sábado, agosto 31, 2013

NÃO PERCAM...

Imperdível mesmo esta “Fish & Chips”, texto brilhante de Tereza Briggs-Novaes, feita para rir do início ao fim... Para os mais sensíveis, rir sim, mas com uma lágrima a escorrer (sutilmente) no canto esquerdo do olho esquerdo e no mais profundo d'alma, em solidariedade ao ser humano...

A equipe de criação, é formada por feras, como Marcos Flaksman no cenário, Kika Lopes no figurino, Aurélio de Simoni no desenho de luz e a direção impecável de Ary Coslov.

No elenco encontramos Bruno Ferrari, Marcello Escorel, Rubens de Araujo, Thaís Portinho, Gustavo Ottoni e minha amiga e Musa, Zaira Zambelli, que retratam num verdadeiro show de interpretação, o dia a dia daqueles imigrantes em suas difíceis tentativas de sobrevivência num país cada dia mais fechado à clandestinidade. 

Não percam, porque os preços são tão bons quanto a peça: inteira R$ 20,00 (vinte Reais)  e a meia entrada por R$ 10,00 (dezeais).

terça-feira, agosto 20, 2013

O homem que mexendo corações, quase fez o Brasil papar mais uma


A matéria acima, publicada pel’O Globo de 26 de janeiro de 1992, data anotada por minha mãe em seu tôpo, assinalou uma data triste para mim, até porque, trabalhando na Europa, não pude comparecer ao sepultamento de meu tio Luis... O Luis Alberto, destacado locutor da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro (ao lado de Waldir Amaral e Jorge Curi), comentarista  esportivo em um dos primeiros telejornais da TV Globo, ainda nos anos 1960, antes do Jornal Nacional. Um craque do microfone e dono de uma voz envolvente, o suficiente para encantar milhões de torcedores por esses Brasis afora...


Porem, mais do que meu tio, Luis Alberto foi um amigo... Juntos, tomamos um dos maiores pileques de minha vida, à procura de um lauto repasto, cuja iguaria seria Filé de Jacaré (em Miguel Pereira - RJ), e que acabou –após paradinhas de bar em bar–, num boteco à beira de um rio naquela cidade serrana, comendo Cascudos à Milanesa, por sinal, muito bem regados a uma maravilhosa pinga de Salinas e cervejas geladas... Estupidamente geladas...

E mais ainda, pois tio Luis, para alem de professor de Comunicação na Universidade Gama Filho era de uma criatividade que brotava da própria pele, como o suor de sua testa, recordo-me, quase sempre encharcada neste clima "ameno" do Rio de Janeiro.

Mexicoração foi sucesso musical
Na Copa do México (1986), criou a expressão “Mexicoração”, que, pela sua simplicidade, considero simplesmente genial.
Inexperiente na questão de direitos autorais, e, não tendo registrado a frase antecipadamente, Luis Alberto passou o maior sufoco para conseguir receber os royalties referentes à sua criação. Mas, foi obtendo vitórias daqui e dali, isto, anos depois do ocorrido, embora a própria TV Globo tenha lhe pagado um valor apenas simbólico, pela utilização da frase em um jingle criado especialmente para aquela Copa. Mais até pelo fato dele trabalhar na Rádio Globo há mais de 10 anos, naquela data.

Papa essa Brasil pegou tanto
que continuou usada na África
do Sul, 20 anos depois

Já para a Copa seguinte,  a da Itália (1990), ele chegou devidamente preparado com sua frase, desta feita “Papa essa Brasil” devidamente registrada e seguramente sua. O que o fez papar o preço de seu talento, inclusive com o popular  jingle da Globo, que a massificou.  

E o Brasil, que tambem poderia ter papado essa?



quarta-feira, agosto 14, 2013

Quem conhece recomenda... E o “espírito da coisa”


Atlantis era uma empacotadora e distribuidora de centenas de produtos asiáticos, e queria lançar antenas parabólicas, em Portugal, coisa que estava na moda naquele país, no início dos anos 1990.
Quando a Opal Publicidade assumiu um compromisso com o cliente dele aumentar suas vendas, pensamos numa estratégia para diferenciar as parabólicas Atlantis das demais, absolutamente iguais e da mesma procedência.
E a estratégia era a de, insinuando um japonês indicando o produto, torna-las antenas mais avançadas, pelo fato de o Japão, principalmente naqueles tempos,  ser mesmo muito melhor do que as Coreias, Taiwans e Hong-Kongs da vida.
A partir deste raciocínio surgiu o slogan: “Quem conhece, recomenda”. Reproduzo aqui o anúncio de lançamento com base nesse conceito e algumas cenas do primeiro comercial para as parabólicas, porque, infelizmente não tenho o filme. Sei que a duras penas e dezenas de testes da produtora, conseguimos um “japa” em Lisboa que tinha aquele sotaque típico e sugerimos que o filme tivesse os letreiros em japonês, o que ficou muito fixe(1).

Bem, o filme das parabólicas foi um sucesso, o que resultou em vendas. E, claro, o cliente ficou muito satisfeito. O que fê-lo nos procurar pouquíssimo tempo depois.
Desta vez ele queria fazer um filme vendendo mais produtos, tais como rádios, torradeiras e aspiradores de pó. Criamos, o Orlando e eu, um comercial explorando o “japa” nas mais variadas situações. E, neste particular, nosso garoto-propaganda  possuía uma verve de comediante, conseguindo ser bastante desconjuntado e engraçado...
Ainda me lembro que cheguei em Lisboa para a filmagem e estava um frio dos diabos. E o estúdio alugado pela AMA, a produtora era longe do centro, coisa que não acontecera no filme das parabólicas.  No entanto, numa noite, após as filmagens, saboreei o que classifico como o melhor bacalhau em meus três anos por terras lusas. Foi num restaurante em um largo, ao pé do Castelo de São Jorge.

Mas, resumo a ópera, o filme foi ao ar, e, parece ter vendido bem... O fato, melhor dizendo o facto é que o Mário (era o nome do cliente) chamau o Atendimento para um novo briefing.
Desta feita a reunião foi na casa dele. Ainda lembro do contato brasileiro a nos descrever o patético jantar do Mário, devorando um frango assado e lamber os dedos no melhor estilo D. João VI, e, falando de boca cheia refutar a sua colocação de que o japonês poderia estar a fazer algo como...”, dizendo que a agência não tinha ideias diferentes, que este negócio de japonês era a lei do menor esforço, que já era tempo de mudar. E de nada adiantaram os argumentos do nosso colega sobre a construção de uma marca através de um personagem, citando, inclusive o caso do Carlos Moreno, o famoso garoto Bom-Bril...

O filme seguinte foi um garotinho, louro, fazendo um joguinho daqueles, que tambem à época, eram uma verdadeira coqueluche. O Mário não havia assimilado o “espírito da coisa”!


1. Fixe em Portugal significa massa, legal, bacana, etc...