueceu isso. Comecei a conjecturar com o Handam, qual seria a melhor maneira para fazer o Anuário do Clube. Como viabilizar essa tarefa hercúlea e até então inédita. Foi um papo longo.

De repente o Henrique anuncia com um sorriso de um lado ao outro do rosto que o convidado mais importante acabara de chegar. Olhei na direção da porta e eis que vejo surgir um leão. Mas olha gentem, não era aquele leão ‘brocha’ dos comerciais do Imposto de renda não! Não era aquele leão velho, pulguento, sonolento que a gente estava acostumado a ver por aí. Era um leão de verdade, em carne, osso e mandíbulas. Um leão jovem, cheio de tesão e babante. Olhar fixo, persistente. Um leão de arrepiar.

"Não se apavorem. Tudo bem" - disse o Henrique firmemente - "O leão tem um domador ao seu lado. Ele é obediente. Fiquem calmos."
A essa altura, sentia minhas pernas bambearem e pensava o que eu, que tinha medo de cachorro, estava fazendo por aquelas bandas. É a mesma sensação de quando a gente está subindo na montanha russa, antes daquela primeira queda brusca.
Fiquei atrás da parede do bar. Pelo menos tinha a ilusão de que ali havia uma divisória entre mim e aquela fera assassina. E olha que ela, a fera, no seu instinto realmente selvagem chegou a morder a calça de couro da Lúcia Ritto, segundo o seu domador porque ela era de couro de animal africano ou coisa que o valha. Fato que não aconteceu com a Karin que estava com uma de couro artificial.

"E quando começarem os flashes?" Fiz esta pergunta ao Handam num determinado momento de lucidez. Meu medo era aquele bicho enlouquecer, desbundar numa overdose de luzes pipocantes.
No final da fita, entre mortos e feridos salvaram-se todos, suados, descabelados. Só respirei quando o leão finalmente cruzou a porta e eu ainda esperei um bom tempo pra colocar o pé no elevador e me mandar, para acabar uma história que, literalmente, foi dose pra leão.
 
Este texto foi publicado no Jornal do CCRJ em 1998 e neste blogue em 2006


terça-feira, julho 16, 2013

O lançamento de “A Alteridade Ameríndia na Ficção Contemporânea das Américas" contou com a presença de Antônio Torres

Rita ao lada de Isabel Lustosa, Antônio Torres e eu
Foi de fato emocionante reencontrar Rita Olivieri-Godet, após tanto tempo(1), no lançamento de seu livro “A Alteridade Ameríndia na Ficção Contemporânea das Américas”, lançamento da Editora Fino Traço, e que teve a sempre brilhante participação de meu amigo velho de guerra, o intelectual e escritor Antônio Torres.

Pretendia começar a ler sua publicação ainda hoje, mas infelizmente, por estar lendo quatro livros em simultâneo, sendo que um deles (“Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente), para o qual preparo uma análise mais completa e profunda, que vou publicar, em breve, tem-me tomado algum tempo dos dias e madrugadas, numa transpiração e pesquisaa exaustivas.
Antonio Torres e eu
Rita fez uma brilhante introdução sobre a temática abordando a literatura dos índios americanos, referindo-se corretamente a americanos como aqueles que habitam o continente, da Terra do Fogo ao Alasca; assunto que destaquei no debate posterior, reforçando a tese de que os ianques são na verdade e apenas “estadunidenses”, e nós, todos os que nasceram no chamado Novo Mundo, somos americanos.


Neste debate, tambem coloquei a questão relativa à omissão e falta de estímulo das ”autoridades” sobre a divulgação das culturas indígena e afro-descendente, citando inclusive que o famoso dono da Casa de Ruy Barbosa, foi encarregado, no inicio do século passado de queimar todo o arquivo de documentos sobre os “quilombos”, coisa que, segundo consta nos anais da Primeira República, a “Águia de Haia” o fez sem o menor constrangimento. Tudo para reforçar a ideia de que o brasileiro é de índole pacífica(2).  

Virginia, o filho Marco, eu e Rita
A realidade é que os europeus exterminaram os donos da terra americana em nome de uma pretensa “civilização”, alegando, segundo as palavras da própria autora, a combater a “barbárie” dos “silvículas”... E provaram justamente o contrário desde o “holocausto” nos Estados Unidos à violência selvagem na Argentina. Passando pela destruição das artes Inca, Maia e Azteca, que partiram do derretimento de maravilhosas esculturas, para serem enviadas à corte espanhola na forma de toneladas de barras de ouro.


1. Conheci Rita na Bahia, já faz algum tempo, quando era casada com um primo. Mas já se notava a sua vivacidade e carisma, fatores que a levaram a ser, após quase duas décadas na França coordenadora da Faculdade de Letras da Université Rennes 2, alem de membro do importante Institut Universitaire de France.


2. Hoje, estamos passando um tempo em que o mito do “brasileiro pacífico” está sendo colocado contra a parede com as manifestações do proletariado e das classes médias, a protestar por todo o país.

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sábado, julho 13, 2013

Um filme a que se assiste com gostio*



O comercial postado abaixo foi criado e produzido em 1982 por Duda Mendonça... E eu o considero uma obra prima por sua simplicidade e atualidade.
Aliás, justiça seja feita, Duda sempre teve um talento especial para criar filmes publicitários inesquecíveis. Pelo menos foi o que comprovei naquele período em que trabalhei com ele na Bahia... E este talvez seja um dos melhores, pois  se fosse citar todos aqui, certamente encheria páginas.

Tenho um conhecido (que prefiro não revelar o nome), e que morria de inveja dele, que me dizia –e creio, chegou a falar com ele, Duda–, que  este não “tinha capacidade para ‘bolar’ um filmete de 10 segundos” (sic). Mas a verdade é que o criativo tinha uma senhora visão da comunicação através das imagens em movimento, mesmo que a maioria de seus comerciais fossem de um minuto e meio pra cima.

E o exemplo abaixo é suficiente para a ilustrar a série “criatividade com simplicidade – capítulo Duda Mendonça”. 

  

(*) O acento baiano para a palavra gosto


Ótica Ernesto, Menino Menina

quinta-feira, julho 11, 2013

O "caso" do 'xará'

Ilustrações de Nilton Ramalho
Nilton Ramalho é uma figura sempre bem humorada e divertida. Quando estou com ele, solto boas risadas das suas narrativas e das situações que ele vive. Tem a veia do contador de piadas, reais ou imaginárias. E isto é um dom. O saudoso Flávio Colin também era assim, capaz de contar uma historinha qualquer que quem escutava, se esbaldava de tanto rir. Quando eu as conto, juro, nunca tem a mesma graça.
 

E o Ramalho sempre tem um comportamento engraçado na própria forma com que se comporta. Eu me lembro de quando ia na L&M para entregar os seus trabalhos de ilustração(1), e, chegando na porta adentrava o corredor gritando: “Alôôô Putaaadaaaa!” Era um senhor rebú. Mas, ao mesmo tempo uma alegria geral, porque à sua chegada, quem estivesse triste podia esquecer aquela situação. O Nilton punha-se logo a conversar com todos, a abraçar, a rir. As pessoas que estavam em outras salas, saíam apressadamente para estar com ele, saudosos dos tempos em que ele trabalhou ali, com elas. E em poucos instantes a agência virava um tumulto. No melhor sentido.
 

Mas o Nilton conta um caso que eu acho simplesmente do cacete. Havia um mendigo sempre parado na porta do prédio em que tinha o seu estúdio. Todo dia, o Nilton (com o seu grande coração) levava um pão ou qualquer coisinha para abrandar a fome do coitado. O mendigo agradecia e o ele respondia: “Tudo bem, “xará”, é um presentinho pra você...”

E isto foi acontecendo com o passar do tempo, virando quase que uma rotina. Um belo dia, o mendigo o chamou e perguntou alguma coisa. Quando o Nilton ia saindo o sujeito agradeceu e disse: “Obrigado Antônio(2), obrigado...”. O Ramalho parou, cofiou a barba e retrucou: “...Mas, meu nome é Nilton...”. Ao que o Antônio repondeu: “Ué... você não me chama de xará?”
 

1  As ilustrações do Ramalho são tão boas que havia clientes que só aceitavam story-boards marcados por ele.
  
2  Não sei se o nome do mendigo era Antônio. Coloquei aqui apenas a título de, sem trocadilhos, mera ilustração.

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sábado, julho 06, 2013

O “caso” do Homem Minister

Quando atendia a Souza Cruz na Salles, lá pros idos dos anos 80, fazíamos um bom trabalho para as suas marcas. O Eric Nice era o designer exclusivo de todas as embalagens do fabricante. Nos seus quase oitenta anos, aquele mestre, em sua salinha na Salles de São Paulo elaborava meticulosamente mockups de novas caras para produtos antigos, ou caras inéditas para produtos idem. Era o bam-bam-bam da história. E, tiro o meu chapéu para reverenciar o seu trabalho e a sua memória.

Mas, voltando à vaca fria, à Salles Rio, que na época tinha, entre outras contas expressivas, a Souza Cruz. Para ela criamos campanhas para diversas marcas. Lembro-me de um filme para Continental, do Bernardo Vilhena, usando aquela música do Roberto Carlos: “Eu voltei... porque aqui é o meu lugar... e lá, la, la... lá, lá, lá...”, que emocionou o Brasil e decerto marcou presença na história da publicidade neste país.

Entretanto, a Souza Cruz também tinha as suas pedrinhas no sapato. E uma delas era uma marca pioneira em cigarros com filtro, outrora um símbolo de status, e que de repente começava a despencar vertiginosamente em vendas. Lembro-me perfeitamente da primeira reunião que tivemos com o Domingos Logullo (à época o Diretor Nacional de Criação da agência) em que ele falava da necessidade que teríamos de criar uma campanha, para alavancar e reerguer a marca, pois o fabricante não queria desativá-la. Paulistamente falando, uma dupla de criação de Sampa vinha nos “ajudar”. E veio. Prefiro nem citar nomes, pois eram sujeitos do cacete com quem nos demos otimamente, apesar do sentido paternal e intervencionista intrínsecos...

O certo é que de imediato começamos a fazer reuniões atrás de reuniões. Longos brainstorms a portas fechadas para achar uma solução. Foram dias, semanas de um esforço em que saíram as idéias mais estaparfúdias e as mais criativas quase que simultaneamente. Um exercício criativo de causar inveja a qualquer Jerry Della Femina (1) da vida.

Mas a coisa prolongou-se por este período sem uma solução aparente. Examinando números e o mercado, suas novidades como produtos light e otras cositas más, ficava difícil reerguer a condenada e outrora gloriosa marca. Mas, um belo dia, alguém que não me lembro mais saiu com a idéia do “Homem Minister”. Um fator novo que balançou o coreto. Mas, quem seria este homem? Quais as características que fariam alguém ser o homem Minister?

Depois de muitos vais e vens, de se terem rifado “ene” alternativas, chegamos finalmente a um nome: Tarcísio Meira. Bonitão, ator de novela, comprovadamente macho, casado há anos com a Glória Menezes. Por quê não? E ficamos nele. Por unanimidade a agência inteira aplaudiu. Até que um “advogado do diabo”, que também não me lembro o nome, mas que certamente deve estar ardendo nas profundezas do inferno, levantou aquela lebre: “Mas, e se o cara morre? Afinal ele pode ter um acidente, vive na ponte aérea e blá, blá, blá...”

Assim acabou o “Homem Minister”. E algum tempo depois, a própria marca. Quanto ao Tarcísio Meira. Acho que a última vez que foi visto estava fazendo um papel em alguma novela das oito, que já é das nove... há muito tempo!

1.  Jerry, considerado nos anos 60/70 dos mais criativos publicitários da época, foi um dos sócios da “Della Femina Travisano & Partners”, também uma das agências mais criativas dos Estados Unidos, e tinha uma característica ‘sui generis’ em sua forma de atuar, chegando uma ocasião a afirmar que sua agência não aprovaria nada com seus clientes. Estes veriam os anúncios publicados, os filmes no ar, etc. Porque ele acreditava que, por saber o que fazia, o cliente tinha que confiar nele e em sua equipe. E fim de papo...

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segunda-feira, julho 01, 2013

Lançamento terá a presença de Antônio Torres

Acima o convite de Rita Olivieri-Godet para o lançamento de seu livro no dia 15 deste mês na Casa de Rui Barbosa, Rua São Clemente, 134, com uma mesa redonda às quatro da tarde na qual estará presente o ex-publicitário e escritor de sucesso internacional Antônio Torres.

Rita, que conheci na Bahia em 1982, então casada com um primo, encontra-se há muitos anos na França, onde é professora titular de literatura brasileira da Université Rennes 2, alem de membro do Institut Universitaire de France, lança este livro que aborda a literatura, a autonomia dos povos ameríndios e a construção de uma cidadania nos estados nacionais, particularmente no Brasil, Argentina e Canadá.

Um programa imperdível!